Única saída digna para Manuel Alegre: realizar a fractura absoluta (ou nada!!)
25 de Janeiro de 2010 por Carlos Vidal
DORIS SALCEDO. “Shibboleth” (Tate Modern/Turbine Hall). 2007.

(Detalhe)
Agora que a histeria daniel oliveiresca atingiu um ponto exaltante, com a sua estratégia ou desejo (ou provavelmente um desejo sem estratégia, coisa antiga quiçá, pois eu não conheço a personagem) de alcandorar-se a um nicho (pequenino, mesquinho, evidentemente) de um qualquer governo e a um posto de “elo de ligação” com o Partido chamado de Socialista (“elo” que pressupõe uma pertença de facto ao dito partido, embora iludida numa “militância” na coisa chamada BE), estratégia confirmada e consolidada em sondagens que o próprio veicula no seu “arrastão” alegremente; agora que o BE caminha definitivamente para o sonho desta personagem – ser um “partido” situado entre o PCP e o PS (ou seja, um subgrupo do PS, pois não há equidistância possível entre PCP e PS) – agora que até aqui o 5dias criou uma cátedra de Estudos Danieloliveirescos, agora é altura de pensar em coisas sérias:
1.
O Partido dito Socialista, com a direita parlamentar (a que pertence), chumbou todas as possibilidades e projectos de alargamento da protecção frente ao desemprego e para os desempregados (aqui e aqui, intervenção de Bernardino Soares, AR); tendo esse mesmo partido (a maior minoria da Assembleia, tendo para isso recebido uma percentagem de votos de irredutíveis, entre os quais Manuel Alegre, note-se), tendo esse partido, dizia, concluído negociações com a direita e extrema direita parlamentar para a viabilização de um Orçamento que repete receitas muito antigas (a saber: congelamento de salários, admissão à função pública de um trabalhador depois da saída de dois, o que significa o Estado – como muito bem sublinha o PCP – a ampliar os números do desemprego, privatizações), depois destes dados há pois que reler a entrada de Manuel Alegre na corrida presidencial com nova luz e abandonar definitivamente o comboio dos Estudos Danieloliveirescos, porque desse modo a perda de tempo é total e o entusiasmo do visado (do “estudado” na cátedra) não contempla ainda as nuances mais recentes, resultado de uma eleição legislativa que teve em Manuel Alegre um pilar importante, participante que foi em comícios Psocialistas em Coimbra, em favor de um amigo cuja única “medalha política” foi a de um dia, numa conferência, ter feito uma pergunta (!).
2.
Então, que dados novos temos aqui?
Os seguintes: já que a direita e extrema direita se coligaram (e a “esquerda grande” do BE deu origem antes à “direita grande”: PS-PSD-PP) e cimentaram as suas posições em torno do novo Orçamento, aceitará Alegre o alegre (ou menos alegre) apoio de uma “parte” desta aliança natural direita-extrema-direita (“parte” que é representada, claro, pelo PS)?
Depois, irá mesmo essa parte (o dito cujo “sucialista”) apoiar oficialmente Alegre?
Estará o BE realmente disponível para apoiar o assim escolhido candidato natural desse espaço direita-extrema-direita? Vai o BE navegar nessa águas (e a acreditar em D. Oliveira parece que sim)?
Irá, em manifestações públicas e comícios, o líder do BE, F. Louçã, juntar-se ao ultra J. Sócrates (que de governação e economia apenas sabe o que Teixeira dos Santos o manda saber, e nem isso, claro)?
Em suma, irá J. Sócrates governar com o apoio discreto (mas empenhado, no fundo) do PSD e PP e tentar eleger um presidente com o BE???
4.
Bom, por fim, um caminho; permitam-me que aponte a única saída digna para este imbróglio:

– Que Alegre, de imediato, se desfilie dessa organização grotesca que é o “PS”, e se não o fizer que assuma (de preferência sozinho, ou com o BE) as consequências. Que, DESFILIANDO-SE, o faça explicitamente, claramente, expondo as suas razões com nitidez (com quem rompe e porque rompe). Que dessa desfiliação imediata e de confronto resulte uma fractura irremediável dentro da coisa chamada “PS”, que dessa fractura (um processo de higienização da vida política portuguesa) emerjam os poucos (ou alguns) eleitores de esquerda que aí ainda se vão arrastando (na coisa “PS”) e que esses, eventualmente com Alegre, se disponham a lutar pelo seu espaço político e pelo seu candidato, candidato assim feito homem e político claro, que eventualmente (com seus ex-“PSs”) se pode juntar a sectores do BE, e talvez do PCP.
Partido Comunista Português que é, como sempre, o único lugar decente da vida portuguesa longe destas tramas abjectas.

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