Dirty talk

A coisa começou de forma inocente, minha puta, palavrinhas torpes, petits noms obscenos, enfim, les tendresses et les cochoncetés habituais entre lençóis, quando, sem que nada o pudesse prever, ele lhe chamou
– Gorda.
– Gorda?
– Gorda.
– Mas tu não és gorda – tento consolá-la –, tens formas, e quem diabo se julga esse tarado para te chamar uma coisa dessas?!
– Era conversa de cama consentida, quando ele perguntou se me podia insultar eu concordei alegremente, não podia imaginar que…
– Monstro!
Ela baixa os olhos com o pudor das vítimas, eu ponho-lhe a mão no ombro, e ficamos ali ao frio, cigarros acesos, duas refugiadas do país da adolescência.

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2 Responses to Dirty talk

  1. Nuno Ramos de Almeida says:

    Presumo que seja um diálogo entre a Krupskaia e a Inês Armand?

  2. António Figueira says:

    Dêem-me o nome desse cabrão que eu dou-lhe um tiro!

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