
(complicações há muitas)
1.
Não sei como nem porque o fundamentalista Daniel Oliveira “trabalha” e “pensa” (“pensa”?, “escreve”? Aquilo chama-se escrever? Sim? Que nome tem então?). Mas sei uma outra coisa: aqui no 5dias anda a ocupar tempo e espaço a mais. Mas, note-se, eu apenas posso falar por mim, não pelos meus colegas que o têm muito bem desmistificado (se assim se pode dizer). E como é por mim que falo, acho decididamente impossível voltar a tão primário e doentio caso de fundamentalismo religioso paroquial.
2.
Se este governo, pelos dados e excelentes investigações jornalísticas recentes e em curso (já conhecidas e em aprofundamento, portanto), cair já ou esta semana (no máximo, o que aconteceria em qualquer país da Europa, e não apenas), deverá gerar uma queda conjunta: não pode desaparecer o governo e manter-se em funções o PGR e o presidente do Supremo. Se todos esses actores desaparecerem agora de cena (impossível em Itália, logo também em Portugal, suponho, veremos), seria curioso ver o fundamentalista Oliveira a vociferar solitariamente no deserto a favor das “intimidades” e “direitos civis”. Eu iria rir-me a bandeiras despregadas com tal paisagem.
Entretanto, há dados novos no “arrastão”, um dos lugares infrequentáveis da blogosfera: Daniel Oliveira escreveu agora um “texto” que desmente um outro anterior (coerentemente!! favorável aos “direitos civis”). Inaceitável, pá!
3.
Seria até mesmo delirante ver o estranho fundamentalista Oliveira ser, como direi?, aprisionado por defender a “lei”, “ordem” e “legalidade” mais do que todas elas permitem e a própria sociedade aceita. Ou seja, pode-se ser preso (devia-se ser preso) por se violar a lei, tanto quanto por defendê-la mais do que o aceitável como “legal”.
4.
Será, por fim, curioso ver que nem para o PS o fundamentalista serve. Não creio que o governo se sita bem tendo (e teve-o muitas vezes) esta personagem como seu defensor-mor. E não apenas por ser especialista em dizer e desdizer. Acho que agora que tenta saltar do barco já não deve ir a tempo. Espero eu.
(5.
Enfim, mais importante ainda, são 18h e qualquer coisa. Só agora reganhei estômago para ir comprar jornais. Problema meu, eu sei.)




Eu explico outra vez.
Escever isto:
“O que tantos queriam e outros temiam aconteceu. Um semanário divulga informações sobre o conteúdo de escutas incriminatórias para José Sócrates. Chama-lhe, vá-se lá saber porquê, investigação. Prepare-se para o maravilhoso mundo novo: tudo o que diga, mesmo que não seja julgado pela lei por isso, pode ser publicado. Está satisfeito? Chegará a sua vez.”
E depois, partindo ou sendo influenciado pelas mesmas escutas que denigre, vir dizer que o socratismo “está em fim de festa” é debilidade a ver se pega.
Mas não pega.
Ainda não viram que o Sr.Daniel Oliveira é um apoiante do Sr.Sócrates?
E todo aquele «liberalismo» é uma autêntica farsa.
Muito à «bloco esquerda».
Muito «fracturante», como soi dizer-se!
Carlos,
Como tu fazes, documentando-o bem neste post, só queria dizer-te, sem entrar na discussão do problema Crespo vs. Sócrates, que frequento, leio e discuto o Arrastão – embora sem sentir que isso seja a minha oração da manhã ou o meu exorcismo da noite, e sem, por maioria de razão, entender que tal frequentação e tal leitura sejam deveres cívicos.
Creio que, reflectindo um instante, concordarás comigo. Ou não?
msp
Miguel, este pequeno post diz duas coisas:
- que o discurso de Oliveira sobre este recente episódio das “escutas” é totalmente incongruente e inaceitável. Sem escrúplos há, no indivíduo em causa, duas “falas”/posturas: a revelação destas escutas é, diz ele, inaceitável; por outro lado, indiciam um “fim de festa” do socratismo. Em que ficamos?
- outro ponto deste pequeno post diz que passarei a frequentar o “arrastão” muito (muitíssimo) mais espaçadamente; há coisas que não vale a pena ler/conhecer e muito menos polemizar. O “arrastão” agradece, julgo eu, que eu não passe por lá (eu, pelo menos, acho uma ideia animadora).
Carlos,
Não creio que o Daniel seja cúmplice consciente do socratismo, tem uma natural alergia às escutas telefónicas, que são uma forma de investigação complicada. Essa desconfiança, cega-o muitas vezes para o mais importante. Não o suficiente para não perceber o estado de corrupção e impunidade a que isto chegou.
Acho que exageras sobre o Daniel. Mas como ele também exagera sobre ti, estão bem um para o outro.
Nuno, percebo o teu ponto de vista (feito de conhecimento pessoal com DO).
Mas, sendo como dizes, não vale condenar as escutas, perceber depois a sua importância (sem o assumir!) e, por fim, falar em “fim de festa” socratista.
Este encadeamento é tonto (para não dizer pior).
Nuno,
Eu sou contra as escutas
Eu sou contra a sua divulgação
Eu fiquei, inevitavelmente, porque comento e tenho de o fazer, a saber o que nelas estavam
Eu sou contra a tentativa por estes meios inaceitáveis de controlo e silenciamento dos media
Eu tive a confirmação do que sabia: que tal aconteceu
Eu tenho opinião sobre o assunto que não pode fingir que não sabe o que sabe (isso sim, seria idiota)
Não é em nada contraditório: comecei por aquilo que acho mais grave, acabei no que é mais relevante (nem sempre coincidem).
O comentário é dirigido a ti, porque decidi que, por principio, só debato com gente com algum nível.
” A única Ditadura que eu suporto “- Michel Bakounine. Vamos lá a ver se consigo dar a ver o que existe de perverso e schizo, de inteligência e frontalidade, na recorrente polémica política e libidinal entre C.Vidal e D. Oliveira. Para isso chamo a atenção para uma carta de M. Bakounine enviada a Albert Richard, meses antes da eclosão da Comuna de Paris. Trata-se de um documento excepcional, de que dou extractos. ” Il faut que l´anarchie, le soulèvement de toutes les passions locales, le réveil de la vie spontanée sur tous les points, soient bien grands pour que la révolution soit et reste vivante, réelle, puissante. Les révolutionnaires politiques, les partisans de la dictature ostensible, une fois la révolution ayant obtenu um premier triomphe, recommandent l´apaisement des passions, l´ordre, la confiance et la soumission aux pouvoirs révolutionnaires établis, de cette manière, ils reconstituent l´État. Nous, au contraire, nous devons fomenter, éveiller, dêchainer toutes les passions, nous devons produire l´anarchie, et, pilotes invisibles au milieu de la tempête populaire, nous devrons la diriger, non par un pouvoir ostensible quelconque, mais par la dictature collective de tous les alliés, dictature sans écharpe, sans titre, sans droit officiel, et d´autant plus puissante qu´elle n´ aura aucune des apparences du pouvoir. Voici la seule dictature que j´admette “.OC VII. págs.276 a 282. Salut! Niet
Querida Sarah Palin
Um mediacrata conhecido vem aqui suplicar que seja entendido nas suas diversas posturas, que elas sejam entendidas como sem contradições, e diz ser contra as escutas e sua divulgação, mas que elas confirmam o que ele sabia, e como? Como, Sarah, como é que este senhor sabia de tudo isto, quando muitos de nós só sexta ficámos a saber certos e importantíssimos detalhes. E ficámos também a saber que há quem queira destruir este material, e esses ainda têm o poder para tal (mas acho que irão agir um pouco tarde: e é evidente que em muitos, muitíssimos casos da nossa vida, é premente desobedecer-se à “lei”).
Diz o senhor que ficou a saber, porque comenta e tem (!) de o fazer, o que nas escutas constava. Ora, nós não sabemos quase nada, mas suspeitamos de muito. E, como foi aqui dito, queremos saber mais, tudo o que for possível, porque ao sugerir-se a demissão do PGR (como muitos já o fizeram), está a dizer-se que não se confia na justiça. E, claro, em nome do fim da lógica de suspeição, é preciso continuar a acompanhar a investigação do “Sol” e de quem se lhe queira juntar.
Muito bem, caro Niet, “dêchainer toutes les passions” é o oposto à obediência cega à “legalidade democrática”, não é verdade?
No fundo, a “única ditadura admissível” é precisamente uma “ditadura” contra esta ordem e este “legalismo” oliveiriano, não é verdade, caríssimo Niet?
Saudações emancipatórias,
CV
Bakounine-II:” Não à glória, não ao ruído!” A carta é magistral e rica de ensinamentos. Mais um extracto. ” Il n´y a plus qu´un seul pouvoir, une seule dictature dont l´organisation soit salutaire e possible: C´est cette dictature collective et invisible des alliés, au nom de nôtre principe, et cette dictature sera d´autant plus salutaire et puissante, qu´elle ne sera revêtue d´aucun pouvoir officiel, ni d´aucun caractère ostensible; (…) pour comprendre enfin que nôtre siècle est celui des forces collectives, non des forces individuelles, et que la collectivité broiera tous les individus qui voudront s´imposer à elle . Sais-tu à quoi se réduit toute mon ambition? Elle est grande, mais elle ne vise ni à la gloire ni au bruit : C´est de vous aider à former cette force collective invisible qui seule pourra sauver et dirigerla révolution “.Idem OC.VII. Niet
Caríssimo C. Vidal: Para quê perder o seu precioso tempo a discutir o Crespo, o Moniz e quejandos? Parece que foi o Manuel Alegre que ” colocou”, em 75, o Moniz na RTP, e este, 10 anos depois, fazia comunicações ao país- depois do Telejornal- a acusar o PS de tudo e mais alguma coisa…embarcando na galera cavaquista, portanto. Onde agora procura reentrar, por óbvios motivos. Agora que o Freud está em edição de bolso completa em França, que existem CD- Roms com as OC do Bakounine, que o Nietzsche lá vai saindo na Folio em edição seguríssima de Colli e Montinari, a melhor em 4 línguas, para quê perder muito tempo com o Sócrates, que surge em queda livre na Imprensa mundial ?!? Não confunda ” força colectiva invisivel ” com ditadura à K. Marx. Aliàs, eu sei, que contesta a noção marxista de partido! Salut! Niet
Carlos e Niet,
não vou entrar na discussão de Bakounine – há nele diferentes inspirações, um pouco como em Marx, que permitem ilações contraditórias.
É certo, todavia, que a instauração de uma legalidade democrática – de uma lei democrática – exigiria nada menos do que uma revolução. Digo-o, Carlos, tentando precisamente uma transmutação dos valores, uma “saída pelo fundo” das definições correntes e da relação que temos com as palavras que usamos e os sentidos que criamos para elas, uma assunção do facto de os valores não terem realidade que não seja criada por nós e uma assunção também das nossas responsabilidades criadoras. Um “crepúsculo dos ídolos”, se lhe quiseres chamar assim, que requer a reconquista ou reinvenção da autonomia por parte da multidão que lhes fornecia (aos ídolos) os seus “crentes”. Não se trata de pôr novos ídolos nos mesmos altares ou em altares mais recentemente consagrados, cuja lei seria a mesma obediência cega a uma ordem que em profundidade continuaria a ser a mesma.
Assim, à luz da igualdade democrática a legalidade seria a das decisões tomadas em pé de igualdade e liberdade por aqueles a quem dizem respeito. Exigiriam tudo menos “obediência cega”, tudo menos a sacralização da lei.
Enfim, o resto, já vocês sabem, e poderão dizer que eu não faço aqui mais do que reabrir o começo ou ponto de partida de outros debates. Mas às vezes acontece que o ponto de partida está, entretanto, uns passos mais adiante.
msp
tem dó, e com o conde será a beleza ou não convulsiva?
caro Niet, tematiza coisas curiosas. Sabe certamente que a questão do “invisível” era cara à Internacional Situacionista, que, pelo seu lado, falava em “subversão invisível” (ou hoje Agamben em “comunidade que vem” ou “ser qualquer”). Mas, estas teses confluem e, ao mesmo tempo, conflituam-se com a questão da “organização” da emancipação; é precisamente no intervalo entre o partido e a organização que Badiou tem laborado, ou melhor, o seu conceito de organização/movimento está nesse intervalo situado; como sabe, Badiou diz-nos que o século XX não beliscou em nada a ideia de comunismo, mas deixou em crise a ideia de “partido”. É o partido que está perdido, e não o comunismo. Talvez por eu ter sublinhado isto ou tal ter reafirmado no meu pequeno livro sobre Badiou é que o Niet me diz estar eu contra o “partido marxista”. Ora, agora, acho que nem para mim nem para Badiou as coisas são assim tão simples: mantém-se cada vez mais vigorosa a ideia do comunismo, certo; mas creio que por várias vias se vem recuperando a outra ideia: a do “partido”. Esta espécie de recuparação começa em Badiou no momento em que ele exige, na emancipação, uma “organização” do processo, a que precisamente chama de Organization Politique. Assistamos pois à continuação destes eventos e não nos precipitemos para já. Não é altura de deitar nada fora (partido ou “organização”).
Sublinho ainda um tópico avançado pelo Miguel: a legalidade democrática só pode ter esse nome depois de efectivada uma revolução. Sem revolução, ela é um “valor” abstracto que pressupõe uma obediência cega e acrítica. Acho que tem sido esse o trajecto de Oliveira (sem que ele o saiba, claro).
Jecta, deixa o conde, discípulo aplicado.
Prá semana, lá estaremos no Nina.
Quanto à beleza, com o mestre do conde a beleza é sempre convulsiva, uma verdadeira águia (a propósito, qual foi hoje o resultado do Benfica?).
MS. Pereira, meu caro: As notas de Bakounine em carta- extensa- a um communard de Lyon, Albert Richard, denunciam uma curiosa ” ligação ” aos métodos blanquistas, conforme assinala Arthur Lehning. Para as boas causas… E eram tão grandes que, reza a lenda, Richard tentou sacar dinheiro a Bismarck para, à sua revelia, comprarem armas. Bakounine opôs-se e andou a combater na Comuna de Lyon , que abortou, tendo depois que se refugiar em Marselha e Barcelona, de onde partiu por barco para Locarno. Niet
Meus caros, MS Pereira e C. Vidal: Conseguimos em conjunto superar inoperante discussão inicial, em torno das “partidas” que deixamos que o Estado-tirano nos pregue e envolva…O debate continua! Até amanhã. Salut! Niet
Mais uma vez, aproveito este espaço para perguntar ao Daniel Oliveira que aqui comenta por que razão e com que argumentos jurídicos as escutas publicadas pelo Sol deverão ser consideradas ilícitos penais, mormente, de violação do segredo de justiça ou de devassa?
Aproveito também para informar que um ex-conselheiro do Tribunal Constitucional defendeu hoje no Correio da Manhã que a publicação das escutas é perfeitamente lícita, porque as mesmas foram devidamente autorizadas pelo juiz competente (o de Aveiro) e porque o procedimento administrativo a que dizem respeito (que tinha como objecto a investigação do PM) foi arquivado pelo PGR.
Assim sendo, e porque os conhecimentos jurídicos do Daniel Oliveira me merecem o maior respeito, estou à espera que o mesmo rebata estes argumentos de um ex-conselheiro do tribunal constitucional e nos explique a todos por que razão ele e o Marques Lopes dão por adquirida a ilicitude da notícia.
O que, aliás, fazem em perfeita sintonia com o primeiro-ministro que hoje acusou o jornal de fazer jornalismo pelo buraco da fechadura, com o pequeno pormenor de nem uns, nem outros se importarem com a “piquena” questão de a premissa escondida (violação do segredo de justiça ou de qualquer norma do direito penal e processual penal) estar por demonstrar. Decerto que a explicação não tardará, sob pena de eu considerar que o Daniel Oliveira fala do que não sabe e assim comenta alegremente em espaços televisivos.
Quais Prima Donna?
E se mesmo assim não conseguirem chamem a policia militar e os norte coreanos.
Prima Donna?
Sim, a propósito de uma coluna diária online num jornal de “referência” para tudo e nada dizer?
Isso chega para prima donna?
(OK, já percebi, há aqui diálogo entre caixas de comentários: as primadonnas ligam-se sempre irmãmente: a do bloco e do heron.)
Esperemos que o comentário de José Barros, acima (4:27) tenha resposta, senão chamo mesmo a polícia norte-coreana.
Sarah Palin calls for ‘revolution’ in speech to tea party convention
http://www.guardian.co.uk/world/2010/feb/07/sarah-palin-tea-party-speech?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter
O que é a Revolução Social? Por M. Bakounine- ” A revolução política, contemporânea e realmente inseparável da Revolução Social, de que será a expressão ou a manifestação negativa, deixará de ser só uma transformação para se concretizar pela destruição do Estado, e agirá pela abolição radical de todas as instituições políticas e jurídicas que forçam a servidão do operário à exploração das classes opressoras. Ao mesmo tempo que destrói o poderio económico dos proprietários, dos capitalistas, dos patrões, destruirá a dominação política de todos os pseudo representantes coroados ou não do Estado que, em nome do direito divino ou por desvio e manipulação do sufrágio universal, se perfilam como seus herdeiros ou mestres. A Revolução Social varrerá todas essas instituições e todos esses mandatários da eterna tirania, aberta ou mascarada, não para os substituir mas, efectivamente, para levar a cabo a destruição uma vez por outra do princípio da soberania da dominação e da autoridade. E o sufrágio universal, agindo no interior desta revolução, tendo como ponto de partida a igualdade económica e social por ela conquistada, evitará, com aquilo que muitos socialistas porventura sonhassem, a criação de um novo Estado e de um novo governo político, que forneceriam a essa poderosa multitude novos mestres; pelo contrário, irá permitir, procedendo de baixo ao topo, a organização alargada para a construção de uma Federação Livre, conjugando a liberdade e o trabalho de todos, regiões, províncias, comunas, associações e indivíduos, assente na universal base única da igualdade e da fraternidade “. OC. IV.
NB: O MS. Pereira acertou em cheio: Bakounine foi muito permeável à influência não só de Auguste Blanqui como de Proudhon e Filippo Buonarroti, o mais genial dos carbonários de todos os tempos. E por causa do Albert Richard, Marx e Engels disputaram-se muito com M. Bakounine… Niet
caro xatoo, então isso quer dizer que – modéstia à parte – acertei em cheio na ilustração deste post.
Errata: Linha 9:é: uma vez por todas…
O sentido percebia-se, mas… Salut! Niet
Quem lhe dera a ser sequer parecido ao Daniel Oliveira.
Comuna ranhoso