Uma simples citação, e um dever para com a história

Um post aqui publicado, proporcionou-me esta digressão:

(…) a burguesia internacional detesta Estaline sobretudo pela extremamente incómoda lembrança da bandeira vermelha tremulando no Reichstag de Berlim em 1945. Os marxistas, especialmente os comunistas, têm o dever intelectual e político de não deixar o debate sobre Estaline ser monopolizado por reaccionários.

(João Q. de Moraes, sobre Ludo Martens, Un autre regard sur Staline, 1994)

Lendo toda a recensão de João Q. de Moraes à edição em língua portuguesa (no Brasil) do livro de Ludo Martens, lê-se uma análise que não elogia Estaline, mas a necessidade de tratar de um tabu. Por isso, o texto de Joaquim Q. de Moraes não podia deixar de ser também crítico do livro de Martens, que seria interessante editar em Portugal. A juntar às já existentes e importantes ferramentas de Simon Sebag-Montefiore e em benefício do estudo do século XX.

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69 respostas a Uma simples citação, e um dever para com a história

  1. Resposta ao Carlos Vidal
    Sem pretender responder de forma provocadora, quando insinua que sou estúpido ou atrasado mental. Aqui vai o que tenho a dizer.
    A minha primeira intervenção visava unicamente, porque tinha acabado de fazer um post, no meu blog, sobre o mesmo assunto acrescentar uma série de informações a alguém que de início parecia não saber que já havia uma edição portuguesa do Ludo Martens e que tinha estado à venda na Festa do Avante. Apesar de haver algumas pequenas provocações, tinha exclusivamente um fim informativo. Foi isto que eu lhe disse em segundo comentário. Por outro lado, você não se referia a uma tese universitária, em que por dever de ofício se tinha que ler também o Ludo Martens. Referia-se sim, a quem quisesse compreender o século XX devia ler, além do livro do Sebag, o do Ludo. Ora, fora a ideia de que se deve ler tudo, parece-me o pior exemplo utilizar o livro do Ludo para opor ao do Sebag. Daí a minha indicação de outros livros.
    Depois de alguns comentários seus desagradáveis sobre quem sou, apesar de em cima já me ter dito que me conhecia de pequenas provocações e de falar em listas a propósito de nada, começa a dizer que não dá mais um tostão para a discussão à volta dos totalitarismos. Eu pelo menos dou, para a combater e expresso-lhe o meu ponto de vista noutro comentário. Também eu não sou neutral entre o Ludo e Sebag. Acho que o combate ideológico também pode ser contra o primeiro, mas esse é neste momento inofensivo, e só tem relevo porque os senhores lho dão. Mas que o combate principal é contra a direita e certa esquerda que bebe pelos mesmos princípios. Mas nunca será com Ludo que se irá lá, se é que se quer ir a algum sítio na discussão séria do fenómeno de Estaline e da União Soviética.
    Já agora, para sua informação, fiz um post sobre este assunto http://trix-nitrix.blogspot.com/2010/01/voltando-sempre-ao-mesmo-estaline-outra.html

  2. miguelserraspereira diz:

    Carlos,
    sim, pelo menos a divergência precisa-se.
    No plano da história efectiva, respondo que os sovietes vitoriosos de 1917 foram derrotados muito antes da derrocada da ex-URSS. Quanto a esta última derrocada, se foi uma vitória da super-potência americana e potenciou a globalização neo-liberal, não foi a derrocada do poder dos sovietes nem uma derrota da “revolução” – em mais do que um dos comentários que escrevi nesta caixa deixei claras as razões pelas quais o regime da ex-URSS era um regime de exploração e ditadura.

    Como explica bem Moshe Lewin, o facto de esse regime se ter “designado a si próprio como ‘socialista’ [e ser governado por] um partido ‘comunista’ não tem outra pertinência senão a das fórmulas de propaganda e dos cartazes oficiais. O socialismo é uma forma de democracia que ultrapassa todas as formas que possam existir no mundo capitalista. Isto nada nos diz do tipo de sistema económico que uma tal democracia pudesse desejar instaurar; digamos simplesmente que esse sistema deve estar nas mãos da sociedade, sem capitalistas nem burocratas” (artigo publicado em Le Monde diplomatique, em Novembro de 2007).

    E esta passagem de Moshe Lewin remete para o núcleo da divergência a que te referes e que surge em torno da questão: “Como lutar?”, e da questão: Como assegurar que a economia esteja “nas mãos da sociedade” – isto é, seja igualitariamente transformada, governada e decidida pelo conjunto dos seus agentes, ao mesmo tempo que uma transformação análoga seja empreendida no que se refere ao conjunto do poder político (do qual a economia é uma base e um elemento essencial)?

    A minha resposta é que a organização e condução das lutas deve desde o início, desde já, adoptar formas alternativas das da divisão política do trabalho e das da divisão do trabalho político vigentes, formas alternativas das do poder hierárquico e classista dos aparelhos de Estado e de direcção da economia, formas alternativas das que vigoram na fábrica, na empresa capitalista, nas forças armadas, etc. O que implica que deitemos para “os caixotes de lixo da história” as concepções de um partido revolucionário como estado-maior, portador da “consciência de classe”, investido do poder de dirigir, comandar e governar os trabalhadores, condicionar e subordinar o uso por estes de quaisquer direitos aos interesses da “revolução”, ou da “construção do socialismo”, nos termos definidos pelos dirigentes.

    Como vês, estou a esforçar-me por discutir o mais seriamente possível a questão que me propões. Contigo, claro, e com todos os interessados em fazê-lo.

  3. xatoo diz:

    miguelserraspereira
    mas que sovietes vencedores em 1917?
    Se só havia o de São Peterburgo e o de Moscovo? todos os os outros passado uma década ainda nem tinham sido criados. Foi obra do tal “periodo de terror ” como lhe chama o Marc Ferro, outro históriador que tenta dar uma direcção concreta ao leitor. Daí eu ter falado antes no espirito critico sobre leitura de livros consoante os autores e editores. Como MSP saberá melhor que eu. Mas permanece nesta discussão um dirigismo: Moshe Lewin, apesar de sionista, em detrimento de Kurt Gossweiler, que não volta a ser mencionado nem para lhe indicar supostos erros factuais.

    Sobre a criação dos sovietes uma peça bem sugestiva (de 1929) é o filme de Pudovkin “Potomok Chingis-Khana” (Tempestade na Ásia) que mostra bem como as coisas se passavam nos tais “gulags” da Sibéria face ao imperialismo. Emancipação a sério, pode crer!

    A emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores, se souberem o que é que andam a fazer
    x

  4. miguelserraspereira diz:

    xatoo,
    ouça, eu não entrei na análise da reconstituição histórica do Moshe Lewin: limitei-me a citar, pois vem de paragens políticas insuspeitas de complacência para com o “bloco ocidental”, o seu balanço político da história da URSS.

    Não percebo o que você quer dizer quando diz que até uma década depois de 1917 só existiam dois sovietes na Rússia. Deve tratar-se de uma gralha ou lapso seu: com efeito, logo por ocasião da Revolução de Fevereiro formam-se sovietes – e conselhos de fábrica, etc. – em várias cidades. O movimento expande-se e alastra rapidamente. Ainda nesse mesmo ano, tem lugar o I Congresso Pan-Russo dos Sovietes. Não vale a pena prosseguir. Sinceramente, creio que você queria dizer outra coisa qualquer, ou que falta, por lapso, na sua intervenção alguma coisa mais. A própria palavra de ordem de Lenine, nas vésperas de Outubro, que infelizmente não seria mantida mais tarde pelo Partido Bolchevique – “Todo o poder aos sovietes!” – não faria sentido se estes só tivessem surgido, excepto em dois casos, uma década depois.

    De qualquer modo, aproveito a deixa para chamar aqui a atenção dos interessados para duas obras importantes sobre os sovietes e comités de fábrica, etc. e sobre a forma de poder político e de governo que promoviam: Maurice Brinton, Os Bolcheviques e o Controle Operário, Porto, Afrontamento, 1975, e o estudo histórico clássico de Oskar Anweiler, Les Soviets en Russie. 1905-1921, trad. fr., Paris, Gallimard, 1972.

    Também eu acho que quem defende que “a emancipação dos trabalhadores há-de ser obra dos mesmos trabalhadores”, afirma implicitamente que essa emancipação só terá lugar se os interessados souberem o que andam a fazer, tomando consciência de que não deverão confiar a “vanguardas” auto-designadas, nem a “representantes históricos”, nem a “detentores científicos da interpretação correcta dos interesses da classe”, nem a “consciências superiores” e superiormente organizadas, o poder de decidir por eles e de os comandar à maneira de chefes militares que comandam os seus soldados, ou de capitalistas que gerem a sua mão-de-obra.

    msp

  5. Carlos Vidal diz:

    Miguel
    Receio bem que as tuas teses possam redundar numa nova Comuna de Paris, ou seja, num processo de emancipação facilmente controlável e controlado, e numa esmagadora derrota. Só vejo um tema de fundamental discussão: o da, nos termos de Badiou, “organização política”. Que organização política devemos e teremos de desenhar?

  6. Niet diz:

    Pontos nos ii´s sobre o poder dos Sovietes- O II Congresso dos Sovietes dos Deputados Operários e Soldados da Rússia decorreu em Petrogrado, a 7/8 de Novembro 1917, no preciso momento em que os Guardas Vermelhos tomavam de assalto o Palácio de Inverno . 649 delegados tomaram parte nos trabalhos. Lénine estava fora da assembleia a dirigir a insurreição armada, e só participou na sessão de encerramento. E na proclamação da tomada do poder. A composição do Congresso era a seguinte: 390 bolcheviques, 169 socialistas-revolucionários, 72 mencheviques e 14 mencheviques internacionalistas. Os socialistas-revolucionários e os mencheviques tentaram tudo por tudo para fazer ” capotar ” a insurreição armada ”
    e negociar com a burguesia de Kérenski-Kalédine e Kornilov. Lénine difunde um comunicado em que sublinha: ” Que significa esta revolução operária e camponesa? Acima de tudo, o sentido desta Revolução, é que iremos ter um Governo dos Sovietes, o nosso poder fundamental, sem a mínima participação da burguesia. As massas oprimidas criarão elas próprias o poder. O velho aparelho de Estado será radicalmente destruído; e será criado um novo aparelho de direcção sob a conduta das organizações dos Sovietes “, Lénine, OC
    tomo 26. págs.586/7 Éditions Sociales. Paris. 1967. Niet

  7. miguelserraspereira diz:

    Carlos,
    segundo Marx, que não era – é um facto – leninista, a Comuna de Paris fornecera “a forma enfim encontrada da ditadura do proletariado”… É só uma nota à margem.

    Quanto à questão da organização ou das organizações de combate, devemos pensá-la não só a partir das metas mais longínquas, mas tendo em conta a exigência de que os chamados “métodos de luta” e “aspectos orgânicos” sejam governados igualitariamente, em termos anti-hierárquicos, sem Deus nem Dono, e de que a organização vise não a conquista e exercício do poder para si própria, mas para os conselhos, assembleias e outros órgãos em que o poder político seja exercido por aqueles que vincula. Em termos clássicos, se quiseres: o cidadão só consente em ser governado na medida em que assume plenamente, ao lado dos outros, a condição de governante. Da igualdade perante a lei à igualdade na decisão da lei – tal deve ser o critério. E não vejo que outro possa indicar uma transformação mais radical ou revolucionária da ordem estabelecida. Tu vês?

    msp

  8. asinus diz:

    Pois é caro CV, o capitalismo numa agudíssima crise e não se vislumbra o coveiro. “Que organização política devemos e teremos de desenhar?”

  9. Carlos Vidal diz:

    Miguel,
    Quando dizes que Marx referiu a Comuna como a forma acabada da ditadura do proletariado, julgo que te estás a referir antes a um texto de Engels de 1891, assinalando os 20 anos da comuna, onde ele aponta ao mesmo tempo vários problemas organizativos nos grupos da Comuna (proudhonianos e blanquistas), um deles a opção por não atacar o Banco de França, o que obviamente colocaria a burguesia do lado da Comuna contra a corte em Versalhes.

    Mas mantém-se em aberto o problema da organização.
    Dizer que tem de ser anti-hierárquica, sem Deus nem dono, não basta. É que poderá ter de ser hierárquica e com liderança clara. Porque não?
    Depois um século e meio de derrotas, a emancipação do mundo do trabalho e da própriua humanidade não deve colocar condições tão rígidas a priori. A abertura ao “acontecimento” significa uma abertura a todos os possíveis. Inclusive aos populismos, como vem teorizando Ernesto Laclau.
    Depois de perder tudo, há que ter medo de quê?
    O que Marx dizia, sim, era que já não havia nada a perder.

  10. miguelserraspereira diz:

    Carlos,
    reitero, já que pareces dar tanta importância ao caso, que Marx fala também, a propósito da Comuna, da forma enfim descoberta ou encontrada do governo proletário ou da ditadura do proletariado. Cf. K. Marx, F. Engels, Inventer l’inconnu. Textes et correspondances autour de la Commune, D. Bensaïd éd., Paris, La Fabrique, 2008. Acrescento que o texto de Engels a que te referes é também interessante… apesar de não ser de Marx.

    Quanto ao essencial da tua objecção, penso que não colhe. A emancipação – ou o exercício do poder pela imensa maioria dos actualmente dominados pelo poder político do Estado capitalista e a sua organização da esfera da produção e da actividade económica em geral – SÓ PODE SER IMPEDIDA OU REPRIMIDA pela conquista e exercício do poder de Estado por uma organização hierárquica que os governe ou comande, perpetuando a sua expropriação e subordinação.

    Em rigor, o que tu pões é o problema do bom governante ou, no sentido platónico, do político como pastor. Por mim, tento romper com a problemática do rebanho e as condições do arrebanhamento.

    Por outro lado, é curioso que me censures pôr condições demasiado rígidas quando és tu que pareces pressupor uma espécie de leis de bronze da necessidade hierárquica, ou identificas tendencialmente a hierarquia como condição de uma organização política e/ou económica capaz. No que, involuntariamente, permaneces refém do pensamento mais tradicional – apesar da tua abertura ao “acontecimento” -, aderindo à lógica da empresa capitalista e da sua divisão do trabalho, à ideologia “os mais capazes é que devem governar”, à ideia de que a política é uma actividade especializada e com autoridades competentes, em suma, à justificação da desigualdade como condição necessária da existência social.

    Qualquer partido ou movimento que aponte para uma organização política do conjunto da sociedade que não vá mais longe do que as pseudo-“democracias burguesas” em matéria de igualdade em termos de poder, de direitos e liberdades, será tudo o que se queira menos uma via da “emancipação do mundo do trabalho e da própria humanidade”.

    A acção política da emancipação, se não releva da fé e começa onde esta acaba, é também função de entrevermos outra coisa como possível, e/ou de nos esforçarmos por tornar possível outra coisa que não se resuma a “actos de desespero”.

    msp

  11. Aniceto Azevedo diz:

    MSP,

    mate-me, por favor, a curiosidade:

    1 – que é, em geral, percorrer um livro em diagonal?
    2 – que se apreende de um livro, em geral, nesse percurso em diagonal?
    3 – que é, no caso do livro de Ludo, com alguns centos de páginas, percorrê-lo em diagonal?
    4 – que se apreende do livro de Ludo depois dessa diagonal percorrida?
    5 – o livro de Ludo é negacionista, informa o senhor. Que nega então precisamente Ludo?

    As perguntas, em número de cinco, são simples e directas.

    JNF,

    fez inúmeras considerações sobre o livro. Inúmeras. De quando em vez acrescentava que no entanto ainda não lera o livro. Responda, por favor:

    1 – que é falar de um livro sem o ler?

    A pergunta é simples e directa.

  12. miguel serras pereira diz:

    Aniceto Azevedo,

    deixando de parte as provocações a que não respondo, já expliquei suficientemente há dias o “negacionismo” de Ludo Martens.
    Directa e simplesmente

    msp

  13. Aniceto Azevedo diz:

    MSP,

    explicou suficientemente tendo percorrido o livro na diagonal? Muito bem. Como se faz isso, a não ser projectando preconceitos sobre uma matéria que nem se conhece?
    Se V. não se importar, recoloco duas questões e lanço uma nova, esperando os seus esclarecimentos: que é, em geral, percorrer um livro na diagonal? que se apreende dele dessa forma?
    Que dizer, por fim, de alguém que percorre na diagonal qualquer livro que seja e o explica suficientemente?

  14. miguel serras pereira diz:

    Aniceto Azevedo,

    não li todo o livro, mas li o suficiente e com suficiente atenção (entrecortada de pasmo) o “estudo” que consagra à liquidação da “social-democracia” de Bukharine e da “velha guarda” dos bolcheviques, em 1937-38. O autor não interpreta, justifica ou explica as falsificações ou a montagem dos Processos de Moscovo – retoma a falsificação e montagem de Estaline e do seu regime. É q.b. para desqualificar historiograficamente o “trabalho”. Mas há muito mais falsificações que me dispenso aqui de analisar. Os leitores desta caixa de comentários podem consultar o livro no site que outros comentadores já indicaram e verificar se a minha crítica é ou não fundada. Não se preocupe mais com o assunto: denuncie-me, avise, previna os fiéis contra mim e as minhas ideias, mas creio que já o deverá ter feito e que, por isso, poderá descansar.

  15. Aniceto Azevedo diz:

    MSP,

    volta a dizer o que já disse e a explicar o que não leu. Não lhe fica bem. O que diria V. a alguém que tivesse percorrido, por exemplo, o Quixote, que aliás está superiormente trazido por si, na diagonal e viesse explicá-lo suficientemente?
    A sua última frase não merece comentário. Revela apenas, uma vez mais, todo o seu preconceito anti-comunista. Também não lhe fica bem, mas nada há a fazer.

  16. miguel serras pereira diz:

    Aniceto Azevedo,
    acha que é preciso o sacrifício heróico de ler um livro do José Rodrigues dos Santos até ao fim para se poder concluir que não vale a pena ler mais e que o resto será mais do mesmo?

    Agradeço o seu juízo generoso sobre a minha tradução de Cervantes. Mas, também a esse propósito, posso dizer-lhe que conheço muito boa gente que se deu conta da importância histórica e literária do Quixote antes de o ter lido na íntegra – quer dizer “percorrendo-o na diagonal”.

    Não, não sou um “anti-comunista” – a não ser que por isso você entenda alguém que entende que o regime estalinista foi, por excelência, uma ditadura sobre os trabalhadores e as camadas populares da ex-URSS.
    Continuo a pensar que A EMANCIPAÇÃO DOS TRABALHADORES HÁ-DE SER OBRA DOS MESMOS TRABALHADORES, que só podemos chamar “poder dos trabalhadores” ao que eles próprios organizem e exerçam, desfazendo os estados-maiores da política, da economia e da doutrina.

    msp

  17. O Sr. Aniceto Azevedo que parece muito certeiro nas suas perguntas não se deu ao trabalho de ler os comentários na sua sequência e por isso afirma uma coisa que eu nunca escrevi. O livro que eu disse que não tinha lido é este “Hitler: ascensão irresistível? Ensaios sobre o fascismo”, de Kurt Gossweiler, que em resposta a José Neves eu tinha dito que tinha sido editado pela Editorial Avante. E depois, partindo desta premissa resolvi suspender a discussão que estava a travar com Asinus. Isto é fácil de perceber para quem leia com atenção os comentários e não queira fazer fogo de vista sobre um leitura em diagonal dos mesmos.

  18. Aniceto Azevedo diz:

    JNF,

    tem razão, enganei-me. Afinal o livro de que V. falou sem o ter lido não foi o do Ludo, foi o do Gossweiler. Fica o esclarecimento.
    Registo com agrado que atribui o meu engano a uma leitura em diagonal dos comentários e que, por essa via, constata e condena os malefícios desse tipo de leitura. Se é assim nuns quantos comentários, imagine o efeito que terá em relação a um livro com centos de páginas.

    MSP,

    veja a última frase do seu comentário das 17:51. Não me conhece de lado nenhum, mas diz tudo aquilo que diz apenas porque não penso como V. Nessa frase só lobrigo violência, preconceito e ódio. Anti-comunismo, em suma.

  19. miguelserraspereira diz:

    Aniceto Azevedo,

    Violência? Preconceito? Ódio?
    Ouça, nada tenho contra a sua pessoa. O que creio é que a sua posição política estalinista, a sua aprovação dos métodos de Estaline, o registo de “fé” que informa as suas palavras, tornam difícil uma discussão razoável.
    O que é para si o poder dos trabalhadores e do conjunto dos cidadãos num regime de democracia socialista? Deveríamos começar por ver se assentávamos no que se deve entender por “socialismo” para discutirmos a ditadura de Estaline, a natureza da URSS (durante o seu período e mais tarde), a natureza do regime maoísta e o da actual República Popular. Você parece aceitar que é socialista um regime cujos governantes professem o marxismo-leninismo; eu penso que um regime (político, social, económico, etc.) só merece o nome de “socialismo” se o poder for exercido, em termos radicalmente democráticos, pelo conjunto dos trabalhadores e da grande maioria da população. É aqui que o ponto bate. E daqui que um debate – sem violência, nem ódio, nem preconceitos – poderia partir.

    msp

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