«A Economia Organizada»

A unipop organiza, a 5 e 6 de Fevereiro, na Casa da Achada/Centro Mário Dionísio, um seminário dedicado ao tema da «economia organizada», apresentado por João Bernardo. Será uma boa ocasião para debater questões relacionadas com o Estado, a economia, as crises  e o papel da tecnocracia na reconfiguração do modo de produção capitalista. O seminário é aberto a tod@s (mediante inscrição e em função do espaço disponível),  não sendo requerido qualquer tipo de habilitações ou grau académico. Eis o seu texto de apresentação:

“Na década de 1930, com o sistema financeiro em colapso, a indústria em crise e o comércio internacional em retracção, havia dois únicos lugares onde a economia crescia a alta velocidade, a União Soviética e a Palestina judaica. O caso da Palestina é pouco conhecido e o motivo do seu crescimento económico é muitíssimo interessante, mas de carácter estritamente político. Para o mundo eram os planos quinquenais soviéticos que importavam, numa demonstração cabal de que a organização centralizada da economia ultrapassava os problemas que o livre mercado era incapaz de solucionar. Enquanto os especuladores se punham em fuga ou se suicidavam e os patrões abriam falência, os burocratas e a tecnocracia mostravam como se podia dirigir com êxito a vida económica. Para quem o esqueça hoje, foi assim a década de 1930.”

“Mas os políticos e os gestores preocupados com a salvação do capitalismo hesitavam. Valeria a pena incorrer nos custos sociais de uma revolução − com o risco suplementar de ela vir a ser verdadeiramente revolucionária − para organizar centralizadamente a economia? A experiência do estado-maior alemão durante a primeira guerra mundial mostrara que era possível organizar a produção e o consumo partindo do terreno firme da ordem e sem pôr em causa a propriedade privada, e Lenine nunca escondeu o que a sua concepção de comunismo devia à economia de guerra do estado-maior alemão. Encontramos aqui os pólos que presidiram à tentativa de reconstrução do mundo na década de 1930.  Entre esses pólos proliferaram elementos intermédios, veiculando influências recíprocas. Foi neste meio que se gerou a noção de «Economia Organizada». Era por definição um meio discreto, porque não se integrava nas principais forças políticas, e esta vocação de obscuridade correponde à forma de exercício do poder pelos gestores. Conviria estudar esses personagens dos bastidores, deslindar-lhes os percursos. Situados entre os dois pólos, quando não em ambos ao mesmo tempo, qualquer que fosse o rumo dos acontecimentos eles tinham representantes no lado vitorioso. Depois da guerra, foram eles quem fez o mundo.”

João Bernardo é autor de vários trabalhos, entre os quais se destacam, mais recentemente, Labirintos do Fascismo. Na Encruzilhada da Ordem e da Revolta (Porto, Afrontamento, 2003) e Capitalismo Sindical (São Paulo, Xamã, 2008). Reside a maior parte do tempo no Brasil, onde tem sido conferencistas em diferentes universidades

Rua da achada, n.º 11 | www.centromariodionisio.org

Horário: dia 5, das 18h30 às 21h | dia 6, das 15h às 18h

Entrada limitada ao número de lugares disponíveis!

Inscrições: unipopeconomia@nullgmail.com

Dia 6, às 18h30, lançamento do livro com textos de
KARL MARX, CRÍTICA DO NACIONALISMO ECONÓMICO
Edições Antígona
Tradução de José Miranda Justo
Prefácio de José Neves

Debate a partir dos textos de Marx e com a participação de José Bragança de Miranda e José Luís Garcia

Este volume inclui dois textos de Karl Marx: o primeiro é um dos seus escritos menos conhecidos, redigido em 1845, e, em rigor, uma crítica à obra de Friedrich List, O Sistema Nacional da Economia Política (1841). O segundo texto é o discurso proferido por Marx em Janeiro de 1848, «Discurso Sobre a Ques­­tão do Comércio Livre». Aqui, Marx procura desmontar o argumento de acordo com o qual o comércio livre, na medida em que aumentaria os salários e diminuiria o preço do pão, beneficiaria o partido dos trabalhadores. No início do século XXI, é digno de atenção o regresso a um Marx que censura o proteccionismo com tanto ou maior em­penho do que o que empresta à crítica do comércio livre.

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7 Responses to «A Economia Organizada»

  1. Pedro diz:

    Nós sabemos todos como se faz, Ricardo. Pergunte ao Pedro Arroja que ele também lhe explica como Portugal no tempo do Estado Novo teve o maior crescimento de sempre. O Salazar até acabou com o défice num piscar de olhos. Por pouco, não acabava com a inflação por decreto. Mais eficaz do que uma economia perfeita e completamente dirigida e planificada não há, é verdade.

  2. Nuno diz:

    Caro Pedro.

    Ia começar a escrever mas não vale a pena, você tirou-me as palavras dos dedos…

  3. Corvo Verde diz:

    😉 Tão queridos comentários e tanto caos na economia…
    MAs o Pedro e o Nuno sabem por mim, pelo Salazar, pela Madre Teresa de Calcutá, pelo Arroja…
    Fico descansado que “nós sabemos todos como se faz”. Muito mais descansado.
    Pelo sim pelo não vou tentar dar lá uma saltada.
    A propósito, a IBM, a Néstle, a Monsanto, a Beyer não planificam a economia? Ah pois, para os accionistas… percebi…

  4. Zé Neves diz:

    corvo,
    inscreve-te se queres lá dar uma saltada.

  5. Gavião Sadino diz:

    Ricardo lamento não ter ocasiãp para responder com maior rigor aos pontos de vista que expressa. Em minha opinião até não estão muito fora dos “carris”.
    Mas essa ideia da “economia organizada” partiu de um trabalho de Hilferding, creio que em 1906.
    Quanto às opiniões dos outros intervinientes sobre Salazar
    e o equilibrio financeiro também não deixa de ser verdade! Só que o atraso do país aumentou em relação aos demais países. Ou seja; guardavam-se as poupanças debaixo do colchão, passavamos fome e andavamos descalços.

  6. 'Idi na Hui' diz:

    Talvez fosse de olhar para este artigo para saber como…
    http://resistir.info/russia/benediktov.html

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