Com o rabo de fora

A ideia surgiu na discussão dos blogues: fazer um manifesto que expresse as inquietações de muitos acerca dos tiques ‘chavistas’ de Sócrates exibidos na sua cada vez mais desconfortável e azeda relação com a liberdade de expressão. O manifesto será entregue ao presidente da AR no próximo dia 11 de Fevereiro, às 13h30.
Partilho essas inquietações e por isso assinei – mas não creio que José Sócrates perca um só minuto a pensar no assunto. Primeiro, sente-se protegido – pode portar-se ainda pior do que já se sabe que nunca lhe será imputado o crime de ‘atentado ao Estado de Direito’. Depois, o PSD ainda não se encontrou. Ferreira Leite, a quem Sócrates deve a vitória, ainda jaz na liderança empatando qualquer alternativa capaz a esta pouca-vergonha.”

Carlos Abreu AmorimCorreio da Manha (tribuna da liberdade)

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14 Responses to Com o rabo de fora

  1. Justiniano diz:

    Pelo que percebo o Ricardo tem medo da queda de Sócrates, podendo esta significar a ascenção do outro partido da social democracia portuguesa ao poder (com o respectivo fantasma de Ferreira Leite ameaçando suspender a democracia)!!??
    Ou o CAA tem tinha!!??
    Tudo isto com a imagem de fundo de Sócrates ensinando Chávez a utilizar o parental control no magalhães.

  2. Pingback: cinco dias » Da palermice…

  3. 'Idi na Hui' diz:

    Não percebo essa das chavices,o melhor é fazer um desenho de preferência com o sarkozy e o berlusconi,esce empresario de xuxesso…NãO HÁ PACHORRA PARA A ENORMIDADE E A UNIFORMIDADE DE PENSAMENTO.fODAM-SE!

  4. António Figueira diz:

    Ó Ricardo,
    Há limites para o silogismo (que eu julgava que já tinhas atingido, mas tens uma notável capacidade de me surpreender): intelectualmente falando, a conversa que diz: CAA chama Chavez a Sócrates, logo quem se manifeste com CAA também chama Chavez a Sócrates, com tudo o que isso implica, vale tanto como o seu contrário, que é a dizer, por ex., Ricardo Noronha escreve não-sei-quantos-silogismos-por-dia-a-ver-se nos-convence-que-manifestar-contra-Sócrates-é-mau, logo é amigo de Sócrates, ou MSP escreve-não-sei-quantos-posts-por-semana-sobre-o-horrível-Orwell-que-é um-dos-escritores-favoritos-dos-fachos, logo é facho ele próprio. Não achas que vale a pena sair dessa?

  5. Ricardo Noronha diz:

    Mas eu não digo isso António. Eu digo que vocês vão a uma manifestação cujos inconfessáveis objectivos não passam pela intransigência ética na defesa da liberdade de expressão. Para dizê-lo mais explicitamente, vão a uma manifestação encomendada pelo presidente da república e que se insere numa estratégia mais ampla para substituir Sócrates à boleia de uma vaga de fundo de indignação moral quanto à sua conduta. Acontece que o substituto será igual ou pior. Quanto mais se espreita pelo buraco da fechadura, mas evidente é o objectivo de tudo isto. Vocês terão as vossas razões para lá ir. Mas o vosso papel nesta farsa é bastante óbvio – dar a entender que isto não é uma iniciativa da direita porque até há pessoas de esquerda que lá vão.
    Primeiro as companhias era pessoal à maneira, genuinamente liberal e democrata, e a coisa fluía pela unidade. Agora já se admite que algumas dessas companhias vinculam uma imagem pública da manifestação que vos desagrada, e então deixam de interessar as companhias, que até são pessoas pouco apresentáveis e com as quais não se quer ser comparado. Acontece que essas pessoas sabem bem o que pretendem desta manifestação e qual o lugar que vos reservaram. Percebo que te desagrade a minha insistência a esse respeito. Mas acho que vais ter que lidar com ela. Nenhum silogismo.

  6. Renato Teixeira diz:

    Uma dúvida metodologica (ou será política?): Se não vota imagino que seja por achar que são todos mais ou menos a mesma patranha. Que diferença lhe faz estar lá o Sócrates ou outro qualquer?

  7. António Figueira diz:

    Ricardo,
    A tua insistência não me desagrada, cansa-me; o desagrado que tu tentas provocar, só existe na tua cabeça; a urdidura que tu imaginas – perdoa-me a expressão – mas é patética. Serás um grande táctico, fruto sem dúvida de copiosas espreitadelas pelo buraco da fechadura, e agradeço-te o aviso amigo que me fazes, sobre o triste papel que me cabe nesta farsa, que tu topas mas eu não; deixa-me porém que te diga que o mundo é estranhamente mais simples do que supõe a tua vã filosofia, e que a repetição dos teus silogismos – desculpa, mas não têm outro nome – não faz muito pela tua reputação intelectual.
    No hard feelings (mas um bocadinho decepcionado, admito), AF

  8. Luis Rainha diz:

    Fabuloso é que invoques, em defesa da tese da manif encomendada pelo PR para fazer cair o governo (??), um texto de um PSD que sabe que Sócrates não ligará a tal evento e que admite que o seu partido não estaria à altura da crise… contra os seus interesses conspira, este maquiavélico CAA.

  9. Ricardo Noronha diz:

    António, agradeço a tua preocupação, mas a minha reputação (e ainda por cima intelectual) nunca foi a melhor.
    O qualificativo de «triste» pertence-te, mas chamar «vã filosofia» a uma genuína dúvida acerca das motivações desta manifestação demonstra que, mais do que cansado, estás desagradado. Não há silogismo nenhum. Simplesmente, o mundo não é nem nunca foi «estranhamente simples» e surpreende-me que penses isso. Repara que te limitas a ironizar sem correr o risco de contra-argumentar.
    Que a ética te faça bom proveito e que a força esteja contigo e com todos os outros lutadores pela liberdade.
    Renato, é escusada essa formalidade. Um «tu» servirá perfeitamente. Imaginas mal. Não me parecem todos a mesma coisa. Simplesmente acho que fazem todos parte da mesma engrenagem, cada um desempenhando um papel específico e respeitando as regras de um jogo viciado. Acho que na substância PS, PSD e CDS são os partidos do regime e o PCP e o Bloco a sua válvula de escape. Coisas bem diferentes portanto e que me levam a debater com os militantes/apoiantes dos segundos sem perder muito tempo com os primeiros. Neste caso em concreto, acho que a crítica e o combate a Sócrates dispensam bem a unidade entre todos os portugueses honrados.

  10. Ricardo Noronha diz:

    Luís, correndo o risco de passar por mago da táctica, remeto a resposta à tua dúvida para uma passagem do artigo citado: “Ferreira Leite, a quem Sócrates deve a vitória, ainda jaz na liderança…”. Sublinho o «ainda» e penso que fica bem claro a favor de quem e do quê conspira Carlos Abreu Amorim.
    Não sei se os teus argumentos são cómicos ou tristes, mas seria bom que fizessem algum sentido. Parece que não estavas cá quando os assessores de Cavaco fizeram publicar notícias no Público antes das eleições para queimar o primeiro-ministro. Parece-te mesmo tão pouco plausível essa estratégia? E o que há a ganhar, politicamente, participando nela?,

  11. António Figueira diz:

    Ricardo,
    Como é que se contra-argumenta um silogismo? Explica-se a diferença entre a premissa maior e a premissa menor? Preciso de te repetir que não acho que o Sócrates seja o Chavez e que a tua tese conspiratória é uma complicação desnecessária, para não dizer um disparate pueril? Desculpa, mas não me deixas muito mais espaço se não para ironizar – no sentido mais elevado do termo, claro, como convém entre nós.

  12. Luis Rainha diz:

    Ricardo,
    Precisamente: o “ainda” revela a falta de ligação táctica, nos sinistros meandros o pensamento direitista, entre a manif e a subida ao poder do PSD. E não estou sequer a argumentar: basta apontar a falta de sentido e de verosimilhança da tua ideia.

  13. Ricardo Noronha diz:

    António, o silogismo foi criado por ti, repara:”CAA chama Chavez a Sócrates, logo quem se manifeste com CAA também chama Chavez a Sócrates, com tudo o que isso implica”. Mas eu escrevi uma coisa bem diferente, onde este «logo» não tem lugar. Não há portanto premissas, nem maiores nem menores.
    Já a minha «tese conspiratória» está em cima da mesa e merece mais do que alusões às minhas complicações desnecessárias e aos meus disparates pueris. Agora sim, um início de silogismo – as expressões que empregas parecem as que Sócrates utilizou para caracterizar Mário Crespo, logo…

  14. Ricardo Noronha diz:

    Luís, se a Carlos Abreu de Amorim parece que a liderança de Ferreira Leite é uma razão para Sócrates estar descansado e se faz questão de frisar que essa liderança é uma questão de tempo («ainda»), então parece-me verosímil que, enquanto isso não acontece, é preciso ir criando uma vaga de fundo para aproveitar a boleia das escutas e fragilizar Sócrates, de maneira a encurtar-lhe o mandato. Uma genuína e espontânea indignação dos mais amplos e variados sectores da vida política vem mesmo a calhar.
    Só que, lá está, olhando pelo buraco da fechadura facilmente descortinamos motivos menos nobres que explicam mais facilmente a onda desta manifestação. E Carlos Abreu de Amorim não teve qualquer pejo em revelá-lo. Se é a parque engil que te incomoda, bem podes esperar que mil outras floresçam à sombra do senhor que se segue.

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