Os Atalhos e a Bicicleta do Daniel Oliveira
25 de Janeiro de 2010 por Zé NevesNão sei o que o Daniel Oliveira pretende com este tipo de argumento. Sei que não procura um debate. Pretenderá apenas vencer os que considera serem seus opositores? Se é isto, bem que pode ficar com a bicicleta. Há quem, em nome de uma suposta génese “revolucionária” do Bloco de Esquerda, critique o Daniel Oliveira dizendo que o Daniel Oliveira defenderia propostas de conteúdo “reformista”. O meu problema é outro e aquele tipo de críticas não me interessa de todo. O meu problema não reside no facto do Daniel Oliveira defender isto ou defender aquilo mas sim o modo como tende a fazê-lo (nem sempre, por certo), procurando simplesmente naturalizar um seu ponto de vista subjectivo ao apresentá-lo como o ponto de vista objectivo, que só aqueles que não têm os pés assentes na terra é que poderão cair no erro de rejeitar. Atalhar o debate do modo que o fez implica privilegiar uma determinada forma de conhecer a “realidade”, em que só é possível reter o que é unívoco, permitindo-lhe assim confirmar ou desmentir a sua posição. E é assim que, em lugar daqueles que, mostrando-nos a necessidade de nos atermos à “linha justa”, para tanto invocavam as leis de ferro da dialéctica da natureza, temos hoje o Daniel Oliveira, que, em seu apoio, invoca as justas percentagens dos estudos de opinião. Não creio que as coisas melhorem.

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