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Permita-se-me um pouco de pedagogia (Daniel Oliveira, serei breve)

2 de Fevereiro de 2010 por Carlos Vidal


(Siegrieg forjando Notung, a espada)

Respondendo a um post matinal por mim aqui publicado, respondeu Daniel Oliveira:

Defendo Mário Crespo por uma razão mais simples: por causa da mesma merda de valores que me fariam defender Carlos Vidal.

Sensibiliza-me esta inquebrantável ética (democrática) e a explicitada bravura contra todo e qualquer tipo de barbárie (política, social, digamos em concreto). Mas o que Daniel Oliveira não compreende nem compreenderá é que a defesa ou conquista da liberdade é uma coisa, a defesa do “valor” liberdade é outra, completamente diferente. A vida é uma coisa, o “valor vida” é outra. Nada a ver. Porque o valor, enquanto “valor”, subtrai-nos ao pensamento, ele pensa por nós. O “valor” pensa o nosso pensamento. E assim ficamos acriticamente à disposição daquilo que até podemos não entender minimamente. Mas que nos tranquiliza, apazigua, dispensa-nos de ser o que que quer que seja: vai-se, esfuma-se no corpus do “valor”, a nossa singularidade. Não há maneira de explicar isto a Daniel Oliveira. Ou melhor, não há maneira do bloguer isto conseguir perceber. (Coisas do Caravaggio, como diria um meu colega de blogue.)

Comentários

Comentário de Daniel Oliveira
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:04

O que reparo em muitos dos seus posts é que o Vidal, qual José António Saraiva, acha mesmo que descobre a pólvora todos os dias. E qual Pacheco Pereira, deixa todos dias soltar o professor primário que tem dentro de si. Invejo-o. Fiquei esmagado pela explicação. Será que a percebo?

Dito isto, desse ponto de vista, estava a dizer que só apoia Mário Crespo porque concorda com ele porque…? Em que é que esse ponto de vista ajuda à conquista da liberdade de um caracol que seja? Não responda, por favor. Confesso que o meu passado de comunista vive mal com os seus jogos florais.

Comentário de Antónimo
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:09

Um post muito pedagógico do Samuel

http://samuel-cantigueiro.blogspot.com/2010/02/mario-crespo-nao-e-dos-meus-mas.html

Gosto principalmente do final pois desde 2002 que muita gente foi corrida do DN por muitos dos que agora se armam em arautos da liberdade de imprensa e que agora tanta lágrima de crocodilo lançam.

Comentário de Pedro
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:14

Foste mais ou menos breve; o problema é que não se percebeu nada. Pudera, com ideias tão confusas.

Comentário de manuela
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:18

???????????????????

Comentário de miguel serras pereira
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:26

Carlos,
não avalias, valorizas, aprecias ou julgas quando dizes que gostarias de ter escrito alguns dos textos do M.C.? Não te gabo o gosto e surpreende-me a ambição auto-fustigante inerente à cobiça que declaras. É verdade que o bispo de Roma polaco também se castigava e mortificava, mas em vista de menos vã cobiça.
A minha pergunta é simples: se defendes a liberdade de expressão e a sua conquista, a que vem aquela citação avulsa de Lenine a validar (é uma chatice, isto dos valores entrarem pela janela, depois de os termos posto na rua pela porta) a tua confissão? Servirá para dizer que é uma liberdade acessória, não muito importante, sem nada de decisivo, na construção do socialismo? Servirá para indicar que a que vamos tendo – neste blogue, até tens muitas vezes abusado dela – é pouca ou enganadora, e que, para um radical como tu, pouco ou nada é a mesma coisa? Mas, se respondes neste segundo caso pela afirmativa, que fazes do teu argumento da defesa de uma conquista que, afinal, vale a pena (desculpa, é um bem – se admites que os há)?
A última questão é mais complicada, mas tu tens dito que não gostas da facilidade (embora gostes dos textos, alguns textos, do MC) e, por isso, aqui ta deixo: como é que fazes para pensar sem formulares juízos de valor, ou “avaliações”, como quiseres?

Saudações político-filosóficas

msp

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:27

Mesmo em blackout, por causa do futebol (o seu clube não se saiu bem), o sr. Daniel veio a toda a brida responder a quatro humílimas linhas de escrita. Vi que percebeu bem de mais o escrito, e vi que vai continuar a ser um ser não-pensante (os seus “valores” são o seu TPC feito de antemão – o sr. não precisa de fazer nada, é um homem de fé).
Quanto a quem diz não ter percebido isto, este post – eh pá, eu não seria capaz de dizer uma coisa dessas. O que está escrito são banalidades sem interpretação possível.

Comentário de ezequiel
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:37

o Carlos Vidal é uma coisa e os valores que o Carlos Vidal defende são outra, completamente diferente. A água é uma coisa e a evaporação outra. Não há qualquer relação. Evidentemente.

é de chorar a rir. o valor vida tem mt que ver com a vida, sr prof. nem o imbecil do badiou negaria tal coisa. LOL

Comentário de Carlos Fonseca
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:40

Que confusão meu irmão!
O valor, então, subtrai-nos ao pensamento. Quem actua e decide segundo valores não pensa – é isto ? Se fôr, então o melhor é, como sugeria há dias, recatar-se em reflexões e investigações ontológicas para entender a essência da natureza do ser humano, partindo daí para a interpretação da correlação dinâmica entre valores e referências da vida, comportamentos e pensamento.

Comentário de Policarpo
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 0:52

“Mas o que Daniel Oliveira não compreende nem compreenderá é que a defesa ou conquista da liberdade é uma coisa, a defesa do “valor” liberdade é outra, completamente diferente.”

Explica-me a mim então. Consideras que na URSS depois da conquista da liberdade houve defesa da mesma? Estarias bem por aquelas bandas, certamente toda essa bagagem de intelectualóide de merda te valeria um lugar no imenso aparelho burocrático, quem sabe como Educador do Povo coroado com medalhas lénines e outras coisas bonitas. Se o Daniel Oliveira e o Rui Tavares cheiram mal, o estalinismo correctíssimo que se respira aqui assusta-me bem mais. Diz-me o que achas de Makhno, e eu conto-te uma história sobre conquista da Liberdade. Passas a vida a falar de Liberdade, eu prefiro a ditadura do Capital à merda que defendes.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 1:02

ezequiel, não defendo “valores”, tento conquistar coisas, apelar à conquista de outras. E que valores o sr. ezequiel acha que eu defendo? Ou que me norteiam? Ilumine-me sr. ezequiel, diga-me quem sou e não sei que sou!………..
Carlos Fonseca, exactamente, o “valor” isenta-nos de pensar. Pois, se pensarmos, chegamos à seguinte questão: que “valores” merecem ser respeitados? E porquê??
Ora, eu, humildemente acho que nenhuns. Este tem de ser o ponto de partida de qualquer ser vivo (se quiser ser um pouco mais que coisa “biológica”).
E já que o sr. ezequiel fala num tal Badiou, posso garantir-lhe que este não pergunta nunca pelo respeito ou pelo cumprimento dos “valores” (por exemplo: “direitos humanos”, “direito à vida”, “livre expressão”, “democracia”, “pluralismo” e outras patetices ocas), o tal Badiou costuma antes perguntar: o que é que criaste de novo? O que tens para nos oferecer de inédito?
Nada, então parai de incomodar.

Miguel Serras Pereira, eu, aqui, abusar da liberdade é uma afirmação pouco consensual. Pode ser aplicada a muitos de nós.
Pensar sem formular juízos de valor, perguntas tu como é possível – esse é mesmo um dos meus temas de eleição. É essa a função da crítica, isso é a crítica: criar conceitos e não ajuizar. A crítica é a aventura do conceito. Prometo um texto, muito brevemente, sobre a crítica. Lá iremos.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 1:14

libertário Policarpo, nome de cardeal,
Escrevi aqui sobre Makhno:
http://5dias.net/2009/10/06/porque-defendo-lenine-e-porque-defendo-mao-uma-resposta-a-miguel-serras-pereira/

Quanto ao resto do que afirma, poderia ser verdade: não negaria nenhuma medalha Lénine que me pusessem ao peito. E até gostava de ser uma espécie de Rostropovich (ou mesmo um Mravinsky, que suponho o libertário não sonhar quem seja – espero que não, pobre Yevgeny! Ah, sim eu sei, o Rostropovich saiu do país, certo, mas foi lá “feito”!! como milhares e milhares de outros). As merdas que o sr. “cardeal policarpo” diz interessam-me pouco (como a si nada interessará, espero, o que escrevi sobre Makhno). Entretanto, cá vou aturando obtusas personagens, sim senhor, apesar de preferir o velho e inimitável Chico da Tasca (em relação ao qual o sr. libertário está a milhas). Leia o Chico da Tasca e depois volte cá. Aprenda a ser pessoa.
(Ah, já me esquecia: eu raramente falo em liberdade, não a prezo como V. julga – tenha pois juízo.)

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 1:43

C.Vidal, mas afinal concorda com os Valores que norteiam a actual Coreia do Norte, por exemplo… Um comunista sem valores, é a primeira vez que oiço falar, só se for um pobre e um esfarrapado sem cheta e sem valores materiais nenhuns.
Em que é que ficamos afinal.
Li isto não me lembro onde, mas de facto subscrevo inteiramente quando se diz que aqueles que não teem Valores, para esses então…vale tudo!

Comentário de Carlos Fonseca
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 1:45

Carlos Vidal, estou em desacordo com o conceito bastante redutor de que ‘o valor’ isenta-nos de pensar; e que nos transformamos automaticamente em mera coisa biológica.
Mais: a recusa do reconhecimento de ‘valor associado ao pensamento humano’ é, em si própria, uma atitude valorativa. Quanto a mim, existe uma contradição no postulado que perfilha, ao considerar que ou somos humanos pensando de forma isenta de valor, ou transformamo-nos em coisa biológica quando agimos (pensamos) segundo valores.
Se assim fosse, nem sofistas, nem Sócrates, nem Platão e todos os restantes filósofos da História não teriam passado de insignificantes ‘coisas biológicas’. Veja, por exemplo, na República o diálogo entre Platão e Trasímaco sobre a justiça – acha que ambos, com valores conceptuais divergentes, não pensaram durante o processo da argumentação utilizada? Eram simples autómatos?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 2:12

Carlos Fonseca, está a fazer uma grande confusão ao convocar Platão, ou quando convoca Platão. Este foi o fundador da filosofia, e fundou-a a partir da questão ou noção da verdade, contra a opinião sofística. Ora, uma verdade não é um “valor”. O Ser é uma verdade (Parménides: o Ser é, o não-Ser não é), os “direitos humanos” são um “valor”. Eu posso OPINAR sobre os “direitos humanos”, posso dizer, por exemplo, que eles tratam o homem como coisa débil que precisa de ser “protegido”, ou, como diz Badiou, os “direitos humanos” são o direito ao “não-Mal”, portanto coisa definida pela negativa. O problema do Ser é uma outra questão completamente diferente. A pergunta (e resposta) “porque existe o Ser e não o Nada” nada tem a ver com a questão dos “direitos humanos”, por amor de deus, não caia nesse erro. Pense bem (pensem bem).
Derrida, por exemplo, questiona a importância da pergunta anterior sobre o Ser – diz ele que ela supõe uma resposta, e uma resposta que supõe, por sua vez, o Ser a partir do que chama a “presença do presente” ou o “presente da presença”, quer dizer, aquilo que vejo aqui e agora, o presente de uma presença. Derrida contesta esta posição, questiona-a: não haverá algo anterior ou posterior à presença imediata? Para ele, sim, existe algo além do “presente da presença”. O que está além (ou aquém) do “presente da presença” diz respeito ao Ser. O que está somente ligado ao “presente da presença” diz respeito aos valores como os “direitos humanos”, o “direito à vida”, etc.
Ser “um Ser” não é um direito.
Não creio que isto não se entenda. Não percebo porque é que isto não se entende.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 2:29

Porque isto não é demasiado complexo, a desconversa é que complexifica o que não é complexo (num plano teórico, para já). Repare, Carlos Fernandes, o desrespeito pelos valores, a não consideração dos “valores” não significa que um comunista não tenha valores. Ou que eu pense numa coisa dessas. O comunista tem-nos e modifica-os, aos seus e aos existentes.
A burguesia não respeitou nem se reviu nos valores da sociedade feudal. Foi, por isso, uma classe revolucionária. A transformação social “que vem” (para citar uma expressão de Agamben) não considerará os valores burgueses. Estes, por seu lado, impuseram-se como “os valores”, quer dizer, os “únicos” valores que merecem ser tidos por valores: a democracia é um deles; é proibido discutir a “democracia”, o parlamentarismo, etc. Será que o capital-parlamentarismo veio para ficar eternamente??

Comentário de João Tiago
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 5:08

Digam-me apenas, por favor, que Carlos Vidal não é professor. Que não lecciona, que não ensina nem crianças nem jovens.
É que se assim não for, julgo estarmos perante uma questão de saúde pública muito séria (sendo certo que não menosprezo a “pedagogia pela negativa”, mas ele há limites…).

Comentário de Abilio Rosa
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 6:13

Camaradas: o Sócrates não é flor que se cheire.
Ele é capaz disso e muito mais.
Por acaso já notaram o profundo ódio que ele nutre pelos comunistas, pelos sindicalistas e por todos os que lhe fazem frente?

Enquanto o PS não se livrar daquele impostor, espero que o Partido Comunista nunca faça qualquer acordo com esse gajo nem caia nas ratoeiras dele como recentemente caiu!

Comentário de Justiniano
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 9:04

Caríssimo Vidal, nem sei que dizer em comentário a este seu sublime post.
As suas palavras estão absolutamente correctas “A vida é uma coisa, o “valor vida” é outra”, o valor pensa o nosso pensamento, sem dúvida, molda a vivencia da normatividade.
O valor vida humana é um axioma que pode não corresponder à vida humana, não obstante a presunção de identidade entre o valor e o objecto densificado desse valor. (o faminto condenado a morrer esvazia o conceito-valor)
Ora a correspondencia é, sem dúvida, uma construção. Uma conquista, como habitualmente diz o Vidal (o sentido da construção é que pode constituir um erro)
O que diz é indisputável (aporias do absoluto)
Mas, caro Vidal, nada disto afecta a validade dos valores.
Um bem haja,

Comentário de miguel serras pereira
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 9:34

Carlos,
1. já outros te responderam bem, ainda que por outras palavras e a propósito de outros exemplos, que quando pões o criar e a aventura do conceito acima do ajuizar, etc. operas um juízo de valor. E o mesmo colhe quando tu denuncias a absolutização dos valores burgueses, ou, mais simplesmente, quando escreves que a burguesia foi uma classe revolucionária.
2.Idem para a pirueta da tua convocação do Badiou: diz-me o que crias, o que trazes de novo. Privilegiar a novidade pela novidade, o acontecimento pelo acontecimento, a criação da diferença pela diferença não faz qualquer sentido e, de caminho, tira todo o sentido à acção política.
3. Não me parece que a tua leitura do Agamben seja a melhor. E não sei o que vem aqui fazer a pergunta sobre a conjectural eternidade do capital-parlamentarismo. O que é que prova quanto à discussão sobre os valores o facto de a dominação capitalista ser uma realidade histórica? Que estamos dispensados de a julgar ou de agir sobre ela? Que façamos isto ou o contrário, isso é indiferente?
4. Se a criação e/ou o acontecimento, pressupõem um fundo – ou sem-fundo – de indeterminação ontológica, nos dizem que o ser nunca é todo, que não há ser que seja tudo ou seja o todo, e que há tempo, isso leva-me a romper com a ontologia da identidade e com os seus pressupostos “conjuntistas-identitários” ou “conjídicos” (como diz Castoriadis), mas não reduz, antes pelo contrário, a minha acção, o meu juízo e a minha imaginação à indiferença ou à identidade biológica.
5. Coda. É porque não creio que a biologia nos determine inteiramente, porque não creio que os deuses, ou os antepassados, ou uma natureza intemporal e idêntica a si própria do real, determinem a história, que preciso da política e da sua imaginação reflexiva e criadora, que preciso da crítica e dos seus critérios, que preciso de criar qualquer coisa de novo que mais não seja para reconhecer ou recalcar o reconhecimento do que é, para saber que de qualquer maneira o que de qualquer maneira e sem modelo faço ser faz toda a diferença.

Comentário de F.B.
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 12:01

Os nossos valores fazem-nos sempre “pensar”, quando sabemos o porquê de os defendermos.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 12:08

João Tiago, sou professor de alunos e não de pedras inertes à chuva. Quando estou numa aula, tenho à minha frente pessoas a pensarem e não alcatrão.

Oh Miguel, claro que a burguesia não foi uma classe revolucionária, o marxismo até nos diz qualquer coisa parecida na pré-primária, mas não, não foi nada revolucionária. Vivemos ainda o feudalismo, ou seja, a lei impõe sempre o direito de sangue, a sua hierarquia. Nunca houve nenhum triunfo burguês, nada, e até em Portugal vivemos numa monarquia, vê bem…
Quanto ao Agamben, muito bem, eu fiz atrás análises sobre o dito cujo. E eu achava que só tinha empregue uma sua expressão. Ai eu fiz-lhe uma tentativa de análise?? Pois é, se calhar fui anti-semita. Ele há cada um e cada uma.

Comentário de miguelserraspereira
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 12:24

Carlos,
fazias bem se lesses o que eu escrevo antes de responderes ao lado. Sim, a burguesia foi uma classe revolucionária. O que eu disse foi que, quando o dizes, formulas um juízo, uma avaliação ou lhe atribuis um valor.
Não creio que sejas anti-semita – e foi por isso que noutro dia me chocou que tivesses citado um comentário que o era (ainda que o seu autor não o quisesse) como se nada fosse.
Está bem assim?

Comentário de almajecta02
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 13:07

pois, vamos lá então fazer o ajustamento da intuição do entendimento à ficção da razão.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 13:31

Miguel, está melhor. Tu corrijes (acertas a precisão) (d)os teus comentários e eu é que respondo ao lado. Dizer a burguesia “classe revolucionária” não é um juízo de valor. Convocar o “novo” em Badiou é dizer que depois da irrupção do momento amoroso, na vida dos amantes, nada ficará como antes. Que uma revolução não repõe o que destitui e, como o nosso PREC (que alguém sabotou, travou, quem seria o termidoriano?), uma revolução é abertura ao “novo”, à “esperança”, “utopia”, “advento” de que nos fala Bloch, é dizer que Schoenberg não era um compositor tonal, etc.

Já agora: esta caixa de comentários é espantosa. E o seu realismo e observação do mundo!…
Ora, ninguém ainda reparou, porque falamos em “valores” (e eu os considero próprios do pior conservadorismo), que é fundado no argumentário dos “valores” (“vida”, “família”) que o extremo-conservadorismo se opõe a toda e qualquer forma de IVG?
E ninguém conhece outros exemplos? Dorme-se muito em PT.
(Mas porra!, são 12:30)

Comentário de Carlos Fernandes
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:17

Pois, e os outros é que desconversam, quando a conversa não agrada, claro…
OK, então pelo seu comment das 12h30, podemos deduzir, a partir das suas próprias palavras, que C.Vidal é um extremo.revolucionário contra a vida e pela morte(e por guilhotina francesa, presumo eu, mas se calhar é por pistola), e portanto a favor da pena de morte…

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:22

Acabo de apagar um “comentário” de um tal João Viegas que dizia, com ênfase respeitável, que tem familiares comunistas, que (apesar de comunistas, subentende-se) respeita. Oh senhor Viegas, não respeite, pá.

Acho esta caixa de comentários demasiadamente cheia de debilidades e de casos para encher o Serviço Nacional de Saúde se ocupar. Depois, vem Sócrates, o p.m., por causa de alguns destes tipos, anunciar taxas e outras malfeitorias, tanta é a procura, o uso do SNS e os excessos. E, às tantas, até tenho que lhe dar razão (mas não é o caso deste Viegas, que até respeita os familiares comunistas!).

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:34

Sim, Carlos Fernandes, exactamente. Pode concluir tudo isso, como eu concluo que V. nada percebeu do que lhe escrevi às 2:29, nem do que escrevi para outra pessoa às 2:12 (outro Carlos).
Quanto à Coreia do Norte – sim, é evidente que concordo com os valores dessa nação resistente.

Comentário de xatoo
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:42

muito bem! aqui aprende-se a um ritmo elevado de progressão, aquilo que mais ou menos já todos sabíamos, no minimo por intuição:
“Ser “um Ser” não é um direito”
O “danieloliveirismo” afirma-se antes (repare-se na ausência do interlocutor privilegiado após a sentença no 1º comentário) isto é, afirma-se pelo “não ser” em representação dos seguidores de realidades descodificadas relativamente simples “os que vão sendo” por oposição “aos que são” (que criam os actos, o ser “dasein” do professor Heidegger).
de Oliveira esperam os fãs da sua página sms simples, como p/e “sem homem não há direitos do homem” o que dá o prazer da atenção de alguém substancialmente “importante” pela via dos meios mediáticos de reconhecimento (quando lhe notei que o seu nome tinha atingido aqui um número record nos posts ripostou que a vizinhança se lhe dirigia por isso mesmo: “não é vc o tal gajo que tem feito cabeçalhos no 5Dias?”, ou seja Oliveira é o actor da antítese do desprezo ou da indiferença pelo outro). Uma coisa popular, pena que para prejuizo do espaço público cultural saia fora do estádio de Alvalade. Vem apadrinhado pelo tio Balsemão, que hoje veio em defesa do Crespo e um dia virá também defender o anjo Daniel.
É esta subjectivação do individuo que traz a D.O. notoriedade (e neste campo se converte num perigoso inimigo para a Esquerda), no populismo de fazer crer que não existe nada que condicione o individuo e que cada um se conduz com plena autonomia – apagando deste modo a evidência que cada pessoa só pode Ser e Fazer quando se integra como elemento natural na sociedade a que pertence. E como diz Carlos Vidal a pregação dos direitos do individuo per si é uma das piores formas de conservadorismo.

Comentário de joão viegas
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:43

O’ Vidal, se foi so esta parte que o incomodou, não ha problema, a outra é que era importante, a que dizia que o seu post so demonstra que não existe distância nenhuma entre a “asneira” e o “valor da asneira” e que interessa pouco saber, no seu caso, se são as asneiras que profere que pensam por si, ou se você que pensa as asneiras que escreve.

Assim ja publica ? Provavelmente não…

25 de Abril a sério era fazer com que pedantes inuteis como você tivessem algum sentido do ridiculo. Mas este 25 de Abril, infelizmente, ainda esta por fazer.

Tenha juizo.

Comentário de Justiniano
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:48

Caro Vidal, o tema é, talvez, complexo, como se nota na cx. coment., e, como decorre da mesma, o risco de incompreensão é elevado. Paciencia…
O discurso dos valores é incontornável, legitimador, edificador…(Kant dedicou grande parte da “vida” à sua compreensão), preenchem o vazio, (“…que nos tranquiliza, apazigua,..”como dizes.) e quando os transpomos para a normatividade constituimos relações inter-subjectivas (inevitável, este plano. Os valores só fazem, talvez, sentido com, pelo menos, dois indivíduos. Talvez.).
Mas, Vidal, repare que o medo do vazio (A sua Revolução do vazio – Nem sei para quê esvaziar o vazio, não compreendo.) não é o triunfo do pensamento liberal burgues. Será, quanto muito, a derrota de ambos e nada disto tem que ver com reafirmação de valores (isto não obstante o facto de a maioria das pessoas não cometer crimes por medo da sanção penal).
Um bem haja,

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:55

E o problema aqui, caro xatoo, é duplo: Daniel Oliveira, pensador abaixo de nulo (como pessoa não sei, não o conheço nem quero conhecer), sente-se bem na pele de “mediacrata” ou mediocrata. E, como tal, não percebe nada de nada do que está em causa. Poderíamos dizer que ele é mediacrata por cinismo, mas não. Ele não sabe ser mais nada, nem percebe nada do que por aqui se foi debatendo. Apenas se sente bem na pele que lhe dão a vestir. E segue em frente, contente, como se vê na televisão domingueira. É a vida, nada a fazer.

Comentário de lingrinhas
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 16:56

se o carlos vidal quiser uns textos do mc eu posso lhe pedir e se ele não quiser dar chamo a policia militar e o assunto resolve-se

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 17:01

Entretanto, há um outro tosco que decidiu aqui botar faladura e comentário, dizendo que a ilustração era de “mau gosto”.
Logo apagado, claro.

De “mau gosto” e grave é não conhecer Siegfried e o “Ring” (a mais portentosa alegoria da humanidade).
De “mau gosto” é não perceber que Oliveira gostava de ser uma espécie de “Siegfried da democracia”, mas não, não pode.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 17:04

mc?
Disse algures numa outra caixa que gosto de polémica, mas não gosto de encher caixas com lixo.
O que é mc?

Comentário de almajecta02
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 17:18

o niilismo nietzshiano, como o marxista e o sarteriano, esquecem-se, com efeito, do nada constitutivo da transcendência do ser; da ausência, que institui todas as coisas em presença; do velamento, que todo o desvelamento mantem oculto; do silêncio que faz ecoar a palavra.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 18:16

Ó Jecta, então quando Sartre divide o Ser entre um “em-si” e um “para-si”, não coloca este sob o signo do Nada, da nadificação? Não é o para-si uma forma, digamos assim, de lidar com o Nada? Ele é o Nada (a consciência).

Comentário de Aniceto Azevedo
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 18:47

É verdade, amigo Carlos, o Nada, em Sarte, é a consciência representativa.

Comentário de almajecta02
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 19:31

ora é esse jogo de alternância, que o homem não pode medir, porque este é a medida do seu comportamento aberto, que representa, o valor de um pensamento atento ao sentido, que o procede.

Comentário de Rebolo de Levar
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 22:16

Nao vale chamar pedante a ninguem, senao é-se apagado.

Comentário de Viseu Esquerda
Data: 3 de Fevereiro de 2010, 23:28

tanta filosofia e no fundo este confronto de ideias entre “Vidalistas” e “Oliveiristas” que não é o primeiro nem o último, fulanizou-se ao ponto do debate em alguns pontos roçar o foro psicológico e não filosófico.

já é um ódio de estimação. Qualquer diferença é motivo para a radicalização do discurso (que não considero pejorativa) e a concorrência tem sido tão saudável para a discussão em si que acaba quase por dar razão ao capitalismo!!!

as diferenças entre as esquerdas, a radicalização e respectivas repercussões são já uma característica intrínseca e quase inevitável que nos colocarão para sempre à margem das decisões.

não digo ceder ao ponto de quebrar princípios que consideremos fundamentais (já nem digo valores para não ferir as partes…), mas isto é puro sectarismo e constante demarcação de fronteiras.

Enquanto isso, a direita impõe a sua vontade… e as forças gastam-se quase invariavelmente nisto!

Comentário de João Tiago
Data: 4 de Fevereiro de 2010, 5:44

Carlos Vidal,
Quero que saiba que, quando perguntava ontem se era professor, não o fiz pelas suas ideias (respeitáveis, obviamente). É pelo pavor que tenho de que a lógica que segue nas suas aulas seja a mesma que segue aqui (oxalá assim não seja). Por três coisas em que penso – sinceramente – deveria reflectir:
a) O Carlos cai numa facilidade enorme em desconsiderar (para usar um termo soft) as pessoas com quem discute (como se isso lhe desse mais razão) – e aqui falha, passe a provocação, o valor do respeito pelo outro (pode dizer-me que isso não importa, mas há-de então explicar se isso não é uma condição para o diálogo, que o Carlos, presumo, não só exercita como defende – em contrário o que faz aqui?);
b) Não bastando a desconsideração do outro, é muito raro responder a argumentos com argumentos. Normalmente embrulha-se numa teia onde sobram um reforço da desconsideração do outro e os tiros ao lado, como que para levantar poeira (e aqui falha o princípio – outra provocação – da argumentação);
c) Perante as dificuldades em argumentar, em responder às dúvidas e questões que lhe colocam, opta outras vezes por uma fuga para a frente (muitas citações, muita erudição que, meu caro, que não são mais do que uma espécie de intimidação intelectual do outro – e um sinal de que, como não consegue defender-se e ripostar a partir do seu próprio raaciocínio, chama outros para a frente da batalha – ficando cá atrás a barafustar de forma ainda mais embrulhada). Aqui não falha nenhum princípio: é apenas, porque sobranceira, uma forma (desculpe que o diga) um pouco cobarde para se defender).
Ora eu acho, mas isto é apenas a minha opinião, que nada disto é pedagógico. Felizmente os seus alunos, como de resto eu supunha – a eles não me referi – não são pedras nem alcatrão, e portanto tenho esperança que saibam distinguir os conteúdos, as ideias, do modo como são transmitidas e trabalhadas. E que aprendam também pela negativa, se for o caso.
Mas enfim, eu tenho ainda esperança que o Carlos Vidal blogger apenas recorre a este estilo por uma questão de mercado: está visto que assim muita gente lhe presta atenção, disso não temos dúvidas.

Comentário de Maria**
Data: 4 de Fevereiro de 2010, 11:15

O Mário crespo passou-se e apressou-se.
Se da pressa de Mário crespo resultar o que quer que seja de credível, eu prometo que vou daqui a fátima interceder pelo mesmo que pode ser que a senhora faça um pequeno milagre e ele recupere a razão.

Comentário de Rebolo de Levar
Data: 4 de Fevereiro de 2010, 11:51

“Não é o para-si uma forma, digamos assim, de lidar com o Nada? Ele é o Nada (a consciência).”.

Ha muito tempo que nao se comia carapau deste…

Comentário de Maria**
Data: 4 de Fevereiro de 2010, 16:28

ó mário crespo por favor não seja um mártir que a gente não quer cá disso

Mário crespo questiona-se sobre martirios; coitado deve estar sentindo arrepios na espinha de cada vez que imagina ouvir aquilo que os tais amigos disseram ter ouvido mas que ao que parece talvez não tenham ouvido e que ninguém parece estar capaz de assumir que ouviu.

http://apombalivre.blogspot.com/2010/02/o-mario-crespo-por-favor-nao-seja-um.html

Pingback de cinco dias » Música das esferas
Data: 5 de Fevereiro de 2010, 1:36

[...] muito de Carminho. Para ela a música não é um “direito”, nem um “valor”; como ela diz, “não é uma coisa especial”. Logo, terá de ser muito mais do que isso. O quê, [...]

Comentário de Maria**
Data: 7 de Fevereiro de 2010, 15:00

e o dignissimo henrique monteiro também puxa a sua brasa á sardinha de mário crespo lol: O sr Henrique monteiro de.

http://bit.ly/cUsRt4

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