Contra a religião, marchar, marchar!
8 de Fevereiro de 2010 por Luis RainhaObra de Fátima Spínola, 2009
Francamente, grande parte da minha simpatia para com a ofensiva francesa contra as burcas vem da antipatia para com as religiões organizadas.
Dias houve em que calculava ser bastante ignorar as superstições alheias, numa prática de tolerância e distanciamento. Hoje, parece-me cada vez mais urgente pegar este touro pelos cornos, antes que acordemos com uma chifrada nas costas.
É que a religião, que até poderia parecer coisa inofensiva se circunscrita às meninges e à vida dos apaniguados, tem vindo a assumir características de praga imparável, infectando os fiéis mas também os infelizes que eles conseguem apanhar à sua volta.
Os ogres muçulmanos que só se aquietarão quando o mundo infiel estiver reduzido a poças de sangue. Os fanáticos judeus que encontram no seu ADN resquícios de laços especiais com Deus, que lhes dão direito a espezinhar os vizinhos. Os palonços evangelistas que se julgam obrigados a propiciar uma segunda vinda de Cristo. O geronte do Vaticano que agora descobriu que reconhecer direitos aos homossexuais de alguma forma diminui os direitos da sua manada. Isto para nem mencionar aldrabices ainda mais óbvias, da Cientologia à IURD. Malta de todas estas denominações (e de mais umas quantas) que se acha no direito/dever de sobrepor as suas mitologias e superstições à ciência, ditando o que os filhos dos outros devem ou não aprender.
Toda esta tribo não se contenta com as suas orações, com as suas meditações, com as suas contemplações do divino. Não; eles imaginam-se incumbidos da missão de converter os demais, nem que seja à porrada e à força de decretos. E se a epidemia parece mais ameaçadora nos EUA ou em paragens pós-apocalípticas como o Iraque, há cada vez mais focos de infecção na nossa Europa.
É preciso dar-lhes luta, recusar o redil, impedi-los de usar a nossa tolerância para, a coberto da liberdade religiosa, cercear a liberdade dos outros.
O Papa vem a Portugal? Que paguem a excursão com a massa dos cofres de Fátima – essa abominação erguida sobre mentiras e cadáveres de crianças. Querem à viva força continuar a obrigar mulheres a esconder-se em mortalhas nas nossas ruas? Não. Criacionismo? Design inteligente? Bardamerda.
Acabou-se a tolerância. Vamos começar a dar luta a cada baboseira supersticiosa disfarçada de profunda verdade “espiritual”. Vamos fazê-los recuar, de café em café, de blogue em blogue, de jornal em jornal.
Se nos quiserem falar de deus, saquem primeiro de algum fiapo de prova da existência do dito – e não me lixem com a treta da mútua exclusão entre ciência e religião: se as divindades conseguem interagir com o nosso mundo físico, terão de o fazer de forma detectável e entendível.
Quando os católicos lançarem lá do alto do púlpito mais umas bocas sobre a nossa moral, relembremos-lhes a escandalosa protecção que padres pedófilos têm recebido da ICAR. Ou os milhões já trucidados em guerras entre superstições.
Acham os senhores católicos que andamos a usurpar o Natal deles e informam-nos disso com aqueles estandartes grenás horrorosos? Vamos já preparando uns panos ainda mais garridos reclamando o 25 de Dezembro para o seu dono original: Sol Invictus.
Exigências: deixem as cabeça dos nossos filhos em paz. Tirem as mãos das nossas leis, do erário público, da nossa liberdade. Querem capelães, isenções fiscais, sinecuras no sistema de ensino para padres? Não com o dinheiro dos meus impostos.
Mais: se esta gente não tem tolerância para com pessoas (bastando para tal que pensem ou vivam de forma diferente) porque deveremos usar paciência e paninhos quentes quando falamos das suas mitologias?
Elevemos a blasfémia a passatempo nacional. A heresia a hábito diário. A curiosidade desrespeitosa a dogma. Isto sem os proibir de nada. Os religiosos devem manter todos os direitos do mundo; menos o de implicarem com os meus direitos.


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