A liberdade de cometer um genocidio – mais de um milhão de mortos. Isto não incomoda Blair. Sabe não ser submetido a julgamento no Tribunal de Haia; este, sim, é que deveria sera sede do julgamento dele e dos comparsas dos Açores.
O “julgamento” como forma folclórica de pôr o passado a zeros; e partir para “um Iraque novo” iraquizado, como o Nixon noutra época vietnamizou a responsabilidade no governo fantoche. Um golpe mediático para lavar o crime (Obama já disse que a retirada está em marcha. Porém as 8 mega-bases militares entretanto construidas não saem. Permanecem para vigilância dos poços petroliferos). Com certeza ninguém está à espera de ver Blair e Bush, os dois juntos enjaulados numa cela da Torre de Londres
Chegado a Blair, o inquérito Chilcot foi o espectáculo mediático da deriva alucinatória dum primeiro-ministro. Os não-argumentos baseados na interpretação livre de ‘provas fortes’ que entretanto se esfumaram no ar foram repetidos, mais uma vez, independentemente de qualquer ponto de contacto, ainda que tangencial, com a realidade. Verdade seja dita, a firme defesa destas ‘razões’ e ‘certezas’ tem sido reiterada ad nauseum, enquanto milhares de iraquianos morrem. Mas houve novidades: o descalabro da ocupação deveu-se ao Irão e à al-Qaida (como não) e, um poucochinho, à falta de tacto dos Estados Unidos. Não fosse as patifarias dos mesmos do costume esta teria sido uma operação do mais limpo que há. Mas mesmo assim dá para lavar as mãos e seguir em frente.
O pior é que este foi também o espectáculo do delírio auto-legitimante de um regime onde se tentou aferir da justiça de uma guerra criminosa através da inquisição das qualidades pessoais dos envolvidos: o seu grau de certeza e de honestidade. Onde tudo o que é prova objectiva e legitimidade formal, para não falar de justiça substancial, é, para ser simpático, duvidoso, sobrou a questão do carácter individual dos protagonistas. Com isto pode ele bem. Com o seu tom salvífico, que mistura religiosidade, redundância moral e certeza absoluta, ele safou-se para que o regime se possa safar, cantando loas aos seus checks and balances. Afinal de contas, isto foi apenas mais um independent inquiry.
nf
em Nuremberga foi ainda pior, os filmes exibidos foram realizados pelo John Ford (ena, fiz um verso)
mas não se pode dizer nada senão um tipo é chamado de nazi, ou pior ainda, puxam-lhe pela pistola do anti-semitismo e disparam-lhe as democratissimas balas europeias da Lei Fabius-Gayssot
Dias depois, a BBC anuncia a descoberta de que houve pressões fortíssimas “vindas de Downing Street” para que se fizesse um relatório que justificasse (ou melhor, criasse) a invasão do Iraque. Há pressões do governo para que Gilligan desmentisse a história, mas os dirigentes da emissora pública deram apoio ao jornalista.
Outros jornais revelam o nome da fonte de Gilligan: David Kelly. Em 15 de julho de 2003, Kelly é interrogado na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento, negando ser a fonte de Gilligan. Em 16 de julho, é interrogado a portas fechadas pela Comissão de Segurança e Informações.
No dia seguinte, é encontrado morto.
E “desapareceu”. Também está na moda.
COLA O TEU CARTAZ, ACTIVISTA! 1. Imprime o cartaz. 2. Cola-o no local de trabalho, na escola, na mercearia, no café, na rua, onde te apetecer. 3. Fotografa-te, com os vizinhos, os amigos, o teu cão, junto do teu cartaz. 4. Envia-nos a foto para a página do Manifesto em Defesa da Cultura no Facebook e será publicada.
tribunal e dentro com o fofo lindinho. a escritora tambem pode seguir.
Proud to be flesh e mui reverente á Madonna di Trapani.
Orgulho de Morte
Estes são os bons assassinos, diria, assassinos democratas – Blair, Bush e afins.
A liberdade de cometer um genocidio – mais de um milhão de mortos. Isto não incomoda Blair. Sabe não ser submetido a julgamento no Tribunal de Haia; este, sim, é que deveria sera sede do julgamento dele e dos comparsas dos Açores.
O “julgamento” como forma folclórica de pôr o passado a zeros; e partir para “um Iraque novo” iraquizado, como o Nixon noutra época vietnamizou a responsabilidade no governo fantoche. Um golpe mediático para lavar o crime (Obama já disse que a retirada está em marcha. Porém as 8 mega-bases militares entretanto construidas não saem. Permanecem para vigilância dos poços petroliferos). Com certeza ninguém está à espera de ver Blair e Bush, os dois juntos enjaulados numa cela da Torre de Londres
Não há uma coisa chamada crimes contra a humanidade?
Chegado a Blair, o inquérito Chilcot foi o espectáculo mediático da deriva alucinatória dum primeiro-ministro. Os não-argumentos baseados na interpretação livre de ‘provas fortes’ que entretanto se esfumaram no ar foram repetidos, mais uma vez, independentemente de qualquer ponto de contacto, ainda que tangencial, com a realidade. Verdade seja dita, a firme defesa destas ‘razões’ e ‘certezas’ tem sido reiterada ad nauseum, enquanto milhares de iraquianos morrem. Mas houve novidades: o descalabro da ocupação deveu-se ao Irão e à al-Qaida (como não) e, um poucochinho, à falta de tacto dos Estados Unidos. Não fosse as patifarias dos mesmos do costume esta teria sido uma operação do mais limpo que há. Mas mesmo assim dá para lavar as mãos e seguir em frente.
O pior é que este foi também o espectáculo do delírio auto-legitimante de um regime onde se tentou aferir da justiça de uma guerra criminosa através da inquisição das qualidades pessoais dos envolvidos: o seu grau de certeza e de honestidade. Onde tudo o que é prova objectiva e legitimidade formal, para não falar de justiça substancial, é, para ser simpático, duvidoso, sobrou a questão do carácter individual dos protagonistas. Com isto pode ele bem. Com o seu tom salvífico, que mistura religiosidade, redundância moral e certeza absoluta, ele safou-se para que o regime se possa safar, cantando loas aos seus checks and balances. Afinal de contas, isto foi apenas mais um independent inquiry.
Será que foi assim em Nuremberga?
Bravo
http://almajecta02.blogspot.com/2010/01/avocatto-terrazini.html
nf
em Nuremberga foi ainda pior, os filmes exibidos foram realizados pelo John Ford (ena, fiz um verso)
mas não se pode dizer nada senão um tipo é chamado de nazi, ou pior ainda, puxam-lhe pela pistola do anti-semitismo e disparam-lhe as democratissimas balas europeias da Lei Fabius-Gayssot
Dias depois, a BBC anuncia a descoberta de que houve pressões fortíssimas “vindas de Downing Street” para que se fizesse um relatório que justificasse (ou melhor, criasse) a invasão do Iraque. Há pressões do governo para que Gilligan desmentisse a história, mas os dirigentes da emissora pública deram apoio ao jornalista.
Outros jornais revelam o nome da fonte de Gilligan: David Kelly. Em 15 de julho de 2003, Kelly é interrogado na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento, negando ser a fonte de Gilligan. Em 16 de julho, é interrogado a portas fechadas pela Comissão de Segurança e Informações.
No dia seguinte, é encontrado morto.
E “desapareceu”. Também está na moda.