Respeitinho

Joana Lopes escreve que os subscritores deste apelo não sabem do que falam.

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24 respostas a Respeitinho

  1. xatoo diz:

    realmente também me é dificil imaginar sair para a chuva com o Raposo, o Miranda e o Burnay, a direita neoliberal em peso.
    Se tivesse que ter ido, já o teria feito há mais tempo e por outros motivos mais graves, com outra gente, porque esses fariam gazeta. Só agora é que descobriram que a informação, mais que censurada (pelo excesso de palha) é desde que temos a “democracia das corporações”, manipulada?

  2. A. Trigueiro diz:

    Respeitinho ?

    Mas respeitinho porquê ?

    Já somos todos obrigados a concordar com a manifestação da molhada ?

  3. zé neves diz:

    tiago,
    vindo de quem vem, isto é, da joana lopes, acho que é possível depreender que a ideia dela não é apelar ao respeitinho. é tão legítimo – discutível, mas legítimo – que alguém, pensando no antes do 25 de Abril, entenda que é exagerado tudo isto; como é legítimo achar – como tu acharás – que é melhor prevenir do que remediar.
    abç

  4. miguelserraspereira diz:

    Tiago,
    escreve isso a Joana Lopes, e muito bem. Com a generosidade de supor boa intenção em parte dos subscritores. No comentário ao post da Joana, eu próprio manifesto o meu repúdio pela aliança azul e branca que convoca a manif.
    Quem defende a liberdade de expressão e a conquista – por fazer – da independência de órgãos de informação e comunicação social perante o poder político e económico não pode marchar ao lado dos que pretendem sufocá-la, pondo, por exemplo, os direitos de propriedade e o “livre comércio” no sector da comunicação social acima da liberdade de expressão. Alguns dos primeiros subscritores e autores da iniciativa são assumidamente partidários do controle político da informação e meios de comunicação político exercido pelo poder económico.

    É, de resto, estranho ver a apoiar esta iniciativa gente que tem criticado a candidatura de Manuel Alegre por ser uma aliança ou frente sem princípios, ou comprometida pelo provável apoio que receberá do PS de Sócrates.
    Tacticamente, também não deixa de ser interessante ver como há quem embarque nisto sem se dar conta de estar a oferecer de bandeja a Sócrates uma nova oportunidade. Amanhã, senão já hoje, este governo passará- embora com um grau de sucesso imprevisível – a declarar-se atacado pela vanguarda da “opinião de direita”, e a acusar os “extremistas irresponsáveis” que aceitam ajudar a “reacção”.

    Quanto ao resto, remeto para a meia-dúzia de linhas dos dois comentários que escrevi na caixa do post da Joana que citas.

    Saudações republicanas

    msp

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    Zé, longe de mim julgar o comentário de Joana Lopes ilegítimo. Cada qual, com os dados que tem e com a vida que leva faz a avaliação da situação política. Haverá muitos idiotas que subscreverão aquele texto e muitos tipos inteligentes que não o farão. Agora, dizer-se de pessoas que não se conhece que não sabem do que falam, é colocar-se num patamar de superioridade… um exigir respeitinho aos pobres.

  6. Tiago Mota Saraiva diz:

    miguel serras pereira, como deve saber sou apoiante da monarquia norte coreana e não poderia estar mais ansioso por juntar os meus trapinhos com os detractores da república.

  7. Tiago Mota Saraiva diz:

    xatoo, também fico chateado quando oiço o Bagão Félix dizer coisas com que concordo sobre o Benfica.

  8. António Figueira diz:

    E eu lixado fico quando oiço o Vasco Rato ou o Pedro Marques Lopes dizerem que votam sim à despenalização do aborto! A altura não era a de me lembrar a cor deles, obviamente – mas numa coisa o Miguel Serras Pereira tem razão: a manif. devia ter sido convocada por uma aliança verde e branca (porque me parece óbvio que o único significado possível do azul e branco é o de de ser a cor do Futebol Clube do Porto). Grande abraço, Tiago

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Miguel,
    Sou favorável à liberdade de imprensa. Este governo atenta contra ela. Não me preocupa nada as companhias. Na luta pela legalização do aborto e pelos casamentos gays estive com gente com muito má fama, como este primeiro-ministro. Defendo as causas, sem medo de contágios. Como te disse, num email, acho que as mulheres pobres que abortam não são bem defendidas por aqueles que aprovam códigos laborais que as fazem ficar desempregadas, mas, no entanto, naquele momento pareceu-me importante ajudar a ganhar o referendo do aborto, apesar das más companhias. Acho que a questão das violações sucessivas da liberdade de informação, por este governo, merece bem uma luta só por isso. Prefiro estar mal acompanhado nessa luta, do que pior acompanhado, com os amigos do Sócrates, na minha inação. É este o meu ponto de vista.
    Acho a tua conversa sobre o não apoiar o Manuel Alegre não tem razão. Não apoio um candidato se defender um mau governo e contribuir para a inimputabilidade do seu líder. Apoio uma causa justa e um bom candidato independentemente das companhias. A causa e o candidato valem pelos efeitos que têm. Nada mais.

  10. miguelserraspereira diz:

    Tiago,
    tenho gostado de discutir consigo, e estranho que pela primeira vez não o faça com a correcção a que me habituou. Tenho-o por uma pessoa intelectualmente séria, que se esforça por manter o sentido crítico relativamente ao seu próprio campo – o que nem sempre é fácil e só honra quem o faz.
    Enfim, se creio que a participação nesta manifestação é um erro clamoroso não penso que você participe na iniciativa tentando abrir o caminho que me parece ser o que esta manif e apelo abrem.
    Espero que compreenda isto e que possamos continuar de futuro a discutir aberta e civilizadamente.
    Lamento que tenha escrito o que escreveu na sua resposta ao meu comentário. Você não?

    msp

  11. Carlos Vidal diz:

    Eu também sempre fui admirador da monarquia norte-coreana (como se sabe) e mandaria a sra. Joana Lopes, ou lá o nome que a senhorita tem, para, digamos… Stromboli, apesar de este ser lugar de gente respeitosa. Pelo menos, ficaria eu certo de não ter tal personagem a tomar chá e a comer torradas num raio de 50 km onde quer que eu esteja ou estivesse. CV

  12. miguelserraspereira diz:

    Nuno,
    sem dúvida: eu também sou a favor da liberdade de imprensa, e considero a que temos muito limitada. Mas acho que é um erro grave – erro político – aquele em que incorres em nome desse amor que compartilhamos, porque acho que a liberdade jornalística não se defende bem marchando ao lado dos que legitimam sua subordinação política aos grupos económicos que possuem os jornais, aos direitos de propriedade, etc., etc. Cf. o que escrevi acima e na caixa de comentários do post da Joana Lopes.
    Não sou contra todas as alianças tácticas e plataformas políticas. Acho que esta aliança, para quem defende a extensão das liberdades democráticas e a democratização radical das instituições, distorce os princípios correspondentes aos dois objectivos. E que é esse o sentido político da inconsistência lógica dos considerandos do apelo.
    Abç

    msp

  13. Tiago Mota Saraiva diz:

    Miguel, não me lembro de ter discutido consigo nem percebo em que medida considera o meu post mal criado. Apenas declaro, com toda a honestidade política, que faço parte da “aliança azul e branca que convoca a manif”

  14. miguelserraspereira diz:

    Tiago,
    discutimos qualquer coisa sobre o estalinismo… E nessa altura você, embora rejeitando a minha análise do “socialismo real”, pareceu-me longe de ser um partidário da monarquia norte-coreana.
    Mas, independentemente de questões pessoais, eu não pus em causa a sua seriedade nem a sua vontade de lutar contra os abusos inaceitáveis deste governo, mas a coerência política de uma forma de luta. Acabo de explicar isso ao Nuno num outro comentário. O que lhe digo a ele aplica-se também ao que consigo entender da sua posição.

  15. Carlos Vidal diz:

    Por acaso também nunca me passou pela cabeça questionar ou questionar-me se o paraíso é verde e branco ou azul e amarelo. Por acaso é ocre e vermelhão napolitano (sim, tem de ser qualquer coisa napolitano), e nele não existem pessoas com pernas direitas. Mas eu até acho que eu com a minha perna direita (não tenho outra) vou poder lá entrar. Hoje sou, se for necessário, extremo direito. E espero golear e ser campeão europeu.

  16. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Miguel,
    Eu entendo o teu último comentário e percebo-o, não concordando com ele. Apenas te digo que creio que os muitos dos outros bloggers subscritores não compartilham comigo as minhas ideias do que é uma sociedade justa e como deve ser a comunicação social. Encontramo-nos apenas na condenação destas actuações do governo. Como eu me encontrei, com outros com quem tinha as maiores divergências, na defesa do direito das mulheres não serem condenadas por abortar.
    Confesso que me irritou a tua referência, nesta questão, aos que, como eu, não apoiam o Manuel Alegre. Tenho, como sabes, o maior respeito pela tua dimensão intelectual e pelo notável trabalho de divulgação de centenas de autores do pensamento aos portugueses. Gosto das discussões francas e directas. Achei o teu comentário com muitos recados que são pouco habituais em ti. Provavelmente, percebi-te mal, nesse caso peço que me desculpes o tom do anterior comentário. O conteúdo é exactamente o que quero dizer.

    Abraço,
    Nuno

  17. viana diz:

    Espanta-me ver pessoas que escrevem neste blogue a apoiarem o “manifesto pela liberdade de expressão”. A linguagem deste é claramente conservadora, misturando liberdade de imprensa (i.e. para criar empresas privadas de comunicação social) com liberdade de expressão, apelando a “orgãos de soberania” que assumam as suas competências, associando a “degradação da vida democrática” com o não “regular funcionamento das instituições”, e acabando com o grito de guerra: Liberdade!… Espanta-me ver pessoas de Esquerda que querem tanto que Sócrates “desapareça”, seja por simples ódio ou oposição política, que não vêem que se a carreira de Sócrates terminar devido a estes escândalos sócio-mediáticos, e não devido ao impacto social da sua política económica neo-liberal, quem acabará por beneficiar disso é a Direita, e não a Esquerda. A Direita está muito preocupada com o apelo do “populismo de Esquerda”, que vai crescer ainda mais há medida que a crise sócio-económica se aprofundar nos próximos anos. Precisa por isso de um “populismo de Direita” que lhe faça frente. O edifício ainda não está de pé, mas os alicerces estão a começar a ser construídos: (1) apelo ao governo pelos impolutos, os tecnocratas; (2) o aparecimento de organizações fortemente conservadoras do ponto de vista social, capazes de mobilizar dezenas de milhares de membros; (3) a definição do culpado – os imigrantes, os homossexuais, os recipientes do rendimento social de inserção.

    Raramente deu bons resultados subalternizar a estratégia à táctica…

  18. miguelserraspereira diz:

    Caro Nuno,
    claro que divergimos, mas não tens de me pedir desculpa seja do que for.
    O governo do Sócrates merece cair por muitas razões. E o apelo omite muitas das principais: se esse silenciamento é o preço da unidade da acção, receio que seja o branqueamento antecipado de um próximo governo “de verdade”, e das suas previsíveis tentativas de berlusconização do regime por via presidencial ou “mista” (coligação da Presidência e forças político-partidárias eventualmente recombinadas), e de “limitação económica” agravada dos direitos sociais e liberdades.
    De resto, a questão da comunicação social e do seu controle deveria ser pensada a fundo e retomada por lutas capazes de visar o alvo certo. Espero que em breve possamos discuti-lo ou contribuir para lançar esse debate – porque se vai fazendo tarde.
    Abç cordial

    msp

  19. miguelserraspereira diz:

    Caro Viana,
    maré alta. Nem mais nem menos: era isso que eu deveria ter escrito quando digo que a inconsistência lógica do apelo é o seu sentido político. Se quiser e tiver tempo para fazer um contra-apelo – ou uma declaração – na base desses considerandos, quero ser subscritor.
    Forte abraço

    msp

  20. Carlos Vidal diz:

    Acho piada, para o Miguel Serras Pereira nunca é tarde para nada, mas vai-se fazendo sempre tarde para tudo.

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  22. Jorge Conceição diz:

    “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”… de alguns! Em Setembro de 1974, descernidamente, alertava-se para o que escondia a chamada manifestação da “Maioria Silenciosa”. Hoje já há quem não dê atenção a isso e nem sequer repare no “sorriso” cúmplice do actual Presidente da República…

  23. Aristes diz:

    Então Carlos não toma chá com a Joana, mas vai ao Tea Party do Burnay?

  24. Tiago Mota Saraiva diz:

    Jorge Conceição tem toda a razão. Todos sabemos quanto Cavaco gosta de manifestações e de governos sérios. Para Cavaco é um incómodo ver a quadrilha trabalhar e assistir aos espasmos idílicos do seu pré-candidato.

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