Convém não confundir os comunistas com a CIA

“O despacho da pronúncia afirma que visitei a China e, em contacto com os dirigentes do Partido Comunista da China, tracei a orientação da CMLP e da FAP. Isto levanta todo o problema da posição internacional dos comunistas portugueses que é preciso pôr a claro. Antes de mais, é preciso dizer que estive de facto na China, em missão do CMLP, (tal como estive na Albânia) e que tive de facto conversações com dirigentes do Partido Comunista da China. Mas não tracei nenhuma orientação «em contacto» com esses dirigentes, não recebi quaisquer directivas para a acção dos comunistas portugueses, como o despacho dá a entender. Os comunistas de todos os países auxiliam-se mutuamente sem restricções, mas não têm partidos chefes e partidos subordinados, nem promovem revoluções telecomandadas. Convém não confundir os comunistas com a CIA. Somos o partido político do proletariado português e sabemos que a nossa tarefa é preparar a classe operária para que ela própria faça a revolução.”

Declarações de Francisco Martins Rodrigues durante o seu julgamento no tribunal plenário da Boa-Hora, ocorrido entre 5 e 12 de Maio de 1970

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17 Responses to Convém não confundir os comunistas com a CIA

  1. Aniceto Azevedo says:

    Assim como convém não confundir o Ricardo Noronha com os comunistas.

  2. o Marreta says:

    Convém também não esquecer como o sr. Martins Rodrigues, preso e sob tortura, entregou os seus camaradas muito “comunistas” à PIDE.

    É que há comunistas e “comunistas”. Uns traem e outros não. Pelo menu de conferencistas, ficamos logo a saber de qual cepa saem os ditos cujos. E isto leva-me à seguinte questão: Fernando Rosas e Pacheco Pereira não estiveram ao lado do Eanes,Soares & CIA no 25 de Novembro?

    Realmente, convém não confudir os comunistas com a CIA…

  3. Ricardo Noronha says:

    Tão idiotas como previsíveis e sempre disponíveis para a infâmia. Cinco pontos para a brigada brejnev.

  4. miguel serras pereira says:

    Caro Ricardo,
    pois é, há quem ainda não tenha percebido que os impropérios contra-revolucionários só qualificam quem os profere e que só honram os seus alvos, como é o teu caso aqui.
    Com a minha camaradagem e um abraço

    miguel

  5. o Marreta says:

    ah, ah, ah, ah!

    “Tão idiotas como previsíveis e sempre disponíveis para a infâmia” poderia ser uma boa classificação de muito conferencista da nossa praça!

    Se não tens jogo de cintura, treina com o hoola-hoop, até porque ninguém sugeriu que fosses “idiota” mas simplesmente “útil”!

    Agora a sério, ao invés de brincar ao calimero e de insultares quem te comenta, puxa da tua honestidade intelectual e explica-nos se o Fernando Rosas e o Pacheco Pereira estavam, no 25 de Novembro, ao lado dos trabalhadores e dos comunistas ou ao lado da CIA…

  6. xatoo says:

    Ajuizado será ouvir o máximo das partes para formar uma opinião
    Infâmia por infâmia, um recado para os “comunistas” do partido reformista” também se poderá ir buscar o caso de o Avante ter publicado o nome dos dissidentes que tentavam entrar clandestinamente em Portugal e a PIDE ter detido de imediato o Xico Rodrigues em virtude de tão prestimosa informação.
    Tal como na revolução espanhola, as facções que se pensam à esquerda digladiam-se entre si, e é com esse tipo de acções que a Direita tem saido sempre vencedora, por mais de 50 anos

  7. Renato Teixeira says:

    Marreta, devia esperar dois segundos antes de falar do que não sabe. Francisco Martins Rodrigues falou sob tortura. Pouco depois da sua morte foi publicado um texto onde com toda a frontalidade (aquela que poucos homens têm) assume como cedeu à Pide (porrada e coibição do sono, sabe o que é?). Aguentou dias a fio de tortura. Tenho para mim que a facilidade do seu verbo e do seu insulto vergariam ao cabo de poucas horas. Mas enfim… muito comunista para falar barato e não sabe peva da história do comunismo. Acha mesmo que alguma força política está isenta de pecados morais?

  8. Nuno Ramos de Almeida says:

    Acho intolerável este tipo de discussão. O Francisco Martins Rodrigues, assim como muitos militantes do PCP, merecem todo o respeito. Eram gente de outra tempera. Ninguém pode garantir que falaria ou não sob tortura. Não pretendo reeditar as polémicas entre extrema-esquerda e PCP em versão insultuosa. Nunca concordei com o Martins Rodrigues e acho que a direcção do PCP tinha razão no confronto ideológico com os maoistas, mas não teria aprovado os comentários do marreta. Acho que numa discussão política não há lugar para o insulto.

  9. Chuckie Egg says:

    “não teria aprovado os comentários do marreta”

    que o marreta é um parvalhão não há duvida mas o comentário que saltou foi o do renato, que faz parte deste blog. pelo menos tenho ideia que ontem estava cá outro comentário dele.

  10. mais um pra confusão says:

    Aqueles comentários e postas em que se acusa o PCP de trair as lutas já não são parvos nem provocações, serão análises políticas?

  11. zé neves says:

    o comentário do marreta acerca do francisco martins rodrigues é absolutamente nojento.

  12. Ricardo Noronha says:

    Olha Marreta, espero sinceramente que nunca te torturem. Ia-te fazer mal à saúde e às convicções.
    Não sei onde estava Fernando Rosas, mas terás na 6ª feira uma boa oportunidade para lhe perguntar pessoalmente. Pacheco Pereira estava, segundo disse o próprio a Maria João Avillez, em Viseu, a dar aulas num seminário (Do fundo da revolução, p.91).
    Mas a minha honestidade intelectual obriga-me a dizer que sei o que estava a fazer Álvaro Cunhal nesse dia fatídico de 25 de Novembro de 1975. Passo a citá-lo:
    “Esta invencionice [Cunhal refere-se à acusação recorrente de que o PCP procurara tomar o poder à boleia dos pára-quedistas], como argumento, deturpa dois factos reais:
    Um, as orientações dadas pela direcção do PCP na noite de 24 para 25 de Novembro a algumas das suas organizações para não se deixarem arrastar em atitudes ou na participação em aventuras esquerdistas de confrontos militar (caso do Forte de Almada e do RAL 1).
    Outro, uma conversa telefónica na mesma noite de 24 para 25 entre o Presidente da República Costa Gomes e o secretário-geral do PCP, Álvaro Cunhal, em que este, tendo tomado a iniciativa do contacto, nos termos habituais da ligação institucional com a Presidência da República,, comunicou ao Presidente, desmentido especulações em curso, que o PCP não estava envolvido em qualquer iniciativa de confronto militar e insistia em apontar a necessidade de uma solução política.” (A verdade e a mentira na revolução de Abril, p.219)
    E tu, onde é que estavas no 25 de Novembro?

  13. Aniceto Azevedo says:

    Censuraram-me aqui ontem um comentário, no qual eu pedia ao Marreta duas coisas:

    1 – Que não caísse no erro de misturar o Chico Martins com os novembristas de todos os matizes (sr. Serras Pereira incluído);
    2 – Que não proferisse as ofensas que proferiu sobre o mesmo Chico.

    A seguir, acrescentava eu (e daí talvez a censura): Marreta, sou eu que lhe peço isto, perceba bem. Deixe o Chico Martins fora disto. Sei do que falo. Eu – e não os Srs. Serras Pereira e Noronha, hipócritas encartados, que levam a vida a infamar vilmente (muito mais gravemente e com muito mais frequência do que aquilo que se queixam de sofrer) aqueles (muitos) «ratos de sacristia» e animais de esgoto afins que lutaram pela liberdade e que a conquistaram. Aquela mesma liberdade de que falam como se fosse coisa deles, propriedade deles, mania deles, conquista deles, mas que na verdade não foi: foram esses «ratos» incultos que a trouxeram (a sua conquista não foi uma manhã de jogging), até para que esses senhores, ridiculamente, os insultassem e vomitassem o seu ódio.
    Por isso, Marreta, deixe a infâmia para os infames. Verá que ela chega como o ciclo das estações. Verá que sempre que cheire a socialismo e a PCP – a infâmia e a vilania estalará todo o verniz com que se cobrem estes senhores.

  14. Ricardo Noronha says:

    Não é difícil ver quem é que insulta quem. Igualmente se nota que lhe faz confusão ver pessoas a desfrutar da liberdade, em vez de simplesmente falar dela com o tom solene com que você escreve. Tenho todo o respeito por quem lutou contra o fascismo e nenhum respeito por quem utiliza o anti-fascismo como pretexto para caluniar ou insultar pessoas que já estão mortas. Quanto ao resto, nada tenho a dizer a alguém que reivindica ser a única pessoa a «saber do que fala». Calculo que também seja a única pessoa interessada em ouvi-lo. Que façam boa companhia um ao outro, o sr.aniceto e o sr.azevedo.

  15. miguelserraspereira says:

    Aniceto Azevedo,
    os seus insultos só o enxovalham a si.
    Mas neste caso, à má-fé junta a ignorância.
    “Novembrista”, eu? Que sabe você disso?
    Trabalhava nessa altura na Vida Mundial, cujo director era Augusto Abelaira: Abelaira foi imediatamente demitido pelos vencedores do 25 de Novembro, e nós, a quase totalidade da redacção, recusámo-nos a retomar o trabalho a menos que Abelaira (outro “hipócrita encartado”, cuja cabeça o PCP tentara fazer rolar pouco antes, por “esquerdista”, por “melo-antunista”, e, em suma, as duas coisas ao mesmo tempo) fosse reintegrado e a linha editorial da revista mantida.
    Mas a minha pessoa e as lutas em que participei contra o fascismo pouco importam: o que importa é você não parar de dizer que sabe do que fala e depois dizer deste e daquele o que mais jeito lhe dá.

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