O Bloco conquistou Londres e Washington

Helena Matos aplaude a tese de João Miranda: a ideia de sujeitar o poder nas agências de notação financeira a alguma espécie de vigilância tem uma só forma de se concretizar. À comunista, claro, através de um «Observatório da mesma agência quiçã supervisionado pelo Professor Boaventura ou na impossibilidade deste acumular outro Observatório que leva milhões para observar as consequências catastróficas da aplicação daquilo que ele mesmo sugere e ensina, creio que esta agência seria um local adequado para se colocar Vítor Constâncio» (sic).
Ou nós ou o Dilúvio. Ou o laissez-faire que tão boas provas deu no passado recente, ou a chegada do estalinismo mais empedernido. Não há espaço neste mundo para bom-senso nem moderação; ele acaba mal se saia dos limites da fé liberal.
Vale-nos que o vírus do bloquismo já infectou Washington e Londres, pelo menos. A britânica Financial Services Authority e a americana Securities and Exchange Commission mancomunaram-se para complicar a vida aos emissores de ratings. Mas bem podemos esperar sentados que a ponderação venha a contaminar o solo da Mirandéria.

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12 Responses to O Bloco conquistou Londres e Washington

  1. paulo diz:

    gostava de ver aqui um post sobre a posição do pcp na lei das finaças regionais
    isso sim era mais interessante do que a guerra be pcp é gira mas é só isso

  2. Pingback: Arrastão: O que nasce torto…

  3. Justiniano diz:

    Rainha, minha carriça embaraçada, é evidente, brilhante ideia, então quem melhor que o devedor a avaliar o grau de risco do seu incumprimento!!??

  4. Luis Rainha diz:

    Não, Justy. A ideia é racionalizar e fiscalizar as informações transmitidas aos mercados pelos notadores. Já há um ano e tal se escreveu aqui que «a investigação do Congresso americano revelou trocas de e-mails internos que antecipavam a força da tormenta com a presciência de um Noé financeiro. A minha passagem favorita é «It could be structured by cows and we would rate it», embora a parte do «Let’s hope we are all wealthy and retired by the time this house of cards falters» também não esteja nada má.
    Da credibilidade destes ratings depende, em grande parte, o funcionamento transparente e fiável do mercado, pois eles contribuem para diminuir as assimetrias de informação. O que concede às empresas que os atribuem um tremendo poder. E alguma responsabilidade, acrescentaria eu. Mas, como admitiu o CEO da Moody’s «Ratings quality has surprisingly few friends». E o resto já é História.»

  5. Justiniano diz:

    Rainha.
    Vcmcê discursa como se as tais agencias fossem investidas de poderes públicos aos quais os desgraçados dos “mutuantes” anuem bovinamente. Como se todo o “empréstimo soberano” houvesse de ter “chancela” da notação. Se a sua credibilidade é afectada as tais agencias tornam-se irrelevantes e o mundo prossegue a sua caminhada até novo sol.
    O que Vcmcê advoga é uma espécie de certificação de qualidade a ser concedida pelo Estado, poderes públicos, investindo as tais agencias de credibilidade formal aos olhos do devedor. Esquecendo-se Vcmcê que a credibilidade deve ser reconhecida pelo credor…coisa despicienda…

  6. Luis Rainha diz:

    Não; para começar, o problema maior nem sequer se colocou com os “empréstimos soberanos”. O busílis esteve na ligeireza com que se atribuíram ratings positivos às tais coisas “estruturadas por vacas”, como os próprios admitiram.
    E não advogo essa chancela, que seria, como bem nota, absurda e inútil. Mas advogo que haja alguém em posição de impedir desmandos como os que se verificaram recentemente. Se o próprio fulano da Moody’s reconhece que lhes é difícil emitir ratings de qualidade, tal a força das pressões a que se encontram sujeitos…

  7. Justiniano diz:

    Ora, Rainha! Simultaneamente, ao momento histórico que refere, estiveram também em causa as autoridades reguladores e a sua suposta “vigilancia”, “supervisão”, comprovação formal…A rainha de inglaterra (Gov. Banco da Tugalandia) acabou por reconhecer o mesmo que o tal fulano da Moody´s.
    Vai daí queres refugiar-te no Estado no exacto momento em que este é o principal avaliado, e no exacto momento em que o Estado apenas pode enganar os tolos sob os quais tem autoridade!!!

  8. Luis Rainha diz:

    Confusão: eu não me quero refugiar em parte alguma,e muito menos agora: esse post que citei já tem largos meses. Mas certo é que a ideia do Bloco não é assim tão descabida, se dois fiscalizadores, americano e britânico, estreitam laços…

  9. Justiniano diz:

    Pois, exacto, e voltamos ao início!!!

  10. Luis Rainha diz:

    Mais razão me dá: parecemos condenados a este ciclo desgraça-recriminações-esquecimento-desgraça.

  11. Justiniano diz:

    Não, Rainha! Estava a “falar” do meu primeiro comentário!!!
    O ciclo foi mais, abundancia-destemperança-desgraça…abundancia-…

  12. Luis Rainha diz:

    Mau. Isto já parece aquele conto do Woody Allen em que dois velhotes terminam uma partida de xadrez por correspondência com vitórias imaginadas para os dois: cada um celebrando um mate fulminante na sua versão do jogo…

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