Mais um excelente comentário de outro “arquitecto com voz”:
Gostaria de começar por expressar o meu total acordo com o que é dito no “comentário corajoso”. Antes de mais, pergunto-me onde está o espírito de união fundamental para que se façam mudanças. Por mim, sou também um “arquitecto com voz”; estou inserido nesse grande grupo de arquitectos em situação precária, e também tenho voz. temos todos! Gosto do que faço, quero continuar a fazê-lo, mas com o actual cenário de conivência com situações de incumprimento social torna-se muito difícil. Viver das esmolas e caridade de quem devia cumprir com deveres elementares de uma sociedade de direito que se auto-inclui no mundo civilizado é muito pouco para quem estuda e trabalha de forma séria e honesta. não se trata de querer uma parte do bolo que me deixe os bigodes cheios de rosas ou laranjas, ou chocolates; falo de alimento essencial, de estabilidade laboral mínima, de recompensa justa. o que se passa é triste, simplesmente porque coloca em evidência o espírito tacanho de vistas curtas por parte de quem governa (políticos e dirigentes) e também por parte de quem chefia (arquitectos em nome individual com gabinetes impulsionados para o topo através de trabalho precário) e esses sim, com os bigodes inundados de alimento. talvez um dia possamos todos nós exercer a nossa profissão de forma satisfatória quer sejamos arquitectos empregadores, ou arquitectos empregados e que, aliás, aproveito para informar a O.A. que são duas condições completamente distintas e reais. Basta querer ver para se poder efectivamente ver.
Este é um problema grave que se nos coloca. Cabe-nos a nós, que sofremos com essa mesma situação, fazer alguma coisa que constitua uma tentativa séria e responsável de lidar com o problema.




Acho que já me referi a isto e disse qualquer coisa como: Mandm-nos passear. Pela boca morre o peixe. Nos nossos dias, temos catrefadas de jovens a sair das escolas, dispostos a trabalhar sem qualquer remuneração para se inscrever na malfadada Ordem. Temos, enfim, alguma espécie de arquitectos a dizer e a apregoar que fazem projectos de “moradias” por 6 € o m2, ou por 1000 €, “moradias” de 300 m2, temos toda a sorte de pessoas dispostas a trabalhar ao preço da “uva mijona” nos ateliers, sem qualquer tipo de regalias. Já sem referir os que anunciam prestações de serviços nas secções de informática dos classificados, em conjunto com toda a sorte de curiosiosos e afins.
Eu, não quero saber. esse, não é o meu mercado.
Uma boa formação em Arquitectura tem um vasto conjunto de vertentes – artísticas, humanistícas, técnicas, etc… para além de tudo o que uma pessoa pode fazer em prol da sua formação.
Sustento que era fácil ineverter os papeis e esganá-los de fome, em vez de andar indefinidamente a correr atrás de uma “cenoura”.
Quem faz as regras são os tipos que em devido tempo se souberam alapar ao estado, às empresas públicas, às ordens e associações profissionais, que vivem à nossa custa e estão dispostos a tudo para manter a suaq situação, inclusivamente, sufocar tudo à voltas deles.
Por isso, defendo a lei da “rolha”. Há lugar para muita gente no ensino, nas industrias culturais, na gestão, na investigação (não, não é a fazer renders, embora não tenha nada contra).
Se virmos bem, mais importante do que construir, hoje em dia, talvez seja zelar pelo património, pela paisagem, pelo espaço público, pela sustentabilidade (palavrão), pela cultura outro palavrão).
De permeio, neste contexto, também é preciso construir.
Das duas uma. Ou se aplica uma lei da “rolha” ou vamos ficar à espera que estes tipos morram para poder trabalhar em condições.
Caso contráro, há a “mala de cartão”. Por acaso, agora estou a apostar na internacionalzição, mas através dos concursos. Quanto mais não seja porque perdido por cem, perdido por mil, e pelo menos divirto-me. E, ao contrário dos concursos cá, são mais estimulantes, acarretam poucas despesas ou nenhumas – só o tempo… – e, sempre se faz o gosto ao dedo…
É claro que, para poder fazer isso, também trabalho…
Raul, mas a verdade é que os arquitectos mais jovens, se não descerem uma parte dos honorários, nunca irão conseguir ter trabalhos que lhes permitam ter projectos. É verdade que a arquitectura é mais do que o projecto, mas também não deixa de ser verdade, que muitos “arquitectos dos projectos” minam o mercado nas outras vertentes e exploram os arquitectos mais jovens quando falamos noutras áreas. Como é do conhecimento geral, também é assumido que o “arquitecto projectista”, é também o “arquitecto licenciador” ou “arquitecto dirigente”, arrematando para si não só projectos de arquitectura, mas projectos de SCIE, projectos culturais, bienais, cargos decisores, o acto de licenciar ou autorizar, e o cargo de lançar processos disciplinares a colegas quando acham que este (ou aquele) se excederam nos seus diversos domínios. De facto, e depois de muitas conversas que tenho tido com colegas, chegamos sempre à mesma conclusão, idiota talvez, mas que muitos de nós em casos extremos dizem assim em surdina: “que estes tipos morram para poder trabalhar em condições”.
É com relativo interesse que acompanho este debate em torno da situação precária que também eu arquitecto com voz vivo. Afinal de contas vivemos numa democracia, democrata no momento do voto mas pouco ou nada populista no momento de seguir os seus principios. No fundo aprendemos que democratizar é dar voz, é dar oportunidade,trabalho a todas as “pequenas e grandes” pessoas.Afinal na constituição sempre somos escritos como ser “iguais” embora saibamos que no fundo o jogo de interesse pessoal ultrapasse o interesse do bem estar de todos nós. O estado, essa máquina de poder, reguladora do bem estar democrático deveria ser a primeira a insurgir nos interesses mais elevados de uns e corrigir as anomalias exploratórias de que a quase totalidade da nossa medrosa e timida classe é vitima.
È assim estranho relacionar o nosso caso com o já famoso caso das “senhoras” a dias, que não querendo inferiozar o seu trabalho vemos com algum desalento constatar que toda a nossa formação de 5 ou mais anos não ser mercedora de melhores condições. afinal quantos de nós recebem o que trabalham sem beneficio de seguro de saúde,sem beneficio do 12º ou até mesmo o 13º mês de vencimento, onde muitas vezes é descontando uma manhã passada nas finanças ou qualquer outro embroglio do dia a dia de um cidadão cumpridor. Será caso pa dizer e aconselhar aos futuros arquitectos que se deixem contratar como homens ou mulheres a dias no atelier, pois podem assim aprender a diafana de um atelier recebendo e beneficiando de melhores condições, quer de carga horária quer de melhor vencimento.
è concerteza ridicula a situação a que chegámos, pois todos sabemos que fortunas rolam nas mãos de quem está acima de nós e que ganância, ou por e simplesmente por capricho insistem em montar uma plebe ao seu serviço mantendo-a estratégicamente dependente e sem meios para explorar e desenvolver as suas capacidades intelectuais.
é caso pa dizer que só estamos assim porque alguém quer…agora digam-me quem é!!!??