É necessário recorrer ao autor de “Para a Genealogia da Moral” para se perceber o meu post “PEDAGÓGICO”, em baixo, sobre os “VALORES”? Não esperava tal coisa
3 de Fevereiro de 2010 por Carlos Vidal
Falta-nos uma crítica dos valores morais [onde eu coloco a “família”, a “vida”, mas também a “democracia” ou o “capital-parlamentarismo”], há que começar a pôr em questão o valor desses valores… E, para tanto, é necessário um conhecimento das condições e circunstâncias que lhes deram crescimento, que lhes permitiram desenvolver-se e transmutar-se (a moral enquanto consequência, enquanto sintoma, máscara, tartufice, doença ou equívoco, mas também a moral enquanto causa, enquanto remédio, estimulante, limitação, veneno), um conhecimento como até hoje nunca existiu, nem chegou a ser desejado por ninguém. Tomou-se sempre o valor desses “valores” como coisa dada, como facto, como estando para além de toda a possibilidade de os pôr em questão. E até hoje nem de longe se colocou a menor dúvida, a menor hesitação, na atribuição de um valor mais elevado ao “bom” [a “democracia”, por exemplo] do que ao “mau” [a revolução, nos termos liberais em voga], mais elevado no sentido do progresso, da utilidade, da prosperidade relativos ao homem em geral (incluindo o futuro do homem). E se a verdade fosse o contrário? Como seria? Se no “bom” existisse também um sintoma de retrocesso, um perigo, algo como uma sedução, um veneno, um narcótico, algo que até certo ponto fizesse o presente viver à custa do futuro?
[trad. J. Miranda Justo: acrescentos meus em parêntesis rectos]
Enfim, será que ninguém pensou que qualquer processo revolucionário ou de emancipação social (como se lhe queira chamar) deverá passar por uma crítica dos “valores”? (Pela polémica do post referido, parece-me que não)
Ao Daniel Oliveira e seguidores isto não é exigido; primeiro, porque se ele não percebeu, não perceberá (agora é tarde); em segundo lugar, porque Oliveira coloca como limiar utópico, como diz repetidamente, o “modelo nórdico” (que é o modelo do BE): Mas, aos outros que não a estes, não será que é de começar a pensar? Nisto, concretamente?

Escreva um comentário