Excelente escola a do BE: parece que nos ensina a dizer algo dizendo nada

Há pouco, num debate na SIC Notícias, via e ouvia uma parte final de uma conversa (mais “conversa” que “debate”), entre deputados portugueses ao Parlameto Europeu – pelo pouco que ouvi, pareceu-me estarem a debater a recente “crise internacional” (uma coisa passageira e sem importância na história do capitalismo, diga-se de passagem). Ilda Figueiredo, do PCP, falava pertinentemente da década de 90 como década de retrocesso (ou década perdida, não me lembro bem): e falava do essencial – que os direitos dos trabalhadores, em todo o lado, retrocederam gritantemente, ao mesmo tempo que os lucros, os maiores lucros, se exponenciaram pornograficamente. Ora, isto eu entendo. Entendemos todos.

Mas antes saiu-se Rui Tavares com uma fenomenal síntese: a direita (supondo que Rui Tavares é homem de “esquerda”, pelo menos é do BE), errou ao colocar o mercado acima da sociedade. Agora, é altura de se colocar o Estado e o mercado a servir bem a sociedade (não estou a citar literalmente, mas havia aqui uma espécie de confronto entre o “bem” e o “mal”, e o problema é que eu não sei o que é nem uma coisa nem outra). Não, não me incomoda esta prosa vazia, o cliché aparentemente soft, redondo, a frase sem significação seja ela lida da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda. O que me incomoda mais é que eu não percebo a frase (a tese?) de Rui Tavares.

É que não percebo mesmo. Alguém me explica?

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