Haiti: solidariedade ou demagogia?

100 milhões de dólares do FMI, 100 milhões de dólares do governo dos EUA, 100 milhões de dólares do Banco Mundial, 15 milhões do Brasil, 10 milhões da Espanha, 10 milhões do Reino Unido, 1,5 milhões da modelo Gisele Bündchen, 1 milhão da Cruz Vermelha, 1 milhão da UPS (United Parcel Service), 1 milhão do Brad Pitt e da Angelina Jolie, 600 mil da Walmart, 500 mil dos Yankees, 250 mil da Madona, 250 mil do Lance Amstrong, 250 mil do Maradona, 200 mil do Banco Interamericano,  100 mil da Hollywood Foreign Press Association, 20 mil da AMI, e meia dúzia de euros do Arrastão é o valor das doações já anunciadas para a tragédia do Haiti. A estes valores falta ainda somar o dos doadores habituais: Bill Gates, Bob Geldof, U2, FIFA e samaritanos afins que ainda não anunciaram o tamanho da sua simpatia.

Apesar da boa vontade samaritana, nos dias que se sucederam à tragédia muitos milhares de pessoas morreram debaixo dos escombros por falta de máquinas para a sua remoção. Os aviões com alimentos ainda não puderam aterrar no território e os hospitais de campanha não têm medicamentos básicos sequer para combater uma simples infecção.

Alguém se perguntou para onde está a ir todo este dinheiro? Alguém tem a gentileza de dizer quem vão ser os burocratas que vão gerir estes milhões? Alguém vai poder verificar onde foi gasto a verba angariada ou onde vai ficar esquecida?

É que sem estas respostas, cada dólar doado serve apenas para a qualidade do sono do doador, ou pior ainda, para a promoção da sua imagem publicitária.

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41 respostas a Haiti: solidariedade ou demagogia?

  1. Fernando diz:

    A “boa vontade samaritana” serve, para apoiar quem precisa, apanhado nesta calamidade. Pode e deve questionar (e há motivos para isso) da “bondade” de certos apoios, de quem gere os dinheiros, do destino concreto de algumas dádivas, mas meter tudo no mesmo saco é inaceitável. Ter dúvidas das intenções da AMI do Dr. Fernando Nobre é andar muito distraído, no mínimo. Consulte o Blogue do Dr. Fernando Nobre e o site da AMI e saberá como, porquê e para quê, será feito uso dos donativos em dinheiro, para esta entidade. Ser solidário é apoiar em concreto, na medida das possibilidades de cada um. Solidariedade não é “caridadezinha”. Lamento que algumas pessoas de esquerda, presos a dogmas e preconceitos, confundam caridade com solidariedade. Não percebo a alusão ao Arrastão.

  2. LAM diz:

    Bem faz vc que escreve o seu postezito e não está para se chatear com essas merdas, não é? faz muito bem, assim como assim qualquer dia isto vai tudo pró galheiro ou nós à frente, para quê tanta chatice. Olhe, dê-lhes com o Castoradis para os gajos aprenderem o que é meterem-se com um gajo com eles no sítio.

  3. Renato Teixeira diz:

    Fernando: esta é a razão da alusão ao Arrastão: http://arrastao.org/sem-categoria/13911/#comments.
    Não confundo caridade com solidariedade. É precisamente isso que quero distinguir.

  4. Diogo diz:

    Governos e instituições que dão biliões para «salvar bancos», mais umas estrelas de Hollywood a fazer publicidade e etc. e tal.

    Quanto à ONU, que devia ter uma força de intervenção humanitária preparada para este tipo de coisas, gosta mais de se preocupar com o «buraco do ozono», as várias «pandemias gripais», o «aquecimento global», «guerras ao terrorismo» e outras lendas do género.

  5. Renato Teixeira diz:

    LAM, Castori… quê? Não deve ser comigo essa boca mas fica registada.

    Estou a ver que está entre os doadores. Tem respostas às perguntas que coloco? Ou prefere ficar sem se chatear com esse seu comentariozito?

  6. Renato Teixeira diz:

    Essa é que é essa Diogo. Muito bem dito.

  7. zé neves diz:

    renato,
    ninguém sabe disso tudo que tu perguntas e ninguém está muito preocupado em saber, mas felizmente estás cá tua para desvendar a verdade ocultada por detrás do pano…
    abç

  8. Renato Teixeira diz:

    Zé Neves, poderás dizer-me porque é que ninguém está interessado? Não sei a verdade (toda) por detrás do pano, mas tanta maralha junta dá algumas pistas sobre isso. De resto, é o insuspeito Fernando Nobre a dar uma ideia do que esconde a ajuda humanitária. http://www.revistarubra.org/?page_id=36

  9. LAM diz:

    Renato, face ao boneco que vai sendo feito da situação no Haiti, pena é que os que deram 100 milhões não tivessem dado 200 ou os que deram 1 milhão não dobrassem a parada, não sendo ingénuo ao ponto de não suspeitar que muitos desses donativos possam servir para publicidade própria ou de uma forma de limpeza de imagem de alguns países mais conhecidos por outro tipo de “investimentos”.
    Para onde está a ir esse dinheiro? a esperança é que pelo menos grande parte sirva para os fins que se supõe serem os devidos, havendo pelo meio (como sempre*) organizações mais confiáveis do que outras. Muita da resposta que está a ser dada agora poderia de facto estar “ensaiada” a nível da ONU, o que evitava a demora que está a haver na organização da ajuda, mas isso não ter acontecido não pode ser pretexto para nada ser feito. Renato, a situação em caso de catástrofe natural não é política. Antes e depois, sim.

    *recordo há umas dezenas de anos (?) um terramoto no norte de Itália em que, uma semana depois, já toda a ajuda era “organizada” e controlada pela máfia.

  10. Pingback: cinco dias » A verdade por detrás do pano

  11. Luis Rainha diz:

    Mas como saberás já que se trata de demagogia e roubo? Completamente abusivo.

  12. Renato Teixeira diz:

    Tem razão Luis Rainha, vou reformular.

  13. Carlos Vidal diz:

    Concordo com o post. Não acredito na boa-fé de um único tostão oferecido por Gates ou Brad Pitt-Jolie, Geldof ou Madonna.
    (Algum deles foi capaz de dar o que quer que fosse sem dizer nada nem quanto? “Tirem-me uma foto, vá!” E depois, ponham-na no Arrastão ou noutros lugares “interventivos”)
    De resto, o remate, também é correcto:
    “cada dólar doado serve apenas para a qualidade do sono do doador, ou pior ainda, para a promoção da sua imagem publicitária.”

    Qual é a dúvida??
    Estamos a lidar com que tipo de pessoas??

    É que não só é importante desmistificar essa gente como ainda saber como é que os governos legítimos no Haiti foram sendo derrubados e perturbados (refiro-me a Jean-Bertrand Aristide)?? Quem esteve por detrás do derrube de Aristide? Fui eu??

  14. Aristes diz:

    Atenção pessoal, por enquanto apenas disseram que iam dar. Oferecer não é dar, como se diz por cá e, se tivermos em conta situações anteriores, a diferença é do caraças.

  15. Luis Rainha diz:

    Não, Carlos; foi o Brad Pitt. Já não me lembro é do nome da fita.

  16. Carlos Vidal diz:

    Ah, sim, Luís, uma coisa chamada Branjelina, acho que conheço essa empresa.
    Labora no Vale do Ave, não é?

  17. xatoo diz:

    quem não quis saber, e não é tido nem achado para mediatismos, foi a primeira ajuda estrangeira a chegar ao Haiti: 60 médicos de Cuba que desembarcaram no mesmo dia do sismo poucas horas depois. A brigada médica Henry Reeves é um contingente com formação especial para actuar em regiões afectadas por catástrofes e existe desde 1976. Quando ocorreu a tragédia de New Orleans o governo cubano ofereceu também essa ajuda de imediato, porém os EUA não aceitaram.
    Quer dizer, a pequena e cercada Cuba é que está fazer o papel que deveria (segundo o comentador Diogo 23:04) pertencer à ONU.
    No dia de hoje Cuba já tinha 403 colaboradores na ilha sendo 344 do sector de saúde.
    É nesta moeda que funciona a solidariedade, e não com “generosas ofertas de dinheiro-papel reciclável) como isco para pescar nas águas da desgraça.

  18. Luis Rainha diz:

    E, ao mesmo tempo, o sistema de saúde cubano deixou morrer 26 doentes do hospital psiquiátrico de Havana.

  19. Helder diz:

    xatoo,
    nem mais uma virgula .

  20. xatoo diz:

    sim Luis Rainha
    doentes com infecções crónicas, complicações cardiovasculares, cancro, etc. num sistema bacteriologicamente puro capitalista (não bloqueado pela importação de tecnologia) deveriam viver para sempre

  21. ezequiel diz:

    Eles não tinham máquinas antes do terramoto.

  22. ezequiel diz:

    Demagogia?:Só a TUA.

  23. Renato Teixeira diz:

    Ezequiel, tem respostas? É que eu acima de tudo fiz perguntas… O terramoto foi há uma semana. Já lá chegou de tudo menos o que é preciso… Acha demagógico? Os haitianos acham criminoso.

  24. Sérgio Pinto diz:

    Renato Teixeira,

    Agora até já o nomeraram porta-voz dos haitianos? Não sei bem porquê, mas parece-me estranho que para a Cruz Vermelha, a AMI e afins, vejam as doações como forma de melhorar a sua imagem publicitária. Se calhar, terá algo a ver com o facto de serem organizações cuja existência se prende (não só, mas em grande parte) com a mitigação de catástrofes. Mas não deixa de ser curioso que você, ao mesmo tempo que usa aqui a AMI, noutro post se socorra do Fernando Nobre.

    Aparentemente, alguém se esqueceu de perguntar ao Renato como deveria ser aplicado o dinheiro. Se calhar, a opção inteligente era derreter uns $ 200 milhões em máquinas para andar lá pelos escombros, mesmo que demorassem uma semana a chegar, não houvesse ninguém para as manobrar e já tivesse passado demasiado tempo para que ainda se pudessem resgatar sobreviventes.

    Aparentemente, o Renato também se esqueceu que, num caso destes, como é normal, grande parte da ajuda é aplicada na reconstrução (e, provavelmente, será esse o destino primordial dos montantes provenientes do FMI e Banco Mundial). Afinal, dado que boa parte das casas ruiu, convinha que as pessoas não tivessem que viver indefenidamente em hospitais de campanha, campos e refugiados ou, simplesmente, na rua.

    Mas, no fundo, o que interessa é mesmo dizer mal. Ao mesmo tempo que se insinua que o dinheiro vai acabar todo nos bolsos de meia dúzia, critica-se a demora nos socorros e o facto de, magicamente, o Haiti não ter sido infestado por máquinas de remoção de escombros. Porque, claro, para os Renatos deste mundo é facílimo coordenar o esforço de dezenas ou centenas de organismos internacionais. Mas é sempre fácil desdenhar os esforços dos impuros quando se dirige a ‘revolução’ detrás de um computador e de barriga cheia.

  25. f.pereira diz:

    Então e aqueles que dizem que dão milhões e no fim é tudo
    treta.

  26. Renato Teixeira diz:

    Sérgio Pinto, os post que fala estão ligado. Fernando Nobre terá mais capacidade crítica que sua excelência. Foram perguntas não linha para a revolução. Mandatado pelos Haitianos? Eu? Nem por sombras. Esse só o Brad Pitt e a Madona.

  27. Sérgio Pinto diz:

    Renato Teixeira, bem pode agora tentar fazer marcha-atrás e assobiar a ver se ninguém repara. Não só não foram apenas perguntas como as insinuações inerentes não eram nada inocentes.

    Não está mandatado pelos haitianos? Então como consegue ter tantas certezas sobre o que os haitianos “acham criminoso”?

    Continuo curioso acerca do porquê de a Cruz Vermelha e a AMI verem as respectivas doações como forma de melhorar a sua imagem publicitária. Tal como parece igualmente contraditório que se ataque a AMI por um lado e se use o Fernando Nobre pelo outro para tentar fazer passar um ponto de vista. Como é igualmente absurdo meter o FMI e a AMI no mesmo saco, até porque a natureza do auxílio prestado/a prestar será certamente diferente.

    Enfim, no fundo o seu post é um arrazoado em que ataca por ter cão e por não ter. Quando o importante é mandar abaixo a ‘impureza ideológica’ suponho que a coerência não seja um ponto particularmente importante. Evidentemente, se você fosse haitiano e tivesse visto metade do seu mundo a ruir, provavelmente não estaria muito preocupado em verberar umas parvoíces sobre o Brad Pitt.

    Mas quando se é revolucionário de barriga cheia é sempre fácil criticar tudo e esperar pelo “quanto pior, melhor”. Pelo menos enquanto o “pior” não lhes aterrar na cabeça e se mantiver apenas sobre o povo que os Teixeiras e Vidais afirmam representar.

  28. ezequiel diz:

    ò Renato,

    Os haitianos não acham nada disso. eles, melhor do que ninguém, conhecem bem as dificuldades que uma tragédia destas causa. o sr não se limitou a fazer perguntas. eu n perceber. deve pensar que somos burros.

    eu tenho que dar respostas a que interpelação? os sr limitou-se a acusar e n corroborou coisa alguma. levanta suspeitas imbecis e pouco mais. nada que mereça uma resposta.

    ps: os avioes já estão a aterrar no aeroporto. o uss comfort está a ajudar. helicopeteros da USN estão a transportar milhares de pessoas.

    porque é que mente assim, de forma tão descarada?

    está a insultar os seus leitores, meu caro.

    passe bem.

    a água e alimentos q estão a ser descarregados às toneladas…são TRETA????

  29. Renato Teixeira diz:

    Ségio Pinto, a coerência não é um bom traço de caracter. Vi milhões a irem para o Haiti e o básico a não ser feito para salvar as pessoas que ainda podiam ser salvas debaixo dos escombros.

    Ezequiel, veja as noticias. Salta à vista o pouco ou nada que está a ser feito. No noticiario das oito acabou de mostrar que as pessoas que com a ajuda dos populares conseguiram sair com vida dos escombros continuam sem ter acesso a um hospital de campanha para receber tratamentos básicos como o controle de infecções. Imbecil é o entusiasmo com a caridade balofa que só enche a barriga dos burocratas de serviço.

  30. Sérgio Pinto diz:

    Renato Teixeira,

    Presumo que prefira a hipocrisia enquanto traço de carácter, portanto. Entretanto, continuo a ver que, apesar de gostar de fazer perguntas, não é particularmente apreciador de responder às dos outros (ou a contrariar as inconsistências em que o seu post e subsequentes comentários são pródigos).

    Você acha que dando um pontapé a uma pedra, mil máquinas para remover entulho aparecem? Que atrás das máquinas aparecem os voluntários com conhecimentos suficientes para as manobrar? Que ambos se teletransportam para o Haiti por seu desejo? Que a montagem de qualquer infraestrutura para receber centenas/milhares de voluntários ligados aos diversos países, ONU e ONG’s surgem instantaneamente?

    Reparou que, além das que ficaram nos escombros, um número bastante maior de pessoas depende agora de ajuda externa para quase tudo?

    Era possível fazer mais? Era. É sempre. Mas se dependesse dos Teixeiras e dos Vidais, bem podia aquela gente desejar ter morrido no terramoto, que para os revolucionários de poltrona o importante é denunciar a ‘caridade balofa’ e perorar sobre a ‘remoção do Aristide’ e as forças das trevas que a possibilitaram (o Brad Pitt e a Angelina Jolie, imagino).

  31. Renato Teixeira diz:

    Sérgio Pinto, não se zangue mais. Os milhões resolvem tudo por si.

  32. Carlos Vidal diz:

    E até apagam os rastos “indesejados” da história recente.

  33. Rui Coutinho diz:

    Quando Portugal continental ou os Açores forem atingidos por um evento com esta magnitude, terá resposta a todas as suas dúvidas.

  34. Renato Teixeira diz:

    Rui Coutinho, não é preciso esperar por outro. Este foi esclarecedor. Brutalmente esclarecedor.

  35. subcarvalho diz:

    para um esclarecimento sobre a ocupação da ONU…
    http://lacitadelle.wordpress.com/2010/01/13/haiti-estamos-abandonados/

  36. Sérgio Pinto diz:

    Renato Teixeira, a mim os milhões não resolvem nada. Mas ajudarão certamente a resolver os problemas dos haitianos que precisam desesperadamente de ajuda e que, suponho eu, não serão particularmente sensíveis ao argumento da dupla “Teixeira & Vidal” de que o que importa agora é discutir o Aristide e insultar quem efectua doações e quem por lá anda a tentar aliviar a catástrofe que sobre eles se abateu.

    Mas você é livre de achar que a AMI e a Cruz Vermelha só lá andam por questões de promoção de imagem. Tal como é livre de fazer insinuações absurdas e de se esquivar às suas própria contradições. E sorte a minha por não vivermos numa ‘democracia’ estilo cubana.

  37. Renato Teixeira diz:

    A única contradição que vejo é entre milhões e falta de anestesias e anti-inflamatórios.

  38. Sérgio Pinto diz:

    Pois. É uma pena, mas a cura para cegueira voluntária de terceiros não está nas minhas mão.

    Felizmente, o mundo não depende das visões conspirativas e absurdas dos Teixeiras da vida. Sorte dos haitianos, as suas vidas também não.

  39. Sérgio Pinto diz:

    Pois. É uma pena, mas a cura para cegueira voluntária de terceiros não está nas minhas mãos.

    Felizmente, o mundo não depende das visões conspirativas e absurdas dos Teixeiras da vida. Sorte dos haitianos, as suas vidas também não.

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