Racismos

O cartaz acima reproduzido foi fotografado por um passageiro da SNCF (a CP francesa) e destinava-se aos fiscais; diz que nas últimas semanas se observaram “problemas com romenos”, pede vigilância e convida a comunicar “factos cometidos por romenos” a um serviço de segurança. Quem não vive em França pode estranhar a estigmatização de uma nacionalidade que tem origem na proximidade de “roumain” (romeno) com “rom” (cigano), o autor do cartaz quis provávelmente evitar um processo por racismo ou ficar politicamente correcto. Já no passado dia 27 de Janeiro o revisor de um Paris-Nice não teve pruridos quando anunciou no microfone “assinala-se a presença de três ciganas no comboio, tenham cuidado com as bagagens”.

Apesar de muitos anos de luta contra o racismo subsiste na Europa ocidental uma colecção de estereótipos racistas quer seja na linguagem corrente como o uso do termo somítico em Português ou da expressão “travail d’arabe” em francês ou nos preconceitos do tipo os “pretos são preguiçosos”. O problema é acentuado pelo exemplo que vem de cima, quantas vezes não ouvi polícias perguntar se um suspeito é de “tipo magrebino”? Pior ainda é o exemplo recente da campanha eleitoral em curso em França em que um candidato da direita diz, a propósito do numero um da lista PS de Seine-Saint Denis, Ali Soumaré, que este tem um nome de “jogador da reserva do PSG”.

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6 respostas a Racismos

  1. xatoo diz:

    do que não há duvidas é que os magrebinos pertencem a um haplogrupo diferente do nosso, pelo menos a partir de um determinado ponto da evolução. Mas o comboio já vai bem longe do local de partida, conquanto no principio da viagem a raiz fosse uma única “raça”. Hoje o racismo constrói-se pela desigualdade económica. Os ricos não podem tratar de igual modo os pobres. E é curiosa a apropriação popular do termo “somitico”, um aportuguesamento de “semitico”, aqueles tipos que tradicionalmente sempre se governaram pela usura.

  2. Luis Rainha diz:

    Essa da “evolução” a separar-nos dos magrebinos é famosa, sim senhor.

  3. Pedro Ferreira diz:

    xatoo, tente convencer um racista Francês que o nosso “haplogrupo” é diferente do dos magrebinos… Por aqui nós somos vistos como pequeninos, de bigode, morenos e com muitos pêlos. Só nos safa sermos todos muito católicos e os outros muçulmanos…

    Luis Rainha: há ainda muita gente convencida que a evolução separou os homens em compartimentos estanques e bem identificados que determinam coisas como a inteligência.

  4. Luis Rainha diz:

    A evolução não nos divide pela inteligência. Basta a curva de Bell para fazer isso.

  5. Pedro Ferreira diz:

    Caro Luis, se me permites uma pequena correcção eu prefiro “curva normal” a “curva de Bell”, o bell no inglês vem de sino e não do sr Bell. As minhas desculpas pela deformação profissional …

  6. Luis Rainha diz:

    Tens toda a razão; é de ter passado uns quantos semestres a ler coisas sobre a “bell curve”.

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