Resistência Islâmica VI

Este blog, por intermédio de um dos seus escribas (Shift), parece apostado em inverter a lógica infantil em que vinha caindo nos últimos tempos e voltar a falar (também) de coisas sérias. De louvar. Antes alinhar pela defesa da resistência islâmica do que insultar ao desbarato quem nos ataca o coração (ou deveria dizer disco rígido?). Quanto ao desafio para que se resolvam a tiro diferenças teóricas venho desde já dizer que da minha parte aceito o embate com uma condição: que na equipa do spectrum joguem também os arrastados e os jugulentos. Estão cada vez mais parecidos. O que os primeiros dizem com infantilidade e os segundos dizem com erudição, dizem também os terceiros mas com muitas palavras feias metidas ao barulho.

Exemplos imaginários que não tive paciência para ir buscar as citações:

Spectrum: “o sexismo é uma coisa… bem… a palavra coisa é capaz de ser sexista… o sexismo é uma coisa e um coiso pouco sexy pá. Bah… vamos mas é dar mandar uns calhaus a uns e a umas carecas à noite e de manhã fazer campanha pelo Manuel Alegre ou pelo António Costa. Bolas… Duas referências masculinas… como cumprir aqui a paridade de género definida no nosso estatuto editorial… Bah.”

Arrastão: “O que se entende por sexismo tem que ser visto à luz do final da tarde em dia de equinócio pois o mesmo entendimento a outra hora dará uma perspectiva absolutamente diferente das múltiplas visões possíveis para a análise do comportamento sexual do mamífero com polegar opositor. Esta realidade idiossincrática levanta um conjunto amplo de dúvidas que nos devem fazer pensar se a culpa não é afinal do socialismo real.”

Jugular: “o sexismo é uma merda embora me chateiem os pica na merda e às vezes seja eu própria um bocado sexista. Foda-se. O que eu queria era não ter que falar destes temas do caralho. Puta que pariu.”

[Roteiro de um debate]

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25 respostas a Resistência Islâmica VI

  1. Dallas diz:

    Renato, para quê misturar no mesmo post um exemplo de resistência (não necessariamente islâmica), com uma crítica (na minha opinião, algo obsessiva) ao spectrum ou ao arrastão?

  2. Goncalo Velho diz:

    É impressão minha, ou uma escola pública está a promover em directo na RTP1, uma missa para celebrar o seu aniversário?

  3. Party Program diz:

    Oh renato nigga please, como se tu escrevesses alguma coisa de jeito…

  4. Salah al Din diz:

    O post assinala correctamente o quão chocante é o decadentismo de alguns que discutem o sexo dos anjos (ou quase) enquanto no mundo milhões lutam pela libertação e estão em causa verdadeiros valores. Gentinha hiper-egoista que julga ser o seu cu o centro do mundo…

  5. carmo da rosa diz:

    A discussão neste video-filme do Youtube passa-se certamente em Israel, o único país do médio-oriente em que isto é possível…

  6. Manuel diz:

    Essa comparação tripartida está do melhor.

    Ainda vamos ver este triunvirato a defender a pornografia, quando for confrontado se é sexista ou não. Ai, os liberais… a confusão em pessoa.

  7. carmo da rosa diz:

    O post assinala correctamente o quão chocante é o decadentismo [eu diria ‘a decadência’] de alguns que discutem o sexo dos anjos (ou quase) enquanto no mundo milhões são assassinados diariamente em nome de Alá…

    Salah al Din, k’bir shukran pelo início de frase.

  8. Renato Teixeira diz:

    Dallas, como poderá ver nos diferentes links trata-se de uma resposta a várias provocações do Spectrum. Quanto ao Arrastão e ao Jugular apenas se tratou de evidenciar as semelhanças que cada vez mais o discurso político tem em alguma esquerda lusitana.

    Gonçalo Velho… ando pouco televisivo. Quer ser mais específico?

    Party Program, não se tratava de uma crítica literária, mas ainda assim fico feliz de saber que me anda a ler.

    Carmo da Rosa, devia ir carpir as suas mágoas para o colo do seu Fiel Inimigo… é melhor albergue para os seus lamentos sionistas.

    Manuel e Salah al Din, obrigado pelos elogios. A ver vamos se o triunvirato percebe o “nosso” recado. Saudações.

  9. Dallas diz:

    Pois, mas porquê utilizar a questão palestiniana para fazer isso?

  10. Renato Teixeira diz:

    Dallas porque é essa a questão que tenho vindo a tratar e porque os “nossos” amigos do Spectrum deixaram a parvoíce das últimas semanas para se juntarem ao tema. Tratava-se evidentemente de um elogio e de um plágio (com algumas respostas às suas provocações).

    Não quer o Dallas focar-se na questão palestiniana? O que lhe pareceu o vídeo? Porque não o considera parte da resistência islâmica?

  11. zé neves diz:

    renato,
    do que conheço, existem no spectrum diferentes posições políticas. a tua tentativa de redução do blogue a uma só posição é por isso desonesta. seria o mesmo que dizer que no 5dias todos pensam o mesmo que tu pensas.

  12. carmo da rosa diz:

    @ Renato Teixeira “Carmo da Rosa, devia ir carpir as suas mágoas para o colo do seu Fiel Inimigo… é melhor albergue para os seus lamentos sionistas.”

    Caro Renato, olhe que não sei, tenho a impressão que no 5dias apenas a redacção, ou seja os manda-chuvas, não gostam de mim, o resto, o povo, dá-me a sensação de ter aqui mais aliados do que no Fiel Inimigo…

    De qualquer maneira proponho-lhe uma troca: você publica no FIEL INIMIGO aquilo que lhe der na real gana, e eu pessoalmente encarrego-me de lhe fazer um belo lay-out – que lhe enviarei previamente para você dar o seu aval. Mais tarde espero que você tenha o ‘fair-play’ de me ceder um espaço no seu blogue para eu defender cá as minhas manias…

    Que acha da ideia? Eh pá, porque isto de estar sempre a pregar aos mesmos peixes é mesmo ‘deadly boring man’…

    P.S. Tem o meu e-mail não tem?

  13. Renato Teixeira diz:

    Zé Neves, trata-se de uma provocação aos visados. Nada mais. Ainda assim, considera que a generalização é uma espécie de amor para pagar amor na mesma moeda.

    “Paradoxalmente, esta, apesar de ser na prática uma acção de luta contra as forças mais reaccionárias da sociedade portuguesa, pode-se dizer que é também uma acção de defesa de uma Lei aprovada pela dita esquerda parlamentar, onde se encontra o PS… É caso para perguntar (provocatóriamente): E agora, 5 dias?”

    http://spectrum.weblog.com.pt/arquivo/2010/02/tods_pela_liber.html#comments

  14. Renato Teixeira diz:

    Carmo da Rosa, não faço negócio com quem quer sabotar o 5dias. Cada um no seu albergue parece ser o único acordo que podemos fazer. Passar bem.

    “Sugiro a todas as pessoas que são a favor da LIBERDADE DE EXPRESSÃO que façam copy paste e espetem com a carta de vez em quando no 5dias…”

  15. Ricardo Noronha diz:

    Pergunto a mim mesmo com quem é que tu fazes negócio Renato. E fiquei a saber que o que te separa da extrema-direita são «diferenças teóricas». Cada vez mais esclarecido, portanto.

  16. Renato Teixeira diz:

    Ricardo Noronha, falava evidentemente do desafio do Saboteur:
    “Eu alinho num jogo de paint-ball: Spectrum contra 5 dias.
    Publicado por [Saboteur] às fevereiro 27, 2010 04:37 PM”.

    Quanto a negócios, vê lá tu que até já os fiz contigo:
    http://www.revistarubra.org/?page_id=875

  17. Dallas diz:

    Focando-me então na questão palestiniana. Parece-me que o movimento de resistência vai para lá do islâmico. O FPLP não é islâmico, e o Hamas parece-me mais nacionalista que islâmico. Seria o mesmo que definir o movimento independentista basco como católico.

    Não obstante isto tudo. Queres atacar o spectrum. Tudo bem? Força. Pá, mas colocares esta questão no meio, na minha opinião, não tem qualquer sentido.

  18. Renato Teixeira diz:

    O movimento de resistência não se resume evidentemente às suas direcções nacionalistas ou islâmicas, mas concorda por certo o seu peso e relevância. O outro exemplo que dá bom para se perceber isso. No país basco o credo é irrelevante, na Palestina, não. É bom de ver porquê. Os católicos do independentismo enfrentam-se a católicos espanholistas. Os palestinianos enfrentam-se a um estado racista e sionista.

    PS: (quanto ao atacar o Spectrum deixe-me deixar claro que se tratou de uma defesa e não de um ataque. Quer ver o ataque, passe nos links que sugeri no post).

  19. Ricardo Noronha diz:

    Sim. Mas ambos sabemos que não foram esses os negócios que te renderam mais. As nossas «diferenças teóricas» continuam de pé.

  20. shift diz:

    Caro Renato,

    Fazer uma amálgama entre a seriedade de um post e a caracterização infantil de todo um blog (onde aliás esse mesmo post está inserido) resulta na : desvalorização do conteúdo que tentou relevar como sério (como pode testemunhar pelo teor destes comentários); contradição entre não gostar da linha do blog mas ainda assim frequentá-lo e investir o seu tempo na sua divulgação. Dizer ainda que essa caracterização de infantilidade é muito pouco original, o seu amigo DO já chamou o Spectrum de parque infantil. Nós por lá continuamos a passar bons momentos unidos em quase tudo – politicamente em muito poucos aspectos.
    Por outro lado, como o Dallas já referiu, é um pouco redutor ter transformado o meu post num alinhamento pela defesa da resistência islâmica. Como sabe o BALAD e o parlamentar em questão (Zahalka) estão longe de defender esse tipo de resistência. Foi talvez um azar ter pegado neste post, uma vez que em cinco anos de participação no Spectrum já fui levada a defender a resistência islâmica, nomeadamente o Hamas e o Hezbollah numa determinada conjuntura sócio- política da região. E aí reconheço ter uma afinidade consigo, que vai, imagino, muito para além da política.

    Ma Salam

  21. Renato Teixeira diz:

    Shift, o post é sério e começo por o dizer. Quando os ponho em contraste é precisamente para evidenciar a anterior falta de sentido de boa parte das intervenções de outros escribas do Spectrum. Há que reconhecer que debater com base em acusações e insultos poderá não ser a via mais inteligente para brincarem com mais gente do que aquela que têm no parque.

    Sim porque brincar é bom. Quando digo que estão a ser infantis não vos estou a censurar a capacidade para a brincadeira (salutar) mas a falta de piada e sentido dos mimos que têm trocado com vários escribas aqui da tasca.

    Quanto à seriedade do conteúdo não deve confundir a opinião de dois ou três comentadores (um dos quais com a qualidade que seguramente reconhece ao Carmo da Rosa) para retirar conclusões sociológicas sobre o post. Ainda assim às vezes acho que confundir coisas sérias com outras a brincar pode ter um impacto positivo.

    Por fim, saúdo uma vez mais (o post também era em parte isso) a sua posição sobre a resistência islâmica. Isso não quer evidentemente dizer que o Balad seja muito progressivo. Quer apenas dizer que aquela peixeirada dá substância e relevo aos argumentos que caracterizam o Estado de Israel como um Estado racista, e consequentemente uma defesa dos argumentos da resistência islâmica.

    PS: As afinidades entre os escribas dos dois blogs são óbvias (regra geral) mas isso é só mais uma razão para não descerem ao primarismo do insulto e da simplificação. Da minha parte terão sempre amor na mesma moeda. Espero que para o efeito o Ricardo aceite petro-dólares.

  22. Pingback: cinco dias » Resistência Islâmica: o rescaldo de um debate

  23. Ricardo Noronha diz:

    No que respeita “ao primarismo do insulto e da simplificação” já me deves uma fortuna. Podes pagar directamente em kwanzas.

  24. Renato Teixeira diz:

    Azar Ricardo. Vais continuar a arder. Só tenho dólares.

  25. Paulinho diz:

    Ricardo Noronha és um menino do mondle diplomatique…nunca enganaste ninguém com essa tua esquerdalhice infantiloide…tu e os teus amigos pequeno burgueses da fcsh…meninos rabinos

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