Um apoucado insurgente decidiu que nem eu nem o Nuno podemos viajar sem antes se ter derrubado o Capitalismo. Para ele, não somos indivíduos mas sim parte de uma coisa a que ele chama: “A malta”. Ao que parece, é bastante mais fácil pensar em todos aqueles que não pensam como nós como sendo uma só criatura. Simplifica-lhes a vida e minimiza a necessidade de pensar. Portanto, eu e o Nuno andámos «a prometer pancada em nome da revolução do proletariado», apesar de não me conseguir lembrar de tal evento.
E irrompe logo na partitura o coro desvairado do costume: «Esta malta é endinheirada. Não podiam ajudar o pessoal da BelaVista, do Lagarteiro e outros bairros vítimas da opressão capitalista?», angustia-se um. «Para isso é que temos o Estado. O dinheiro deles não serve para esses fins», esclarece logo outro tonto.
Duvido que estas necedades mereçam resposta. Não me parece que o tal “Miguel” saiba se eu ajudo alguém ou não. E até é verdade que penso que o Estado deve cuidar de muita coisa; para isso é que eu – e as empresas de que sou sócio – pago impostos que devem bastar para prover uma tribo inteira de Miguéis.
Se calhar, a Morgada é que tem razão e o problema desta malta é inveja. Voltem lá para a praia de Caxias e deixem-me esquiar em paz.





O LR deve conhecer o “Miguel” de algum lado para lhe ter chamado “tonto” e o rapaz não lhe ter censurado o comentário.
De resto nem se apoquente muito. Aqueles neo-feudais disfarçados de liberais têm vozes que nunca chegarão ao céu.
Já não é a primeira vez que nos cruzamos. Mas que explicação é que poderá haver para se presumir do que é que os outros fazem ou não fazem para ajudar o próximo? Ou má-fé ou tontice. Optei pela menos ofensiva.
Hombre, isso é a lúmpen (muito lúmpen) burguesia a falar. É gastar cera com gente cuja capacidade de entendimento é inversamente proporcional à desonestidade intelectual.
E agora já se responde a qualquer mentecapto que consiga enunciar um qualquer lugar-comum daquela direita “nunomeleira”, mais pacóvia? “Aproveite agora enquanto não são ilegalizados esses prazeres burgueses” dar troco a isto? Seriously?
Camarada Raínha,
Desconhecia que o irritava ser incluido num colectivo. Pensei que tal fosse um elogio para alguém com as suas convicções políticas. Irei respeitar o seu individualismo daqui em diante.
Como disse à sua camarada Morgada, parece-me que o Luis ignora uma das grandes vantagens do comunismo: o facto de poder aplicar os seus princípios redistributivos em qualquer sistema político, mesmo no mais selvagem sistema capitalista. Por exemplo, você pode perfeitamente abdicar dos seus rendimentos em favor dos mais desfavorecidos até ao ponto em que esse rendimento iguala o rendimento médio da população. Claro que se chegasse a esse ponto, teria que se contentar com a praia de Caxias nas suas férias. Mas estes seriam os custos da coerência para quem defende a igualitarização. Independentemente da quantidade de impostos que paga, não me parece que ainda tenha chegado ao ponto de passar férias em Caxias como o português mediano.
Por último, só para esclarecer, não tenho nada contra o facto de gastar o seu dinheiro como bem entender. Muito pelo contrário. Não pode é depois vir exigir que os outros, através do estado, apliquem uma moral redistributivo que você mesmo não aplica aos seus rendimentos.
Boas férias.
Já agora, convém realçar que o meu comentário tem pouco que ver com a lógica do desprezível comentário do Ferreira Fernandes. Os comunistas, felizmente, não dominam os meios de produção e têm que se sujeitar ao que aparece. Pelo contrário, controlam o destino dos próprios rendimentos após impostos, e é aí que podem aplicar os princípios políticos que defendem. Mas eu compreendo que seja complicado..
Mais uma vez: a forma como eu aplico na minha vida particular os tais princípios é-vos absolutamente opaca e assim continuará. Logo, não entendo bem a vontade de exarar sentenças sobre a mesma.
Mas se pago a tempo um montão de dinheiro em impostos, parece-me razoável desejar que seja bem empregue.
Caro Carlos,
Infelizmente, fui em trabalho à Tailândia, mas se tiver dinheiro e trabalho pretendo voltar como turista. Fora isso, devia saber que a direita é que confunde justiça social com caridade, a esquerda pretende que toda a gente vá de férias. Como se lembra, as férias foram uma conquista da frente popular.
Com toda a consideração,
Nuno
é lúmpen-burguesia, é lúmpen-burguesia, é lúmpen-burguesia.
é estúpida, é estúpida, é estúpida.
“a esquerda pretende que toda a gente vá de férias”
Deve ser verdade. Estive em férias em Cuba e aquele destino de férias estava cheio de cubanos. Andavam todos de t-shirt e chinelos, a gozar o Verão.
JCD,
Sempre com os seus comentários profundos. As férias, como outros direitos dos trabalhadores, foram uma conquista da esquerda. Nos ex-países socialistas, como a RDA e a URSS, eram até pagas pelo Estado. Lamento-lhe informar que eu estive em trabalho na Tailândia, no Brasil, no México, na Colômbia e não reparei que os pobres tivessem de férias. Mas continue a insistir. Talvez um dia diga alguma coisa acertada.
com toda a consideração,
Nuno
O meu suposto chefe – já que sou recibo verde – diz que a direita tem preocupações sociais e que nunca ninguém aumentou tanto os pensionistas como o psd-CDS.
Neste e noutros blogues prova-se à exaustão que na direita é só malta cheia de procupações sociais. Seria de rir à gargalhada se não fôssemos sucessivamente governados por eles.
Parece que os pachequinhos também não dormem em serviço…
Ora cá temos outra conquista social da direita
http://www.publico.pt/Sociedade/seis-em-cada-dez-familias-portuguesas-com-dificuldade-em-pagar-saude_1419735
Tens a certeza de que pagas todos os teus impostos ao Estado????