O que quer o BE?

Estava eu a passear pelo Arrastão e dou de caras com isto! Como está um primor este velho compagnon de route. E que bem que fala, sim senhor. Aquele movimento discreto mas ao mesmo tempo convicto com que toca, ao de leve, no microfone. Até parecer estar mais à vontade do que o Manuel Alegre, que treinou a coisa tantos anos…

Passada a emoção de ver alguém que costumava ser mais conhecido por palestras organizativas do que por grandiosas elaborações políticas, não pude deixar de reparar no que disse. Ilha da quê? Corrupto da onde?
Mas não são estes senhores que andaram a defender os milhões do Alberto João Jardim e que ainda há pouco tempo deixavam elogiosos comentários ao capitalismo escandinavo? Falam, falam…

Como eu sou um bocado limitado nisto de criar (de criar… não de perceber, note-se) pontes com o Partido Socialista vejo que só me resta isto:

Logo se percebe tudo.

Cheire o leitor também… vai ver que fica mais fácil.

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16 Responses to O que quer o BE?

  1. Renato,
    Tenho que começar-te a mandar uma lista dos meus amigos para diversificares as famílias que chateias. Mandar vir com o Daniel, faz parte da tua vontade de viver. Paciência. Agora, chatear o Zé Guilherme parece-me abuso. Mas obrigado por colocares o vídeo. Sem me dissessem há um ano que o Zé Gui ia andar de fato, eu tinha uma epifania. Fazes o favor de não postar sobre o Pedro Penilo. Levas pancada se o fizeres.

  2. Luis Rainha diz:

    Essa dos “elogiosos comentáios”, enfim, um pouco exagerada, talvez. Mencionar ironicamente que esses países “só conhecem o atraso, as dificuldades, a miséria social”, em termos comparativos, não me parece grande pecado.

  3. Devo ter perdido a intervenção ou o texto em que o senhor elaborou. Caro Renato, sempre tanta crista para tão pouco.

  4. Renato Teixeira diz:

    Nuno, gostei particularmente do diminutivo: Zé Gui. É digamos que, queriducho… vá, fofinho.
    Sim… Eu sem o Daniel e o Daniel sem o Vidal e o mundo não seria o mesmo. Passava tudo a Prozac. 🙂

    Luís Rainha, exagero por certo. Como a defesa dos milhões para a Madeira. Mas em política valem pouco as intenções. E os factos, bem espremidos, são esses.

    Daniel Oliveira, se já percebeu que eu só falo para gente pouco esperta, porque é que insiste em debater? Melindrei o seu delfim? Deixe lá… o rapaz sabe defender-se. Viu as sugestões que lhe deixei para quando não tem nada para fazer? Deixo aqui de novo para o caso de lhe ter escapado:

    “E se fosse dedicar-se a outras práticas menos vulgares? Permita-me algumas sugestões:

    http://www.youtube.com/watch?v=sCIdwingAVI&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=uvCPufTN3hg&feature=related
    ou ainda:

    PS: A mim não me ouviu elaborar porque eu era controleiro. Deixava a Mesa Nacional para os bem pensantes, os ambiciosos e os chico-espertos.

  5. Luis Rainha diz:

    Não Renato, não. Podes bem invocar os tais milhões, de que não falei, que não consegues encobrir esse exagero dos “elogiosos comentários”. Ou queres assumir que é pecado admitir que há naqueles quadrantes da Europa locais onde se vive melhor do que aqui?

  6. Renato Teixeira diz:

    Nenhuma fuga em frente. Acho polémico e acho um lugar comum. Há e tal na Escandinávia é que é… mas depois a crise bate à porta como os outros; o número de suicídios é ímpar no mundo; e impera cada vez mais leis restritivas. Da lei seca, aos imigrantes, ao resto. Eu, pelo frio e pelo resto, prefiro a selvajaria sulista.

    Agora a parte séria. Ele diz isto: “Qual é a sociedade em que queremos viver? E onde é que encontramos naquela tabela as realidade mais parecidas. Essa escolha talvez nos ajude a perceber por que caminho queremos seguir.”

    Numa série de posts em que também tinha dito isto: “A receita pode aumentar de várias formas: aumentando impostos sobre trabalho, lucro, consumo, mais-valias; aumentando a base tributável com mais emprego, salários mais altos, lucros mais altos, promovendo o consumo; combatendo a fraude, ou seja, diminuindo o fosso entre tributação teórica e efectiva; ou ainda integrando lucros de empresas pública ou fazendo pagar por serviços públicos.
    A despesa pode diminuir também de várias formas: reduzindo benefícios e deduções fiscais; desinvestindo nos serviços públicos ou nas parcerias com os privados; reduzindo os salários da administração pública ou reduzindo contratação externa; cortando no investimento público; reduzindo as prestações através do seu valor, das condições de acesso ou do número de pessoas a precisar dessas prestações.”
    Logo não dou para o peditório onde é vamos cortar para um dia ser como a Suécia. Ai não dou, não.

  7. Luis Rainha diz:

    Continuas em fuga e já levas uma volta de avanço sobre o pelotão. Ninguém descreveu a Escandinávia como o paraíso na terra.
    Aliás, ele destaca sim “Suécia, Dinamarca, França, Finlândia, Bélgica” – e como exemplo de países que dão aos seus cidadãos alguma qualidade de vida, fazendo-o com elevados índices de despesa pública. Isto não é cometer o crime lesa-revolução de louvar o capitalismo. Chama-se pensar.
    Depois, continuas a navegar em lugares-comuns. E alguns, como esse dos suicidas nórdicos, têm baixios perigosos. Olha que há mais suicídios, per capita, em Cuba do que na Noruega. Mais em Portugal do que na Dinamarca.
    Quanto às últimas citações, parecem-me tecnicamente correctas e isentas de qualquer louvaminha ao capitalismo selvagem.

    Por fim, caramba! A conclusão do post que lincaste é rigorosamente oposta à que agora lhe atribuis: não é preciso cortar para sermos como a Suécia, antes pelo contrário!

  8. Manuel Monteiro diz:

    Renato
    Para os nossos amigos do BE a revolução é aquele equilibrio entre o cretinismo parlamentar e a teorização de como se pode reformar o capitalismo.
    Ainda agora li no Público um artigo do Rui Tavares, deputado do BE no parlamento europeu, em que se diz triste com o que está acontecer ao Sócrates porque “tenho amizade por Sócrates” Amizade? Isto vai por amizades? E diz mais: diz que Sócrates é do centro-esquerda e que, embora estando muito à sua esquerda, “ele não é completamente alheio à minha “familia”. E depois dá-lhe um conselho amigo: “Sócrates deve preparar-se para não afundar consigo o seu partido, o seu governo e o seu país”. É isto. O parlamento europeu deve ter subido à cabeça do rapaz!
    Claro que o BE está em pânico com as possíveis eleições. É que, até nas urnas, vai começar a definhar, actualizando aquela frase histórica: Roma não paga a traidores!
    E agora venha daí trancada cá sobre o velho esquerdista…
    Para ti um abraço
    Manuel Monteiro

  9. Luis Rainha diz:

    O RT escreveu mesmo isso? Pôs-se a dar conselhos de primo ao parlapatão-mor? Jazus!

  10. Renato Teixeira diz:

    Luís Rainha, “elogiosos comentários” não são “o paraíso na terra”. Não vejo onde está o exagero. De resto, não ataquei o excelso deputado por não ser revolucionário. Este, ao contrário de outros, sempre foi dos mais honestos ainda que um pouco selvagem no que diz respeito ao regime.

    Manuel Monteiro, sempre bom ter um “velho esquerdista” para polemizar.
    De facto, como o Luís Farinha disse, não tenho a pretensão de dar conselhos de primo ao dito cujo. Em primeiro lugar porque não sou primo dele. Em segundo, e mais importante que tudo, não sou seu camarada. Para mim a esquerda parlamentar converteu-se no apêndice, ou melhor, nos rins (já que são duas) do regime. São uma das suas mais importantes mascaras democráticas. Algo entre o polícia de proximidade e o padre que ora nos providencia uma palmadita paternal aqui ora um sermãozito moralizador ali. Não há saco.
    De tudo o que disse só um acrescento. A merda, é que de facto Roma paga aos traidores. E diz que paga bem.

  11. Renato, nunca disse que fala para gente pouco esperta. E acho que dá mesmo o seu melhor. E a julgar pela altivez um pouco deslocada, acredita que o seu melhor é excelente. E eu, que sou um homem de esquerda, valorizo isso. De cada um conforme as suas possibilidades… Mas como acho que não fala para gente pouco esperta, fica a faltar o “a cada um conforme as suas necessidades”.

  12. Renato Teixeira diz:

    Olhe Daniel Oliveira… diz isso porque não viu bem este:

    . Tinha visto? Não importa, veja de novo:

    .

  13. M.Ribeiro diz:

    Lido no Expresso “Trabalhadores da PT querem demissão de Rui Pedro Soares e Soares Carneiro mas receiam fim da Golden Share ” Pensei que isto resume muito bem a posição da esquerda BE face a Sócrates.

  14. Manuel Monteiro diz:

    Eu fico sempre emocionado, e até a minha costela esquerdista amolece, quando leio os trocadilhos, sempre profundos, do Daniel Oliveira. Espiritos superiores são um consolo…
    Manuel Monteiro

  15. Pascoal diz:

    Agora deste em D. Vidal II

  16. Renato Teixeira diz:

    Disputo com o TMS… Está renhido.

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