Improvavelmente alegre

Ao contrário dos meus amigos Renato, Carlos e Tiago, eu não tenho uma opinião definida em relação à provável candidatura de Manuel Alegre. O mundo e o PS andaram tanto para a direita que o poeta tornou-se, comparativamente, num homem bastante à esquerda. Se não duvido de certas qualidades de Alegre, tenho poucas certezas em relação à sua utilidade. Uma candidatura de Alegre apoiada pelo PS de Sócrates, à primeira volta, nunca contará com o meu voto. A eleição de um candidato manietado pela actual direcção do PS, é um voto na política de direita, nas negociatas e na promiscuidade entre o governo e os interesses privados. Não pretendo legitimar a sua existência apoiando um seu candidato. Mais, acho até perigoso – numa conjuntura que o governo pretende “Berlusconizar” a justiça, dominar a comunicação social e conseguir um poder absoluto – ter um presidente e um governo na dependência directa de Sócrates.
A candidatura de Manuel Alegre é interessante no caso de ser feita sem o apoio do partido socratista. Nesse contexto, pode dar voz às centenas de milhar de eleitores socialista que não se reconhecem neste PS. Ajudando a construir um espaço de uma esquerda a sério que possa ambicionar ganhar e governar à esquerda. Nesse espaço cabe Manuel Alegre, por direito próprio, e poderá ser, se o quiser, um protagonista deste necessário realinhamento da esquerda.
Para além de resistir, a esquerda deve ter ambição de poder mudar este pais. Apenas com a participação de sectores de esquerda do PS, do PCP, do Bloco e de muitas e muitos independentes isso será possível. Só nessas circunstâncias, e com esse objectivo, votarei Alegre.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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