Da justa resolução das contradições

O burburinho em torno do manifesto e manifestação contra Sócrates tem agitado a nossa tasca e outros estabelecimentos, compondo uma tragicomédia de proporções inéditas.  Acolho com algum cepticismo as denúncias apaixonadas, mas tardias,  do autoritarismo de Sócrates e da sua incapacidade de lidar com críticas.  Foi precisamente esse um dos atributos que lhe mereceu mais elogios quando se tratou de reunir o consenso em torno das «reformas difíceis», contra os «interesses corporativos» e as «resistências à mudança». Nunca faltou apoio a Sócrates para «arrumar a casa», mesmo quando isso implicou uma ofensiva generalizada contra o movimento sindical e contra todos os que se atreveram a denunciar o aprofundamento das desigualdades sociais que acompanhava a sua proposta de «modernização».  É verdade que não lhe foi então necessário «silenciar», «afastar» ou  «perseguir» pessoas que escreviam nos jornais. Pela simples razão de que os jornais foram há muito higienizados contra esse tipo de opiniões, arcaicas e teimosas, tendo ficado apenas meia dúzia de consciências de esquerda para compor uma duvidosa imagem de pluralismo.  Das limpezas de redacção e da caricatura de jornalismo que delas resulta, nem vale a pena aqui falar. Alguém sugeriu, a propósito desses  factos insólitos, que os jornalistas  se viam frequentemente chamados a desempenhar  a função de «ardinas da mentira». Há por isso um excesso de crespação neste debate.

Foi só a partir do momento em que as reformas efectuadas – a austeridade que recaiu sobre os sectores da população que pagam todas as crises a pretexto das necessidades de contenção orçamental – fizeram balançar para a esquerda o sentido de voto do eleitorado, reforçando o PCP e o Bloco e levando o primeiro-ministro a reforçar o «conteúdo social» da sua intervenção pública, que as críticas propriamente políticas por parte da direita começaram a surgir.  Palavras como «demagogia», «populismo», «despesismo» começaram então a ecoar e bastou um computador portátil em forma de tostadeira para que o espectro de Chávez se visse agitado na política doméstica.

Já havia, evidentemente, quem tivesse manifestado legítimas dúvidas acerca do carácter e idoneidade de Sócrates, por casos relacionados com a sua licenciatura e com a sua actividade profissional. Mas a denúncia insistente do seu autoritarismo só se começou expressar quando se tornou evidente que ele seria tão intransigente nas instituições como nas ruas, ou seja, que trataria as vozes críticas do  campo conservador e liberal com o mesmo desprezo que revelara perante as vozes críticas à esquerda. O episódio da ida de agentes da PSP à delegação da FENPROF na Covilhã, a par do processo disciplinar  na DREN a um militante do PSD, ilustram bem a diferença de estatuto conferida à liberdade de uns e de outros: a intimidação dos sindicatos e a consequente limitação do direito de manifestação mereceu uns parágrafos noticiosos, a anedota de Fernando Charrua veio revelar o potencial déspota que há dentro do primeiro-ministro.

No fundo,  este coro do «eu acho absolutamente inacreditável», esta  opinião pública respeitável que deseja  marchar sobre S. Bento, nunca teve grande apreço pela liberdade de expressão de quem resiste aos processos de engenharia social em curso. A sua simpatia está toda reservada para quem se propõe levá-los a cabo com maior eficácia. Entre uma manifestação e uma anedota, nunca tiveram qualquer problema em definir prioridades.

Mário Crespo é a mais recente piada de mau gosto. Parece que a democracia se viu ameaçada pelo teor de uma conversa ao almoço, num Hotel do centro de Lisboa. Importa notar que até Manuel Godinho, apesar de poupadinho no que respeita a telemóveis, era mais discreto a tratar dos seus negócios. Prestável e empenhado em demonstrar a sua preocupação pelo bem estar de Sócrates, o director do J.N. apenas veio confirmar que não se deve menosprezar o papel do disparate na história.

O que explica este burburinho não é, portanto, uma indignação genuína perante limitações à liberdade de expressão e à saúde da democracia portuguesa. Essa pode ser a razão para a adesão de algumas pessoas, incluindo as que escrevem no 5 Dias. Mas não foi isso que originou este «movimento», tal como não foi isso que lhe deu a cobertura mediática de que ele goza. A animalidade política de Sócrates levou-o a identificar os seus principais inimigos, a ameaça que representam e os instrumentos de que se podem servir contra ele. Começou a atacá-los com método, ainda que com pouca competência, e eles contra-atacam com indignação, ainda que com pouca seriedade.

Está em curso uma guerra civil entre as duas facções que disputam o aparelho de Estado, conduzidas por pessoas muito pouco recomendáveis e que convém observar com atenção, por tudo o que tem de instrutivo, mas salvaguardando a distância necessária para evitar salpicos de lama. No que à democracia diz respeito não há nenhum lado a escolher. Todos querem o mesmo – um simulacro de democracia que reserva o poder  para si e para os seus, obediência para todos os outros. O aparelho judicial e os órgãos de desinformação são o palco deste combate pouco épico, em que a democracia se vê asfixiada alternadamente,  ora pela mão esquerda ora pela mão direita.

Se é de princípios que se está a falar, então é bom relembrar que a alternativa a Sócrates nas últimas legislativas gosta de fazer humor a propósito da suspensão da democracia e acha um abuso que os jornalistas escrevam as notícias como querem. Por princípio, parece-me indesejável participar numa manifestação dedicada à causa da liberdade, promovida por pessoas que consideravam Manuela Ferreira Leite a melhor solução para os problemas do país e que se dirigem explicitamente a Cavaco para que ele salve a pátria. É sabido que o homem do leme nunca revelou grandes preocupações com o tema e, no que diz respeito ao combate pela liberdade, chega tarde ao seu encontro com a história. Nenhum episódio de calhandrice será  suficiente para fazer dele um democrata. A liberdade não vai passar por aqui. Cuidado com as más companhias.

Adenda: Entretanto, dei conta que estão «todos» pela liberdade. Não é o caso. Alguns ficaram fora da fronda contra Sócrates.  Uma pequena aldeia irredutível resiste a esta estranha unanimidade e insiste em erguer a sua barricada numa posição mais sólida. A luta continua.

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32 respostas a Da justa resolução das contradições

  1. Concordo totalmente com o penúltimo parágrafo. E com o resto, em geral.

    O que estamos a assistir é ao reforço do poder dos grupos económicos sobre a política. Nunca um empresário que afastasse um jornalista por este o criticar mereceria uma manifestação.

  2. A. Trigueiro diz:

    Vá lá que ainda aparecem vozes, aqui no 5 dias. que não se deixam embalar pelos cantos de sereia.

  3. A socretinice é mesmo uma doença contagiosa, não haja dúvidas. Pobre país!

  4. Luis Rainha diz:

    Esse moralismo clubístico do “nós contra o mundo”, não sei bem se é cómico ou triste. Ineficaz será com certeza.

  5. Nuno Ramos de Almeida diz:

    A queda do Sócrates não é só um imperativo ético, mas político. É certo que as diferenças políticas não se jogam no domínio da ética e dos bons costumes, embora isso também conte. A questão portuguesa é muito mais grave, para falar claro, os expedientes, os ajustes directos e as pequenas e grandes corrupções, que cresceram no socratismo, não são devido à falta de chá do grande líder, mas foram o caminho que esta forma particular de capitalismo de empresas privadas que canibalizam o Estado e os dinheiros públicos escolheram em Portugal. Não é por acaso que até agora as grandes empresas e empresários apoiaram este governo. As desonestidades e corrupções foram apenas a terminação de uma taluda muito maior. A queda de Sócrates e a luta pela condenação das suas práticas são um combate necessário para contestar o neoliberalismo luso. E, até, para clarificar a esquerda, retirando-lhe a canga do socratismo. Há aspectos deste combate, que podem ter um campo de unidade maior do que a esquerda, à esquerda do PS. Contestar os abusos de Sócrates na comunicação social é um deles. Isso não significa que tenhamos que estar de acordo com todos os participantes nessas acções.
    Finalmente, uma nota lateral, a escolha o desenho do Quino, neste contexto, é bastante infeliz,: neste contexto significa que todos os que criticam o silenciamento dos jornalistas são cúmplices dos abusos dos mesmos. Como se tudo se resumisse aos insultos dos malandros dos jornalistas contra o pobre Sócrates. Boa imagem para a Câmara Corporativa.

  6. miguelserraspereira diz:

    Caro Ricardo,
    maré alta – como de costume.
    De qualquer modo, eu não falaria de “guerra civil”, mas de “conflito de interesses” e de “fórmulas políticas” visando garanti-los, entre duas facções da oligarquia. Mas é um pormenor que não compromete o fundo da tua argumentação.
    Solidário abraço

    miguel

  7. A. Trigueiro diz:

    ” a queda de Sócrates e a luta pela condenação das suas práticas são um combate necessário para contestar o neoliberalismo luso”

    Plenamente de acordo. Que fazer então ?

    Ora, vamos marchar de braço dado, exactamente, com os mais acérrimos do neoliberalismo luso !

  8. Antónimo diz:

    NRA, não encontro nenhuma posição geométrica no seu comentário em que estes agora aliados nunca tenham estado. São mais do que cúmplices do mesmo género de coisa que Sócrates fez/faz.

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Caríssimo Antónimo,
    Vou usar um exemplo da luta estudantil para ver se percebe o meu argumento. Mesmo não concordando comigo, para a nossa discussão é mais interessante contrapor percebendo-me. O aumento das propinas para o preço real do ensino são um exemplo de uma política neoliberal mais vasta no campo do ensino superior. Isto não implica que aqueles que contestam o neoliberalismo não queiram envolver estudantes que não concordam com eles, sobre o neoliberalismo, na luta contra as propinas. Quem está em contradição são eles e não os estudantes que são contra o neoliberalismo.

  10. O primeiro-ministro de Portugal tem sérias dificuldades em lidar com a diferença de opinião.

    Esta dificuldade tem sido evidenciada ao longo dos últimos 5 anos, em sucessivos episódios, todos eles documentados. Desde o condicionamento das entrevistas que lhe são feitas, passando pelas interferências nas equipas editoriais de alguns órgãos de comunicação social, é para nós evidente que a actuação do primeiro-ministro tem colocado em causa o livre exercício das várias dimensões do direito fundamental à liberdade de expressão.

    A recente publicação de despachos judiciais, proferidos no âmbito do processo Face Oculta, que transcrevem diversas escutas telefónicas implicando directamente o primeiro-ministro numa alegada estratégia de condicionamento da liberdade de imprensa em Portugal, dão uma nova e mais grave dimensão à actuação do primeiro-ministro.

    É para nós claro que o primeiro-ministro não pode continuar a recusar-se a explicar a sua concreta intervenção em cada um dos sucessivos casos que o envolvem.

    É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.

    É para nós claro que um Estado de Direito democrático não pode conviver com um primeiro-ministro que insiste em esconder-se e com órgãos de soberania que não assumem as suas competências.

    É para nós claro que este silêncio generalizado constitui um evidente sinal de degradação da vida democrática, colocando em causa o regular funcionamento das instituições.

    Assistimos com espanto e perplexidade a esse silêncio mas, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelos portugueses nas últimas eleições legislativas, não nos conformamos. Da esquerda à direita rejeitamos a apatia e a inacção.

    É a liberdade de expressão, acima de qualquer conflito partidário, que está em causa.

    Apelamos, por tudo isto, aos órgãos de soberania para que cumpram os deveres constitucionais que lhes foram confiados e para que não hesitem, em nome de uma aparente estabilidade, na defesa intransigente da Liberdade.

    – Porque é que este “apelo” é de direita? E, não pode haver Liberdade de lutar contra a falta da mesma, deste governo, com gente de direita! Temos sempre que levantar muros!

  11. A. Trigueiro diz:

    O exemplo das propinas replica outros, lembrando que na legalização do aborto até andamos de braço dado com “ajudantes” do Sócrates;
    Nas manifestações por Timor, não havia esquerda nem direira;
    Na luta dos professores havia gente de todos os partidos.

    Só que, nos exemplos citados ninguém ia ao engano.
    Todos lutavam exactamente pelos mesmos objectivos e sempre que for assim, faz todo o sentido que haja uma luta comum.

    No caso da manifestação pela liberdade parece-me óbvio que ,
    usando as mesmas palavras, o objectivo final não é o mesmo.
    E isso faz toda a diferença.

  12. Nuno Ramos de Almeida diz:

    A. Trigueiro,
    O que eu digo é que, nos casos que citou, os objectivos de uma luta são comuns, para além dessa luta as pessoas têm objectivos finais diferentes.

    Isso acontece sempre. Eu participei na organização das manif global contra a guerra do Iraque. A minha convicção é que o imperialismo dos EUA era responsável pela escalada da guerra no mundo, mas não queria só na manifestação aqueles que tinham a minha opinião. Não sei se percebeu, finalmente, o meu ponto de vista?

  13. A. Trigueiro diz:

    NRA

    percebo perfeitamente o seu ponto de vista, só que não concordo com ele.

    Em todos os exemplos citados, quem estava nessas lutas e quanto aos objectivos concretos dessas acções, todos queriam o mesmo.

    Na manif. de 5ª. uns estarão lá a pensar em alhos e outros em bugalhos.

    Mas desejo-lhe que se divirta…

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  15. Manuel Resende diz:

    Ricardo:

    Parabéns. Bem dito, em geral.

    Eu cá sempre segui a 36.ª lei do materialismo dialéctico: «Nunca jogues à pêra com o teu amo», que é como quem diz, não vás às manifestações com os lobos.

  16. viana diz:

    Excelente post do Ricardo Noronha. O mais claro, directo e detalhado que já vi escrito sobre o assunto. Também eu gostava de ter visto toda esta indignação à Direita quando Sócrates, e Cavaco antes dele, enviou a polícia contra quem tentou se manifestar pacificamente. Aí sim, estava em causa a liberdade de expressão.

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  18. nanda diz:

    “Vitória à justa dos conservadores e de Silvio Berlusconi no debate no Parlamento Europeu sobre a liberdade de imprensa. Foram chumbadas as nove resoluções em discussão. Uma delas por três votos. Trata-se do texto da esquerda e dos liberais que denunciava a pressão exercida sobre os media pelo chefe de governo italiano.

    A proposta concentrou-se na situação em Itália e nas recentes queixas apresentadas por Berlusconi contra jornais italianos e europeus que publicaram notícias sobre a sua vida sexual. Evocava-se também o conflito de interesses e o controlo de Berlusconi sobre os canais públicos e privados de televisão. Foi rejeitada também a proposta que fazia referência a José Sócrates e à supressão do jornal da TVI. No início de Outubro, cerca de 300 mil pessoas manifestaram-se em Roma pela liberdade de imprensa. Mas o voto dos eurodeputados fecha as portas a uma legislação europeia sobre pluralismo e concentração nos media. Os liberais falam de dia negro para a liberdade de imprensa.”
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    Como votou na Europa a família política dos primeiros promotores desta manifestação?

  19. miguelserraspereira diz:

    Manuel Resende,
    boa malha. Volto a dizer que apareceste na melhor altura, jovem camarada. Embora eu, como sabes, não seja marxista, subscrevo a 36ª tese.

    Caro Viana,
    inteiramente de acordo. Já estava a sentir a sua falta para estes lados. O que diz sobre a liberdade de expressão condensa muito, muito bem o fundamental.

    Caro A. Trigueiro,
    é isso mesmo. Maré alta.

  20. Luis Rainha diz:

    Esse apoio ao comentário do Viana é que sumariza bem o estado de espírito sectário e entrincheirado de muitos: escrever «Também eu gostava de ter visto toda esta indignação à Direita quando Sócrates, e Cavaco antes dele, enviou a polícia contra quem tentou se manifestar pacificamente» é que «condensa muito, muito bem o fundamental»??
    Ou seja, se o adversário tem um entendimento diferente do mundo, nunca nos poderemos aproximar dele, sob pena de apanhar peste. É o que digo: malta assim nunca se lembraria de apoiar o Delgado, homem de passado meio estranho.
    Mas o pior é a mentira: não é preciso ter grande memória (aliás, basta o Google) para saber que essa tal direita ate já se insurgiu contra outros atropelos da corja à nossa liberdade.

  21. Tiago Mota Saraiva diz:

    Estou a ver que quando levei porrada pelas escadarias da Ass. da República abaixo, devia ter decorado os nomes de quem estava ao lado para futuramente saber com quem podia sair à rua.

  22. Ricardo Noronha diz:

    Luís, Nuno e Tiago, manifestem-se à vontade, vistam-se de branco e cantem a trova do vento que passa. Os vossos argumentos aqui ficam, para a posteridade, enquanto manifestações de genuína ética republicana. O desenho do Quino não poderia ser mais apropriado. Importa não confundir a obra prima do mestre com a prima do mestre de obras.

  23. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Noronha,
    Obrigado por teres respondido em relação a aquilo que eu não escrevi. Fiquei na dúvida se és tu ou a Câncio que são primas do mestre de obras. Provavelmente são as duas.

  24. viana diz:

    Luis Rainha, acho que a malta em causa até estaria muito disposta a apoiar o Delgado. Até porque muita dessa malta está hoje disposta a apoiar Manuel Alegre, homem que tal como Delgado, não é propriamente um radical anti-regime ou com passado imaculado. Esta prece-me ser a melhor analogia para a um eventual apoio a Delgado. Podemos nos aproximar de qualquer adversário, e devemos nos aproximar de quem tem peste, mas acções políticas não são tertúlias de amigos. Mesmo que a defesa de uma causa seja (aparentemente) comum com adversários políticos, os resultados finais que estes pretendem obter muito raramente são os mesmos que os nossos. E estes resultados dependem da formatação da causa cuja defesa constitui um meio para os obter. E neste caso tal formatação foi feita pela Direita, como é óbvio pelo teor do manifesto.

    Temo que o exemplo que encontrou sobre o apoio da Direita à liberdade de expressão seja muito tímido… apenas um link para uma notícia. Gostaria de ter lido um “pouco mais”: a defesa aberta do direito à manifestação pacífica, onde e quando se quiser.

  25. Ricardo Noronha diz:

    Volta rápido Nuno, a Manuela Moura Guedes apropriou-se do teu teclado e está a deixar o Mário Crespo comentar no 5 Dias.

  26. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Sim, Santos Silva, devolve o Noronha inteiro, podes usar mas não abuses, sff

  27. Ricardo Noronha diz:

    Recebo instruções directamente do querido líder relativamente ao que escrevo aqui no 5 Dias. Nem imaginas o que ele disse ontem a teu respeito, enquanto almoçávamos no Tivoli. Pergunta ao Mário Crespo.

  28. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Santos Silva, quando com um beijo voltares a transformar o Noronha em Noronha. Pede-lhe para ele responder ao meu comentário, e não aquilo que eu não escrevi. Eu sei que é mais fácil como está, mas o Noronha gosta de desafios. E eu dei-me ao trabalho de ler o texto dele, o mínimo é ele, para comentar, ler o que eu lhe comentei. Bon almoço. Que a Sonotone esteja convosco.

  29. Ricardo Noronha diz:

    Nuno, acho que vocês se estão a deixar manipular politicamente. A vossa presença naquela manifestação serve para dar uma cobertura ética ao que não passa de uma manobra palaciana. O texto a que deste o teu acordo tem uma inspiração e um horizonte presidencialista óbvio. De resto, não me parece que os traços mafiosos da actuação de Sócrates se distingam dos que foram e serão praticados pelos seus detractores. Esta última entrevista de José António Saraiva é o cúmulo do cinismo. Está positivamente a tomar-nos por estúpidos.
    No que à imagem diz respeito, acho que ela te provoca desconforto porque ilustra bem a situação. Não me refiro aos camaradas do 5 Dias (ainda que alguns comentários me pareçam completamente despropositados: “moralismo clubístico do “nós contra o mundo””?), ou a saldanha sanches, mas grande parte destes subscritores que fazem coro em torno da liberdade têm um programa muito óbvio. Se é uma questão de princípios as vossas más companhias são inexplicáveis, se é uma questão de urgência e de necessidade de actuar contra a impunidade de Sócrates, temo que estejam apenas a contribuir para a emergência de um seu sósia de direita, igualmente impune.
    Em qualquer dos casos seria desejável uma posição firme na crítica a Sócrates que não se deixasse instrumentalizar por quem apenas deseja tomar o seu lugar e continuar a mesma coisa por outros meios.
    Ou acham que não haverá outras tantas Parque Engil ou Auto-estrada Somague após a sua demissão ou afastamento?
    Por último, parece-me que a observação de que todos os grupos económicos apoiam Sócrates é incorrecta. A SONAE e a Impresa hostilizam-no de forma mais ou menos aberta. O que só revela tratar-se isto de uma luta entre facções na qual não devemos participar mas apenas interpretar, denunciar e, se possível, aproveitar. O regime está a apodrecer e isso coloca na ordem do dia problemas mais substanciais do que a indignação ética.
    Um beijinho do Santos Silva para ti. Acho que a Fernanda Câncio também manda cumprimentos.

  30. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Bom, isso já é uma resposta. Não concordo. Como te digo, contestar o Sócrates não significa votar PSD. O mundo não acaba no dia da manifestação. Acho siceramente que a vossa excessiva preocupação com a manifestação contra a acção de Sócrates se confunde com os argumentos daqueles que dizem, como a Irene Pimentel, que ser contra Sócrates é apoiar a direita.

  31. Ricardo Noronha diz:

    Mas eu acho que a vossa participação nesta manifestação se expõe a argumentações dessa natureza. Se na altura os argumentos de Irene Pimentel a propósito do 5 Dias eram completamente abusivos, agora começam a não ser tanto. E acho que ambos lamentamos que assim seja.
    Leva um guarda-chuva ou uma gabardine (brancos?). Parece que S.Pedro trabalha a soldo de Sócrates.

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