Alain Badiou: Por detrás da lei do lenço islâmico, o medo

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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11 respostas a Alain Badiou: Por detrás da lei do lenço islâmico, o medo

  1. Luis Rainha diz:

    Aquele pedacito do “depois se possível em todo o lado” é um pouco forçado, não?

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Não sei, não reli o texto.

  3. ezequiel diz:

    concordo, Nuno.

    è medo, sim senhor. e o medo é um mau conselheiro.

    o estado Francês apenas está a exacerbar sentimentos de alienação SEM conseguir lidar eficazmente com o problema da imposição (contrária à liberdade de expressão) dos véus.

    Contudo, talvez fosse sensato notarmos que argumentação do estado Francês, tanto quanto consigo depreender (da leitura do texto parlamentar aqui colocado), não assenta na necessidade de proteger liberdades individuais (tendo como premissa que o uso do véu é uma obstrução da liberdade individual) mas no imperativo de preservar, a todo o custo, a identidade laica da republica francesa. Repara no seguinte: a constituição francesa diz que o ESTADO Francês é laico. Não fala da sociedade Francesa (a não ser que supuséssemos que o estado = sociedade francesa. O estado, os princípios que o regem, o regime de normas que o estruturam, podem muito bem ser laicos sem que isto faça com seja necessário implementar qualquer proibição (da burqa, neste caso).

    Cumps
    ezequiel

  4. Tenho saudades de quando os soviéticos andavam pelo Afeganistão.

    Quando eles lá estavam as pessoas começaram a andar à ocidental; as mulheres iam para as universidades e a religião estava fora da politica.

    Mas quem quiser andar de véu que vá para o Afeganistão, Paquistão ou Arábia Saudita, países que vivem sob regimes medievais.

  5. o texto do Badiou faz sentido no caso do véu tout court. Não colhe de maneira nenhuma no caso da burqa, ou seja, do véu integral. Aliás, duvido que neste contexto Badiou escrevesse a mesma coisa.

    enfim, é um texto que não serve para esta discussão; que é anacrónico.

    O Ezequiel parece-me que falha o essencial do documentom, que não é de maneira nenhuma a laicidade, mas um argumento ainda mais especioso, e com o qual estou inteiramente em desacordo: o argumento que se fundamenta protecção da ordem pública.

    aliás, o relatório é claro no que toca à improcedência da lógica da laicidade. é lê-lo com mais atenção. por isso o raciocínio do Ezeq estaria correcto, caso o relatório não fosse to great lenghts para dizer justamente isso: que são as instituições que são laicas e não as pessoas. daí a improcedência do argumento da laicidade do estado.

    não concordo minimamente com esta noção de laicismo, e lembro que ela é um enviesamento da sua formulação original, na qual se sublinhava que as instituições laicas só existem com indivíduos laicos. de outra maneira seria uma aberração.

  6. Diogo diz:

    A «questão do véu islâmico» é apenas mais um pormenor do «choque de civilizações», que se destina a colocar o mundo islâmico a ferro e fogo para benefício das petrolíferas, dos bancos e do complexo militar-industrial. Nada mais do que isso!

  7. Niet diz:

    Badiou sem véus- Nem por acaso, o Nouvel Observateur desta semana( de 28/1 a 3 de Fevereiro) contém um diálogo longo e pormenorizado entre B-H. Lévi e Slavj Zizek, a propósito da saida da “Ideia Comunista”- conferência de Londres 2009,com textos de Zizek, Badiou e outros- e de dois novos livros do autor do ” Século de Sartre “. Particularmente, Zizek, que desperta tanto interesse em Portugal, mostra-se um pouco mais: ” sou um esquerdista o mais pessimista que se possa imaginar! “; mas, apesar de tudo ainda lança esta mensagem a Lévy: ” Só a ajuda fraternal de uma esquerda mais radical pode a longo prazo salvar o que você,( B.H.L) defende : o universalismo, o feminismo e a emancipação igualitária em geral “. Portanto, temos que invalidar a falsa ideia de que BHL não serve para nada…No que diz respeito ao véu, em particular, há muitos tipos de véus e, a burqa, é um véu total…Há quem assegure que Sarkozy, o omnipresidente, como lhe chama o indispensável ” Le Canard Enchainé “, lançou a ” trovoada ” sobre a Identidade Nacional e o uso do véu islâmico no espaço público para, de forma perversa, passar a mão pelo pêlo ao eleitorado xenófobo e ultra-nacionalista de Le Pen. Manobras de política interna destinadas a inflectir uma queda abissal de popularidade nas sondagens do PR francês, a pouco meses das eleições regionais… Entretanto, para os fans de Badiou saibam que existe um Blogue com o seu nome. E este ano vai ter dois Colóquios gigantes, um deles na terra natal de Zizek. Badiou numa entrevista a um blogue, Éponge, em Agosto do ano findo, glosa em grande a sua cara tese sobre a” Ideia Comunista”, em variações múltiplas. E aponta, entre outras coisas:” 1. O momento actual é instável, movediço, inquietante e furado por relâmpagos ; 2. A dificuldade hoje não reside nas formas de crítica, mas na sua ultrapassagem afirmativa; 2. O regresso actual da violência de classe( sequestração de patrões, lutas de rua, revoltas dos jovens), rompe com o consenso parlamentar e torna de novo aceitável que possamos correr riscos por causa das nossas convicções, em vez de nos remetermos à mediação do Estado “. Salut! Niet

  8. ezequiel diz:

    Caro Nuno Castro,

    p.85. Une pratique aux antipodes…do dito relatório.

    Parece-me q a preservação da ordem pública, desta forma, é ainda menos defensável do que a defesa da sacrossanta laicidade do estado Françês. repare noutro detalhe do relatório, onde se afirma, mais ou menos explicitamente, que esta é uma prática inconsistente com a identidade europeia. ( ou seja, em termos formais, o argumento é semelhante ao efectuado pelos censores da Arábia Saudita)

    eu disse que na constituição francesa contempla-se apenas a laicidade das instituições e pretendia com isso situar um limite ( a laicidade DAS instituições) e identificar um acto que me parece ilegítimo: tentar fazer com que um atributo do estado (legítimo e defensável) seja entendido como algo que deve caracterizar TODA a sociedade. Aqui o argumento muda de figura, radicalmente.

    Cumps
    ezeq

  9. ezequiel diz:

    só mais uma nota para o Nuno Castro.

    Caro Nuno

    Os países onde os muçulmanos estão mais bem integrados são países onde não há imposições ou proibições deste tipo: EUA, Canadá, GB e Holanda. O que se deveria afirmar, através da não-interferência do estado nestes assuntos de indumentária, deveria ser a a inviolabilidade da liberdade de escolha (não tanto pela maioria que usa véu mas pela maioria dos cidadãos, incluindo a maioria islâmica. É esta maioria que não podemos alienar. Repare que este tipo de política acaba por alienar não apenas a minoria que usa véu mas a maioria dos muçulmanos que pode interpretar estas acções discriminatórias do estado laico Francês como um ataque ao Islão tout court. O facto de ser apenas uma minoria que usa o véu em nada altera esta lógica. Se a minoria pertence a um grupo social que é reiteradamente contemplado nestes processos deliberativos, é difícil argumentar que não se trata de discriminação.

    Contudo, esta questão é mais vasta e complexa. Tem q ver também com a re-introdução, por Sarkosy, do igualmente repugnante tema da identidade nacional. Há um contexto mais vasto que não abordamos aqui. Pena, porque este é assunto verdadeiramente interessante.

    cumps
    ezeq

  10. ezequiel diz:

    err: não tanto pela MINORIA que usa véu.

  11. Caro Ezequiel

    cai no erro de muitos comentadores. não falamos do véu; falamos da burqa – coisa radicalmente diferente.

    as medidas têm que ser, por maioria de razão, substancialmente diferentes. a burqa é um caso sui generis e deve ser assim tratado; ou seja, proibida.
    como alguém diz algures num dos posts ou comentários, o assunto deve ser deslocado para a violência doméstica, mai nada. é aí que faz sentido discuti-lo.

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