
A propósito do espectáculo recentemente apresentado no Teatro Maria Matos, intitulado «Maria Mata-os» e encenado por Gonçalo Amorim e Bruno Bravo a partir de um texto de Miguel Castro Caldas, Rita Martins escreveu um apontamento no «Público», lamentando a opção pela sátira ao formato da revista e considerando que isso torna inconsequente o revisitar do género. A sua crítica concluía desta forma: “Filhos do “Teatro Independente”, a revista é, tanto para os ensaiadores como para os actores e actrizes, uma velha avó que não conheceram, mas de quem ouviram falar. Apesar da pesquisa realizada, esquecem-se que a “avó” não queria ser disparatada, teria brio, uma razão de ser, uma construção sólida. Ou, então, seria preferível deixá-la descansar em paz.”
A isto respondeu o dramaturgo visado, num texto publicado em Viver na Alta de Lisboa, acentuando o carácter político das escolhas cénicas efectuadas e golpeando o processo de reabilitação em curso do formato aqui questionado: “E se para nós a revista é o revisteiro, se é isso que vemos na televisão e foi isso que vimos no parque Mayer (e este espectáculo não se compreende a não ser à luz de como encontrámos a revista no Parque Mayer), o ponto aqui é definir o que é ser revisteiro. Ser revisteiro por exemplo, é ser consensual, é fazer uma crítica social em relação à qual toda a plateia está de acordo. A revista fez sempre isso. A revista nunca pôs nada em causa. Até no tal tempo tão saudoso da ditadura em que se diz que a revista enganava a censura, isso era mentira. A censura deixava passar, desde que não «abusasse», porque a revista ocupava um espaço de descompressão que convinha bastante ao sistema que a sabia inofensiva e apolítica. E a revista nunca abusou. Aqui sim, não quisemos seguir as pisadas da revista. “
Os argumentos de um e de outro são tanto mais interessantes quanto ecoa neles parte do debate ocorrido em 2006, a propósito da ocupação do Teatro Rivoli, no Porto. Como faz questão de acentuar Miguel Castro Caldas: “Nós fugimos a sete pés de fazer uma «revista de qualidade». Isso seria um grande disparate. A meu ver foi uma oportunidade ganha porque de algum modo tocámos nesse grande constrangimento de que falei há pouco. Essa vergonha alheia. Foi uma oportunidade ganha no sítio certo, porque foi no coração da reflexão que neste momento se faz em Lisboa sobre a maneira de pensar e fazer teatro contemporâneo (e já vimos que contemporâneo também pode ser uma pressão), e no tempo certo, porque assistimos cada vez mais à pressão das programações com selo, ditas de «qualidade». Essas sim, sobre as quais os críticos só conseguem dizer dos actores que vão bem ou mal, e dos encenadores, que se afirmam ou desafirmam enquanto promessas que são ou enquanto pilares da «qualidade» e do «bom gosto». E é neste aspecto que o nosso projecto de fazer «uma revista» teve um carácter extremamente político. Porque é lógico que a programação de um teatro municipal não se devia reger pelos padrões de qualidade (tão enfadonhos que são) mas sim pelos padrões de pesquisa, experimentação, vontade de participar na cidade, porque a arte não é outra coisa senão isso.”





http://5dias.net/2010/01/20/bater-na-avo/
ATENÇÃO À RAPAZIADA QUE A PROPÓSITO DO HAITI APOUCOU O RENATO TEIXEIRA:
O PRESIDENTE DO FMI ACABA DE PROPOR UM PLANO MARSHALL PARA O HAITI. OU O RENATO VÊ MAIS QUE TODOS JUNTOS, OU VOCÊS SÃO UNS ANJINHOS.