O país da palhaçada
6 de Fevereiro de 2010 por Nuno Ramos de AlmeidaNo dia da capa do Correio da Manhã, a SIC e a TVI abriram com a agressão de Carlos Queiroz a um comentador. Temos o país que merecemos. Jornalismo de variedades.
No dia da capa do Correio da Manhã, a SIC e a TVI abriram com a agressão de Carlos Queiroz a um comentador. Temos o país que merecemos. Jornalismo de variedades.
Comentário de Donatien
Data: 6 de Fevereiro de 2010, 23:45
Volta,Sá Pinto….
Comentário de Paula Cabeçadas
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 1:01
Mas qual é o interesse disto?
Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 10:56
Paula Cabeçadas,
O alinhamento de um telejornal espelha a importância que é dada às várias notícias. Quando se abre com uma notícia de fait divers, desvaloriza-se todas as outras. O facto é tanto mais estranho, quanto até havia notícias importantes. Significa que os editores privilegiaram o sensacionalismo em detrimento da importância das notícias.
Comentário de Helder
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 13:13
Pode ser um alerta para a saúde publica, um ex psd agride um jornalista que o atacou com infâmia e insidia, isto cheira a vírus que está a alastrar, daí a primeira pag.
Comentário de Xuntanuclear
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 14:05
Agorinha mesmo,tou a ver a RTP1 e a merda é a mesma,a 6 de fev,às 13:05
A propósito kem é o manel keirós?Não há pachorra…
Comentário de p. s. d. da boa fé
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 14:47
Caro Nuno, o que quer dizer com “O facto é tanto mais estranho, quando até havia notícias importantes”? Quererá dizer que há dias sem notícias importantes? Bom, é o que pode sem dúvida depreender-se do que disse.
Num mundo onde a toda a hora morrem milhares de famintos e de doentes com doenças curáveis; onde a toda hora milhoes de pessoas que habitam nas favelas do terceiro mundo nao sabem o que vao comer ao jantar nem debaixo de que árvore irao defecar; ou onde a toda a hora desaparecem línguas faladas, espécies vegetais e animais… Num mundo assim, há algum dia sem matéria-prima para se criarem notícias que traduzam com profundidade a realidade do momento em que vivemos?
Bem, o seu comentário pareceu-me uma pequena monstruosidade que nao poderia passar em claro.
Comentário de cfa
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 17:17
Tens muita razão. Só não chames capa à 1ª página de um jornal porque isso enerva-me.
Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 19:01
Boa fé,
Leia o que eu escrevi. Tente perceber, sff, e depois comente. Uma notícia por definição é algo de importante que aconteceu de novo. A fome no mundo, infelizmente, é uma constante.
Cristina,
Tens razão. Eu gosto mais de fazer “neomagazines” (como dizia alguém que te é caro) do que jornais.
Comentário de p. s. d. da boa fé
Data: 8 de Fevereiro de 2010, 1:17
Nuno, a sua definição de notícia é verdadeiramente antológica. É a mesma definição que lhe dão os jornalistas sensacionalistas cá da nossa praça que você tanto critica.
Ora, é precisamente essa concepção de ‘notícia’ que os leva a JAMAIS informarem sobre quem padece da perversa organização da sociedade (já que “a fome no mundo, infelizmente, é uma constante”), mas a informar apenas acerca de quem sofre de vicissitudes fortuitas: vítimas de acidentes naturais ou rodoviários, de raptos, de roubos. Destacam o puro espectáculo do acidente, do terramoto, do tsunami, das escutas ou das gafes (“algo de importante que aconteceu de novo”) para ocultar todo o sangue silenciosamente derramado por causa das injustiças sociais que anualmente dizimam milhões de humanos. Mantêm assim inquestionável a sociedade concreta em que vivemos.
Depreendo do que escreveu que o bom jornalismo deve apenas representar aquilo “que aconteceu de novo”. Infelizmente, o mundo está feito de “constantes” que não acontecem de novo e que por isso não são notícia. Um historiador que daqui a 200 anos abra um jornal do nosso tempo irá pensar: “Mas que porra de notícias aquelas que não descreviam um por cento do que era real naquele tempo!!”
Recomendo-lhe uma leitura para não me alongar mais (até porque sinto que a minha prosa não será muito bem vinda): “Comentários sobre a sociedade do espectáculo”, Guy Debord.
Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 8 de Fevereiro de 2010, 1:40
Boa fé,
Você não reconheceria uma notícia de um telejornal nem que ela lhe caisse ao colo. Agradeço-lhe, mas já li “A sociedade do Espectáculo”. Você tem a concepção de jornalismo dos monárquicos, nos tempos de antanho, os jornais abriam na primeira página, todo os dias, com a seguinte novidade: el-rei acordou bem e está de boa saude. Você propõe que os telejornais abram a dizer: continua a existir a pobreza no mundo. Boa fé, não me dê cabo da paciência. Você faz das notícias formativas do telejornal do tempo de Brejnev, uma coisa emocionante. O facto da pobreza ser uma questão fundamental que deve ser abordada, em reportagens, quando há dados novos, não a faz notícia diária de abertura de telejornal. É tão difícil perceber isso?
Comentário de p. s. d. da boa fé
Data: 8 de Fevereiro de 2010, 3:38
Caro Nuno,
Parabéns pelos exemplos de el-rei e de Brejnev; sao reveladores de boa memória e cultura histórica. Apenas ligeiramente fora de contexto. Mas pouco importa.
Há pouco nao fui claro. A ver se me faço entender. Há 1 milhao de notícias que, longe do vazio monárquico-estalinista do “continua a existir a pobreza no mundo” por si referido, poderiam ser dadas para conhecermos qualquer coisa de relevante do mundo que habitamos. Notícias focando as condições políticas, sociais, económicas que estruturam a vida contemporânea. Desse milhao de notícias, diariamente, nao vejo uma única nos noticiários.
Sabemos do que passa na Palestina quando há sangue (a tal novidade… que no entanto se repete em espiral… estranha novidade afinal), do que passa no Iraque quando há sangue, no Sri Lanka, no Nepal, no Kosovo, no País Basco, na Irlanda do Norte, no Iemen, na Colômbia, na Venezuela, na Somália, quando escorre sangue.
E NADA sabemos sobre as condições políticas, sociais, económicas desses países (nem tao pouco do nosso). NADA sobre essas ‘constantes’ que nos ajudariam a conhecer aquilo que realmente determina a vida de cada populaçao.
Será que leu mesmo Debord?
Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 8 de Fevereiro de 2010, 12:37
Caro Boa Fé,
Claro que não li, o Debord escreveu só para si, as citações do Hegel vêm truncadas, são acerca de obras suas. Você não entende, mesmo. O que eu disse é que a notícia das escutas devia ter aberto os telejornais. As condições de democracia de um país não são fait divers. Todas as notícias sociais, internacionais devem ser dadas e os telejornais, que normalmente as excluem por preconceito político e comercial. Ficam-se pelo que o telespectador, supostamente, gosta. Acontece, e nisso é que parece que divergimos, que você não sabe a diferença entre uma notícia e uma nota de pé de página, um ensaio, uma monografia ou até um índice remíssivo. As notícias têm algumas características técnicas que as torna notícias. Uma delas é terem acontecido recentemente, é por isso que os telejornais são de tantas em tantas horas e não têm a periodicidade do borda de água.
Comentário de p. s. d. da boa fé
Data: 8 de Fevereiro de 2010, 15:13
Caro Nuno,
Pouco a propósito essa das citações do Hegel, com tanta coisa a propósito que poderia ter extraído do Debord. Mas gostei da do borda de água que veio bem a propósito, pois ainda nao comprei o deste ano. Envio-lhe um ‘link’ que me parece que também muito a propósito: http://en.wikipedia.org/wiki/Hyperreality .
Quanto ao resto já fui demasiado explícito. Perdoe-me se me excedi nalgum comentário.
Uma boa semana para si e para os seus.
Escreva um comentário