Diz o post do Carlos Vidal que, de há uns meses para cá, com a minha participação e do Ricardo Noronha, assim como as visitas regulares, nas caixas de comentário, do Viana e do Niet, este blogue estará a desviar-se do seu caminho providencial. Perante esta degenerescência moral, tão dramaticamente sentida pela comunidade que o Carlos Vidal decide não poupar nos insultos que dispara, quer-me parecer que se lhe colocam duas alternativas: ou o Carlos Vidal pega em armas e decide-se a correr com os elementos desviantes do blogue ou vai ter que continuar a engolir mais uns sapos aqui por estas bandas. Importante mesmo era não repetirmos este infeliz episódio. É que eu tenho paciência para muita coisa, tenho mesmo, mesmo, mas ainda sou demasiado inquieto para não me chatear com o facto de alguém, por ignorância ou estupidez, chamar-me fascistóide e outras coisas do género. Posto isto, considere-se o factor de degenerescência do blogue que tanto apoquenta o Carlos Vidal: diz ele que, de há uns meses para cá, anda por aqui muita verborreia, gerando-se apenas impasses e paralisias. Evidentemente, este é um argumento que se desdiz: se o Carlos Vidal recorre ao verbo para lutar contra a verborreia, é porque entende que o verbo é desde logo um meio de acção. O que incomoda o Carlos Vidal, parece-me, não é a verborreia em geral (até porque isso confrontá-lo-ia com a sua em particular), mas a verborreia de alguns que pensam diferentemente do próprio Carlos Vidal. Quem escreve contra a verborreia de outro – reclamando para si, ao invés, qualquer coisa que seria mais real do que o verbo, qualquer coisa que o Carlos Vidal designa por acção – está a deslegitimar os argumentos do outro sem ir de encontro ao seu conteúdo, antes deslegitimando a própria acção argumentativa. Trata-se de um artifício duplamente penoso: penoso porque desvia-nos do essencial que é o debate crítico; e é ainda mais penoso porque retoma o pior dos tiques do anti-intelectualismo. Com efeito, a tentativa de opor verbo e acção, de modo tão abrupto e grosseiro, faz uso de uma concepção simplista do que seja o materialismo, reduzindo este ao domínio das coisas e entendendo estas, acima de tudo, como aquilo que seria físico – seja isto o que for. O que me distancia do Carlos Vidal não é a importância ou não da acção ou do verbo. É antes a sua concepção reiteradamente estalinista do comunismo. Eu estou do lado de lá da barricada - tal como estão muitos comunistas, muitos anarquistas, muitos leninistas e, até, muitos marxistas-leninistas.




Apoiado, Zé Neves. Subscrevo, sublinho, retomo ponto por ponto. Só não entendo que o Carlos Vidal não tenha mencionado o meu nome – a par do teu, do do Ricardo, do do Viana e do do Niet. Assim, incluo-me eu na lista negra, faço questão de reivindicar um lugar do mesmo lado da barricada.
Abraço
miguel
aquilo que começou por ser um interessante debate “à esquerda” está a degenerar numa querela estéril em que, infelizmente, “a esquerda” tem sido fértil ao longo dos anos.
… e se fosse de direita estava divertidíssimo com a coisa!