Um dos melhores momentos em defesa do Hezbollah, de denúncia de Israel e do carácter dos meios de comunicação de massas neste conflito. Trata-se de um activista que tem no Reino Unido uma trajectória em organizações laicas e de esquerda (e ainda assim se diga crente). Não é contudo nem dessas militâncias laicas com mais medo da fé do que um alcoólico do vinho, nem dessa esquerda avessa às resistências que de facto resistem. Preferem sonhar aquelas que não existem.
Deixa claro o que outros (mesmo convencidos) deixam na escuridão. A falar alto o que muitos (mesmo de acordo) deixam em surdina. Tudo isso e ainda assim a esclarecer. Aliás… principalmente a esclarecer. António Marinho, ao pé de George Galloway, é um menino.




este Galloway é um cá dos nossos! basta assinalar que pela época da última invasão do Libano aqui referida tinha ele publicado a biografia “Um Livro de Bolso Sobre Fidel Castro”
gostei particularmente da parte da entrevista em que Galloway diz à jornalista “what a silly person you are! toda a gente vê isto menos você” sobre os prisioneiros detidos pela tropa israelo-sionista. É verdade; por esta altura deviam rondar os 800o presos encarcerados nas masmorras de Israel; e a resistência árabe apenas pedia que libertassem os menores de 18 anos e as mulheres. De facto ninguém sequer lhes sabe os nomes. Mas para defender os criminosos os governos não se furtam a esforços. Eu próprio vi recentemente um cartaz enorme do soldado israelita Gilad Shalit pendurado na fachada da Câmara Municipal de Roma. Nesse momento de indignação senti uma profunda vergonha de ser europeu.
Israel é um Estado Terrorista! desde a sua criação que utilizam a doutrina do falcão e da pomba; é sempre a mesma politica concertada: 1. traçam o objectivo (no caso do Libano o controlo da bacia hidrográfica do Rio Litani) 2. acirram eles próprios com provocações a revolta e constroem um pretexto e 3. desencadeiam a acção de retaliação e dão a conquista como adquirida.
exemplar
os danieis oliveiras não podiam ter causa mais justa para peticionarem tretas
errata
obviamente queria escrever “em vez de peticionarem tretas”
a propósito… não se arranja por aí uma malta para se traduzir e legendar estes videos? ainda não perdi a esperança que este blogue se venha a transformar num género de Huffington Post cá do sitio
Avanti
Renato,
Como imaginas, o problema não é ter medo da fé. É sim não querer dormir com fanáticos que nunca saberiam conviver com o Galloway ou connosco. Se ouvires esta divertida entrevista com atenção, verás que a vertente religiosa daquele conflito é elidida. Eis mais um que não quer assinar um pacto com o diabo, mas gosta na mesma de estar do seu lado, quando ele está a dar uma tareia a uma teocracia pavorosa como hoje é Israel. A mim, isto parece-me uma tentação a recusar. Quem é capaz de matar em nome de deus pode amanha estar a bater-nos à porta, porque um desvairado qualquer lhe “explicou” que o senhor nos quer mortos.
Renato Teixeira,
George Galloway é laico porquê?
(Eu tinha prometido não tentar mais argumentar consigo, mas agora fiquei curioso quanto ao seu conceito de laicidade.)
Luís, estás enganado. Dão-se bem. Têm uma parceria estratégica chamada Press TV, directamente financiada a partir do governo do Irão.
Fazem melhor trabalho do que aquele que vemos todos os dias nas nossas televisões. Acredito mesmo que faz do melhor que já vi em Televisão. Dá uma olhadela. Ainda há dinheiro para reportagens, bons debates, enfim.. aquilo que é preciso esperar meses para se ver no Ocidente.
Vais ver que os fanáticos que acusas têm um sentido táctico bem mais apurado do que aquele que imaginas.
Faltava o link da PRESS TV: http://presstv.ir/Programs/detail.aspx?sectionid=3510520
Ricardo Alves, tem razão. Deveria ter dito tem uma militância laica uma vez que ele diz ser crente (embora raramente especifique do quê). Vou rectificar. Não faça promessas que não consegue cumprir.
Já agora, para lá do primeiro reparo, que agradeço, viu a entrevista?
Ricardo Alves,
trata-se certamente, não da laicidade vulgar dos que “têm medo da fé”, mas da superior laicidade sagrada dos heróis…os autores fascistas explicavam o conceito.
Renato Teixeira,
a militância laica do George Galloway consiste exactamente em quê?
(O Galloway é católico praticante. E pode ser-se católico praticante e laico. Mas não me parece que seja esse o caso dele.)
Foi compagnon de route de route do SWP (socialists workers party) e participa há muitos anos neste festival: http://www.marxism2010.com/
Pode ser-se militante numa organização laica e ser-se católico ou outra qualquer religião. Evidentemente. Defende por isso a laicidade do regime. Laico o suficiente para si?
Os talibãs (e não só) já resistiram à presença da URSS no Afeganistão – uma presença a pedido do Governo de Cabul. Um executivo a braços com a resistência por entre outras coisas ter querido que as mulheres tivessem direitos iguais aos dos homens.
Acho que convinha que juntasse às classificações do post um conjunto de gente de esquerda que não sendo avessa às resistências o é em relação aquelas que, por exemplo, pretendem instalar sobre a terra um paraíso teofascista.
Então basta ser marxista (leninista ou não) para se ser laico? Isso é mesmo a sério?
Galloway é meu ídolo, um formidável orador que esclarece qualquer questão, que esmaga qualquer opositor, que entusiasma qualquer audência. Anos-luz à frente dos politiqueiros normais. E uma dimensão ética enorma. Expulso do Parido Trabalhista foi eleito com um partido que fundou (Respect Party) num círculo londrino de maioria muçulmana.
É o principal organizador das caravanas Viva Palestina que socorrem Gaza. Os verdadeiros católicos consideram-se aliados dos muçulmanos na renovação da fé e na resposta à ofensiva religiosa do eixo evangélico-judaico.
Acho mais piada ao duelo Galloway-Paxman, quando o Galloway foi eleito deputado pelo Respect:
E no entanto não consigo abandonar a suspeita de que tanto o Hezbollah como o Hamas são criações de Israel. E Porquê?
Nalguns aspectos claramente demarcados, o actual apoio dos Estados Unidos ao governo israelita corresponde aos interesses próprios americanos. Numa região onde o nacionalismo árabe pode ameaçar o controle de petróleo pelos americanos assim como outros interesses estratégicos, Israel tem desempenhado um papel fundamental evitando vitórias de movimentos árabes, não apenas na Palestina como também no Líbano e na Jordânia. Israel manteve a Síria, com o seu governo nacionalista que já foi aliado da União Soviética, sob controlo, e a força aérea israelita é preponderante na região.
Como foi descrito por um analista israelita durante o escândalo Irão-Contras, onde Israel teve um papel crucial como intermediário, “É como se Israel se tivesse tornado noutra agência federal [americana], uma que é conveniente utilizar quando se quer algo feito sem muito barulho.”
O ex-ministro de Estado americano, Alexander Haig, descreveu Israel como o maior e o único porta-aviões americano que é impossível afundar.
O alto nível continuado de ajuda dos EUA a Israel deriva menos da preocupação pela sobrevivência de Israel mas antes do desejo de que Israel continue o seu domínio político sobre os Palestinianos e que mantenha o seu domínio militar da região.
Na realidade, um Estado israelita em constante pé de guerra – tecnologicamente sofisticado e militarmente avançado, mas com uma economia dependente dos Estados Unidos – está muito mais disposto a executar operações que outros aliados considerariam inaceitáveis, do que um Estado Israelita que estivesse em paz com os seus vizinhos.
Grande Koenige… outro bom momento, sem dúvida. Ainda assim a menina sai mais esmagada do que o Paxman… não admira.
Abraço
É melhor sobre a resistência islâmica do que sobre a resistência no Reino Unido e a sua passagem pela vida dos Lords…
Ricardo Alves, começo a recear que estejamos numa conversa de surdos. Ainda assim uma nova tentativa: O movimento operário internacionalista sempre teve nas suas fileiras um conjunto significativo de crentes. Poderemos caracterizar esses militantes como tendo um activismo laico? Parece-me óbvio.
Se quiser ver o vídeo cá estaremos para conversar sobre a resistência islâmica.
Renato Teixeira,
certo, o movimento operário sempre incluiu crentes. Mas Galloway formou um partido incluindo organizações de base confessional (e bastante «conservadoras», para usar um eufemismo…). Abdicou de organizar os muçulmanos pobres da Inglaterra numa organização de classe, para o fazer a partir da religião. O Renato defende que o PCP se coligue com a Comunhão e Libertação? Quer o Jerónimo ao lado da Isilda Pegado?
Ou têm mesmo que ser muçulmanos? Olhe, houve muçulmanos a «resistirem» no sábado passado na Av. da Liberdade. Ao lado do PNR. Porque não se juntou a eles?
Quanto ao vídeo, já o vi e não lhe acho grande interesse.
Aguardo a sua resposta ao texto que escrevi no meu blogue. Se estiver interessado em ter uma discussão com pés e cabeça, claro.
Galloway não é exactamente laico; mas acertaram quase – no jargão demótico- marxista chamar-se-ia “lacaio”a um tipo que se fez pagar pela sua opinião. Eis apenas um excerto do que sobre ele se apurou :The Senate Permanent Subcommittee on Investigations (…) presented persuasive evidence showing that Galloway’s front organization, a “charity” known as the Mariam Appeal that campaigned against the sanctions on Iraq, had in fact received direct Iraqi subventions from the proceeds of the U.N.-sponsored “Oil for Food” program. Bank records established that Galloway’s former wife had been paid at least $150,000 in this way. A completely separate U.N. inquiry chaired by former Federal Reserve Chairman Paul Volcker* identified another “Oil for Food” payment to the same lady, this time in the sum of $120,000.”
Ricardo, se acha este vídeo pouco interessante eu começo a perder motivação para ir ler o seu texto sobre o assunto. Pelo menos perdi a motivação para o ir procurar. Pode relinkar?
Ainda assim, vejo que a par de M Ribeiro prefere sempre a areia das discussões ao argumento.
Neste debate, GG desmascara completamente a mordaça que os media têm neste (como em tantos outros mas em poucos como este) um pudor sionista.
Como ele bem diz no final, o sangue israelita é sempre santo, o árabe sempre maldito. Não pode haver inversão de papéis no que toca a quem é o agressor e a vítima.
Salah al Din,
você disse “democrático”, a propósito de uma discussão sobre o Hamas num comentário a um post anterior, do Luís Rainha.
Devo considerar que defende a liberdade religiosa (incluindo a dos ateus activos e militantes) em pé de igualdade para todas as convicções na matéria? Que condena as campanhas contra a publicação das caricaturas de Maomé? E as fatwas contra escritores que satirizem passagens do Corão ou o comportamento dos “muçulmanos piedosos”? Devo considerar também que se opõe à mutilação genital feminina e ao direito matrimonial e de família islâmico tradicional?
msp
Tem aqui o linque:
http://esquerda-republicana.blogspot.com/2010/02/esquerda-radical-e-islamofascismo-mesma.html
Cumprimentos,
Louve-se a exigência do sr. Ricardo Alves, que considera pouco interessante aquele raro momento em que todo o sentido de um media desaba instantaneamente. Se todos tivéssemos a mesma lúcida exigência, as nossas criancinhas aprenderiam a ler com a Crítica da Razao Pura do grande Immanuel. Já estou arrependido de ter dado às minhas o singelo Principezinho…
Uma nota, Ricardo Alves, qt ao post do esquerda-republicana onde alinha pelo exacto defeito do Renato Teixeira e do Carlos Vidal amalgamando tudo no mesmo saco. A mesma dificuldade com os pré-conceitos. A mesma vontade de execrar os movimentos comunistas.
Não são “OS bisnetos” de Lenine que se aliam aqueles que designa como islamofascistas (prefiro teofascistas). Quando muito pode dizer que há “bisnetos” que se aliam, mas também anda aí tanta degenerência em tantas famílias. Há muitos que os repudiam. muitos, muitos, garanto-lhe.
Miguel,
O Hamas é islamista, mas a Palestina, Terra Santa de 3 religiões, não é a Arábia. Por isso, o Hamas defende uma sociedade democrática, multicultural, laica ou multi-confessional (tipo Líbano), para muçulmanos, judeus e cristãos ( e alguns ateus que por aqueles lados são raros). O Hezbollah também respeita as outras confissões no Líbano e a partilha do poder entre elas, mesmo sendo islamista.
Campanhas contra Maomé, Cristo ou qualquer outro Profeta não são permitidas em nenhum estado civilizado (incluindo UE), porque são blasfematórias e agridem sentimentos profundos de milhões de pessoas, podendo causar confitos e guerras sangrentas.
São próprias de sociedades decadentes, anómicas e neoconeiras, como a Dinamarca. Nada têm a ver com liberdade de expressão, como a livre discussão dos aspectos teológicos de todos as religiões ou de corrente filosóficas. Insultar Deus ou um Profeta é ser antisocial e incendiário. A divindade aceita-se ou não, mas não se caricatura. Ponto. As leis europeias que (já) punem a blasfémia deviam ser aplicadas com severidade. Os cristãos admiram a veemência com que os muçulmanos sabem defender os símbolos sagrados.
A mutilação genital feminina nada tem a ver com o islão. É um costume pré-islâmico exclusivo de algumas tribos do Corno de África ou do Golfo da Guiné.
Também os crimes de corno que vitimaram 40 mulheres portuguesas no ano passado (além dos milhares de espancamentos) nada têm a ver com o catolicismo e com a nossa ordem legal.
O direito matrimonial tradicional islâmico é muito mais avançado que o nosso. Garante a coesão da instituição casamento e de fortes valores familiares que garantem a subsistência da espécie, ao contrário do decadente ocidente, onde não há crianças suficientes, famílias estáveis, maternidade responsável.
Desde sempre o divórcio (para casos excepcionais) e o casamento temporário existem no direito islâmico, que protege a mulher e a sua dignidade como parte mais fraca, ao contrário do que acontece no aputado, anómico e decadente ocidente.
No islão a sociedade e as suas instituições são coesas, fortes e saudáveis. Os pessoas são muito mais felizes, não há solidão social, desagregação familiar, falta de autoridade e de respeito pelos mais velhos e pelo Todo Poderoso, como no ocidente prostituido, sodomita, decadente e em queda demográfica vertiginosa.
Um video da grande Elissa:
http://www.youtube.com/watch?v=QsSJYgxmEU0&feature=related
A comparar este saudável pedaço de mulher com o farrapo humano, fruto da droga, da promuiscuidade, do avacalhanço feminista, do decadentismo reaccionário ocidental que figura aí para baixo na capa da “Happy” (!!!)…
Antónimo,
eu sei que nem todos os bisnetos de Lenine se aliam aos czares islamistas. No texto, referi explicitamente o nome do Renato Teixeira. Poderia ter acrescentado o nome do George Galloway, ou o do Ken Livingstone. Ou a LCI francesa do Besançon. Mas sei perfeitamente que nem todos os netos de Lenine têm os olhos cegos pelo anti-imperialismo.
Saudações
Saladino,
o seu discurso reaccionário, quase caricato, só tem uma falha: quando diz que o Hamas defende um Estado laico. De resto, está uma perfeita imagem de tudo o que abomino ideologicamente.
Laicidade (=separação do estado das confissões religiosas) não tem que (não deve ) necessariamente significar indiferença estadual em relação aos valores religiosos que cimentam a coesão e os valores sociais necesários à perenidade da sociedade, e muito menos hostilidade do estado em relação aos valores morais (leitura dos fundamentalistas ateus jacobinos, como o mata-frades e mata-mouros Ricardo Alves, reaccionário decadentista).
Salah al Din,
você ou esquiva as questões ou emite declarações fanaticamente reaccionárias: a sua resposta ao Ricardo Alves sobre a laicidade é exemplar sob esse aspecto.
Quanto ao resto, por exemplo, eu não lhe perguntei se a origem da prática da excisão era muçulmana ou se só os muçulmanos a impunham às mulheres. Queria saber se a repudiava, ou se considera a sua prática compatível com a democracia. Diga você o que disser, o certo é que essa prática foi investida e consagrada como uso no que respeita às mulheres islâmicas – e daí a razão de ser da minha pergunta.
Por outro lado, estou esclarecido quanto ao seu entendimento da liberdade de expressão e criação. O seu index pediria meças ao do nacional-socialismo.
Mas sim, é verdade que a democracia só pode afirmar-se através da destituição política da religião – o que significa, para quem como você pensa que a religião está acima das leis que os cidadãos possam decidir, a decadência da fé, o triunfo da impiedade pública.
msp
Infelizmente, George Galloway perdeu o respeito do SWP britânico, a partir do momento em que apareceu num programa do Big Brother a imitar um gato.
Miguel,
As regiões onde se verifica a prática da excisão constituem cerca de 1% daquelas em que o islão é região maioritária, pelo que aquela é estranha ao islão. Não existe na Indonésia, Paquistão e India, 1ª, 2ª e 3ª potências muçulmanas, por exemplo. Também há bruxaria e putedo nalguns desses países, mas não é decerto devido ao islão… Você tem um desconhecimento total do mundo. É ingenuamente eurocêntrico e desconhece que o ocidente não é o centro do mundo. Sobretudo hoje …
Quanto à pretensa incompatibilidade entre democracia e religião isso é um ponto de vista marginal e ultra-minoritário mesmo na Europa, dado que pelo menos 90% dos europeus são crentes.
O fundamentalismo jacobino é reaccionário, xenófobo e aliado objectivo da neoconeiragem e do terrorismo cruzado.
Confunde estado laico com estado fundamentalista ateu, tipo Albânia maoista, ou estado anti-clerical à Afonso Costa (o mata-fredes).
Laicidade não é nada disso. Isso era o que a jacobinada queria…
Salah al Din,
sim, de facto, é na parte do mundo islâmico mais próxima da Europa que a excisão é praticada e, por isso, admito que a minha formulação não foi acertada. Mas nos países dessa região do mundo, a excisão é praticada com a bênção da religião islâmica (que tanto quanto sei não abençoa a bruxaria, embora certo putedo, sim, pelas barbas do profeta, pois faz parte dos gozos dos fiéis mais valorosos).
E o certo é que você não responde ao que lhe perguntei sobre a excisão: o que eu queria saber é se a rejeita e proscreve, ou se considera a sua prática compatível com a democracia.
A destituição política da religião não é, ou pode não ser, o fim da religião, a sua abolição do plano dos usos e costumes. Significa simplesmente a sua exclusão do exercício do poder político e das suas leis. A fonte da lei, em democracia, é a vontade dos cidadãos, e as sua decisão pós-deliberações. E não os mandamentos da fé que alguns deles possam alimentar nem a interpretação dos livros sagrados por um clero autorizado.
Não, os países islâmicos mais próximos de nós são os do norte de Africa e aí não há excisão. Na Nigéria ou Somália é mais possível… ainda que se trate de práticas não islâmicas, em que não participa nenhum imã. São algumas velhas das aldeias que mantêm essas tradiçõespré islâmicas, não referidas no Corão.
A sua pergunta é por isso tão deslocada como o seria a de um muçulmano me interpelar para saber se eu estava de acordo com a violação de “franguinhos” pelos tarados da Casa Pia, alguns ex-ministros pedófilos ou padres, e sobre a compatibilidade de tal prática com o catolicismo ou a nossa democracia. Nem tudo o que aqui se passa tem a ver com democracia ou a religião.
A repressão da religião no espaço público é um objectivo totalitário de sectores jacobinos, destinado a impor à maioria crente um fundamentalismo ateu “de facto”, e que está inexoravelmente condenado ao insucesso. A maioria esmagadora dos cidadãos quer cruxifixos e aulas de religião nas escolas, missas na TV, etc.
A religião autêntica é para ser vivida en casa e nua rua, na vida pessoal e na vida pública, onde as vantagens sociais e económicas da vivência pública dos valores morais da religião são mais evidentes.
Uma sociedade onde se vivem profundamente os valores religiosos é uma sociedade coesa e autoordenada onde o estado poupa biliões. É essa a principal vantagem política da religião de que seria insensato prescindir. No mundo islâmico isso ainda é mais evidente.
E o século XXI vai ser (já está a ser) o século das religiões, depois de o totalitarismo ateu e as filosofias da “morte de Deus” terem colocado o mundo à beira do holocausto e terem conduzido o ocidente à decadência moral e ao niilismo de valores.
Salah al Din,
ouça, eu referia-me a países como Arábia Saudita, Arménia, Bahrein, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Yémen, Irão, Iraque, Jordânia, Kuwait, Palestina , Oman, Qatar, Síria ou Turquia, etc., onde a excisão é prática corrente entre piedosos muçulmanos, abençoada e não desautorizada por estes, que todavia não hesitam em punir outros usos (o adultério, por exemplo). E o que lhe perguntei foi se pensava que essa prática, nos casos em que foi islamizada, é compatível com a democracia.
Mas já toda a gente percebeu que você não quer responder: vai buscar exemplos disparatados e mais nada.
Quanto à destituição política da religião, não implica a sua passagem à clandestinidade nem a proibição de espaços de culto. Implica a sua exclusão do exercício do poder político: quer dizer a natureza não religiosa do poder democrático, num quadro de liberdade religiosa. Só as modalidades religiosas que aceitam a secularização do poder político e da sua esfera são compatíveis e lícitas em democracia. É preciso escolher. E você já o fez – contra a democracia.
msp
Os EUA (in God we thrust), a Grã-Bretanha (a raínha/rei tem que ser amglicana/o e é chefe desta Igreja) Os escandinavos (luteranos) a Grécia (ortodoxa), Israel (estado judeu e exclusivo para judeus), entre outros, são estados confessionais. E exceptuando iSSrael, são democráticos…
Em todos, ou quase, os estados que enumera não há prática de excisão, a sua obssessão islamófoba preferida. E alguns (Arménia, o primeiro estado cristão do mundo, séc III) nem sequer são muçulmanos. E você não encontra nenhuma autoridade ou texto muçulmano a regular ou autorizar tal prática estranha ao islamismo.
Por outro lado, os estados muçulmanos não têm centenas de bases militares no estrangeiro, não levam a cabo centenas de invasões militares, nem assassinaram milhões de crentes de outras religiões, como os seus amigos e terroristas cruzados e sionistas, que você não denuncia, fizeram nos últimos 60 anos, para não ir mais longe.
Também não apoiam regimes de apartheid religioso, mas vale a pena continuar?
É sobretudo na Africa Negra central e no Egipto ( desde o tempo dos faraós) que a exicisão é praticada.
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Fgm_map.gif
Ainsi, actuellement, l’essentiel des populations qui pratiquent ces mutilations sexuelles sont soit animistes, soit musulmanes. Il existe aussi certaines communautés chrétiennes au Ghana ou au Togo qui pratiquent les mutilations sexuelles ainsi que la communauté juive des Falashas. Les sources religieuses musulmane, juives et chrétiennes ne font pas mention de cette pratique.
En Afrique, on recense 28 pays où les mutilations sexuelles féminines sont pratiquées. La proportion de femmes excisées varie selon les pays. Trois groupes peuvent être distingués (chiffres au début des années 2000)[3]:
les pays où la grande majorité des femmes sont excisées soit plus de 85 % : Djibouti, Égypte, Éthiopie, Érythrée, Guinée, Mali, Sierra Leone, Somalie, Soudan.
les pays où seules certaines fractions de la population étant touchées et où 25 à 85 % des femmes sont excisées, proportion variant selon l’ethnie, la catégorie sociale et la génération : Burkina Faso, Centrafrique, Côte d’Ivoire, Gambie, Guinée-Bissau, Kenya, Liberia, Mauritanie, Sénégal, Tchad.
les pays où seules quelques minorités ethniques sont concernées et où la proportion d’excisées est inférieure à 25 % : Bénin, Cameroun, Ghana, Niger, Nigeria, Ouganda, République démocratique du congo, Tanzanie, Togo.
Selon l’UNICEF, 13 pays africains disposent de lois réprimant les mutilations sexuelles féminines et autres types de violences faites aux femmes.
Pingback: cinco dias » Resistência Islâmica VI
não MSP, como diz acertadamente Salah al Din a religião existe muito convenientemente pq através d”os valores religiosos se controla uma sociedade coesa e autoordenada onde o estado poupa biliões” (como aliás se complementa pelo Futebol) pq de outro modo – se fosse decretada a morte de deus (ou dos treinadores) – o controlo dos ressentimento social custaria uma fortuna em meios policiais..
Por outro lado, as sociedades islamizadas são de todo incompativeis com as democracias ocidentais (consideradas ad-nihil) – ali a Lei do Estado e da Religião é só uma, consubstanciada no Alcorão. As duas vertentes são de facto inseparáveis. Há coisas que aprecio no Islão, por exemplo o facto do controlo sobre a actividade bancária, na qual a religião não permite que se cobrem juros do dinheiro aos cidadãos; ou seja, impede que uns possam enriquecer à custa de outros: Apesar do luxo nas petro-oligarquias há-de reparar que não há pedintes ou miseráveis na rua (como p/e na baixa de Lisboa, inclusivé à porta de igrejas, a invisivel miséria encoberta, desaculturação grosseira da beatagem, padres que vão embarcados em companhias militares para guerras de ocupaçao, etc)
Outro aspecto positivo é a tolerância no Islão para com os cristãos, apesar de tudo; coisa que no reverso não está a acontecer actualmente devido à brutalização dos crentes católicos pela propaganda islamofóbica com origem no evangelismo neoconservador norte americano. Será de recordar que um dos mais fluorescentes periodos na história europeia se passou precisamente aqui no Al-Andalus onde os árabes entraram não por uma mera “guerra de conquista” mas pela assimilação voluntária das populações convertida à bondade de valores superiores. Em apenas 3 anos tinham chegado aos Pirinéus, o que não se conseguiria de modo algum pelo emprego da força; e não eram colunas invasoras, traziam consigo as familias.
de qualquer modo, eu seria o primeiro activista a colaborar na conversão de igrejas e mesquitas em museus e escolas de arte (como aliás aconteceu no Renascimento, mas por maus motivos)
cumpr
x
Salah al Din… Essa Elissa é capaz de ser a modos que um bocado infiel… não?
Boa dica.
Eduardo, George Galloway fez muitas coisas com as quais não concordo. Igual com o SWP de onde saiu. Agora sobre a resistência islâmica tem uma posição correcta e uma militância de assinalar.
Ricardo, li agora o seu texto e devo dizer que entender da serie de post subordinados ao tema da Resistência Islâmica que eu defendo a Al Qaeda é, no mínimo, má fé. Quanto ao resto discordamos acima de tudo na caracterização sobre qual é “o mais reaccionário movimento político do planeta”.
Já o paralelo entre os Czares e a resistência islâmica é de quem nem sequer entende que a monarquia e o feudalismo eram eles próprios movimentos imperiais pelo que a unidade a esses sectores contra Kerensky não passa de, como diria o MSP, uma finta argumentativa. Uma má finta, no meu entender. Daquelas que acaba em auto-golo.
Renato,
Não creio que a Elissa se porte mal… no Egipto isso faria cair a sua imagem pública de artista e de mulher e uma mulher interessa-se sempre pela sua cotação. A filosofia do corno manso é ocidental, meu caro…
Mas aqui vai dança de ventre, o suprasumo do erotismo (do sexismo, dirão os nossos esquerdistas angustiados e fracturantes, seja, que viva o sexismo e Allah u Akbar
)
http://www.youtube.com/watch?v=9K3tOXG7Gos&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=1W2w4VdN3P4&feature=related
Gosto. Acho que não me importaria de ser o seu “corno manso”.
Salah al Din
neste particular já é o MSP que ganha: este tipo de deboche peep-show ao estilo televisivo ocidental não é essencialmente árabe: é turco e libanês.
o que não invalida, como diz o RT, que as gajas sejam boas como o milho nos termos de apreciação do nosso mercado (o uso da imagem feminina, etc)
Renato, como imitar gatos no “Big Brother”? É preciso ter algum cuidado com esta comunicação social.
George Galloway pode aparecer em qualquer campanha, por mais humanitária que seja, mas em Inglaterra será sempre recordado pela infeliz presença no Big Brother.
É verdade que foi uma participação infeliz. Ainda assim uma boa lição para quem faz política: Não vale tudo para chegar às massas. Às vezes, é mesmo melhor não chegar do que chegar através do Big Brother e a imitar um gato. Estamos de acordo.
A questão é que independentemente desta ou daquela posição é correcto o seu posicionamento relativamente à resistência islâmica.
Renato,
onde é que eu disse que defende a Al-Qaeda? O que eu disse foi que manifesta simpatia pelos islamofascistas, o que é fundamentado (concorde ou não com o termo «islamofascista») nas suas declarações sobre o Hamas e o Hezbollah.
O que eu acrescento agora, para o esclarecer sobre o que penso e avançar com o debate, é que não há grande diferença ideológica entre o Hamas e a Al-Qaeda. Ambos têm a mesma origem – a Irmandade Muçulmana. Al-Zawahiri, líder operacional da Al-Qaeda, vem da Jihad Islâmica egípcia – que vinha da Irmandade Muçulmana. E Al-Zawahiri esteve envolvido no assassinato de Sadat – sobre o qual o Renato pensa exactamente o quê?
Quanto ao imperialismo: o projecto islamista é, no limite, a restauração do califado. Que é um projecto imperialista. Sobre isso tem algo a dizer?
Ricardo Alves, diz no seu texto: “Quando o Hamas e o Hezbollah enfrentam Israel, o Irão desafia o mundo com o seu programa nuclear, os talibã se mantêm há mais de oito anos em guerra intermitente contra a NATO, e a Al-Qaeda rebenta homens-bomba um pouco por todo o lado, do Iraque a Londres, Madrid e Nova Iorque, é certo que há um movimento político global que se opõe às democracias laicas. A natureza desse movimento parece não incomodar por aí além o Renato Teixeira, que presumo ser um marxista e um revolucionário.”
Ainda acha que não confunde tudo no mesmo saco como o acusou outro comentador?
Quanto ao assassinato de Sadat julgo ter sido claro ao fazer um tributo ao seu carrasco. É um traidor e um dos principais responsáveis pelo calvário palestiniano.
Caro Ricardo Alves,
tem toda a razão e só lhe invejo a serenidade.
Mas receio que o grau de decomposição do pensamento de uma pretensa esquerda radical que está disposta, ninguém sabe mediante que cálculos tácticos, a apostar na globalização do califado, torne inútil os seus esforços pedagógicos. Gostava de estar enganado, e procuro agir pressupondo que o posso estar, e é por isso que aqui estou a escrever. Mas vai-me faltando a paciência para o crescendo dos dislates do Renato Teixeira e para a sua plataforma marxista-islamista de reconstrução de não sei que partido.
Saudações republicanas
msp
Ricardo Alves, a Al-Qaeda é um assunto muito complexo. Leia este artigo de Layla Anwar sobre isso:
http://www.radicalpress.com/?cat=136
Ou então escreva no google: “Layla Anwar What is Al-Qaeda”
Já conhecia esta escritora iraquiana? Vale a pena conhecer.
Renato Teixeira,
quer queira quer não, a Al-Qaeda e o Hamas são parte do mesmo movimento. Partilham a mesma ideologia, só diferem em alguns métodos. Ambos enfrentam o «imperialismo».
Quanto a Sadat, agora não entendi. O traidor é Sadat ou o seu assassino?