Up in the air
8 de Fevereiro de 2010 por Renato Teixeira
“Up in the air”, terrivelmente traduzido por “Nas nuvens”, do realizador Jason Reitman (o mesmo de Juno) é outro belíssimo momento cinematográfico para quem como eu gosta mais de argumentos do que de tudo o resto.
Apesar do embrulho blockbuster, com George Clooney à cabeça, a verdade é que não vejo outro actor capaz de fazer melhor o papel de Ryan Bingham e melhor embrulho para que o grande público reflicta sobre os temas que a película levanta.
Ryan é um consultor que vive a saltitar cidades e empresas a despedir sem civilidade as pessoas que o mercado explora sem nenhum escrúpulo. O filme abstém-se de fazer grandes considerações sobre isso, e ainda bem. Apenas constata o caminho cada vez mais selvagem do capitalismo neoliberal que já nem uma pessoa de carne e osso usa para despedir quem dedica uma vida inteira ao serviço desta ou daquela empresa, passando a ser despedido por internet com míseras migalhas de indemnização.
Mas o filme é pouco interessante a abordar a problemática do trabalho. Este filme é particularmente bom a questionar (mais do que a perceber) as relações humanas no marco de uma sociedade cada vez mais desumana e individualizada.
A fetichização das cerimónias e nela a fetichização da vida, mostra que se pode ser mais genuíno na superficialidade das histórias simples do que na complexidade da família tradicional. Um playboy pode ser mais íntegro e verdadeiro nos seus sentimentos do que o casalinho cliché da paróquia lá da aldeia. Alex, a companheira de aventuras de Ryan, é uma ode à liberdade e uma bomba na monogamia. Como em Juno o que interessa ao autor é que as pessoas procurem viver a sua vida sem serem marionetas delas próprias em busca do que o sistema as educa a querer desde pequeninas. É um convite a que cada um, na particularidade da sua tolice, descubra a maneira de ser feliz. Basta que seja a sua maneira e não aquela maneira vendida em Hollywood ou na missa de domingo.
O filme, não é pretensioso. É ele próprio uma história simples sobre a maneira cada vez mais obtusa com que as pessoas se relacionam.

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