Sectarismos

Estava só à espera da analogia (caixa de comentários) que se adivinhava vinda destas bandas, para vir a terreiro opinar sobre o tema.

Eles têm sempre a boca cheia para acusar tudo e todos de sectarismo. Um gajo não quer ir para o Governo com o PS é sectário, um gajo não quer cretinices parlamentares é sectário, um gajo não quer apoiar o candidato do regime às presidenciais é sectário, um gajo não quer um partido empresa é sectário, um gajo não quer a social-democracia é sectário.

Ainda assim, são os tipos que têm sempre a boca cheia de sectarismo para vomitar demagogia em cima dos outros que não têm nenhum problema em fazer unidade com os sectores mais reaccionários da Igreja para fazer Fóruns Sociais, com o Imperialismo para atacar os países não alinhados, com o Estado Burguês para se demarcarem dos revolucionários.

Não fiquei particularmente excitado com uma manifestação pela liberdade. Talvez até lá vá mas compreendo que a defesa abstracta da liberdade oculta as verdadeiras razões da exclusão. Fui dos poucos a dizer que pidescos destes não os defendia, mas sei distinguir o trigo do joio. Eu não apoio Alegre por este ser mais ou menos adepto da caça ou da briosa. Não apoio Alegre por este ser o candidato do regime, do PS e do Governo. Apoio ou não uma causa pela causa e não pelas bestas que a defendem. Assim marchei com muita gente diferente contra a globalização e parece que até neo-fascistas por lá havia.

A unidade só vos apraz se for no colo dos beijinhos com miminhos chuchialistas.

Assim se vê que os sectários são vocês!

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9 respostas a Sectarismos

  1. Sim, tenho uma certa dificuldade em ir a uma manif pedir ao Cavaco que tome conta disto. Eu fui estudante no tempo das cargas policiais. E sectário me confesso. Que o Renato tenha mais nojo de sociais democratas (e não estou a falar de Alegre, do PS ou do PSD) do que da extrema-direita do Insurgente e do CDS não me espanta. É um padrão histórico.

  2. Renato Teixeira diz:

    Aconselho a leitura de isto: http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/o/oportunismo.htm e de isto: http://www.marxists.org/portugues/dicionario/verbetes/k/kautsky.htm. Verá que se revê no enunciado.
    Como diria Shakespeare em Henrique IV: “Se vivemos, vivemos para marchar sobre a cabeça dos reis”.

    Daniel, como digo no post o meu campeonato são as lutas. Eu não tenho problemas de defender uma causa com pessoas completamente diferentes de mim. Já o Daniel tem o problema inverso, ou seja, não se importa de apoiar pessoas que defendem o contrário do que alegadamente o Daniel defende. São escolhas, e elas falam por si. Mas estamos de acordo quanto às razões históricas do problema, completamente de acordo.

    Não vi onde é que a manif pede o que quer que seja a Cavaco Silva… mas vejo que usa esse argumento como um refugio para evitar um debate onde já disse que disse o que não disse para dizer depois o contrário do que tinha dito. Se não está a falar do Alegre, do PS e do PSD como sociais-democratas está a falar de quem? e se esses não são (que eu concordo que não sejam… estão todos no liberalismo mais ou menos selvagem) quem é? O BE? O Daniel Oliveira?

    Qual é o seu problema com esta frase: “É para nós claro que o Presidente da República, a Assembleia da República e o poder judicial também não podem continuar a fingir que nada se passa.” Para si não é claro?
    Ainda não respondeu também à pergunta que lhe fizeram: alia-se ou não à Rússia e aos EUA para derrubar o nazi-fascismo?

  3. obrigados diz:

    Social-democracia,as putas dos CA! Dou tanta importância à social democracia como a um cão tinhoso!Mas,que merda é o BE?Um albergue espanhol,um saco de gatos e no fundo hás os Lulas da Silva….não sei se me entendes,oh DO…..

  4. viana diz:

    Renato, acho que incorre num erro, repetido por outros, ao afirmar que está apenas a defender uma causa, por acaso em conjunto com pessoas de que normalmente discorda. O problema é que a causa não é a mesma. Isto é, se a causa que afirma defender fôr a liberdade de expressão. Se a causa é apenas e somente o derrube de Sócrates, então é realmente a mesma. Mas nesse caso, acho que devia haver (mais) claridade nas afirmações e propósitos invocados. O “manifesto” é um documento de espírito totalmente conservador, que timidamente menciona apenas duas vezes a liberdade de expressão. Pelo meio apela a “orgãos de soberania” que assumam as suas competências e equaciona “vida democrática” com “regular funcionamento das instituições”. O “manif” e a “manif” não se limitam a (afirmar) defender uma causa, a liberdade de expressão, pois contêm muitas mais “causas”, de maior importância para os seus organizadores. Uma causa raramente ocorre em isolamento. Quem por ela combate, efectivamente apoia toda uma ideologia que lhe está associada. No caso do aborto, por exemplo, tal é claro. A defesa da IVG ocorre num contexto de luta pela emancipação feminina, incluindo a luta pela re-definição dos papeis tradicionais no seio da família. A Igreja percebeu isso, tal como os movimentos conservadores. A posição perante uma causa não se deve resumir aos seus prós e contras específicos, mas deve também considerar o contexto e o impacto no geral.

    Quanto à analogia com a 2a guerra-mundial, perante um perigo de morte faz-se alianças com todos os que constituem menor perigo na altura específica em que o “problema” se põe. Note-se que com o aproximar do fim de Hitler, os aliados não tiveram pejo em retardar o seu avanço na direcção de Berlim, de modo a que o exército vermelho ficasse suficientemente enxangue na luta com as últimas e deseperadas tropas nazis para não poder avançar para ocidente. Nessa altura, os aliados já tinham compreendido que o perigo maior naquela altura já tinha passado a ser Estaline. Com as devidas distâncias, a situação é semelhante. Sócrates está moribundo. A blogosfera é um bom exemplo do que se passa, com antigos fiéis a desertarem quais ratos dum navio que se afunda. Sócrates vai cair. Só não é claro se já em 2010, ou em 2011, e em que condições. A Esquerda devia estar a mobilizar-se para preparar o pós-Sócrates, o que inclui definir a narrativa, a explicacão da sua queda. A Esquerda devia estar a concentrar esforços em fazer passar a narrativa de que (1) Sócrates cai por causa da situação social catastrófica que criou e (2) é precisa uma mudança de política(s). orque a Direita há muito que definiu a sua narrativa: (1) Sócrates cai porque é corrupto, e inimigo da Liberdade (económica, mas convém colocar na fachada “de expressão”); (2) é necessária uma mudança de políticos (porque as políticas são para manter, ou agravar), de preferência para uns tecnocratas especialistas em economês, que isto com políticos já não vai lá (aprofundando a subalternização da política à economia). Sócrates já (quase) não é o problema. O problema começa a ser o que virá seguir.

  5. Renato Teixeira diz:

    Viana,
    uma causa é uma causa e pode ser defendida por pessoas com interesses diferentes. A minha motivação é contra o governo e pela liberdade de expressão. Parece-me simples. O manifesto teria menos lastro conservador se a esquerda do sistema não tivesse tanto pejo em atacar o PS. Não há vácuo em política. O espaço que não é ocupado por uns é ocupado por outros.
    Sobre as restantes considerações estamos globalmente de acordo.

  6. viana diz:

    Renato, que pejo é que a Esquerda tem em atacar o governo de Sócrates? Ainda há poucos dias estiveram dezenas de milhares de pessoas de Esquerda a desfilar em Lisboa contra o governo (manif da função pública). Apoiadas pela CGTP, CDU e BE. E a menos que o Renato pretenda que CDU e BE atirem tomates, ou algo mais mortífero a Sócrates, não estou a ver que muito mais podem fazer do que têm feito na AR. Comparadas com as acções da Esquerda, as queixinhas ao Cavaco e manifestos em blogues só não são inóquas, porque são amplificadas pelos media, que preferem “noticiar” a trica política em vez da real situação social dos portugueses. Como por exemplo notícias a sério como a que o Ricardo Noronha colocou neste blogue sobre a situação na prisão do Linhó.

  7. Renato Teixeira diz:

    Viana, os casos que o Noronha avança são pertinentes, mas não vejo em que é que a batata tire o lugar à cebola na roda alimentar. O debate do BE e do PCP está mais do que feito? Porque não avançaram com uma moção de censura? Daria o poder a Cavaco? E o resto? Não valeria a pena?

  8. viana diz:

    BE e PCP votaram contra o orçamento de Estado para 2010. É igual a uma moção de censura. Infelizmente, a realidade é que BE e PCP não possuem força parlamentar para inflingir grandes danos ao governo PS, para além de o tentarem embaraçar com propostas e comissões de inquérito. Ajuda, mas não é decisivo. Importante, talvez decisivo para influenciar a narrativa do que se passa no país, seria uma manifestação nacional ao nível, ou maior, das que ocorreram em Outubro de 2007, Junho de 2008 e Março de 2009, convocada por todas as organizações de Esquerda, CDU, BE, CGTP e outros sindicatos. Seria muito mais importante tal manifestação unitária do que uma greve da função pública, que pode ser devisiva num altura de percepção de crise económico-financeira no país.

  9. Renato Teixeira diz:

    Viana, não poderia estar mais de acordo com isto: “talvez decisivo para influenciar a narrativa do que se passa no país, seria uma manifestação nacional ao nível, ou maior, das que ocorreram em Outubro de 2007, Junho de 2008 e Março de 2009, convocada por todas as organizações de Esquerda, CDU, BE, CGTP e outros sindicatos”.
    Esta merda não anda, porque a malta não quer que esta merda ande. Tenho dito.

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