Indiferentes à essência?

Há uns anos, a Ilga reivindicava o direito à indiferença: a possibilidade de se andar na rua sem dedos apontados nem bocas idiotas. Tudo bem. Agora, parece querer convencer as criancinhas de que é tudo indiferente, em termos de identidade sexual: ser-se lésbica, hetero, bissexual… nada fará diferença alguma. Isto equivale a trancafiar a diversidade num novo tipo de armário: o da irrelevância. Por mim, responderia “sim”: a vida da minha mãe teria sido bem diferente e a minha, por arrasto, também. E claro está que há quem ofereça respostas mais radicais…

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54 Responses to Indiferentes à essência?

  1. M.Ribeiro says:

    “Dêem-me uma criança de sete anos e ela será minha para toda a vida” :
    ILGA, Ignatius Loiola Gender Association .

  2. Ricardo Noronha says:

    Estás com as prioridades todas no lugar Luís. Depois das muçulmanas francesas, as lésbicas lisboetas.
    Não admira que o portugal contemporâneo te tenha eleito entre os seus preferidos.
    Noto que a semiótica que esbanjaste a propósito de uma exposição em Serralves se tornou escassa para o cartaz da ILGA que, como é evidente, se refere ao amor que um filho pode sentir pela sua mãe, e que não é menor ou maior consoante a sua orientação sexual.
    Mas a tua interpretação trai a tua preocupação: parece desagradar-te que alguém possa propor que a «identidade sexual» seja algo pouco relevante no que toca aos desafios da paternidade/maternidade. Em parte concordo contigo. A «identidade sexual» de uma mãe não pode ser irrelevante, enquanto houver pessoas a sugerir que ela é incontornável e fragiliza os seus filhos. Como fazes neste post e como faz, alarvemente, o sr. que citaste.
    As tuas companhias tornam-se cada vez menos estranhas e mais compreensíveis.

  3. Luis Rainha says:

    Terra chama comandante Noronha! Está na hora de voltar…

    Agora ataquei as “lésbicas lisboetas”? Limitei-me a analisar um cartaz que a mim me parece infeliz, ao contrário do outro, mais antigo.
    Sugiro sim que a identidade sexual, de uma mãe, de um pai, a minha ou a tua, não é “pouco relevante”. Quanto mais não seja precisa e infelizmente por reacções de terceiros.
    Sim, esta campanha parece-me disparatada por querer menorizar, de forma impossível e insensível, coisas importantes e determinantes para as nossas identidades, para as nossas vidas.

    Quanto a isso das companhias, olha que, estranhamente, fazes parte delas. Enquanto quiseres, claro.

  4. Cosmopolita says:

    Desculpe, mas ou não percebi o seu post mais o outro que tem linkado, com comentários alarves, ou então acho que quem não percebeu a essência e necessidade destas companhas foi você!

    Criei 2 filhos, vivendo eu em relação de facto homossexual, filhos eses perfeitamente heterossexuais, tolerantes, abertos, não homofóbicos e que me amam tanto como se eu tivesse optado por uma relação heterossexual. E com amigos desde a infância. Amigos que me querem muito, muito bem. E me, nos respeitam. E frequentam desde sempre, eles e os pais, a minha casa.

    Conclusão: Não, nada mudaria se a mãe da criança fosse homossexual!

  5. Luis Rainha says:

    Falas do “Portugal Contemporâneo” e nem percebo o que dizes. Mas repara que, não te conhecendo, até simpatizo com muito do que escreves. Só que essa tua postura ocasional de polícia do politicamente aceitável faz-me fernicoques. Empregasses tu esse tempo e essa semiótica a dar guerra à malta de direita, em vez de te gastares em actividades ensimesmadas e entrincheiradas e logo a coisa correria melhor.

  6. Luis Rainha says:

    Cosmopolita,
    A prova de que não coloco em questão a necessidade destas campanhas é ter gostado da mais antiga.
    Quanto ao seu caso, parece-me excelente. E daí? Pode passar da sua experiência para uma declaração de que a identidade sexual pode ser indiferente em qualquer momento ou circunstância das nossas vidas? Isso seria banalizar e trivializar o que é mesmo fulcral para nos definir enquanto indivíduos.
    Muito mudaria; não para melhor, não para pior. Mas muito mudaria, dado que a pessoa seria intrinsecamente outra. Nem melhor, nem pior, repito. E estaria sujeita a outras circunstâncias; essas infelizmente piores.

  7. Mariana Avelãs says:

    de facto, ou é muito burro ou acha que ser discriminado faz parte da essência de ser homossexual. em qualquer dos casos, um post vergonhoso. não tanto como o que linka, porém. é altura de começarem a perceber que existem crianças cujas mães são lésbicas, e que nada mudaria se não fossem. Mais não seja para não fazerem figura de parvos.

  8. Nuno Ramos de Almeida says:

    Mariana Avelãs,
    Certo ou errado, o que diz o Rainha é que a vida dos pais é importante para os filhos. Não diz que é melhor ou pior ser homossexual ou ter outra orientação. Começares uma discussão a chamar estupido alguém, que ainda por cima sempre se manifestou contra a discriminação, é, pelo menos, pouco inteligente.

  9. Mariana Avelãs says:

    Desculpa, Nuno, mas ou o que está escrito neste post é que a orientação sexual dos pais interfere com a relação que estabelecem com os filhos, ou então não tem nada a ver com a campanha que se diz comentar. Não chamo estúpido a ninguém, mas mantenho o adjectivo quanto ao post: vergonhoso.

  10. Ricardo Noronha says:

    Mas Luís, a malta de direita subscreve-te sem problemas. Talvez porque os teus argumentos lhes sejam cada vez mais caros. O teu texto estava na lista de preferências aqui ttp://portugalcontemporaneo.blogspot.com/
    Não percebo porque é que deveria perder mais tempo com eles do que contigo. Até prova em contrário, a tua opinião é mais importante e as minhas guerras fazem-se com quem me interessa. Não com aquelas pessoas com quem não consigo sequer começar a dialogar. Também gosto de muitas coisas que escreves, mas não de todas e parece-me um pouco inútil ir comentar aquilo que subscrevo.
    Repito-te que a campanha não diz que é indiferente, mas que o fundamental não muda. E sejamos claros, não é indiferente, não por causa da relação concreta entre a criança e a sua mãe, mas por causa de todos os que insistem que nunca será igual, que haverá sempre ali qualquer coisa que torna o uso da palavra «família» ilegítimo.
    Num momento destes, de combate cultural e político contra a homofobia, resolves acentuar o peso das «identidades sexuais» no condicionamento da parentalidade. Evidentemente que isso não faz de ti um homofóbico, tal como a tua posição sobre o véu não faz de ti um islamofóbico. Parece-me em todo o caso lícito afirmar que o teu sentido de oportunidade é insondável. De facto não devemos estar no mesmo planeta.
    Não percebo sequer a questão do «policiamento». Acho que fazes a mesma coisa quando discordas de um argumento ou de uma posição.
    Don’t be such a drama queen.

  11. Nuno Ramos de Almeida says:

    Mariana,
    Não concordo com o post do Luís, mas não creio que seja isso que diz. A campanha pretende dizer que ninguém deve ser discriminado no amor pela sua preferência sexual. O Luís que é publicitário de profissão acha que essa mensagem não é clara. Dai, a dizer que o Rainha pretende discriminar por causa da orientação sexual. Ainda há uns dias o Luís postou isto.

    Ricardo,
    O critério da citação em outros blogues, se fosse verdadeiro, fazia de nós socráticos ou direitistas.

  12. Mariana Avelãs says:

    Nuno, eu não estou a acusar ninguém de ser homófobo. Mas de facto a campanha é especificamente sobre parentalidade. a “diferença” dos pais não se traduz numa “diferença” na família, por isso é que nada mudaria. Diferentes são todas as famílias – se eu fosse chinesa, ou médica, ou beata, a vida da minha filha seria certamente diferente, pois claro. Mas aceitarias discutir se a minha relação com ela seria alterada de acordo com variações num destes factores identitários?
    Estamos a dias de uma manif internacional a dizer que há famílias de primeira e de segunda com base na orientação sexual e que a orientação dos pais pode fazer mal aos filhos. Garanto-te que já vi esta argumentação em malta que vai lá estar.

  13. Luis Rainha says:

    Mariana,
    Já que acha que sou burro, vou responder-lhe de forma que até eu entenderia: não gosto da campanha, pois ela equipara a identidade sexual a coisas como ser ruiva ou gostar de carapaus. Isto é menorizar parte importante de quem nós somos. Não é tudo despiciendo, não é tudo igual ao litro.
    E a questão, diz você, é que “a campanha é especificamente sobre parentalidade”; não – tenta ser, pretende ser, sobre parentalidade. Mas a mensagem é tão abrangente, tão genérica, que não demarca esse território. E em comunicação o que interessa não são as intenções do emissor; é sim a mensagem efectivamente emitida.
    Essa da “malta” é um pouco ignóbil, logo nem respondo. Volto a repetir: achar que a campanha está mal feita e provavelmente não funcionará é crime?
    Por outro lado, acusa-me do pecado maior: “a orientação sexual dos pais interfere com a relação que estabelecem com os filhos”, terei eu escrito. Pois é: acho mesmo que interfere com isso, como interfere com tudo o mais.
    Em abstracto, não melhora nem piora essa relação; mas que a modula, disso não duvido. Alguns pais talvez fossem bem melhores pais se fossem homossexuais, outros seriam exactamente os mesmos, outros até talvez fossem piores. Quem é você ou a agência que fez estes cartazes, para proclamar com tantas certezas que esse factor é indiferente nas vidas reais de pessoas concretas, não no platónico mundo dos ideiais?
    Falando por mim, garanto-lhe que nem sequer teria tantos filhos se fosse homossexual. Por motivos vários que agora não vêm a propósito, provavelmente nem teria nenhum. Chega para demonstrar que, pelo menos em alguns casos, muito poderia mudar? E a vida é feita de muitos “alguns” não dos “todos” que as suas certezas férreas pressupõem.

    Ricardo,
    Não acentuei a importância no “condicionamento da parentalidade”, mas sim no todo das nossas vidas. Esta campanha opta por escamotear, por elidir, por minimizar. E isso, só isso (a parte da campanha, estás a ver?) que me desagrada. Quanto aos timings, estou-me nas tintas, pois sei do peso das minhas palavras no mundo real: népias.
    Mas tiveste graça com aquilo da “drama queen” :-)

  14. Mariana Avelãs says:

    Luis,
    Em termos de parentalidade, a orientação sexual é de facto igual a gostar de carapaus.

  15. Luis Rainha says:

    E voltamos ao mesmo: “em termos de parentalidade” não é coisa que exista no cartaz, para lá da representação do par mãe-filho. Essa ressalva só existiria se lá estivesse; lamento mas é assim que estas coisas funcionam.
    A resposta pretendida à pergunta feita, que seria sempre “Não; tudo ficaria na mesma” é em si uma afirmação genérica, que extravasa em muito esse âmbito pretendido. Perguntassem antes “Se a tua mãe fosse lésbica, mudava o que sentem um pelo outro?” que o intuito da peça seria claro e estes mal-entendidos (é ver a resposta do fulano do “Cachimbo”) seriam evitados.

  16. Mariana Avelãs says:

    Luis,
    De um ponto de vista linguístico, a palavra “mãe” remete indubitavelmente para o domínio da parentalidade. Não estamos a falar de platonismos, mas de famílias que existem. Famílias que são iguais às outras todas: são diferentes umas das outras. Mas não por uma qualquer essência inerente à orientação sexual dos adultos.

  17. Luis Rainha says:

    Mariana,
    Por estranho que possa parecer, sei o que “mãe” significa. Nada disso torna o cartaz mais preciso ou mais bem concebido – vemos anualmente dezenas e dezenas e cartazes com mães e filhos, a vender tudo, desde Skip a chocolates. Ali, a parentalidade é um adereço, não o tema. Para o ser neste cartaz, lamento mas a menção deveria ser explícita, não alusiva.
    E volto a perguntar-lhe: qual a resposta pretendida? Não era algo como “nada mudaria”? Vê como a mensagem está desfocada?
    Mais uma vez: não escrevi que é “uma qualquer essência inerente à orientação sexual dos adultos” que determina o que vem ou não a ser uma dada família. Mas que ajuda a determiná-lo, sendo um factor relevante como outros, não vejo como é que o poderia negar. Volte ao exemplo que lhe apresentei e veja como tal é verdade.

  18. DSC says:

    bem.. talvez nao chegasse a conhecer o meu pai… E imaginar a minha vida sem ele e de facto mudar muita coisa. mas isso sou eu que adoro o meu pai. talvez viesse a adorar outra pessoa. outra figura maternal ou paternal, mas nao sei. sei e que podia, repito, podia, mudar so pelo simples facto de haver a hipotese de ter crescido sem a influencia do cota. Esta bem pensada a campanha onde so colocam a maezinha. chega-se sequer a pensar que um pai e so um adereco..

    Desculpem a falta de acentos mas nao tenho no meu computador

  19. Mariana Avelãs says:

    Devolvo a pergunta: o que mudaria de facto, obrigatoriamente, se a minha mãe fosse lésbica? O que mudaria apenas por ela ser lésbica? Ser lésbica define-a como mãe, implica algo na capacidade parental de diferente de uma mãe heterossual? E se a minha mãe fosse lésbica agora, mas não o tivesse sido sempre, o que mudava?
    A resposta não é necessariamente “nada”, nem “tudo”. Só o facto de se levantarem estas questões é um passo em frente numa questão concreta, que é a da homoparentalidade. A palavra “mãe” não restringe por si só o domínio? Nem sempre, mas quais são aqui as alternativas, não havendo detergentes nem chocolates nem afins? considerar que “mãe” é uma metonímia para “pessoa” ou “mulher”? O que está a ser posto em causa, neste momento, é precisamente a recusa em aceitar que “mãe” e “lésbica” possam ser atributos da mesma pessoa, se a lei vai ou não proteger as famílias que assim se geram, se aceitamos impor a orientação sexual como fulcral para a relação de cada uma com a maternidade. Não ler “mãe” literalmente é um opção, claro. Uma opção ideologicamente marcada, como as outras todas.

  20. Luís, o que me assusta aqui nesta caixa de comentários é a falta de humor. Ó se me assusta. Até porque o outro comentário (mais radical) tem muita graça

  21. ser.r.alves says:

    Se nesta sociedade a orientação sexual tem importância para as relações entre as pessoas? Ou seja, e respondendo à pergunta do cartaz – se mudava alguma coisa se a minha mãe fosse lésbica,: Sim, vivemos numa sociedade altamente preconceituosa em relação a sexualidades divergentes daquela ditada pela moral católica, logo provavelmente a minha mãe seria altamente discriminada e isso influenciaria a minha vida. Se conseguíssemos mudar esse aspecto da sociedade, então provavelmente a minha vida não mudaria em nada.
    Podemos tentar pensar ao contrário. Suponhamos que vivemos numa sociedade em que o comportamento sexual por norma é homossexual, ou seja as relações sexuais de cada um de nós são maioritariamente homossexuais, podendo por vezes ser heterossexuais, por alternativa ao que acontece hoje que, por anos de domínio da moral católica e por receio de discriminação, são publicamente assumidas como maioritariamente heterossexuais (por exemplo, na Roma ou na Grécia antiga as relações homossexuais eram uma vivência comum – o que terá mudado desde então?). Suponhamos que esta sociedade hipotética é igualmente discriminatória e preconceituosa, por causa de uma religião dominante que diz que Deus (que aparentemente não existe) vê a heterossexualidade como “uma coisa do Diabo”. O que mudaria na relação entre pais e filhos? Para além da discriminação, e ostracismo de que seriam alvo?
    Ou então, imaginemos uma sociedade em que o comportamento sexual de cada um é, bem…, como cada um entender, em cada momento da sua vida e ninguém tem nada a ver com isso (como em relação a outras escolhas que as pessoas fazem na sua vida). Os filhos das pessoas dessa sociedade e as relações que têm com os seus pais mudariam em quê?
    Pode-se criticar, por exemplo, a opção de voto de uma pessoa, num determinado momento, mas afirmar que isso muda a sua relação com a sua mãe é um bocado retrógrado demais. Posso criticar uma pessoa amiga minha em relação à sua escolha para parceiro, porque é antipático, ou outra patetice qualquer, mas chiça, não ver que, achar que uma relação sexual entre um e outro muda alguma coisa para um terceiro apenas porque é descendente de um deles, é um preconceito, é ser cego demais…
    Imaginemos também uma sociedade em que a cor da pele dominante é a branca e que há uma religião dominante que afirma que as pessoas de outras cores são 3/5 de pessoa ou, não têm alma ao contrário das outras que vão para o céu, e não têm os mesmos direitos que os outros, os seus filhos não são seus mas sim dos seus donos, …, em que mudariam as relações entre os pais e filhos dessas pessoas discriminadas?
    Obviamente, só alguém com um preconceito muito obtuso em relação à sexualidade é que poderia fazer um post deste tipo.

  22. Luis Rainha says:

    Ana,
    Gostamos muito de gozar com os talibãs, mas não os vemos mesmo aqui no nosso meio, agarrados às suas santas e invioláveis causas, prontos a disparar fatwas à esquerda e à direita. E, como viste, eles andam por aí.

  23. Luis Rainha says:

    Ser não sei o quê
    O meu preconceito é mais agudo. Sobretudo em relação à sexualidade. Um destes dias explico-lhe porquê.

  24. M.Ribeiro says:

    O anúncio antigo era bom; o novo anúncio é manifestamente mau. Está bem assim?É também perturbador na forma como se dirige directamente a uma criança com esquemas conceptuais que ela não está em condições de adquirir por si senão através de endoutrinação . Mas estou pronto a retirar este segundo ponto se V.Exas me carimbarem o meu salvo-conduto de não-subversivo ou ideologicamente fixe, de forma a poder continuar tranquilamente e sem sobressaltos a minha vida.

  25. Justiniano says:

    Rainha, meu custódio das abetardas, correctíssimo!
    Acompanho-te, sem um bem haja para te não embaraçar…isto face às boas companhias e aos custódios das alminhas…

  26. Justiniano says:

    Caríssimo(a) Cosmopolita!!
    Choca-me um pouco, especialmente dentro desse enredo, o seu “…e que me amam tanto como se eu tivesse optado por uma relação heterossexual…”, para além do me amam tanto como, note-se o “tivesse optado por”. Choca-me no sentido em que regista uma certa artificialidade do labor da condição humana – não lhe sei explicar melhor mas note, ressalve, que não é Vcmcê que me choca – ou então o problema será certamente meu porque nesse tocante nunca pude optar e mesmo o termo “liberdade” ,por vezes aí empregue, me parece absolutamente sem sentido.
    Um bem haja,

  27. Renato Teixeira says:

    Post inteligente e corajoso. Subscrevo inteiramente, com o entusiasmo do Justiniano. Quem vê nele homofobia vê drag queens em toda a parte e cumpre critério para ser personagem de um qualquer filme do David Lynch.

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  29. Luis Rainha says:

    “Metonímias”, para serem lidas “literalmente” ou não, num cartaz publicitário com crianças por destinatários aparentes. Uh-uh.
    E não. De maneira nenhuma a palavra “mãe” restringe seja o que for: a expressão “mudava alguma coisa” trata de expandir o campo em que a questão é colocada. Nada se consegue demarcar com este paleio vago e desfocado numa peça destinada a ser entendida em segundos.
    A bem da verdade, já nem percebo por que se empenha tanto em defender o cartaz. Será um objecto sagrado, assim à laia de santo sudário dos novos tempos?

  30. ser.r.alves says:

    Mas e porque não hoje?
    Você diz “a vida da minha mãe teria sido bem diferente” e “a minha, por arrasto, também”. Diferente em quê?
    Acho essencial responder-me a estas perguntas para conseguir partir para uma discussão estruturada.
    É que acho que o seu preconceito está precisamente aí, em achar que a sexualidade de um, aquilo que faz na cama, interfere com o resto. Como se fosse determinante para a personalidade de uma pessoa o tipo de relações (sexuais, ou outras) que tem e não o contrário, que eu julgo que será o que acontece de facto, que é a personalidade de uma pessoa que estabelece o tipo de relações (sexuais ou não) que tem. Para mim a diferença é essencialmente esta.

  31. Luis Rainha says:

    É assim: você acha essencial e mais não sei o quê. Eu, por mim, não tenho qualquer vontade de manter uma conversa com quem se saiu com aquela do “preconceito muito obtuso”. Que quer? Esquisitices.
    Mas sempre lhe digo duas coisas: 1- não vou entrar em pormenores autobiográficos, mas continuo certo disso. 2- a nossa orientação, a nossa identidade sexual é muito, muito mais do que “o tipo de relações (sexuais, ou outras) que tem”; e ela não “interfere” (parece coisa electrónica) com a estruturação da sua vida, apenas a modula. Se não entende isso, desculpe, mas está a ser algo… obtuso.

  32. Mariana Avelãs says:

    como é óbvio, esta conversa não vai a lado nenhum. O cartaz é-me indiferente. Que não seja claro, por si só e pelo contexto em que surge, que é sobre parentalidade, faz-me muita confusão… parece-me mesmo algo… obtuso. O que está em discussão neste momento é a igualdade de direitos, incluindo os das crianças com pais/mães em relações homossexuais. Já não percebo se o cartaz não funciona porque não é claro que seja sobre parentalidade, ou se a mensagem é que está errada faz a apologia da não diferenciação de famílias com base na orientação sexual dos adultos, mas pouco me importa. Quem linka um post que defende que existe um paradoxo entre ser mãe e ser lésbica e acha que o que motiva afirmações deste calibre é mau marketing não vive certamente no mesmo mundo que eu, por isso não vale mesmo a pena.

  33. ser.r.alves says:

    E essa esquisitisse foi determinada pela sua orientação sexual? seria menos esquisito hoje, se ontem tivesse ido para a cama com um gajo em vez de uma gaja? não era minha vontade ofendê-lo mas antes criticar a ideia, que considero um preconceito obtuso, de sexualidade que expressou.
    Ok, a orientação sexual apenas modula a estruturação da vida. Mas mais ou menos do que outras coisas? É determinante para a formação da personalidade de uma pessoa a sua orientação sexual (considerando que, hipoteticamente, vivemos numa sociedade livre do preconceito sexual e, logo, não há discriminação com base na orientação sexual)? Ou outras coisas, nomeadamente a cultura, a educação, vá lá, todo o ambiente a que uma pessoa está sujeita ao longo da sua vida poderão modular mais a estruturação da vida das pessoas?
    E esta reflexão é considerando que todas as pessoas são apenas 100% homossexuais ou 100% heterossexuais (isto é, apenas têm ao longo da sua vida relações de um ou outro tipo), algo com o qual não concordo. Acho que as pessoas se definem, a si mesmas, assim apenas porque têm esse tal preconceito obtuso em relação à sexualidade. Pois vêem essa questão como uma questão de identidade pessoal e não, como deveria ser e já foi num passado pré-católico digamos assim, como apenas uma parte daquilo que são. É uma parte importante, mas é igualmente importante quer tenhamos relações hetero ou homo.
    Daí estar relativamente de acordo com a frase do cartaz: Bem, para a minha mãe mudaria alguma coisa, para mim pouco porque essa parte da sua personalidade pouco tem a ver comigo (e atenção não confundir sexualidade com procriação, outro dogma do catolicismo).
    A personalidade de uma pessoa não se define determinantemente pelo tipo de relações sexuais que vai tendo ao longo da sua vida (que podem ir variando entre homossexuais e heterossexuais), pelo menos no dia em que nos livrarmos deste preconceito obtuso (obtuso porque vê as coisas com a forma de gavetinhas pequeninas)…

  34. Luis Rainha says:

    Mariana,
    O cartaz não funciona pela acumulação dos dois factores: está mal feito e a mensagem está desfocada. Folgo que o tenha reconhecido. Quanto ao link ao post do Cachimbo, só o fiz como pequena piada – acredito que não lhe ache graça; mas também aí não concordamos a 100%. É a vida.

    Ser,
    Por favor, não reduza tudo a cenas de “cama” e de “relações” – até podemos ser castos e manter uma identidade sexual, ela não se realiza apenas no acto em si. O que pode “modular mais a estruturação da vida das pessoas” (nem acredito que fui cúmplice da criação desta coisa) é assunto complexo demais para este local e para mim, que não sou psicólogo – além de me parecer irrelevante para a nossa discussão.
    E sim, vejo esse vector sexual “como uma questão de identidade pessoal” e não acredito que possa ser mudado como se fosse uma camisa. Vejo que discorda, se calhar até baseado na sua experiência. Respeito, aceito qu seja assim para alguns, mas não me parece de todo caso comum ou estatisticamente significativo, pelo menos a fazer fé no que li sobre o assunto até agora.

  35. como diria o billy wilder, “nobody’s perfect” é o que é

  36. ser.r.alves says:

    Pois, por não querer ver tudo reduzido a questões de sexualidade é que apresentei a minha crítica ao seu post. E, parece-me, é isso que o cartaz também tenta fazer: não reduzir questões de relações interpessoais (que podem ser mãe-filho, amigo-amiga, patrão-trabalhador, entre desconhecidos, vagamente conhecidos,…) a questões de afecto sexual.
    Se é um assunto complexo demais para este local, então de certeza que a estruturação da vida (a individualidade individual de cada indivíduo?) não se pode reduzir a questões de sexualidade.
    Se vê a questão da sexualidade como uma questão de identidade pessoal então obviamente tem um preconceito com a sexualidade.
    Pois é, é muito difícil mudar os preconceitos com séculos de história, muito mais do que uma camisa…
    Pois, não é caso comum estatisticamente significativo porque a nossa sociedade é constituída maioritariamente por pessoas, tal como o Luís, com um preconceito, muito católico mesmo, em relação à sexualidade.

  37. Luis Rainha says:

    O facto de a sexualidade ser efectivamente “uma questão de identidade pessoal”, nunca implica que esta se reduza àquela. Como me pareceria óbvio, aliás. E claro que nunca sequer tal insinuei.
    A descodificação desse último parágrafo vai ter de esperar até em voltar a pegar no Krafft-Ebing. É a minha derradeira esperança de o entender.

  38. ser.r.alves says:

    Pois, ou não compreendeu ou não quer compreender, tanto aquilo que escrevi como o cartaz que comentou. Em qualquer dos casos, deu para perceber isso através do que escreveu no post.
    Mas se agora admite que a identidade pessoal não se reduz à sexualidade, apesar de dizer que são “coisas importantes e determinantes para as nossas identidades” ou “o que é mesmo fulcral para nos definir enquanto indivíduos” ou “Mas muito mudaria, dado que a pessoa seria intrinsecamente outra” e de admitir que poderá ser por causa da discriminação e preconceito que as vidas são piores, para as nossas vidas então, como disse no post, em que é que a sua vida mudaria se a sua mãe fosse lésbica? (considerando, como é óbvio pois trata-se de um cartaz contra o preconceito e a discriminação, que não existe preconceito nem discriminação em relação à orientação sexual.)
    E pare lá com as bocas patéticas que isso não são maneiras de discutir um assunto.

  39. Luis Rainha says:

    Vai desculpar-me ter razão, mas nunca escrevi ou sugeri que a identidade “se reduz à sexualidade” – “fulcral”, “importante” ou “determinante” não significam “exclusivo” nem “único”. Está a ver? Quanto à minha mãe, já expliquei que acabaram por ora os considerandos autobiográficos.
    O que não é maneira de discutir é insistir em me atribuir ideias que eu não manifestei.
    Fiquemos assim: cada um convencido da obtusidade do outro.

  40. ser.r.alves says:

    Pois, a dialéctica é muita para os seus lados. Mas se a sexualidade é determinante, é a “essência” de um (como sugere no título do post), se se mudar a sexualidade de um, essa pessoa muda completamente. é isso que eu entendo do seu post e dos seus comentários. Logo, para mim, isso é reduzir as características de uma pessoa à sua sexualidade, como se isso fosse o mais importante. Ora eu oponho-me a essa ideia, que me parece preconceituosa e obtusa, pois parte de uma pequena parte de um para o descrever no seu todo.
    Se eu conseguir desmistificar isso na sua pessoa, fica então a pergunta em que é que o tipo de relação que uma pessoa tem com outra (seja a sua mãe, filho, tio, amigo, ou patrão) muda se a sua sexualidade mudar?
    Até porque muitas pessoas escondem a sua sexualidade divergente da norma e ninguém nota muito a diferença. Para todos são todos heterossexuais e ninguém desconfia que muitos de nós escondem a sua verdadeira sexualidade.

  41. Luis Rainha says:

    Não é dialéctica; chama-se saber o que se escreveu. A identidade sexual (e não a “sexualidade” – olhe que são coisas diferentes) é determinante, a par com vários outros factores (alguns dos quais, naturalmente, exógenos). Isso do “essa pessoa muda completamente” é ideia sua, não minha. Portanto, procure na sua própria cabeça, por favor, essa tal “ideia”, que lhe “parece preconceituosa e obtusa”. Sabe o que significa o verbo “modular”, que empreguei várias vezes nesta discussão? Ora vá ao dicionário e depois compare esse conceito com aquele que você me quer à força atribuir.
    A identidade sexual faz parte da tal “essência” que o cartaz elide; daí, e só daí, o título do post.

  42. ser.r.alves says:

    Ok, então a identidade sexual a par com vários outros factores é que é determinante. Nunca considerada isoladamente. Ou, se a identidade sexual mudar os outros factores são modulados, como disse, por este? É esta a base do seu preconceito?
    Então e o que é para si identidade sexual?

  43. Luis Rainha says:

    Vou explicar muito devagar, como se você fosse o obtuso: nenhum factor “isoladamente” determina a personalidade de ninguém a 100%. E claro estºa que muitos deles se influenciam mutuamente de forma complexa. Como me pareceria escancaradamente óbvio, aliás. Não há base alguma para um preconceito que só existe mesmo na sua cabeça.
    “Identidade sexual”, de forma resumida, pode ser a forma como cada um vê a sua própria sexualidade e como exprime esse factor aos demais.

  44. ser.r.alves says:

    Então, pondo isto, continua a rever-se nestas palavras: “Agora, parece querer convencer as criancinhas de que é tudo indiferente, em termos de identidade sexual: ser-se lésbica, hetero, bissexual… nada fará diferença alguma. Isto equivale a trancafiar a diversidade num novo tipo de armário: o da irrelevância. Por mim, responderia “sim”: a vida da minha mãe teria sido bem diferente e a minha, por arrasto, também.”?
    Se sim, então devo entender que considera que, se a sua mãe fosse lésbica, a forma como ela expressaria a sua sexualidade seria bem diferente daquela que expressaria se fosse bissexual e isso mudaria muito em si. Porque as pessoas na caixinha x comportam-se da maneira x e quando estão na caixinha y comportam-se da maneira y? (Não digo que seja isto que tenha dito nos comentários, é apenas o que acho que pode ser uma interpretação do seu post e das suas poucas palavras. E apenas pergunto porque não respondeu antes, pois pareceu-me que se entreteu a tratar-me como um incómodo. Por favor, evite levar a discussão tão a peito e evite a tentação de ofender e de denegrir a intelectualidade dos outros).
    Porque acho que ninguém se tem que definir em nenhum momento da sua vida como homossexual ou heterossexual ou bissexual ou seja o que for. Pois isso não muda nada em relação ao resto.
    Porque acho que o preconceito de que eu falava está exactamente aí. Em considerar que a identidade sexual é uma coisa estática e bem definida que por conseguinte define uma pessoa e as suas relações com as outras para o resto da sua vida. Eu acho que é algo que se descobre ao longo da vida e só não é assumido por mais gente por causa desse preconceito e da discriminação que se lhe seguiria. Por isso não concordo com uma resposta afirmativa, feita de forma leviana, à pergunta do cartaz.
    Com isto tudo quis apenas confrontar estas duas perspectivas em relação à “identidade” sexual.

  45. Luis Rainha says:

    Não é uma questão de x expressar “a sua sexualidade” assim ou assado. É uma questão de não sermos feitos de caixinhas fechadas, mas sim de vasos comunicantes. E volto a escrever: eu, muito provavelmente, nunca teria tido um só filho se fosse homossexual, mesmo que às tantas me visse casado.
    O que você acha quanto à estruturação de identidades sexuais é algo irrelevante. Esse paleio do “ninguém se tem que definir” é inútil: ninguém “tem de”, mas quase todos o fazem. Percebe a diferença?
    E isso do “Pois isso não muda nada em relação ao resto” é apenas uma convicção sua, sem suporte que se perceba. Aponte-me ao menos um investigador minimamente conceituado que tal ponto de vista defenda e esta conversa poderá continuar; à base de “achismos” é que não.

    Por fim, leia lá quem é que trouxe palavras como “obtuso” e “preconceito” para aqui? Onde vai buscar lata para falar em “denegrir a intelectualidade dos outros”

    Agora, vai desculpar-me mas isto já ultrapassou a minha quota de tempo disponível para teimosias.

  46. ser.r.alves says:

    Talvez isto ajuda à discussão então:
    http://books.google.pt/books?id=vcV5rFfehNsC&printsec=frontcover&dq=sexual+orientation&ei=KhZ8S6f0NITqNYDbjasH&hl=en&cd=1#v=onepage&q=&f=false
    http://sex.sagepub.com/cgi/content/abstract/9/4/423
    Obtuso era o preconceito que você tão levianamente demonstrou ter… Não era uma ofensa pessoal. Até porque compreendo o preconceito muito bem pois é manifestado pela larga maioria da população.

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