O nosso sacana, o vosso sacana

Isabel Moreira descobriu a pólvora com que vai explodir todos os insatisfeitos que se atrevem a criticar o paraíso socrático: «um pedido, rapaziada defensora da independência dos órgãos de comunicação social e da liberdade de expressão, um pequeno pedido, doutrinadores da “asfixia democrática”: podem falar-me um pouco, por exemplo, do que se passa na Madeira? Assim, de passagem, já que o assunto é a coerência…»
Genial. A ideia subjacente é que cada quadrante pode manter e engordar os seus ogres de estimação, num perfeito equilíbrio de pequenos monstros. Algo como: «ai vocês denunciam o Sócrates como ameaça à democracia? Ora calem-se lá, se não passamos a falar do esqueleto sapudo que têm escondido no vosso armário. Desse já não se queixam, hã, hã!?»
Além deste disparate fulcral, acontece que o repto tem resposta fácil; aqui, aqui, aqui, aqui

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2 Responses to O nosso sacana, o vosso sacana

  1. Hoje, à entrada do Metro, no Marquês, estenderam-me uma coisa chamada Destak. Na breve viagem, aí li o editorial (!) de uma tal Stilwell, que se louva no último artigo da D. Constança para denegrir a iniciativa da petição em prol da liberdade de expressão.
    Duas conclusões:
    – a miséria deste subjornalismo vai de vento em popa e não há, parece, nada a fazer;
    – o socretinismo comanda, qual doença contagiosa, uma enorme rede de interesses, que se estende até serventuários de meia tigela.
    Vai ser muito difícil correr com esta gente, olá se vai.

  2. Esloveno diz:

    Já ouvi outra parecida: “O Sol devia estar calado porque é dos angolanos”. Fixe, não é? Só que depois o nosso governo é tão amigo de Angola, da Venezuela – ui! que na semana passada até fomos à Mauritânia, Mali e arredores – e lá se vai a boa da coerência.

    A liberdade é um valor universal. Defendê-la em Lisboa é defendê-la no Funchal, em Luanda ou em Caracas.

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