Sócrates Alegre

Contra capa da revista Rubra nº5

“Sócrates governa, Alegre critica. Sócrates decreta, Alegre declama. Sócrates diz sim, Alegre diz porém. Sócrates diz não, Alegre diz talvez. Alegre canta um PS que já não existe para que o PS que existe, o de Sócrates e quejandos, continue a existir.”

Estava anunciado como o debate do ano e agora confirma-se: Alegre será candidato presidencial.

Na verdade a sua candidatura já estava decidida pelo menos desde o Verão (acredito que para o PS e o BE desde as últimas eleições presidenciais), mas a táctica política tem destas coisas e o comum dos mortais só teve direito à declaração agora. Sem surpreender ninguém que estivesse minimamente atento à realidade, o militante do Partido Socialista anunciou a sua candidatura: “Venho aqui dizer-lhes que estou disponível para esse combate com todos vós, com todos os portugueses que já estão connosco e com todos os que a seu tempo virão ajudar para mudar e para vencer, pela República e por Portugal”.

Há dez perguntas que a esquerda deve formular antes de decidir o que fazer nas próximas eleições presidenciais:

I- Quem é Manuel Alegre, que sectores representa, o que quer e para onde vai?

II- Qual natureza e a agenda do MIC (Movimento Intervenção e Cidadania)?

III- Que compromissos assumiu com o PS para garantir o seu apoio e o que fará o seu partido de sempre?

IV- Sairá do seu “eterno PS” para se candidatar à presidência?

V- Como se vai organizar a esquerda?

VI- Será melhor do que outros para unificar a esquerda contra Cavaco Silva?

VII- Que esquerda interessa unificar?

VIII- Valerá a pena a esquerda engolir novo sapo?

IX- De que valeu engolir Soares?

X- Que alternativas neste quadro político?

As respostas são no meu entender claras e levam-me a dizer desde já que votarei em qualquer candidatura que surja contra o governo e a direita.

Quem é Manuel Alegre, que sectores representa, o que quer e para onde vai?

Alegre é um histórico do partido socialista, mas é também uma aposta para o futuro. É o deputado com mais anos na Assembleia da República, e portanto aquele que mais votos deu ao programa do PS ao longo dos tempos. Sempre esteve ao lado do socialismo democrático mesmo quando este passou a socialismo liberal. Com o passar dos anos, e depois do período que se passou erroneamente a chamar de consolidação democrática, Alegre foi ganhando protagonismo pelas críticas de rodapé que ia fazendo. Passou a ser uma espécie de consciência de esquerda do PS. Essa realidade nunca chateou verdadeiramente as sucessivas direcções do Partido Socialista que viam em Alegre um tampão à fuga de votos e militantes para as correntes à sua esquerda. Alegre representa a pequena e a média burguesia urbana, e a disputa deste sector específico leva-o a tomar o BE como seu concorrente directo, e vice-versa. A relação entre os dois pode, em boa medida, ser explicada por este factor, pelo que diria que se relacionam com uma espécie de mútuo parasitismo. Desde que percebeu que a sua carreira como deputado estava a chegar ao fim, e principalmente desde que perdeu a disputa da direcção do partido para José Sócrates, só sobrava a Alegre um caminho: a Presidência da República. Assim o tentou nas últimas eleições e o resultado tinha uma leitura que Alegre nunca quis fazer: há mais de um milhão de pessoas à esquerda sem partido. Este número impressionou tudo e todos tomaram medidas preventivas. Estou em crer que o PS desde este dia percebeu que teria que apoiar oficialmente Alegre na corrida a Belém, o BE percebeu que afinal não absorveu tudo o que havia para absorver à esquerda da esquerda e o PCP percebeu que além do BE havia outro pólo aglutinador da esquerda heterodoxa. No fundo todos tiveram medo desse milhão de votos, e Manuel Alegre também. Podia ter impulsionado uma nova corrente de pensamento à esquerda, um novo movimento basista que “transformasse em acção o pensamento”. Mas Manuel Alegre nunca quis trazer o tal milhão de votos “do papel para a página da rua”. Ou seja, o que Alegre quer em verso, Alegre não faz na prosa da vida.

 

(em anexo sete textos declamados por Mário Viegas, o melhor candidato presidencial desde que há República)

Qual natureza e a agenda do MIC (Movimento Intervenção e Cidadania)?

Basta ir a uma qualquer iniciativa do MIC, ou à falta de tempo e paciência, espreitar o seu portal na internet, para se perceber a sua agenda e natureza. De intervenção e cidadania nem uma palavra. Alegre, Alegre, Alegre; Presidência, Presidência, Presidência. É tudo o que interessa e o único tema em carteira. É absolutamente abusivo o uso das palavras que dão nome ao movimento que na verdade se deveria chamar MFA, ou seja, Movimento Força Alegre. O MIC não é um movimento, e muito menos uma organização. É antes uma claque de apoio, uma falange. O seu único objectivo é promover Alegre à Presidência e esse é igualmente o único tema de debate. Dos temas que a esquerda se habitou a defender nem uma palavra. Não há bandeiras, ideias, teses, propostas. Há Alegre.

Que compromissos assumiu com o PS para garantir o seu apoio e o que fará o seu partido de sempre?

O PS, como toda a social-democracia, sempre precisou de figuras que mantivessem vivo o seu património simbólico, para ter caminho livre para a sua neo-liberalização. Alegre sempre cumpriu no PS essa função, e os anos e anos de mau centralismo podem agora ser compensados. O PS percebeu o erro de apoiar Soares nas últimas presidenciais e não mais poderia cometer esse erro. Tal como a direita, o PS sonha com uma maioria, um governo e um presidente, pelo que na sua declaração de candidatura, Alegre troca as tintas dizendo ao que vem: “É grande a tentação de reagrupar o bloco conservador à volta do actual Presidente da República para, através da sua eventual reeleição, conseguir o que não se consegue por via partidária: uma maioria, um governo, um Presidente. Independentemente da pessoa do Presidente, que não ponho em causa, tal projecto, que foi sempre o sonho da direita, comporta riscos para o PS, para toda a esquerda e para o equilíbrio do regime. E tem uma lógica de deriva política de pendor presidencialista.”

E o que quer o PS e Alegre senão exactamente o mesmo que acusam a direita de sonhar? Para ser Presidente com o prometido apoio do PS (espera a hora certa de o anunciar para manter a aparente independência da sua candidatura), Alegre não pode cuspir no prato que comeu e não pode enfrentar nem Sócrates nem outro qualquer que o suceda neste campo político. Alegre terá que ser do PS ou de coisa nenhuma, mas nunca poderá ser contra o PS e contra o governo.

Sairá do seu “eterno PS” para se candidatar à presidência?

Provavelmente. É de resto quase uma cerimónia das pré-candidaturas e um dos maiores embustes da propaganda presidencial. Todos dizem, de Francisco Louçã a Paulo Portas que esta não é uma eleição partidária, mas todos mentem com quantos dentes têm na boca. Nunca nenhum presidente veio da dita sociedade civil e todos sem excepção foram escolhidos pelas direcções políticas do PS ou do PSD. Todos. A venda desta ilusão serve a agenda escondida dos partidos que querem granjear objectivos que não se conseguem de bandeira às costas. É um pacto de regime que permite a todos usarem fulano ou beltrano para atingirem os seus objectivos. Alegre, irá entregar com toda a certeza o seu cartão de militante. Mas como Cavaco no PSD, e como Soares e Sampaio no PS, a sua correia de transmissão ao PS será inquebrável.

No anúncio da sua candidatura Alegre clarifica que compreenderá sempre o tempo e a agenda do PS. Advoga a defesa da estabilidade que é tudo o que não se queria de um candidato para romper com a anormal normalidade do sistema político: “Sei que para o PS e para os outros partidos parlamentares este é o tempo do Orçamento Geral do Estado. Desejo que seja possível que seja negociado, sem que as negociações sejam orientadas de fora, na tentativa de o orientar para certo sentido. Compreendo que para o PS seja o momento do Orçamento”. A seu tempo o PS falará, como disse de imediato o líder da bancada parlamentar Francisco Assis, e esse tempo Alegre seguramente sabe qual é. Desta feita estão todos com as agulhas afinadas.

Como se vai organizar a esquerda?

Apesar de sobrarem poucas dúvidas sobre como se vão organizar os partidos de esquerda relativamente à candidatura de Alegre e do PS, é esta a parte mais interessante do debate presidencial. Estou convencido que o BE e a CDU vão apoiar a candidatura. O primeiro com toda a certeza (Louçã pré-anunciou o apoio e reafirmou-o no dia do anúncio), o segundo pode ser mais astuto tacticamente. Porque motivos? O Bloco de Esquerda passou os últimos quatro anos a pré-anunciar o seu apoio a Alegre, e foi de facto a força política que mais promoveu esta corrida. Todos os dirigentes nacionais do BE sem excepção apoiam Alegre, isto apesar de na sua base muitos militantes se recusem a apoiar a mesma candidatura do Governo. Desde a IV convenção, em 2005, que o BE corre para o colo do PS. Alegre é a via mais honrosa, eleitoralmente menos castigadora, e internamente mais favorável para o BE passar a ser cada vez mais os Verdes do PS. O BE queria que Alegre fosse um Oskar Lafontaine à portuguesa, mas Alegre só quer ser presidente e vai deixar o BE órfão da recomposição com que este sonhava.

O PCP é neste momento a maior incógnita. Sabemos pela trajectória do partido que se tiver que comer o sapo, o sapo é para comer. Cunhal votou Soares contra Freitas do Amaral e no limite Jerónimo votará Manuel Alegre contra Cavaco Silva. Apesar de sabermos disso, o PCP sabe que pode fazer uma jogada de mestre. Com o BE refém do PS e de Alegre sobra toda a esquerda ao PCP, pelo que a tentação de avançar com um candidato próprio para os lados da Soeiro Pereira Gomes é grande e compreende-se que assim seja. É de resto uma jogada de mestre. O PCP avança um candidato que soma todos os votos à esquerda do PS-Alegre-BE, e força a realização de uma segunda volta contra Cavaco, apoia Alegre na segunda volta e, em caso de vitória, ainda pode sair como o grande vencedor. Não será Alegre, que sabe-se que perderia sozinho, não será o BE que se dissolveu na candidatura do PS, e o PCP pode dizer que foram os seus votos que deram a vitória ao Alegre. É a única incógnita neste momento e, pese embora a tentação, a linha dura do PCP pode querer não ser acusada de dividir a esquerda e apoiar desde o primeiro momento a candidatura do Alegre e do PS.

Será melhor do que outros para unificar a esquerda contra Cavaco Silva?

Alegre não é o melhor para unir a esquerda. Este argumento, usado por todo o esquerdista útil tem a perna demasiado curta. Alegre não é mais do que aquele milhão de votos. Com o passar de quatro anos sem nada fazer a não ser promover a sua própria imagem e a sua pretensa candidatura, Alegre não mais é visto como o Dom Sebastião da esquerda em Portugal, como ele por certo gostaria. Não é de sebastianismos que a esquerda precisa. Pouco são já são os que se entusiasmam. Mesmo entre defensores da sua candidatura o entusiasmo já esmoreceu. Quase todos preferiam Carvalho da Silva (ainda mais depois do apoio deste a António Costa), e ninguém pareceu pular de entusiasmo com o anúncio da sua candidatura. Ninguém, salvo seja, Francisco Louçã pulou quase em tempo real aos microfones do Mário Crespo. Mas à excepção de Louçã não veio mais ninguém a terreiro dar pulos de alegria. Sobram declarações e manifestações de militantes de todos os partidos à esquerda do PSD a manifestar desconfiança com Alegre: muitos no PS, no BE e no PCP não vão sequer votar Alegre, ou a votar, não vão interpretar nenhum movimento de base com interesse e potencial protestativo. Na blogosfera, ao fim das primeiras horas do anúncio, pode contactar-se isso mesmo. Nem à esquerda nem à direita se encontraram grandes manifestações de agrado ou desagrado. Apenas se registou a constatação. (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). (E mais recentemente aqui também. O melhor exemplo até ver de falta de entusiasmo)

O chamado que Alegre faz às esquerdas representa bem a consciência de que o candidato do PS tem sobre os anticorpos à esquerda, relativamente à sua candidatura: “Fazer da próxima eleição presidencial uma grande mobilização, não só das esquerdas, mas de todos aqueles, de todos os quadrantes, que desejam a mudança num outro sentido e querem ver renascer a esperança num Portugal sem bloqueios, um Portugal que valha a pena, um Portugal de todos. É esse Portugal que nos interpela. É esse o combate que chama por nós. E o que venho aqui dizer-vos é que estou disponível para esse combate. Com todos vós e com todos os portugueses que estão connosco, com todos os que a seu tempo virão a estar, para mudar e para vencer, pela República e por Portugal.”

Alegre não corre nem pela República nem pelo país, corre por si próprio, pelo governo e pelo PS.

Que esquerda interessa unificar?

Se não fosse a cegueira oportunista que atacou o BE, e ainda não saberemos se atacará o PCP, esta era uma oportunidade de ouro para ir às urnas com o potencial dos 31 deputados do BE e da CDU, que também são mais de um milhão de pessoas. Esta seria a esquerda que interessa unificar. Ainda que venha a diluir-se no PS e em Alegre, continua a haver a oportunidade para que todos à esquerda do sistema e do oportunismo esbocem uma candidatura classista contra o Governo. Haverá possibilidade? A ver vamos. Agora o que não interessa de todo unificar é toda a esquerda atrás do sonho do PS de ter uma maioria, um governo e um presidente. Mais do que se tratar de um populismo sem povo tratasse de uma frente popular sem programa mínimo. Uma frente popular para defender a força política que mais contribui neste momento para o mal-estar da população.

Valerá a pena a esquerda engolir novo sapo?

O sapo não vale a pena engolir por tudo o que foi dito mas também porque o sacrifício desta deglutição não vai trazer nada de novo. Cavaco balbucia, Alegre não fará mais do que estátuas a si próprio e ao patriotismo balofo que exalta. Não previne nenhum Reich, nem garante nenhuma conquista. Não recompõe a esquerda, antes a descompõe. Ao contrário do que pensam os seus correlegionários, Alegre não é a salvação da esquerda. É antes, e citando de novo o Poemarma do poeta, “a estátua que atravanca”.

De que valeu engolir Soares?

A única coisa que a esquerda conseguiu ao engolir Soares, e ainda assim fê-lo numa segunda volta, depois de todas as correntes terem apresentado candidato próprio, foi a entrega ao PS do exclusivo da luta contra o Cavaquismo. Ainda hoje, a esquerda da esquerda sofre as consequências disso mesmo.

Que alternativas neste quadro político?

Neste quadro político é urgente um chamado a que se organize uma candidatura classista contra o governo. Que represente de facto os sectores sociais mais desfavorecidos, uma candidatura fracturante contra o sistema e a normalidade. Uma candidatura da esquerda necessária contra a direita e a esquerda possível. Os dois partidos à esquerda do PS têm esta responsabilidade, mas se falharem, por oportunismo ou medo, a sua omissão não desresponsabiliza os movimentos políticos fora do espectro parlamentar. Esta é uma demanda bem mais interessante, do que um mal maior chamado Cavaco Silva ou o jardim de ilusões que Manuel Alegre representa.

É importante que o debate não se faça entre as duas correntes que mais fizeram para a degradação da qualidade de vida das pessoas, que mais fizeram pela degeneração das conquistas de Abril, e que mais fizeram para o desmantelamento do Estado de Direito, seja lá o que isso ainda signifique. Nem PS, nem PSD.

Nem Alegre nem Cavaco!

Por uma candidatura classista contra o Governo liberal do PS e a direita conservadora!

Por uma candidatura pelos direitos de Abril e pela esquerda necessária!

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67 respostas a Sócrates Alegre

  1. xatoo diz:

    a discussão que se gerou em torno da “candidatura Alegre” passa por cima do facto óbvio de ter havido uma concertação prévia do mainstream politico-partidocracia no timing de entrada em cena dos diversos actores. Nesta perspectiva, nutro a maior simpatia por todas as análises de activistas radicais de esquerda e, nutro também o maior desprezo por “militantes” que tendem a trabalhar na pequena politica como actividade profissionalizada.
    Posto isto, a jogada parece-nos óbvia. Alegre avançou e o BE reconhece-se na candidatura logo imediatamente a seguir. Quer dizer, “queimou” um presumivel candidato unitário da esquerda. O PS vai esperar que as águas acalmem para apresentar um candidato que represente a essência tradicional do partido, que concilie o centro, e apresentará Jaime Gama. O eleitorado de esquerda fica dividido ao meio como em 2006 e o candidato da NATO Cavaco Silva renova o mandato.
    Quem deve andar todo babado na perspectiva de emprego como assessor da “maioria Alegre-BE” é o nosso amigo do eixo-do-bem Daniel Oliveira

  2. Renato Teixeira diz:

    Rafael, para mim toda a expressão popular espontânea produz formas de democracia directa magnificas. Tenho por isso muita elasticidade na compreensão da plasticidade das dinâmicas democráticas, ou diria mesmo, de poder popular. O modelo no qual os partidos comunistas resvalaram é um modelo centralizado, burocrático, que não permite a expressão da variedade táctica que um partido deve ter, para entre outras coisas, ser mais partido. Hoje por hoje o PCP não respeita a tradição bolchevique, tão bem aplicada nos primeiros anos dos sovietes, onde cada grupo podia levar a votos a sua sensibilidade política, a sua táctica concreta, o seu quadro de valores e princípios. Não poder haver duas listas para um Comité Central é anti-democrático e, em ultima análise, anti-soviético. Ponto final paragrafo.

    Aristes, não sei se percebi bem a sua questão, mas quanto às dúvidas que levanta relativamente ao apoio do PS ao Alegre não me parece que colhem nenhum elemento da realidade. Alegre receberá o prato para comer, e terá que o pagar naquilo que chama de “manto diáfano das pornográficas políticas de direita do actual Governo”.

    Xatoo, acho que está a ver mal o filme. Alegre é o candidato do PS. Não outro. Nem Jaime Gama, nem Jorge Sampaio, nem António Guterres, nem outro caramelo qualquer. É Alegre! O que vê agora é neblina e circo. Tal como o Xatoo vejo com bons olhos o elevado número de pessoas que vieram a terreiro dizer que não comem mais sapos, que 36 anos a comer sapos, e depois da maior ditadura de todas as ditaduras da europa (em tempo), não serve as nossas aspirações.
    Daniel Oliveira, como de resto a direcção do BE, não deve estar assim tão contente como imaginaria estar a esta altura. O que pensavam que fosse uma onda de entusiasmo com a candidatura do Alegre, foi uma onda de cepticismo, e para lograr o seu pragmatismo e oportunismo político ele precisa de votos que o cepticismo não dá.
    Neste momento o cenário é simples: o PS não tem outra alternativa senão apoiar Alegre (e acho que estão contentes com isso), o BE tem aquilo pelo qual lutou embora comece a duvidar que lhe dê aquilo com que sempre sonhou, e o PCP hesita e espera a posição oficial do PS para avaliar se vale a pena apostar no risco ou ceder ao medo. A elaboração que faz, não me parece plausível. Quanto à análise do sentimento político, total sintonia.

  3. mc diz:

    passando com açúcar por cima da confusão que por aqui vai quanto ao papel do P.R , quanto à sua relação com os partidos e enfim, quanto a essa coisa vaga chamada Constituição, admitindo que Sócrates engole o sapo de apoiar Alegre – o que para mim não é claro – esse poderá ser um problema tanto para um como para outro mas que com certeza embaraça (e compromete) muito mais Sócrates que Alegre. Porque, contrariamente ao que muitos pensam, não me parece que desse eventual apoio – que nunca será absoluto e convicto porque foi claramente Alegre e o trauma de 2006 continua actual – resulte um eventual presidente servil e conivente com a política de sócrates. Pelo contrário, acho que, sem estar para aqui com ambições frentistas, a eleição pode conduzir a alguns entendimentos interessantes entre um PS pós-sócrates e a esquerda a sério. E que me desculpem o pormenor higiénico: isso pode resolver-nos um problema chamado Cavaco Silva. só mais uma nota para lembrar que Louçã foi quem mais – e mais baixamente – atacou Alegre em 2006. O eleitorado já se expressou: quer uma maioria de esquerda neste país. ora com cavaco na presidência e sócrates no governo as legítimas aspirações e esperanças dos portugueses na mudança de esquerda que este país precisa nunca passarão disso. sectarismo works but sectarismo sucks…

  4. Renato Teixeira diz:

    mc, você diz: sectarismo works but sectarismo sucks…
    e eu digo: oportunismo works but oportunismo sucks…

    Veremos quem fica em melhor estado depois deste felácio que todos parecem aceitar com alguma relutância.

    Já agora, que problemas vê em Cavaco que não vê em Alegre?
    Acha mesmo que o PS tem alternativa a Alegre, e que sobram muitos espíritos inquietos (não vale dizer Lello).

  5. p. s. d. da boa fé diz:

    Perdoem a intromissão. Mas não há por aí ninguém que ofereça um livro de história ao marreta?
    O melhor era mesmo dar-lhe uma marretada para ver se pára definitivamente de marretar…

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  7. Manuel diz:

    Ó Marreta, eu também sou militante do PCP mas livra… és chato que se farta!

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