Anti-Social-Fascismo (R)?

Miguel Serras Pereira, a propósito do teu post, permite-me uma pergunta (e permite também que te peça uma resposta curta): de que lado estiveste tu no “caso República” e porquê?

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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6 respostas a Anti-Social-Fascismo (R)?

  1. Renato Teixeira diz:

    Abaixo o Rego! FORA! 🙂

  2. miguelserraspereira diz:

    Resposta a AF

    1. Com os trabalhadores do jornal e contra a linha do PS.
    2. Porque defendo a autogestão e a “livre associação dos produtores”. E defendi-a nesses idos quer contra o PS de Soares, quer contra o PCP, UDP e alguns outros.

    Comentário:
    No entanto, NUNCA defendi que o PS, o PCP, a UDP devessem ser silenciados ou proibidos de editar a sua propaganda.

    msp

  3. miguelserraspereira diz:

    António Figueira,
    esqueci-me de dizer que apoiei pelas mesmas razões a luta dos trabalhadores da Rádio Renascença – que o PCP condenou.
    NUNCA defendi que a Igreja Católica fosse impedida de abrir outra rádio, publicar livremente, fazer as orações que entendesse.

    msp

  4. António Figueira diz:

    Miguel,

    Apoiaste os trabalhadores do República contra o “Pena de Ouro” e contra a linha do PS, dizes tu? Pois eu atrevo-me a perguntar (e estou longe de ser o único, como sabes) se não havia também “na ‘lógica’ e na ‘dinâmica’ dessa movimentação qualquer coisa que evoca[va] em termos ‘estranhamente inquietantes’ a doutrina da social-democracia definida ‘social-fascismo’ como inimigo principal do período entre as duas guerras”!

    PS Escusada a referência à RR e ao PCP, um bocadinho despropositada, mas tu fazes-me lembrar uns tipos do meu liceu com quem eu jogava bilhar no Jardim Cinema, que desenvolveram uma técnica que se chamava “bilhar científico” e tinha uma única regra: “com força na vermelha dá sempre”…

    Cumps, AF

  5. Aniceto Azevedo diz:

    Bravo! SEMPRE contra o social-fascismo, caramba!
    E, bem vistas as coisas, o MIRN também era chato, os spinolistas também estavam activos, os banqueiros também sabotavam, mas seria sinal de vesgo dogmatismo que não pudessem publicar, editar, reunir e agir LIVREMENTE.

  6. miguelserraspereira diz:

    António Figueira
    Podes nos teus posts fazeres as perguntas que quiseres e a quem quiseres; podes, depois, pedir respostas curtas, etc. Mas não deves formatar os comentários dos outros. Quando publicas um post aqui, tens de aceitar que os comentários transbordem das perguntas que pões.
    Dito isto, na época a que te referes, termos como “social-fascista”, “o traiçoeiro partido de Cunhal”, etc. eram apanágio dos movimentos m-l e ilustrados por efígies de Estaline e Mao, e o destinatário do famigerado epíteto era o PCP. Na restante “esquerda revolucionária” (como se dizia na época), a utilização do termo era denunciada e posta de lado. Nunca vi o termo aplicado ao PS ou ao PCP por organizações como o MES, a FSP, o PRP ou a LUAR – nem por independentes não simpatizantes do maoísmo e do regime albanês.
    Quanto à lógica e dinâmica da movimentação em torno do jornal República: os que tomaram partido pelos trabalhadores, na generalidade, não consideravam o PS, embora o combatessem e denunciassem sob perspectivas muito diferentes, o “inimigo principal”. Os m-l, sobretudo, não deixavam de denunciar, a propósito e a despropósito, o “social-fascismo” do “partido de Cunhal”, sempre que atacavam também o PS. Talvez o PCP fizesse do PS e aliados conjunturais o seu “inimigo principal”, ou um segundo “inimigo principal”, a par do ELP e dos fascistas. Lembro-me de num jornal sob o seu controle – O Século – terem publicado, por exemplo, uma caricatura de Melo Antunes com uma braçadeira com a suástica nazi. De qualquer modo, o PCP nunca cortou por completo as pontes com o PS, nem o tratou como os estalinistas alemães trataram a social-democracia. E a inversa também se verificou. A composição dos governos da época aí está para o demonstrar. De resto, na “esquerda revolucionária” havia muita gente que receava que os dois partidos acabassem por se entender e chegar a um acordo “reformista”. E havia também os que continuavam a reclamar, ao mesmo tempo que apoiavam os trabalhadores do República, um governo PCP-PS, ou PCP-PS-Intersindical.
    Tentei responder-te analisando o que se passou. Quanto a mim, juntamente com alguns outros, não poupei as críticas à “esquerda revolucionária”, ainda quando não maoísta (à FSP, ao MES, ao PRP e, em menor grau, à LUAR, que sempre se distinguiu por uma orientação mais libertária ). Podes comprová-lo se te interessar consultando o que escrevi semanalmente na Vida Mundial, dirigida por Augusto Abelaira e da qual fui delegado na comissão de trabalhadores de O Século, até ao 25 de Novembro (que acabou com a revista), ou os editoriais do Combate (da Contra-Corrente) que há anos foram objecto de compilação e edição pela Afrontamento.

    Entendidos?

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