Mas isto será aldrabice ou, mais preocupante, ignorância?
4 de Fevereiro de 2010 por Luis RainhaSócrates usa, em entrevista recente, o exemplo grego para afastar dúvidas internacionais sobre a nossa economia: «les marchés ont massivement souscrit à l’emprunt à 5 ans lancés par la Grèce, lundi dernier : il y a eu 25 milliards d’euros de demande alors qu’Athènes ne voulait lever que 3 milliards d’euros. La demande a donc été huit fois plus élevée que prévu! Cela montre que les investisseurs n’ont pas accompagné les suspicions des agences de notation.»
Isto é fazer de conta que se tratou de um rateio a preço fixo, onde se procura adquirir algo por um dado valor, estabelecido a priori. Ora o que se passa é que a procura excedentária destes títulos gregos buscava taxas de juro ainda maiores. E isto é o que Sócrates parece não ter compreendido.
Tal ideia corresponde mais ou menos a vendermos um carro pedindo propostas – e depois de recebermos mil ofertas de mil euros anunciarmos ufanos que houve um milhão de euros de procura, o que implica que o nosso chaço era afinal valiosíssimo e que todos confiaram no seu bom estado. Pura treta, capaz de convencer apenas os acólitos indefectíveis.
Depois, claro que a realidade já tratou de seguir o seu curso: há cada vez mais receios de que Portugal não seja capaz de honrar os seus compromissos. Essa é que é essa.


Escreva um comentário