Até à Vista

Desacordos insuperáveis em torno da concepção do que deveria ser este blogue, a sua vida interna, etc., levam-me a deixar aqui esta mensagem de despedida do 5dias.

Durante cerca de dois meses e meio, tive o privilégio de integrar a redacção do que considero um dos melhores blogues que conheço e de poder publicar os meus posts e comentários ao lado de alguns bloggers e comentadores que admiro, independentemente de concordar com eles ou me sentir a mais ou menos galáxias de distância das suas posições políticas.

Além dos meus amigos Zé Neves, Ricardo Noronha, Nuno Ramos de Almeida e Bruno Peixe Dias, gostaria de citar os nomes de pessoas com quem tive não poucas nem pequenas divergências (de resto, tive-as também, de calibre variável, com os meus amigos acima citados), mas que considero terem escrito posts de excepcional qualidade durante os últimos tempos: Luís Rainha, que há semanas deu aqui à estampa um belíssimo texto sobre a “questão religiosa” e reincidiu ontem com uma incontornável proposta de reflexão chamada Indiferentes à essência?, e Tiago Mota Saraiva que, por exemplo,  a 9 de Janeiro,  deixou aqui, com o título Não Querem Trabalhar!, o  post exemplar que passo a transcrever:

Era mesmo dela que precisavam. Arquitecta e com experiência. Ofereciam contrato, um salário de ouro (mais de mil e menos de mil e quinhentos) e contrato. Só lhe pediam a vida, horário das 9.00h às 22.00h, sete dias por semana.

Alguns comentaristas mais ou menos regulares merecem também menção, pois que o debate com eles me ajudou e inspirou, incitando-me a tentar pensar e dizer melhor muita coisa: não me esquecerei do Niet com o seu anarco-comunismo nietzscheano, e de facto intempestivo, sempre intempestivo, capaz de animar as caixas de comentários mais sombrias… Mas gostaria de referir muito especialmente e, para terminar – com as minhas desculpas a outros que de momento não recorde, mas me tenham encorajado nesta viagem -, os nomes de Joana Lopes, Viana (Pedro), João Viegas, António Viana e Manuel Monteiro.

Saudações democráticas e até à vista

miguel serras pereira

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25 Responses to Até à Vista

  1. joão viegas diz:

    Pena. Como leitor, venho ao 5 dias para ler opiniões e confrontar ideias. Penso que, à esquerda, não deviamos ter medo de debater questões de fundo.

    Porque se é so para ouvir o som das cornetas a acicatar para a luta, tocando a reunir debaixo da bandeira, não preciso de vir aos blogues. Para isso, basta-me ir ao cinema.

    O 5 dias fica mais pobre.

    Felicidades democraticas e republicanas.

  2. Justiniano diz:

    Caríssimo MSP
    Pena! Foi um prazer poder, aqui, ler e comentar consigo e com outros!
    Um bem haja e até à vista!

  3. Niet diz:

    Pôr tudo em cima da mesa!- Lamento profundamente a demissão do MS Pereira, intelectual revolucionário de alta qualidade, meu companheiro sensível e tenaz do ” Juvenil ” do Diário de Lisboa dos finais dos anos 60. Trata-se de uma baixa imensa para o futuro do Blogue. A sua experiência, maturidade e heterodoxia imprimiram uma marca de rigor, complexidade e dinamismo insuperáveis. As suas opiniões eram apreciadas e analisadas ao pormenor pelos ” bloguers ” de quase todos os quadrantes- falsos mandarins e comissários políticos de alto coturno, inclusivé. Acho que os moderadores do Blogue deviam, por todas as razões, publicar os textos da discussão que os envolveu : medida essencial para se aquilatar da gravidade dos problemas que determinaram o exit de MS.Pereira. Niet

  4. miguelserraspereira diz:

    Caro Justiniano,
    você foi um dos “esquecidos” – foi muito estimulante discutir consigo.
    Saudações republicanas

    Caro João Viegas,
    irei dando notícias, a aparecer nestas caixas de comentários, espero, e noutros lugares que hão-de permanecer abertos e/ou por abrir.
    Abraço

    Caro Niet,
    intempestivo, bem dizia eu. Mas o que poderia interessar da discussão a que te referes está nos diálogos, debates, trocas polémicas, das páginas do 5dias. Foram bastantes. E tentei – como alguns outros – deixar bem claro o que penso e proponho. Não me parece pois que a publicação do correio interno se imponha. É evidente que não me oporia a que isso se fizesse, mas não o reclamo, nem vejo que adiantasse coisas essenciais ao que se discutiu publicamente. Hoje entendo que poderei continuar a intervir como aqui fiz sem integrar a redacção deste blogue: conto poder fazê-lo nas suas e outras caixas de comentários e noutros lugares, que ainda não sei quais serão. Logo se verá.
    Abç

    msp

  5. Niet diz:

    Vamos lá por partes…-Não estou a falar de um estendal de roupa-suja ou de recriminações. Efectivamente, ninguém sabe quem manda, regula e protege o Blogue 5Dias. Eu não sei. O Carlos Vidal escreveu- preto no branco- que era ele o Administrador do Blogue. Parece que, em tempos, tinha sido contestado. Depois refutou esse cargo…Tudo nestes APOCALÍPTICOS 100 DIAS. Portanto, caro Miguel, acho que – sem malandrice nenhuma – era bom que, do mesmo modo que tu o mencionaste, os outros principais responsáveis do Blogue descessem ao povo para nos explicar o porquê da cisão e do teu voluntário afastamento. O climax das contradições era super-explosivo no 5Dias: comunistas ortodoxos com coloração Debord, o que era e é um erro crasso politico;compagnos-de-route manipulados pela Imprensa liberal-capitalista periférica, o que só pode dar indisgestões sem remédio…;universitários à la portugaise, isto é, sem tempo, castigados directa/indirectamente pelos mandarins da praça e fustigados pelo debate incontornável da Hipótese Autonomista e Comunista, servida- ” despejada” é o termo- no pesadelo do quotidiano luso pela exigência e dificuldade dos textos essenciais de Castoriadis, Badiou, Negri e galáxias concorrentes ou adjacentes…Niet

  6. O miguelserraspereira dentro da área ultra/esquerdista revolucionária era o que me apetecia ler mais, pela argumentação consistente na defesa dos seus pontos de vista. Eis aqui mais uma vez a prova, infelizmente, das cisões atrás de cisões entre a malta das esquerdas. E da impossibilidade continua da “unidade na diversidade”, espera-se que não aconteça o mesmo no BE, o partido mais “martelado” neste espaço blogosférico.
    O msr é este:

    Parabéns.

  7. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssimo Miguel,
    Lamento muito a tua decisão, mas respeito-a. Espero podermos continuar a trocar ideias fora do 5 dias.

    Abraço,
    Nuno

  8. Luis Rainha diz:

    Vou ter saudades. Isto aqui vai ficar muito mais chato sem ti.

  9. xatoo diz:

    se o Carlos Vidal, que por estes dias não tem aparecido também desistir, fica mais chato de certeza
    Mas apesar de tudo sempre fica o comentador Niet, esperemos, para algum dia nos explicar o significado da palavra “islamofascista” que aqui empregou, sem que tivesse havido qualquer reparo de MSP

  10. Manuel Monteiro diz:

    Miguel
    Como já tinha escrito aqui, não o conheço pessoalmente, mas conheço o seu percurso político e intelectual que admiro, apesar das divergências. Como deve saber eu sou um velho operário que devo tudo o que sei a intelectuais como você, O meu querido Zé Mário Branco, Tino Navarro, Mário Brochado Coelho,João Mesquita, Rodrigues da Silva, Joaquim Vieira, Alipio de Freitas e tantos outros. Homens que foram revolucionários nos tempos exaltantes da revolução, mas que não se passaram para o outro lado quando esta perdeu o brilho.
    Estava a gostar imenso de dialogar consigo, mas, como dizia o Lopes aldrabão, andaremos por aí e por aí nos encontraremos…
    Um abraço
    Manuel Monteiro

  11. miguelserraspereira diz:

    Caro José Manuel Faria,
    muito obrigado pela mensagem. Embora eu não me definisse a mim próprio como ultra-esquerdista, mas mais modestamente como um simples democrata – revolucionário, se quiser, na medida em que leva a sério a democracia: para o trabalho, para o dia a dia, e a entende para além das urnas de voto rituais para a eleição de representantes. A democracia seria a participação regular e organizada de todos no seu próprio governo, sem excluir, obviamente, a esfera económica.
    Quanto ao resto, ṇo dramatizemos: o 5dias ṇo ̩ um partido, e eu tenciono continuar a falar Рassim continue a ter com quem.
    Cordiais saudações democráticas

    Caríssimo Nuno,
    continuaremos a trocar ideias tanto fora do 5dias como nestas caixas de comentários, espero. Se julgavas que te escapavas assim deste teu leitor e interlocutor… bem, vais ter de continuar a aturar-me.
    Abç

    Luís Rainha,
    vou descansado porque sei que continuarás tu a animar a malta que frequenta o café e a não deixares que a gente se chateie embalada com ideias feitas – acabaste de o provar ontem, uma vez mais. Força aí.

    Caro Xatoo,
    porque é que você queria que eu falasse? Um tipo ou uma organização, etc., pode reivindicar-se do islão e ser fascista – não pode? Só o Franco é que podia reivindicar-se do catolicismo e ser fascista? O islão é vacina contra o fascismo? Vai ter de discutir isso com o Niet, mas sem mim.
    Se quiser dizer que se congratula com a minha despedida, ande, homem, diga lá: está no seu direito.
    Mas quem sabe o que o futuro nos reserva? Ainda podemos ter de nos bater juntos… Por isso, até à vista

    Caro Manuel Monteiro,
    se começamos com agradecimentos, tenho de lhe dizer que sou eu e muitos outros como os que refere que somos devedores seus e dos seus companheiros de classe. Nada de desvios teoricistas, camarada! Costuma dizer-se que o pensamento de Marx teve três fontes: os pensadores socialistas utópicos franceses, a filosofia de Hegel e a economia política inglesa. Mas é omitir o principal contributo que animou a inspiração revolucionária de Marx: o movimento operário e os movimentos radicais da sua época.
    Mas teremos ocasião de nestas caixas de comentários e noutros lugares continuar a conversa que mal chegámos a começar e me sabe a pouco.
    Cordial abraço
    msp

  12. Niet diz:

    ” A moral clássica condenava a falta perante a lei,a moral rebelde
    condena os que tentam asfixiar a humanidade na Lei “.

    Georges Bataille, Sur Albert Camus. OC.XI.

    Rififi-Mr. Xatoo, eu conheço o seu Blogue há anos. Até pensava que vivia(viveu) para além dos Pirinéus. Tenho uma vaga ideia de que, o Sr., seguia à letra o que o Le Monde e o Libé incluiam/incluem nas suas páginas de Opinião e Rebonds, mais uns trucs do Attac e do M-Diplo. E isso tinha o seu frisson e equilibrio, claro. Acho eu. Depois disso vejo que se tornou num ” apóstolo” da luta anti-sionista, com aquela dose de ligeireza e improvisação que as margens do Tejo estimulam e viciam. Desejo-lhe boa sorte. É que, não sei se sabe, os marxistas puros e duros gosta(ra)m muito da Torah…
    Bem, gostaria de ter visto uma sua opinião sobre os cerca de 100 Apocalípticos Dias do Blogue, qual Comuna ideo-cultural que espantou a blogosfera nacional. Remeteu-se ao capcioso seguidismo de sempre. E, por isso, invoca todos os ” santinhos ” para que o administrador-do-Blogue-que- já- era ( ou que nunca o chegou a ser…), o Prof. Vidal, não se encoste ao silêncio dos deuses e o deixe, nos deixe, desamparados para mal dos nossos pecados…Niet

  13. ezequiel diz:

    caro Miguel

    espero que não partas para longe. gostei de ler os teus textos apesar de pensar que esta tua anarco-democracia pode ser ideal utópico apesar de ser coisa nobre e sublime nos seus intentos. gostei desta tua frase: a inspiração revolucionária de Marx…e o movimento operário e os movimentos radicais…concordo plenamente. eu também acho que o barbudo era homem sensível ao Geist da época. quantos elementos das teorias de Marx terão tido origens semelhantes? nunca se saberá. mas parece-me mais do que sensato presumir que não saiu tudo da sua cabeçinha. ser inspirado por, ter sensibilidade para…excelentes qualidades! LOL

    espero que fiques bem e que organizes muitas assembleias deliberativas de operários e outros, a deliberar livremente, honrando o mais elementar princípio da criatividade humana: a crítica. (que defendes com o fervor de um…crente! ehe he eh LOL)

    não te esqueças de que muitos elementos destas práticas deliberativas que defendes tão fervorosamente já fazem parte dos rituais (politizantes) de muitas companhias mega capitalistas, particularmente no sector das tecnológicas.(apple e google, por exemplo) interessante e irónico, hey??? o capitalismo aprende depressa. marx sabia-o. LOL

    espero ler-te por aí
    cumprimentos
    ezequiel

  14. Miguel,
    Apesar de nem sempre concordarmos, tenho pena que partas. Porque te dás ao trabalho do argumento e não te dás ao trabalho da pessoalização no lugar dele. Seguro que andarás por aqui e por aí, um abraço.
    Daniel

  15. manuel j. neto diz:

    caro MSP,
    receando estar a repetir e tornar cansativos os elogios que lhe têm sido feitos nesta caixa, gostaria de lhe dizer que foi realmente um prazer e um estímulolê-lo aqui, embora, na minha opinião, talvez se sentisse melhor na pele de comentador (ou agente infiltrado) do que na de autor ( o que só o engrandece, acho eu). Pena que questões pessoais se insinuem sempre e acabem finalmente por sabotar este tipo de coisas.
    Com amizade e um agradecimento sincero.

  16. miguel serras pereira diz:

    Caro Ezequiel,
    também eu gostei muito de discutir contigo – e havemos de continuar a fazê-lo, espero. Tanto mais que, pelos vistos, terei de me explicar melhor sobre o regime democrático da cidadania governante, e o lugar que esse regime pressupõe para as ideias de governo, responsabilidade, verdade dialógica, etc., etc. Fico à tua espera e gostaria de saber onde mais te posso ler.
    Abç

    Caro Daniel Oliveira,
    sim, nem sempre pensamos do mesmo modo, mas eu ainda não perdi de todo a esperança de nos entendermos sobre o que implica uma democratização do poder político que, para o ser deveras, terá de revolucionar toda a economia (política) dominante – coisa que não sei se aquilo a que chamas “Estado democrático” poderá fazer. A questão das vias – mais ou menos participação institucional, etc. – é, comparativamente, secundária. Também penso que tu – como o João Rodrigues e outros “ladrões” que leio atentamente e tenho aprendido alguma coisa – por vezes confundes “público” e “estatal”. Teremos muita pedra a partir, mas talvez cheguemos a acordo, um dia, na luta, sobre aquilo a que eu chamo “cidadania governante” ou “exercício do poder político democrático” em condições de igualdade pelo conjunto dos cidadãos (enfim) activos. Não achas que este debate vale a pena?
    Obrigado pelas tuas palavras. Com um abraço republicano

    Caro Manuel J. Neto,
    sou eu quem tem de agradecer a sua atenção. Não me sinto bem na pele de agente infiltrado – apesar de uma transposição para a democracia da tese kierkegaardiana da necessidade de converter os cristãos ao cristianismo ser uma ideia sedutora. Sinto-me bem como interlocutor: há na palavra partilhada a busca e co-criação de uma verdade a que nenhum indivíduo poderá chegar por si só. E também é só através da palavra partilhada que cada um de nós pode dialogar ou debater consigo próprio, aceder à autonomia que o exercício de uma reflexão crítica pressupõe, e que é ao mesmo tempo condição da sua participação democrática efectiva.
    Cordial abraço
    msp

  17. miguelserraspereira diz:

    Caro Ezequiel,
    também eu gostei muito de discutir contigo – e havemos de continuar a fazê-lo, espero. Tanto mais que, pelos vistos, terei de me explicar melhor sobre o regime democrático da cidadania governante, e o lugar que esse regime pressupõe para as ideias de governo, responsabilidade, verdade dialógica, etc., etc. Fico à tua espera e gostaria de saber onde mais te posso ler.
    Abç

    Caro Daniel Oliveira,
    sim, nem sempre pensamos do mesmo modo, mas eu ainda não perdi de todo a esperança de nos entendermos sobre o que implica uma democratização do poder político que, para o ser deveras, terá de revolucionar toda a economia (política) dominante – coisa que não sei se aquilo a que chamas “Estado democrático” poderá fazer. A questão das vias – mais ou menos participação institucional, etc. – é, comparativamente, secundária. Também penso que tu – como o João Rodrigues e outros “ladrões” que leio atentamente e tenho aprendido alguma coisa – por vezes confundes “público” e “estatal”. Teremos muita pedra a partir, mas talvez cheguemos a acordo, um dia, na luta, sobre aquilo a que eu chamo “cidadania governante” ou “exercício do poder político democrático” em condições de igualdade pelo conjunto dos cidadãos (enfim) activos. Não achas que este debate vale a pena?
    Obrigado pelas tuas palavras. Com um abraço republicano

    Caro Manuel J. Neto,
    sou eu quem tem de agradecer a sua atenção. Não me sinto bem na pele de agente infiltrado – apesar de uma transposição para a democracia da tese kierkegaardiana da necessidade de converter os cristãos ao cristianismo ser uma ideia sedutora. Sinto-me bem como interlocutor: há na palavra partilhada a busca e co-criação de uma verdade a que nenhum indivíduo poderá chegar por si só. E também é só através da palavra partilhada que cada um de nós pode dialogar ou debater consigo próprio, aceder à autonomia que o exercício de uma reflexão crítica pressupõe, e que é ao mesmo tempo condição da sua participação democrática efectiva.
    Cordial abraço
    msp

  18. miguelserraspereira diz:

    Caro Ricardo,
    anime-se, que isto não é morte de homem. Há-de continuar a encontrar-me, e eu sei em todo o caso onde contactá-lo até lá.
    Cordiais saudações republicanas

    msp

  19. Niet diz:

    O ” Que Fazer? ” de Alain Badiou– Para real e concretamente ficar gravado que houve uma expectativa enorme na selecção de M.S. Pereira para o Blogue, nada melhor do que dar o relato do último texto do filósofo gaulês(1). Existem imensos pontos de contacto entre Badiou e os Autonomistas. Há que ter a coragem de querer fazer política com novos meios, outra ambição e luta ideológica em moldes democráticos, igualitários e puros. Sem facciosismos nem conluios, abjurando etiquetas e receitas fáceis e recuperadas. Sim, porque o estilo centrista/centralizador/manipulador é uma cópia do sistema sofisticado da dominação de classe(s) dominante…
    Badiou diz que existem três registos numa resposta a essa decisiva questão. ” Penso, em primeiro lugar, que as questões ideológicas têm uma importância considerável. Acabámos de sair de uma sequência particular da história das revoluções e dos Estados. Há nesses casos uma espécie de recomeço, de passo atràs necessário, que recoloca os debates de fundo. Devemos colocar uma questão muito simples:existe real e estratégicamente uma visão, uma possibilidade de organização da colectividade humana que seja radicalmente diferente daquela que existe hoje?. Este problema deve ser abordado frontalmente. Se uma incerteza grave ronda a esse propósito, isso originará um processo de regresso à ordem existente. Na minha linguagem, é o que chamo de Questão do Comunismo- mas pode-se apelidar de outra forma. Trata-se, em todo o caso, de saber se existe
    ou não, uma autêntica alternativa global “.
    (…). Em relação ao segundo registo, Badiou perspectiva o caso da ” imaginação colectiva, imaginação política a uma escala hoje inevitavelmente local, já que não temos a menor ideia, nem o menor conceito sobre o que possa ser um movimento geral. Não sabemos, hoje, o que o que pode ser uma revolução e a figura de Estado que lhe corresponda, eventualmente. Não podemos fazer senão experiências localizadas, para ter tempo de extrair categorias mais abrangentes. Esta experiência localizada deve ter normas ideológicas “.
    E a rematar, Badiou aponta um princípio axial e incontornável da máxima importância:” Trata-se de saber se o que se realiza numa situação localizada, se inclina no sentido da Igualdade; e se estimula uma visão contrária à dominação totalitária da propriedade privada e da organização social e política que a enforma “. 1) Alain Badiou,” La Philosophie et l´événement. Entretien avec Fabien Tarby”. Germina.2010. Niet

  20. Manuel Monteiro diz:

    Miguel
    Pode encontrar-me aqui:
    http://m-monteiro.blogspot.com/
    Manuel Monteiro

  21. miguelserraspereira diz:

    Manuel Monteiro,
    excelente ideia! Muito obrigado.
    Abraço cordial

    msp

  22. Manuel Monteiro diz:

    Niet, com amizade:
    Os anarquistas são muito contra o dirigismo, mas estão sempre a tentar dirigir os outros com afirmações categóricas e, muitas vezes de forma um bocado ditatorial, não aceitam a opinião dos outros. Isto não é grande teoria, nem uma boca. É da minha experiência com camaradas anarquistas.
    Manuel Monteiro

  23. Pingback: cinco dias » Arrastão

  24. Niet diz:

    ” A teoria é por natureza intransigente e a sua pureza, a sua ética, a sua franqueza e a sua força são determinadas e confrontadas com essa intransigência “-M.Bakounine.

    Caro Manuel Monteiro- Se tiver seguido o itinerário sentimental e político do 5 Dias nos últimos 75/100 dias, por certo, terá ficado galvanizado com o idealismo, o sublime apagamento e a razão revolucionária que se destacam de alguns lances estratégicos essenciais do pensamento de M. Bakounine, que eu tentei modestamente agenciar. Eu tinha questionado MS Pereira sobre o porquê do manifesto no-comments de Castoriadis em relação ao autor da Teoria Geral da Revolução. Outras urgências bloquearam um estudo mais pormenorizado da parte de ambos até agora. E ontem deu-se a terrível e anunciada cisão no Blogue: bem dizia o Bak. que todas as coligações são imorais, impensáveis e muito perigosas… Como parece que o meu caro M. Monteiro está seduzido pelo Anarquismo- a Revolução Social -por certo, vamos ter tempo e vontade para trocarmos ideias. Com o objectivo de desfazer mitos, ler até fazer sangue, trabalhar a bisturi os embustes e ” montagens ” dos aprendizes-de-feiticeiros ” dominados ” por um sistema dominante inumano e implacável. Niet

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