A “esquerda possível” não me traz alegria

O Daniel Oliveira e o Miguel Cardina defendem  a tese que a candidatura de Alegre é a candidatura possível e que apesar das suas divergências, é a única que poderá fazer frente a Cavaco. O Nuno Ramos de Almeida, distingue entre uma candidatura de Alegre com e sem o apoio de Sócrates.
Está lançado o debate à esquerda do PS sobre as eleições presidenciais, e é bom que o façamos sem alinhar nas teses simplistas que Alegre é o único que isto ou aquilo.
Num momento histórico em que os partidos à esquerda do PS obtiveram quase 1/5 dos votos expressos e em que temos o PS mais à direita (como dizia o Daniel no Eixo do Mal, é no orçamento que se vê as opções políticas, não numa ou outra lei) parece-me inexplicável que a esquerda não avance com candidatos próprios.
Se a última candidatura de Alegre despertou entusiasmo e um movimento interessante por correr à margem do centro, a forma como o próprio a esvaziou politicamente, utilizando-a para negociar lugares no actual executivo e sem nunca procurar derrotar o governo nas suas políticas de direita (quando se fala no voto de Alegre contra o Código do Trabalho,  é preciso que se leia este texto do Emídio Fernando que acompanhou a votação na Assembleia da República) transformo-a num projecto pessoal e intransmissível.
Se Alegre se candidata sem o apoio de Sócrates, é uma teimosia. Se Alegre se candidata com o apoio de Sócrates, é a candidatura do PS.
Nestas circunstâncias, o apoio do BE a Alegre é uma desilusão. Embora perceba que o jogo de sedução BE/Alegre tenha ajudado à sua subida eleitoral, não pode deixar de me entristecer a imagem de Louçã e Sócrates do mesmo lado da trincheira.
Contudo, o cenário que temos e independentemente da estratégia política, abre espaço para uma forte candidatura de esquerda à margem do PS. Muitos (e bons) nomes têm vindo a ser avançados desde Carvalho da Silva (aparentemente o candidato de sonho de todo e qualquer bloquista), Carlos Carvalhas, Fernando Nobre ou Mário Moreira. Pela minha parte, cumpre-me acrescentar um nome ao rol de potenciais candidatos: Octávio Teixeira.
Octávio Teixeira tem todos os argumentos para combater o discurso economicista de Cavaco e patrioteiro de Alegre, garante a defesa das posições de esquerda sobre defesa nacional, NATO, UE ou soberania dos povos (sem taticismos ou silêncios) e, sobretudo, nada tendo a ver com o “centrão” ou com outras sociedades secretas, poderá disciplinar e intervir numa das áreas de maior debilidade da nossa democracia: a Justiça.

(também publicado no Aparelho de Estado)

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