Ironia Alegre V

ironia alegre #18

#13#14#15#16#17#18 da evocação

(Nota explicativa à derradeira das ironias que construí para os leitores do cinco dias. Não é, ainda, o que eu penso da candidatura do Manuel Alegre. Agradeço por isso não ser exorbitado por alegristas mais impertinentes)

Salvador Allende, Barack Obama, Fausto Bertinoti, Anxo Quintana, Mário Soares e François Mitterrand são os sapos mais credenciados dos últimos anos e os mais difíceis de engolir para os sectores da esquerda que agora ponderam o voto em Manuel Alegre. São todos diferentes e nenhum parecido com Alegre. O comentarista empertigado  pode segurar a sua crítica ao paralelo, uma vez que a intenção é apenas mostrar que é sempre impossível prever antes de qualquer eleição, ainda para mais uma eleição unipessoal, o que vai fazer depois o sufragado. Há os que não cumprem promessas, há os que fazem o contrário do que disseram e há os que não fazem coisa nenhuma. Há os que simplesmente se aburguesam e há os que matam quem os elege.

Allende nomeou Pinhochet para Chefe do Estado Maior das Forças Armadas e para seu carrasco; Obama arrebatou os votos do movimento contra a guerra para continuar a fazer a guerra; Bertinoti e Anxo Quintana dirigiram os dois maiores partidos da esquerda radical na Europa e mais não fizeram do que unidade com cristãos de esquerda e social-democratas e meia dúzia de brilharetes parlamentares (no caso do Quintana ainda deu para andar do iate do magnata Jacinto Rey);  os socialistas Mário Soares e François Mitterrand foram eleitos pela esquerda para fazer de polícias de proximidade do movimento social (explosivos nos dois países) e aplicar as políticas da direita.


ironia alegre #17

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ironia alegre #13

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42 Responses to Ironia Alegre V

  1. Renato,
    Não quero fazer de Alegrista impertinente. Mas estou convencido que é o que tu pensas tb de Chavez e de Evo Moralez. Se calhar é o facto de serem eleitos que te perturba.
    Finalmente, há imagens que tornam ridículo o que a gente pensa. A imagem que escolheste é profundamente infeliz, pq não esclarece nada: É o Alegre o Pinochet? É o Allende o Pinochet? A alegoria é mais subtil e queres dizer que toda a esperança democrática (Allende) tem na ilharga, o seu carrasco (Pinochet)…. Enfim, acho que é uma imagem que serve só para provocar, não tem, em meu entender, nenhuma capacidade de ilustrar o teu ponto de vista. Achava mais interessante, um texto teu sobre as presidênciais do que comer com o Pinochet quando se abre o blogue. Gostos não se discutem 🙂

    Abraço

  2. Renato Teixeira diz:

    Não. Evo e Chávez ainda representam uma mudança significativa na Bolívia e na Venezuela, respectivamente. Ainda vale a pena dar-lhes apoio crítico particularmente num momento em que enfrentam a oposição das forças imperiais. Como vez… no fundo no fundo, sou um centrista. Como poderás ler na nota explicativa não acho que sejam todos farinha do mesmo saco. O alerta pretende sublinhar os perigos dos supostos males menores.

  3. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Renato,
    Desculpa, reeditei o meu comentário, sem ver que já tinhas respondido, és mais rápido que a sombra… Vais ter que ir acima, tento dar-te uns carolos 🙂

  4. Renato Teixeira diz:

    Nuno, sem problemas… Acho que a nota que faço esclarece as tuas dúvidas e tenho pouco mais a acrescentar. A serie de cinco ironias é obviamente uma provocação. São exageros polémicos que ajudam a abrir caminhos na batalha argumentativa. Não acho Alegre parecido a nenhuma das figuras. Apenas fui buscar personagens em que a esquerda, com o argumento do voto possível, acabou a confiar (não encontrei o Kerensky essa grande figura da revolução de Outubro, onde por certo os alegristas se iriam rever). Exemplos avulsos sem nenhuma articulação histórica. Uma ironia portanto.
    Não substitui o que penso sobre as presidenciais e sobre Alegre. A seu tempo escreverei sóbria e solenemente sobre isso. Sempre pronto para levar carolos com fraternidade.

  5. Augusto diz:

    Mas que grande confusão vai na cabeça do sr Renato Teixeira, Alegre misturado com Pinochet, e o Anxo Quintana misturado com o Mitterrand….

    E que tal o Alvaro Cunhal misturado com o Soares, afinal o Soares foi apoiado na sua eleição pelo PCP….

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Renato,
    Eu odeio as fotos com o Pinochet. Espero um post solene. 🙂

  7. antuán diz:

    Bem, no mínimo sabes que há uma pessoa que vai ficar contente com a posta: Anxo Quintana, por teres dito que nalguma ocasião chegou a dirigir coisa alguma.

  8. Esta malta ainda n percebeu que aparece quem aparecer serão sempre do contra, sempre vaiados e sempre denegridos

    O que a comunalha quer é tempo de antena e nada mais.

  9. Não sendo um fã de Alegre nem sequer do movimento sincrético que este pediu ao balcão, parece-me que o resgate de Pinochet é provavelmente o único argumento que se pode dar ao primeiro…ou seja, esqueçamos o homúnculo, e descontando as guerras entre socialistas, comunistas, MIR’s e afins,encontramos a única convergência decente. A não ser que o Renato tenha colocado o Pinochet já à espera de reacções desta ordem…

  10. Renato Teixeira diz:

    Augusto e José Pedro Monteiro, a nota prévia é clara, e quanto muito o paralelo seria entre Allende e Alegre.
    Augusto, o PCP e o PS estão hoje bem mais distantes do que já estiveram no passado. Ainda bem para o PCP.
    António Cunha, o que o chateia é que a “comunalha” defende muitas coisas… muitas coisas.
    Antuán, de facto a inclusão de Quintana é lisonjeira. Muito lisonjeira. Mas a verdade é que ele foi a figura de proa a esboroar os sonhos do BNG no pragmatismo do PSOE e assim no regresso do pesadelo do PP.
    A todos, a inclusão de Pinhochet tem o objectivo de lembrar que o insuspeito Allende, em nome da unidade e da esquerda possível, nomeou o facínora para ministro da Defesa. Deu-lhe as armas que o haviam de matar. É a versão mais sangrenta do dois passos atrás e nenhum em frente.

  11. portela menos 1 diz:

    uma escolha de foto à medida da ironia.
    recomendo-vos, pessoal revolucionário da abstenção, que apresentem um candidato a PR.

  12. Renato Teixeira

    A comunalha não defende nada de util, apenas ideias ultrapassadas e impraticáveis.

    Os comunistas (que n deviam se chamar comunistas) defendem coisas, muitas coisas. Algumas boas outras nem por isso.

  13. Renato Teixeira diz:

    portela menos 1, só sou abstencionista quando não há nenhuma opção. Espero que apareça um candidato de esquerda contra o governo. Espero mesmo. Apoio qualquer um.
    António Cunha… escapa-me a sua destrinça.

  14. Renato, sim, mas a comparação continua sem fazer sentido:
    “Há os que não cumprem promessas, há os que fazem o contrário do que disseram e há os que não fazem coisa nenhuma. Há os que simplesmente se aburguesam e há os que matam quem os elege.” Ok, e o Allende? É que destoa, de todo, exactamente porque se distingue de todos os outros. Todos são diferentes entre si, mas todos eles têm algo em comum que os torna comparáveis a Alegre. Allende não. Pinochet, como é evidente não faz sentido nenhum, por mais irónico que seja o post.
    Só um aparte: o Pinochet não era ministro da defesa antes Chefe do Estado Maior das Forças Armadas.

  15. Não escapou não meu amigo.

  16. xatoo diz:

    um candidato que simbolizasse equidistância entre correntes de pensamento seria possivel se a informação fosse disponibilizada por completo (a de “interesse nacional” de que tb faço parte) e as condições de educação fossem iguais para todos. Não são.
    Rui Mateus, o dos “Contos Proibidos” (agora reeditados na internet) tal como Vitorino Magalhães Godinho e outros socialistas, ainda que errados nos conceitos sobre a liberdade, foram homens que lutaram por um ideal. Um ideal de verdade nas relações da política com o devir das pessoas – uma luta das essências contras as aparências. Uma luta de classes. A esperança que ainda nos resta das razões do ser das classes trabalhadoras contra o ter das classes possidentes. Uma luta que temos de radicalizar na filosofia do ser contra o ter.
    É este tipo de ética que bestas como o “António Cunha” ou o “Portela menos 1”, comentadores habituais do Arrastão jamais entenderão. Limitam-se a andar por aqui a ladrar às canelas de quem passa, a pensar que mordem pela interposta dentuça emprestada pelo dono.

  17. xatoo diz:

    Renato Teixeira
    não concordo que dê troco linha por linha a alguém que o trata como “a comunalhada”; pense nisto.

  18. ó xatoo como já te conheço d’outros blogs a tua conversa é ela mesma a representante da comunalha e não comunalhada. O sr renato aparenta ser de outra estirpe.

    Por outro lado tu tens a agravante de sofreres de teoriaçãozite da conspiração aguda em estado terminal.

  19. Renato Teixeira diz:

    José Pedro Monteiro, obrigado pela rectificação. Vou reformular. É sem dúvida a mais forçada das ironias. Mas o raciocínio está lá. Porque raio alguém com as boas intenções de Allende vai dar seja que tacho for, ainda por cima ligado às forças armadas? Sei que era um governo de frente popular mas ainda assim que sector popular Pinochet representava?
    Xatoo, é coisa de blogger com tesão de mijo. Com o tempo passa. Mas até que a perca tento dar resposta a todos os comentários. Às vezes algumas aberrações argumentativas podem ser muito esclarecedoras. De todo o modo obrigado pela caracterização dos sujeitos. Dá sempre jeito a um novato saber com quem se está a falar.

  20. portela menos 1 diz:

    Comentário de xatoo
    Data: 12 de Janeiro de 2010, 15:00

    obrigado…estava a ver que nunca seria citado por uma sumidade democrática como xatoo!

  21. Renato, alguns pontos. A história é mais complicada do que isso. Em primeiro lugar, Pinochet tinha demonstrado ser um “constitucionalista”, tinha-se oposto ao “tanquetazo” antes do verão. Tinha a benção do General Carlos Prats, antigo chefe de Estado Maior das Forças Armadas, tipo dado como íntegro, esse sim antigo Ministro da Defesa e que foi assassinado em Buenos Aires em 1976 pela DINA se não estou em erro. Lamento continuar a discordar, com o forceps aplicado à ironia, permita-me discordar. Que sector popular representava Pinochet? Obviamente o exército, e sem ele, como se viu, não existiria transformação no Chile: confundir um erro, um mau julgamento com uma capitulação é o que distorce a mais puxada das comparações. A entrega de um posto chave a Pinochet não é uma cedência, é, sim, um erro, como todos os registos sobre 11 de Setembro de 73 vêm demonstrar até à exaustão. Pinochet, não obstante ter estado envolvido em repressões de mineiros alguns anos antes, demonstrou uma lealdade a toda a prova ao governo da UP até cerca de uma semana antes do golpe (a junta que encabeçou o golpe estava há muito mais tempo comprometida). Este é o erro: a UP configurou de facto uma convergência de esquerda em que todos cederam um pouco, o que foi a sua força e a sua fraqueza ao mesmo tempo (as divergências eram por vezes mais fortes dentro do PS chileno do que entre PS e PC, como é espelhado pelas relações conflituosas entre Carlos Altamiro, SG do PS e Allende). Acho pouco avisado introduzir este elemento na comparação.
    António Cunha, já vi que passa por tudo o que é blog de esquerda a vituperar os comunistas, os esquerdistas e tutti quanti: pergunto-me se os quer ver todos mortos, por que raio não vai comentar para o Blasfémias e para o Insurgente. Além do mais, para madraços, basta a comunalha… arre…

  22. josepedromonteiro

    Então vê mal. Sou presença regular em apenas um blog, que por acaso não é comunista. E vituperar só mesmo os comunistas “tapados”. Todos temos uns ódios de estimação.

    Não aceito no meu pais que gajos que idolatram assassinos e fdp possam andar impunemente a “defender” os direitos dos trabalhadores e por outro lado a glorificar autênticos assassinos.

  23. Renato Teixeira diz:

    José Pedro Monteiro. Não estarei tão informado sobre os detalhes da revolução chilena como você e desde já prezo a sua paciência para aprofundar a discussão. Das duas uma ou Pinochet é um dissimulado de primeiríssimo craveira ou não teria sido assim tão difícil perceber ao que vinha. Há a história dos mineiros e haverá outras. Um erro é um erro, sem dúvida, e uma capitulação uma capitulação. Uma capitulação é sempre um erro. Já um erro nem sempre é uma capitulação. No caso concreto admitamos que foi um erro, porque é que isso há-de retirar leitura à ironia? Acho que vai haver alguns revolucionários honestos a apoiar Alegre. Isso faz deles capituladores? Nem por sombras. Mas que erram, não tenho dúvidas.

  24. viana diz:

    Achar que a nomeação de Pinochet para ministro da defesa foi essencial para o sucesso da contra-revolução no Chile parece-me forçado. Isso é dar demasiada importância ao pretenso poder efectivo dum governo eleito. Este só tem efectivo poder enquanto a polícia e o exército lhe obedecer. E estes obedecem aos que efectivamente comandam, ou seja à estrutura hierárquica policial e militar de carreira. Ou seja, o golpe contra Allende teria acontecido, e muito provavelmente teria o mesmo “sucesso”, fosse ele liderado por Pinochet (ou outro) enquanto (mero) general ou enquanto ministro da defesa.

  25. António Cunha: atenção ao pleonasmo comunistas tapados. Já agora, que outras contradições o deixam em polvorosa?
    Renato, sim, Pinochet era um dissimulado de primeirissima craveira, tanto é que, por exemplo, mantinha relações de amizade com o Ministro da Defesa Jose Tohá, entre outros. Aliás, era antes de tudo um oportunista que só jogava pelo seguro, provavelmente, um exímio praticante deste mister. Uma capitulação não é um erro, capitula quem assim o decide, para errar, a não ser que por algum motivo se queira errar, e aí não se erra pois cumpre-se o objectivo, é preciso não querer errar. Voltas que não interessam a ninguém.
    Voltando à comparação, eu sinto algum prurido em largar assim revolucionário a torto e a direito, o que aqui interessa é separa a intenção do resultado, e por isso a analogia falha. Miterrand, Obama ou Alegre, ao situarem o discurso numa nebulosa distanciada da práxis, tentaram alargar o espectro, no sentido de conformar uma plêiade de interesses a um objectivo comum, não cedendo senão na retórica. Ora, no que à UP diz respeito, o resultado pode ter sido mau, mas não foi por opção das forças que a constituíam: e aqui a vontade e intenção contam. Por isso não fazer sentido a ironia.

  26. josepedromonteiro

    Prefere comunistas com os olhos fechados, e que nunca os irão abrir ?

  27. Renato Teixeira diz:

    Viana, acho que foi um erro importante e favoreceu os contras. Seria de outra maneira? Buh.

    José Pedro Monteiro, não posso concordar com o que diz aqui: “Miterrand, Obama ou Alegre, ao situarem o discurso numa nebulosa distanciada da práxis, tentaram alargar o espectro, no sentido de conformar uma plêiade de interesses a um objectivo comum, não cedendo senão na retórica”.
    O problema destas figuras não é só de sintaxe.
    A capitulação é um erro aos olhos do processo histórico (ou aos olhos de quem olha para ele que o processo ainda não ganhou olhos), evidentemente aos olhos dos capituladores pode constituir uma vitória individual. Há quem se alegre com cada merda…
    No que diz respeito ao Chile tem razão quando diz que as intenções contam. Contam. Mas o que cicatriza o curso da história são os factos.
    António Cunha, não se cansa? Ainda não percebeu que nesta tasca ninguém dá bola ao seu anti-comunismo primário?

  28. Renato Teixeira

    Primário ? Eu diria secundário ou até terciário.

  29. Renato e Viana: só para continuar a alimentar a discussão, um dos factores que justificou o golpe ( e que porventura seria o único motivo que justificaria o fim do apego do exército ao legalismo) foi a possibilidade de uma divisão no seio do exército, uma quebra da cadeira hierárquica e da unidade das forças armadas. Quanto ao peso da nomeação de Pinochet, não me atrevo a fazer considerações categóricas: se por um lado, outros golpes falharam e este não, por outro, já se tinha chegado a um ponto em que uma parte muito significativa do exército estava contra Allende. No entanto, Viana, a posição de Pinochet como Chefe do Estado-Maior era fundamental para o derrube, tanto é que com Schneider e Prats não houve golpe (a questão da unidade no exército chileno tem um peso que não é de somenos).
    Renato, a capitulação não é um erro, é uma opção. Continuo a insistir nisto. Aí está a diferença.
    Por essa ordem de ideias, quanto à relegação das intenções para a categoria de adornos, o governo da Unidade Popular, equivale à ditadura militar do Videla, porque no que aos resultados diz respeito, se equivalem. Essa afirmação “Mas o que cicatriza o curso da história são os factos.” não faz muito sentido: o que conta é o resultado, quer antes dizer, ou o governo UP não contém em si factos? Além disso, altamente perniciosa essa forma de definir o que são factos.
    cumps.

    António Cunha, não sei se lhe devia responder: se os comunistas (suponho que englobe aqui toda a gente de esquerda) que conhece têm os olhos fechados (presumo que seja um recurso metafórico) porque insiste, em cada caixa de comentários, em sacar do pé-de-cabra para obrar um milagre?

  30. josepedromonteiro

    Mas quem lhe disse que as pessoas de esquerda são todas comunistas ? E quem lhe disse que todos os comunistas tem os olhos fechados ?

    Ai esses preconceitos.

  31. miguel serras pereira diz:

    Caro Renato,
    este teu post é demasiado “conceptual” para ser humorístico – vejam-se as explicações que tens de dar antes e depois dos comentários. Mas, sendo demasiado “conceptual” para ser humorístico, não é também rigoroso em termos “conceptuais”. Não se percebe bem para que concepção política remete e compromete o pouco que se entrevê dela.
    O Nuno Ramos de Almeida e o Viana cada um a seu modo puseram bem a nu as fraquezas da tua intervenção. Esta ainda por cima só serviu para multiplicar alguns dos comentários mais inúteis e mais estupidamente “engraçadinhos” aparecidos nos últimos tempos nas caixas de comentários deste blogue: apesar de as pérolas que tais nele não serem raras, o efeito de avalanche parece-me desta vez devastador.
    Temos tido discussões sérias sobre questões importantes, mas não vejo maneira de tomar o post como ponto de partida para uma conversa inteligível e que valha a pena continuar. O melhor seria descalçares pura e simplesmente esta bota que te faz coxear. Mas, claro, só tu sabes se queres fazê-lo e de que maneira.
    Abraço

    msp

  32. António Cunha diz:

    Já cá falta o intelectualoide. Este blog é uma mina…

  33. Renato Teixeira diz:

    José Pedro Monteiro, há boas e más opções? se as há, pelo seu raciocínio também, a opção de capitular é boa ou má. O mesmo considero relativamente aos facto. De acordo quanto à importancia de Pinochet no golpe. Ao contrário do que diz Viana.
    MSP, gostos são gostos. Desta vez gostou menos, da próxima quem sabe gostará mais. Não se preocupe com “o efeito de avalanche” dos comentários que desta vez lhe pareceu “devastador”. Faz bem à alma quer dos comentaristas, quer do postador. Os que não vibram muito com a coisa podem seguir para o texto seguinte no blog. É uma espécie de fitness pós-moderno.
    A ironia foi um bom ponto de partida para o debate. Ajudou, a par de outros textos, que finalmente a esquerda blogósférica discutisse o Alegre. Se vai contribuir ou não para a defesa da minha posição é outra coisa. Mas não se preocupe em demasia. Serei claro e inteligível. Quanto à bota deixe-a ficar que há quem ande com ela. Entendo que o post cumpriu com o seu objectivo.
    Cumps e abraço aos dois.

  34. miguelserraspereira diz:

    OK, Renato – tudo bem. O “fitness pós-moderno”, a gente discute-o noutra altura: não tenha nada contra o fitness; contra o pós-moderno a questão fia mais fino.
    Abraço
    miguel

  35. Renato Teixeira diz:

    MSP, então estamos de acordo. Embora tenda a achar que nem fitness nem pós-modernismo (a não ser fitness de dedos, para escrever, ou da pélvis para o resto). Aquele de dar pulos ao espelho não me convence também.
    Saudações

  36. Renato, se a capitulação é uma má opção, o erro não é uma má opção, resulta de uma má opção. Quanto aos factos, estava-me a referir ao produto, final na sua leitura, que de forma arbitrária transforma em factos. O derrube do Governo da UP é um facto mas a nacionalização do cobre não é um facto senão em relação ao produto final.
    À espera do post sério sobre as convergências, apesar de, no fundo, não adiantar nada: quando o Cavaco correr o risco de ser reeleito (no caso de ser Cavaco), toda a gente vota Alegre e fica tudo na mesma, exactamente na mesma em que ficou quando o Sampaio, ex-MES, consciência crítica do PS, bem mais distante de Soares e obreiro de uma coligação de esquerda na urbe, foi eleito Presidente. Quem, em 1996, deixou de sentir a profunda convulsão política nas esquerdas (ou será que foi 95?)…

  37. Renato Teixeira diz:

    Voltando ao Alegre, fala com razão. Esperemos que apareca outro nome para levar os sectários como nós, às urnas e para pelo menos durante a campanha eleitoral não deixar tudo na mesma. Abraço.

  38. E qual é solução, Ricardo Teixeira? É o “orgulhosamente sós” do PC? Ou outra qualquer vanguarda iluminada/imaculada?

  39. Renato Teixeira diz:

    Luís Marvão, a solução é um candidato de esquerda contra o governo.

  40. “…a solução é um candidato de esquerda contra o governo.”

    Ehehehe, o que tu queres sei eu !!!!

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