Os suspeitos do costume


A Ana Matos Pires, que costumo ler com gosto e proveito, vem chamar-nos a atenção  para um caso jurídico aberrante. Pelo meio, no entanto, a surpresa: descobri que uma das razões para a instrumentalização que algumas mães fazem dos filhos, durante os seus divórcios, pode ser um «efeito boomerang do machismo vigente».
Ou seja, mesmo quando vítimas aparentes, nós, homens, acabaremos por ser sempre algo culpados. Trata-se de uma culpa difusa e genérica, pecado original ainda à espera de sacramento redentor. O mais amantíssimo e gentil dos maridos está sujeito a cair como baixa numa destas batalhas com crianças de permeio; mas, bem vistas as coisas, tal pode ser apenas o danado bumerangue da malvadeza opressora dos seus pares, em voo involuntariamente justiceiro. Estamos tramados.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 respostas a Os suspeitos do costume

  1. Também tu, Luís? Achas mesmo que eu entraria na guerrinha pateta de gajos contra gajas, tipo estilo clube bolinha menina não entra? Achas que o progenitor alienante é sempre a mãe? Ora relê lá e se continuares a não compreender o que está implícito na questão que coloco pergunta-me, achas bem?

  2. Luis Rainha diz:

    Li tudo, julgo tudo ter compreendido e continuo sem ver a justificação da hipótese do bumerangue. Mas não insinuei em parte alguma que só as mães é que cometem essas cretinices.

  3. Então vamos lá ver se te consigo esclarecer (vou deixar-te um comentário adaptado de um outro que deixei na cx de comentários do meu post)

    Escreves “descobri que uma das razões para a instrumentalização que algumas mães fazem dos filhos, durante os seus divórcios, pode ser um «efeito boomerang do machismo vigente»”. Eu não escrevi que a instrumentalização materna era consequência do machismo vigente, escrevi outra coisa substancialmente diferente, disse “na maioria dos casos, o progenitor alienado é o pai. Por efeito boomerang do machismo vigente? Por maior eficácia manipuladora das mães? Pela pouca atenção que tem sido dada ao exercício efectivo da paternidade? Estou tentada a afirmar que pela miscelânea de todos estes, e mais uns quantos, factores que, deste modo, se configuram como etiopatogénicos.” Porque pegas só no “efeito boomerang do machismo vigente”, Luís, sem sequer relevares que coloquei um ponto de interrogação no final da frase? Desde quando os homens são os únicos responsáveis pelo machismo vigente? Seria outra discussão, mas inúmeras vezes as mulheres são as perpetuadoras do machismo, sobretudo quando se fala da educação de crianças. O que quis realçar, com essa do efeito boomerang, é que os progenitores masculinos – os mais frequentemente alienados da relação parental, repito – acabam por “apanhar” com as consequências da secundarização social do papel paterno, que não defendo. Lembras-te do burburinho que houve no ano passado aquando das alterações legislativas nestas matérias?

    Reescrevendo a tua frase de fecho “O mais amantíssimo e gentil dos maridos está sujeito a cair como baixa numa destas batalhas com crianças de permeio; mas, bem vistas as coisas, tal pode ser, de entre outros aspectos, tb o danado efeito bumerangue da tacanhez machista, partilhada e perpetuada por homens e mulheres. Estamos tramados.”

  4. Luis Rainha diz:

    Ana,
    Além do link para o teu post, escrevi “pode ser”. E, naturalmente, trata-se de uma pequena brincadeira, pouco mais. Não me venhas acusar de má-vontade por tão pouco.
    Por outro lado, e mais a sério, não sei se “a secundarização social do papel paterno” é mesmo consequência ou parte do tal machismo vigente: essa mitigação depende do contexto, da classe social, da área geográfica, da época, etc. (por exemplo, os meius avôs foram muito mais actuantes e dominantes na educação dos seus filhos do que as suas aquiescentes e educadas esposas). Mas fica recebida e bem-vinda a versão politicamente correcta 🙂

  5. Ai o caraças, homem, qual acusar de má-vontade, qual quê, que vidrinhos.

    Eu acho que é parte do dito machismo e por ele potenciado, assim efeito bola de neve a rolar pela encosta abaixo.

    (Essa do politicamente correcta aqui não percebi. Bom, a verdade é que fica sempre bem, dá muita compostura e serve para tudo, não é?)

  6. Luis Rainha diz:

    Temper, temper, milady. Não há anzol de provocação que não tragues…

  7. Temper? Why temper? Ou, como se costuma “a” dizer, temper o caralho (é o tema dia, ora vê e segue os links http://jugular.blogs.sapo.pt/1536484.html)

    Pelo-me por uma trinca, das boas, claro, das boas, e quando não gosto mordo e cuspo…

Os comentários estão fechados.