Na mouche

Estranhamos que o Bloco de Esquerda possa declarar publicamente o seu apoio a um candidato sem lhe conhecer o programa político, nem os apoios políticos.
Não compreendemos a razão da pressa nem conhecemos a justificação do momento escolhido para, a um ano das presidenciais, o Bloco anunciar o seu apoio à candidatura de Manuel Alegre.
Não entendemos, a um ano das eleições e com todos os cenários políticos em aberto, como pode o Bloco ter a certeza de que não surgirá outra candidatura à Esquerda que preencha os requisitos aprovados em Convenção, que una a Esquerda, que seja oposição a Cavaco Silva e que seja alternativa consequente às políticas de Direita do Governo de Sócrates.

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33 Responses to Na mouche

  1. David says:

    Ora bem, temos o “remake” da declaração unilateral de Louçã após o repasto de Alegre em Portimão. Convém! E é de esperar que Louçã reanuncie o mesmo todas as semanas nos tempos mais próximos. Que as estruturas do BE não tenham sido consultadas é coisa de somenos importância. Afinal, o homem gosta de aparecer nas notícias, a debitar sobre tudo e mais alguma coisa. Os militantes do BE deveriam questionar-se sobre esta irresistível tendência para um culto de personalidade normalmente associado a Estaline e a Mao, entre outros. E, para Alegre — em quem eu nunca votaria –, trata-se de um presente envenenado. Cavaco agradece! E, quem sabe, talvez venha a condecorar Louçã…

  2. o marreta says:

    É tudo uma questão geracional:

    Louçã e a maioria dos altos dirigentes bloquistas já têm mais de 50 anos… É agora ou nunca! Para poderem “provar” a validade das suas propostas já não lhes resta muito mais tempo: ao fim de 10 anos chegaram aos 10%, ora fica claro que ou vão para o governo à boleia de alguém (Alegre e seus muchachos) ou chegam lá com as minhas artroses, o meu senilismo e a minha idade – o mesmo é dizer que não chegam lá.

    Eu acredito na tomada do “Palácio de Inverno” – eles deixaram de acreditar

  3. Rui F says:

    O BE é plural, seguramente o partido mais plural da esquerda.
    Actualmente dentro do BE há gente que em 1986 votou Soares, Zenha e Pintassilgo.
    Uma parte do BE está com Alegre independente da maioria não se se rever totalmente nas suas ideias. Outra parte, prefere outro candidato de esquerda, mais unificador e outra parte do BE ainda não tomou partido.
    Qual o problema nisso?
    È a grande diferença entre PCP e BE: Não há uniões forçadas nem ninguém impõe nada a ninguém.

  4. o marreta says:

    Rui F.:

    vai dizer isto a estes teus marretas da mesa nacional

    http://troll-urbano.blogspot.com/2010/01/sobre-o-apoio-do-be-manuel-alegre.html

  5. Tiago Mota Saraiva says:

    Rui F. o argumento da pluralidade é fantástico!
    Para seu azar, o PS é que detém a patente desse argumento para fazer com que o voto de esquerda ajude a eleger o comissários das empresas temporárias, os mesquitas dos parques, o lello, os tipos da banca, etc… O BE é melhor do que isso. Não abdicou da política e os seus dirigentes não são uma agremiação de trafulhas unidos pela vontade de fazer negociatas.

  6. Rui F says:

    Tiago

    Não seja desonesto ao misturar alhos com bugalhos nem fazer confusão com uma coisa que eu não disse. A patente que o PS tem é a do trafulhismo, Sócratinismo e não a pluralidade.

    Que o BE nasce da pluralidade e união das esquerdas é um facto, que você queira quer não. Isto dá azo a que suscitem no seu interior várias sensibilidades.
    Que o Louçã se precipitou ao falar em nome do BE, é um facto, mas não vejo nisso mal nenhum. Sabemos já qual o lado da barricada que ele ocupa.
    Ao menos não se candidata o que já é uma boa contribuição para a união das esquerdas.

    Cabe agora ao Alegre provar qie consegue unir as esquerdas.
    A mim ainda não me provou absolutamente nada, antes pelo contrário.

    E por favor, não confunda trafulhismo com pluralidade.

  7. Alexandre says:

    Mais um gesto que, além de demonstrar uma falta de cultura de debate que o bloco sempre afirmou ter, é precipitado e mostra que a direcção têm em fraca conta a capacidade da esquerda para encontrar um candidato.Sim, porque ser de esquerda é ser anti-capitalista e pró activo nessa luta, e é ser contra os interesses instalados e clientelismo politico. Poucos tem subsistido á custa do estado tanto tempo Como Manuel Alegre, e a meu ver as suas declaraçoes e actos (principalmente pela falta de coragem de se desvincular do p.s e confrontar José Sócrates), assim como as suas propostas politicas ou ausência delas não fazem dele um candidato da esquerda. Mas a esperteza saloia do bloco na figura do timoneiro Louça fala mais alto,e com pena minha o que vai acontecer ao bloco vai ser o que aconteceu á rifundazione comunista italiana e outros congéneres europeus:ao quererem ser carne e peixe, não são é nada. São uma muleta para oa auto proclamado candidato de esquerda, que ainda vai conseguir vergar a esquerda parlamentar á sua inevitabilidade.Eu não voto com olhos fechados.

  8. isabel faria says:

    Rui, o único problema disso, é que a parte que “está com Alegre independente da maioria não se se rever totalmente nas suas ideias”, apresentou essa como a posição oficial do Bloco antes de ouvir os militantes e antes da MN (a Direcção do Bloco!) se pronunciar.
    O problema disso é que a parte que ainda não tomou partido, não tomou partido, essencialmente, porque não foi ouvida.
    Era sobre isso o documento.

    E já agora, um esclarecimento: a parte que dizes que prefere outro candidato de Esquerda, não prefere exactamente outro candidato de Esquerda…o que as pessoas que assinaram este documento (estou a falar-te neste documento e não no apoio ou não a Alegre, porque é deste documento que trata o post do Tiago), qreiam saber era quem foi ouvido, quem decidiu, porquê agora, se quem tornou público o apoio político conhecia o programa, os apoios políticos (perguntas ainda não respondidas)…
    O que neste documento é contestado, não é, exactamente o Alegre (aqpesar de alguns camaradas que o subscreveram, eu incluída, já term deixado claro que não farão campanha por Alegre), o que é contestado é a política do facto consumado, da ratificação em vez da discussão.

    E sabes, Rui, das pessoas que assinam este documento, quase que “ponho as mãos no lume” (não encontro outro termo mais adequado!!), que nenhuma quer sair do Bloco e entrar no PCP. As comparações sobre democracia interna não fazem, pois, aqui, nenhum sentido.

  9. LAM says:

    Concordo com o que diz Isabel Faria. Os críticos deste episódio, chamemos assim, do BE, e falo como mero apoiante/votante, não estão a pôr em causa o partido nem os valores que defende. E, sendo vozes críticas como parece, muito menos trocarão o BE pelo PCP. Como dizia a música “pra pior já basta assim…”.

  10. rev says:

    “Louçã é um Cavaco do avesso. Estou farto das lições de moral. Não aceito a direcção espiritual de Louçã que parece ter errado a vocação. Ele deixou de combater Cavaco Silva e persiste em combater as forças de esquerda. Ele anda aqui atrás de uns dinheiros e de uns votozinhos. Eu sou de outro campeonato. Eu tenho um passado político de luta e de resistência, Louçã não sei se tem.”
    Manuel Alegre na campanha eleitoral de 2006.

    Manuel Alegre votou no dia 14 de Outubro de 2006 a favor da proposta de Lei de Nacionalidade do Governo que negava a nacionalidade automática aos filhos de imigrantes nascidos em Portugal.

    O orçamento do queijo limiano” do Governo Guterres foi aprovado à custa do vergonhoso negócio da compra do voto do deputado Campelo. Manuel Alegre podia ter impedido esta nódoa se tivesse juntado os seus votos aos dos dois deputados bloquistas.

    Manuel Alegre foi sempre deputado desde que há eleições livres em Portugal. Com o 25 de Abril foi nomeado coordenador da RDP cargo que suspendeu em 1975 com a eleição para deputado. Em mais de trinta anos por ser deputado nunca mais exerceu funções na rádio continuando contudo a efectuar descontos como funcionário. Não trabalhava mas fazia descontos. Por essa razão teve direito a uma reforma vitalícia de 3 219,95 euros que agora acumula com a reforma de deputado. Manuel Alegre, questionado, disse desconhecer que estava a descontar para essa reforma. Manuel Alegre, diga-se, não cometeu nenhuma ilegalidade, mas este processo não o honra.

    Manuel Alegre votou o aumento da idade da reforma, a alteração da fórmula de cálculo das aposentações (um aposentado em 2005, com a nova fórmula, perdeu 10% na sua pensão – eu perdi 13% – e as gerações que entraram agora no mercado de trabalho vão perder quase 50%) sem cuidar de olhar para quem estava à porta da saída. Votou ainda por duas vezes contra as propostas do Bloco e do PCP pela reforma aos 40 anos de idade, independentemente da idade. Votou o aumento do IVA. Apoiou as privatizações no sector energético.

    Chega???

  11. Rui F says:

    Isabel

    Faz todo o sentido estar magoada ou até mesmo incrédula.
    No meu caso pessoal, sendo aderente com responsabilidades apenas na concelhia, não

    Eu já disse que o Louçã se precipitou ao colar o Bloco ao M Alegre. O Máximo que poderia acontecer era ele, Louçã, colar-se a Alegre a titulo pessoal.
    Aliás no meu ponto de vista, é Alegre que deveria pedir o apoio FORMAL do Bloco.

    Para finalizar. Isabel, eu não falei em trocas entre partidos.
    Reconheço que não deveria ter metido o PCP ao barulho. Se o fiz foi para realçar mais o “anti-centralismo” (não arranjo termo melhor) e a pluralidade (que o Tiago diz que é exclusivo do socialismo trafulha) que o Bloco tem e o PCP não.

    Saudações Bloquistas

  12. José Silva says:

    Isabel Faria,

    a Isabel foi eleita para a Mesa Nacional do BE numa lista C que tem como grande objectivo politico denunciar a todos como a direcção do Bloco de Esquerda é traidora.

    E sempre que vão a Convenção expõem eloquentemente e a plenos pulmões as vossas criticas aos militantes mas também publicamente porque todo o congresso é aberto aos media. E uma e outra vez saiem clamorosamente derrotados – 90% dos militantes do Bloco discorda de vocês e o grande crescimento do Bloco nos últimos 10 anos vem provando como a orientação da maioria tem estado correcta.

    E foi isso que o Louçã fez quando se mostrou favorável à candidatura do Alegre – demonstrou o apoio da direcção do Bloco à candidatura. A direcção é eleita por uma orientação e, como já muito bem explicou o seu colega de blogue Renato Teixeira ao João Delgado na caixa de comentários do post Socrates-Alegre, a moção A defendia a necessidade de uma candidatura unitária da esquerda. A grande maioria do Bloco defende isto e a direcção não fez mais do que expressar essa vontade.

    Quando a Isabel e outras pessoas dizem que a direcção “apresentou essa como a posição oficial do Bloco antes de ouvir os militantes e antes da MN” estão a mentir e sabem disso e vivem bem com isso, pelos vistos. A posição oficial foi tomada ontem após Mesa Nacional.

    A Isabel e mais pessoas da moção C andaram a recolher assinaturas pelo partido e muito bem. Dos milhares de militantes do BE recolheram umas bastante respeitáveis 57 assinaturas de pessoas que partilham da vossa opinião. Agora respeite a democracia do seu partido por favor e assuma a sua derrota. Defenda que o Alegre é uma má escolha como faz muito bem o Renato, o Zé Neves e outros, agora não venham falar de democracia interna. Sabe qual é a grande diferença entre pessoas como a ISabel para pessoas como o Renato? É que não são coerentes. O Renato, embora com posições divergentes, é muito mais próximo, no que toca a certos princípios, à grande maioria das pessoas que estão no Bloco: somos todos incapazes de militar num partido em que não acreditemos que seja democrático. Não me parece nada bem que a Isabel, João Delgado e toda a trupe do Ruptura esteja num partido que ache que é anti-democrático. E é aí que começam a perder a legitimidade politica das vossas posições diferentes da grande maioria. É por isso que a confiança política com essas pessoas, mesmo ao nível da base do Bloco, é perto de nula.

    No resto estou completamente de acordo com o Rui F – qualquer tentativa de comparar a democracia interna do Bloco com qualquer outro partido da esquerda encrava nos geradores que vão abaixo no congresso do PS e nas votações de braço no ar e de lista única e de porta fechada do PCP.

  13. PortelaMenos1 says:

    não houvesse outras razões, só o facto da tralha “Soarista, Lelista, Vitorista…) estar nervosa e mostrar que o PS vai ficar dividido sobre Alegre, já era um bom serviço ao país.

  14. isabel faria says:

    José Silva, que tristeza!!

    “E foi isso que o Louçã fez quando se mostrou favorável à candidatura do Alegre demonstrou – o apoio da direcção do Bloco à candidatura”…
    “A posição oficial foi tomada ontem após Mesa Nacional.”

    Palavras para quê??

    E quanto ao que lhe parece bem, ou não meu caro…pois se quiser a minha opinião, eu também não me parece nada bem ter no meu Partido gente como você…mas que posso fazer? Pelo menos até ao final do meu Mandato na MN deve ir levar comigo. Costumo honrar os meus compromissos.

    Ah, é verdade o BE dá, com toda a razão, uma grande importância às redes sociais: quer que lhe ensine a criar uma conta no Facebook?? Sei lá, por causa das contas…dos tais 60 que você diz que são 57…até pode aprender a conter a arrogância.

    Ainda mais uma coisa: quando encontrar uma declaração minha a chamar traidora à Direcção do Bloco, volte a dirigir-me palavra…até lado, contenha o ódio. É irracional e tão diferente de qualquer critica política que quem sai a perder é o Bloco…quem não seja militante ainda vai pensar que todos os meus camaradas da maioria, são assim…e não são. Aliás acho que assim, só mesmo os cobardes que se escondem num José Silva. E esses devem contar-se pelos dedos de uma mão.

  15. isabel faria says:

    Rui, não é bem de mágoa que se trata…o BE tem estatutos e tem uma Convenção. E mesmo que a linha que sai da Convenção não seja a minha, democraticamente aceito-a. Na Convenção vem um parágrafo sobre as Presidenciais. Esse parágrafo precisava de ter sido discutido, quanto mais não fosse porque tinha duas hipóteses, não o foi. E acho que tanto o deveria ter sido discutido nas Concelhias, como na MN. È isso que dizem os Estatutos. Para mim ratificar nunca será o mesmo que discutir. Muito menos que decidir.

    Sempre fui contra o centralismo democrático. Por isso te disse que não fazia sentido as comparações com o PCP. No PCP não há democracia interna, ponto. Por isso (entre muitas outras razões) não estou lá.
    No Bloco quando acho que não há, reclamo. Por isso lá continuo. E por outras tantas razões. Apesar dos Zés Silvas…

  16. José Silva says:

    Tem razão são 57. No seu blogue li que tinham assinado “57 militantes mais os trolls” e só fiquei com o numero 57 na cabeça, tem toda a razão.

    Sobre o comentário “palavras para quê”, estava à espera que aqueles que como o Louçã têm a responsabilidade de representar o bloco e a politica do bloco não seguissem o que foi definido em Convenção? Se tem dúvidas, vá ao Renato Soeiro que ele explica-lhe como o apoio a uma figura capaz de unir a esquerda foi aprovado por larga maioria em Convenção e como foi depois reforçado na Mesa Nacional. Até admito que alavanque a sua divergência discutindo se Manuel Alegre será essa figura capaz de unir a esquerda, o que já não pode é dizer que não há democracia. Ou só há democracia quando os outros pensam como a Isabel?

    Continuo à espera da sua resposta e de muitas outras pessoas (não tenho obtido muitas, de facto) sobre como podem estar num partido que consideram anti-democrático. É uma dúvida que nunca me conseguiram explicar.

    Eu acho que nós temos de ser coerentes com aquilo que defendemos e acreditamos.

    Mas aí, como dizia o outro, talvez anti-democrático já não signifique nada. Talvez as palavras, para alguns, sejam só bolinhas de sabão.

  17. José Silva says:

    É de mim ou a Isabel já só está a contra-argumentar com base no facto (que não desminto) do meu nome ser banalissimo…?

    Metida em políticas e em blogues já devia estar habituada a mais qualidade no debate.

  18. isabel faria says:

    José, para sermos honestos na discussão. O parágrafo em causa que saiu da Convenção, sobre as presidenciais (o único) dizia assim:

    “O Bloco de Esquerda defenderá a necessidade de uma candidatura presidencial da convergência mais ampla possível para a luta política da esquerda, sem prejuízo da possibilidade de apoiar uma candidatura
    da sua área política no caso em que essa alternativa não se concretize.”

    Para além de não entender porque me manda ter com o meu camarada Renato Soeiro, que já deve ter ido para Bruxelas, pois é lá que trabalha (e porquê o Renato?), gostaria de lhe dizer que não costumo precisar de ir a alguém para ler portugês.

    Explique-me, pois, assim como se eu fosse muita burra, onde está decidido na Resolução final da Convenção que o Bloco apaoiaria Manuel Alegre. Expelique-me ainda, se conhece o Bloco e os seus Estatutos, quem deveria ter discutido e decidido entre as duas hipóteses – candidato da “mais ampla convergência” ou candidato próprio, e quem deveria ter sido ouvido para “encaixar” Alegre ou não nesse perfil. E discutido o timing do apoio público, já agora. Ou também está nesse parágrafo milagroso?

    E já agora, explique-me ainda quem deveria ter sido ouvido para explicar que amplas convergências Alegre conseguiu desde a Convenção (falar do Comício de Coimbra, ao lado de Sócrates, não vale!).

    Quantp à Convenção, estamos conversados. Quanto ao reforçado pela MN não sei do que fala. Nunca até ao passado Sábado (o doc foi entregue Sábado, antes da discussão e depois do apoio público de Francisco Louçã, dias antes e tem a data de 19 de Janeiro) a MN tinha discutido presidenciais. Muito menos DECIDIDO Presidenciais. As resoluções da MN são públicas. Apresente-me aquela em que esse apoio está “reforçado” e decidido.
    Se foi falado? Possivelmente. Eu até fui capaz de já ter falado algumas vezes no Dr. Fernando Nobre ou em Manuel Carvalho da Silva como candidatos à PR…vale o que vale: opiniões individuais.

    Você fez uma afirmação grave. E é essa que, para ser sério na discussão, o desafio a provar: que eu, Isabel Faria, com quem fala aqui, ou a minha Moção (a Moção, lembro-lhe, o documento, quem falou – repito o falou, porque a Moção C não se transformou, por opção política, em corrente dentro do BE, logo terminou quando terminou a Convenção – em nome dela) alguma vez chamamos traidora à Direcção do BE.

    Para terminar: o que nos une a um Partido é muito mais que o seu funcionamento interno. O que nos permite discutir e, muitas vezes, denunciar esse funcionamento interno, é que somos cidadãoes livres, muito antes de sermos militantes.

    Não vale a pena fazer-me convites (desafios) para sair. Já outros que respeito muito mais que a si, o fizeram antes. Sem resultado. Como escrevi uma vez, só bato com as portas quando quero. Perdem o vosso tempo.
    Para mim, neste momento ser coerente com o que acredito é lutar dentro do meu partido pelo Partido que acredito se criou no Começar de Novo – o tal de alternativa ao stalinismo do PCP e ao neo-liberalismo do PS…no dia em que achar que perdi a guerra, aí sim, o José Silva ver-se-á livre de mim. E, coerentemente, ficará aliviado.

    Não me venha com tretas da banlidade do nome. Vá lá, seja sério.

  19. isabel faria says:

    Só mais um esclarecimento ao José Silva: dos 60 camaradas que assinaram o tal documento, só 26 (creio ser o número exacto) é que subscreveram a Moção C. ~
    Os outros 34 foram subscritores das Moções A e B.

  20. Tiago Mota Saraiva says:

    Isabel e tod@s, acho fantástico que o BE nunca consiga discutir a sua organização interna sem se comparar ao PCP e, logo assumindo uma postura de superioridade.
    Nunca, repito nunca, um secretário geral do PCP anunciou uma posição política sem que fosse discutida pelo colectivo partidário. Poder-me-ão dizer que só terá sido discutido nas cúpulas, sem a opinião dos plenários de militantes, pois é disso que se trata quando se fala em centralismo democrático. Recordo que para a declaração de apoio ao Soares foi realizado um Congresso.
    O anúncio de Louçã não é centralismo democrático pois, como se viu não estava mandatado pelas estruturas do partido para o fazer. O anúncio de Louçã representa a centralização da decisão política numa pessoa.

  21. João L says:

    E eu a achar que o Manuel Alegre era um bom candidato da Direita…
    pelo menos nas ultimas eleições foi. Lá terei eu que mudar o meu Voto.

  22. isabel faria says:

    Tiago, efectivamente nunca defendi o centralismo democrático. sabes que essa é uma das razões porque nunca estive no PC…apesar de concordar com a análise que fazes, que o que aqui se trata não é de centralismo democrático…

    De qualquer forma tens toda razão. A discussão não era sobre o PCP e eu acabei por me deixar enredar na teia.

  23. João Delgado says:

    Caro “José Silva”

    Agradeço o convite para sair do Bloco mas apenas tenho a dizer-lhe que a minha militância partidária é decidida por mim próprio, imagine lá…
    O papel que o senhor veio aqui fazer é repelente, espero bem que não esteja a ser pago para tal.

    Passe bem.

  24. José Silva says:

    Limito-me a perguntar o mesmo que o Renato vos tem vindo a perguntar nas caixas de comentário deste blogue (e só por essa razão o evoquei o Renato, porque ele mesmo colocou esta questão anteriormente) e que é esta coisa simples: como é possível estar-se num partido que se considera que tenha tiques anti-democráticos, seja reformista e limitador das lutas sociais?

    eu não acredito que o bloco seja isso. para mim não é e para a grande maioria das pessoas não é. mas quem vem para a praça pública, com todo o direito, como não podia deixar de ser, acusar o bloco de tudo isso (e aqui o que vos está a escapar é que quando acusam o bloco de antidemocrático estão a chamar-me de “banana”), também se coloca a jeito para que lhe coloquem estas questões.

    podem vitimizar-se, é uma escolha. a verdade é que o bloco se manterá vivo enquanto tiver gente que lute politicamente pelo que acredita. acho muito bem que se critique a escolha do Alegre. Também tenho as minhas dúvidas muito mais que certezas. mas lutar também implica respeito por certas regras, democráticas por exemplo. eu já perdi muitas batalhas dentro do bloco. mas nunca nunca escolhi “as bicicletas” (para usar o Zé Neves) que algumas pessoas usam, as fugas rápidas que alguns escolhem para a incapacidade de fazer valer as suas ideias que são geralmente o argumento anti-democrático de que as escolhas são tidas sem consultar a base militante (que em momentos de maior exaltação apelidam de “direcção traidora”).

    Isabel, conheço os estatutos. Dizem que entre Convenções a Mesa Nacional é o órgão que define a orientação do bloco. Teve ou não oportunidade de expor o seu ponto na Mesa?

    E peço desculpa por me sentir incomodado por, na leitura do vosso blogue, ter sido bombardeado com ataques ao bloco e, por consequência, a mim. Nunca estaria num projecto que considerasse anti-democrático ou reformista.

    Daí a estranheza em perceber que há quem olhe dessa forma para o bloco e aqui permaneça. Se a esta questão vocês enfiam a carapuça e se sentem “convidados a sair” então sintam-no. Não por mim, mas pela vossa capacidade de explicar a incoerencia.

    Isabel, desculpe se coloquei toda a gente da lista C no mesmo saco. Afinal, apenas a conheço dos seus comentários deste blogue e não conheço o seu trajecto político… Isso não diminui as questões que coloquei.

  25. José Silva says:

    Tiago Mota Saraiva,

    é natural que na discussão da estrutura interna do Bloco (que para mim é um partido comunista) o faça, algumas vezes, em oposição ao PCP. Não é mentira nenhuma que a força do projecto do Bloco passa por ser uma força socialista não rendida ao pensamento único e da experiência estalinista, muito mais capitalismo de estado que socialismo.

    Concretizando: o voto de braço no ar não protege as minorias nem as novas ideias de fazerem caminho dentro do partido. é um sistema totalitário. a porta fechada no congresso é um traço obscurantista que um partido sem medos sobre o que pensa e pronto a travar as lutas no mundo de hoje não pode pactuar. as listas únicas ao CC, alías modelo reproduzido também no mundo sindical, é bastante menos democrático que a democracia parlamentar burguesa em que vivemos, veja lá o paradoxo.

    Por último e para todos,

    prossigam lá a vossa cruzada. Do Carlos Vidal, os últimos praí 70% dos posts foram sobre o Bloco… É natural que se queira fazer pressão. Mas a incapacidade de compreender onde está o inimigo sempre é a tragédia do passado da esquerda, aqui e em todo o lado.

    Este blogue é capaz de ser um tudo ou nada sectário para meu gosto.

    Mas enfim, sempre vão entretendo.

    Boa noite.

  26. isabel faria says:

    “Isabel, conheço os estatutos. Dizem que entre Convenções a Mesa Nacional é o órgão que define a orientação do bloco. Teve ou não oportunidade de expor o seu ponto na Mesa?”
    Resposta: tive, depois da posição do Bloco ter sido tornada pública pelo seu Coordenador oito dias antes , como sendo a posição do BE.

  27. José Silva says:

    Muito bem. Achou errada essa posição do coordenador.

    “tive, depois da posição do Bloco ter sido tornada pública pelo seu Coordenador oito dias antes , como sendo a posição do BE.”

    E essa posição é tomada tendo em conta uma leitura da vontade dos militantes do Bloco expressada na Convenção.

    Concordo que o paragrafo da moção pudesse ser vago e não indicar o Manuel Alegre (na verdade, nunca poderia, pois trata-se sempre de uma iniciativa pessoal). Tratou-se de uma leitura de uma vontade da maioria do Bloco.

    Mas veja Isabel este link para o Público:
    http://www.publico.clix.pt/Pol%c3%adtica/bloco-apoia-candidatura-de-manuel-alegre-a-presidencia-da-republica_1387926

    A noticia é de 22 de Junho! Não foram 8 dias antes. Foram 6 meses antes que o coordenador, lendo a vontade da maioria, admitiu o apoio a Alegre.

    Mas a questão relevante é: podia ou não a Mesa Nacional recusar a escolha do Manuel Alegre mesmo depois do coordenador ter anunciado a disponibilidade para o apoio com base na leitura da vontade da maioria? Foram ou não levadas outras propostas por militantes descontentes com essa proposta? E a Mesa Nacional: representa ou não a maioria do Bloco?

    A única questão aqui tem a ver com o condicionamento político dos militantes da Mesa Nacional pelo anuncío do coordenador. Mas aí, se formos sérios, estaremos a acusar de falta de carácter as 80 pessoas que estão na Mesa Nacional.

    Que atire a primeira pedra quem considere isso. Eu conheço muitas delas e não diria isso.

  28. João Delgado says:

    “José Silva” poupe-nos a essa esperteza saloia de pretender que a direcção do Bloco consegue “ler” a vontade dos militantes.
    A democracia interna não é isso, a democracia interna implica que os órgãos competentes se reúnam, sem que antes a Comissão Política diga qual vai ser a decisão final.
    Obviamente que, a partir do momento em que o FL declara o apoio do BE ao MA, captura a livre vontade dos membros da MN, impedidos de votarem contra, sob pena de estarem com esse voto a retirar autoridade política ao coordenador do Bloco.
    É triste ver como numa década este partido se foi progressivamente transformando numa organização ultra-centralista e sujeita a vozes de comando incontestadas.
    Ainda sobre a MN, veja-se o número de membros que são deputados, assessores ou funcionários do partido e veremos cristalinamente para onde vai o Bloco.
    Concluindo, perceba, se lhe for possível, que o Bloco não é apenas a maioria (80% em Convenção), são também as minorias. E não faça ameaças veladas, elas não têm qualquer efeito sobre espíritos livres.

  29. Tiago Mota Saraiva says:

    José Silva, ainda lhe resta a liberdade de não passar por cá.
    No que diz respeito à sua visão do que é o BE começou por identificar a pluralidade como a maior força do Bloco e acaba a dizer que, para si, o BE é um partido comunista. Como é que isso se faz?
    Às 2ªs, 4ªs e 6ªs defende-se uma sociedade sem classes, às 3ªs, 5ª e Sáb. a candidatura de Manuel Alegre e ao Domingo vão à missa?

  30. isabel faria says:

    José Silva, essa do Coordenador ler a vontade dos militantes é forte.

    Poupa-nos, de facto, imenso trabalho…reuniões de Coordenadoras, Plenários, Mesas Nacionais, reuniões da Comissão Política, do Secretariado, até do Grupo Parlamentar…quiçá popa-nos de fazer Convenções.

    Mas explique-me lá o que é que isto tem a ver com democracia interna? E onde está instituído nos Estatutos o ponto referente à leitura do Coordenador?

    E já agora, será que me sabe dizer se essa leitura inclui os eleitores ou se fica pelos militantes?

  31. Tiago Mota Saraiva says:

    José Silva e Isabel a ser assim (e sem querer meter a foice em seara alheia) julgo que o coordenador deveria ser um vidente ou alguém com provas dadas na leitura de mentes.

  32. rev says:

    Ah, Ah, Ah!!! Não me digam que nunca viram a bola de cristal do Louçã???

    José Silva, vá pentear macacos e já agora saia você do BE, que não faz lá falta nenhuma.

  33. José Silva says:

    Muito sinceramente, eu já só venho aqui pela graça, não que ache que algo de útil vá resultar desta conversa, dada a demagogia que por aqui vai…

    Resumindo: estamos de acordo que a moção aprovada em conferência assume o apoio a uma figura capaz de unir a esquerda, que o apoio a Alegre já vinha sendo falado há 6 meses e nunca em nenhuma Mesa Nacional ninguém levantou o problema (nem maiorias nem minorias nem ninguém), e quando finalmente o Alegre decide avançar e surge uma primeira intenção de apoiar (como já se tinha dado indicações há 6 meses) e na Mesa Nacional vota-se oficialmente o apoio à candidatura. Neste processo todo, apesar de uma conferência, apesar de uma posição anunciada com 6 meses de antecedência sem nenhuma oposição, depois de ter ido à Mesa Nacional que representa todo o Bloco, ainda assim vocês querem-me garantir que esta decisão foi tomada sem a participação de grande parte do Bloco e que é reveladora de falta de democracia interna. É bem…

    Ó João Delgado, o seu espirito livre gosta é de conversa, é o que é. Já vê ameaças onde não existem… enfim…

    Tiago Mota Saraiva,

    eu sou comunista e enquadro-me muito bem no bloco. facilitaria um bocadinho o debate se soubesse que a maioria das correntes do bloco se revêm no ideário comunista. começou por ser uma força muito plural (como já lhe expliquei o meu ponto de vista, o quadro na esquerda em portugal não era famoso para quem aí quisesse militar num partido: ou estalinistas ou neoliberais; já agora antes de se ofender com o “estalinista” faça um post para explicar à Rita Rato o que são gulags que pelos vistos ela não sabe nem ninguém lhe faz o favor de contar…), em torno de alguns principios essenciais para a construção de uma nova força política que unisse a extrema esquerda e com o passar dos anos foi construindo programa e uma alternativa socialista em Portugal. O Manuel Alegre, acredito eu, é mais um episódio na longa caminhada para refundar a esquerda. E Tiago, tenha calma que não faltam aí autarquias em que o PC se coliga com o PSD para derrubar o seu argumento das 2s 4s e 6s. E não é para refundar a esquerda ou o centro, não. Tem mais a ver com a razão pela qual o PCP se absteve no parlamento contra o projecto do bloco de cativar para o patrimonio público todas as mais valias urbanísticas realizadas após alterações na classificação dos terrenos…

    É verdade que muita coisa separa o Alegre do Bloco… Mas por vezes existem lutas pontuais que têm de ser travadas em conjunto. Relembro que esta é a hipotese de eleger a presidente alguém que chumbou o código do trabalho, que é a expressão máxima da ofensiva neoliberal. Eu acho que, estando absolutamente comprometidos com a mudança das coisas neste país, não se pode ignorar este facto. Não é sequer sério…

    E Tiago,

    não sei porque está tão exaltado… Em quem acha que o seu PCP vai apelar ao voto?

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