
“O movimento do comunismo é anti-heróico. Os heróis mantêm-se afastados da comunidade, atraem para si mesmos a força comunitária da acção. A tradição revolucionária está repleta de heróis, pessoas que se sacrificaram pela revolução, pessoas que abandonaram esposas, filhos, amigos, para dedicar-se desinteressadamente a mudar o mundo, enfrentando privações e perigos físicos, muitas vezes até enfrentando a tortura e a morte. Ninguém negaria a importância dessas figuras e, no entanto, há algo muito contraditório na ideia de uma revolução heróica ou, inclusive, na ideia do herói revolucionário. O objectivo da revolução é a transformação da vida comum, quotidiana, e é certamente dessa vida comum e ordinária que a revolução deve surgir. A ideia da revolução comunista é criar uma sociedade em que não sejamos conduzidos, em que todos assumamos a responsabilidade, portanto, o nosso pensamento e as nossas tradições devem mover-se em termos de não-líderes e de não-heróis.”




Pois, pois, Zé Neves, o que é certo é que quando falamos da Comuna de Paris, ninguém deixa de falar na Louise Michel, entre outros. Aliás, deve ser uma das personalidades admiradas e citadas quer por leninistas (os teus diabos “fascistas”), quer por libertários e situacionistas. E mais do que isso. Há sempre “alguém”, meu caro amigo, há sempre “alguém”.
Bom, e o mesmo se dirá de Buenaventura Durruti, Pasionaria ou Nestor Makhno……….. e Marx. O que interessa discutir não é se há ou não liderança: é antes que “tipo” de líder, como surge, porque surge?
http://ruadopatrocinio.wordpress.com/2009/12/31/para-2010-o-fim-da-paciencia/
“A ideia da revolução comunista é criar uma sociedade em que não sejamos conduzidos, em que todos assumamos a responsabilidade, portanto, o nosso pensamento e as nossas tradições devem mover-se em termos de não-líderes e de não-heróis.” Uma belíssima ideia, mas obviamente utópica, impossível de atingir. O ser humano intrinsecamente é ambicioso, egoísta e na sua maioria mau.
jm faria: sim, não acreditamos nos bons selvagens. mas também não acreditamos nos maus.
Em grande, grande Zé Neves. Maré alta!
Grande 2010 e grande abraço
miguel
o cair do pano e as suas circunstâncias… é preciso assumir e esclarecer que quem deita agora abaixo o cartaz são activistas de extrema direita dos paises bálticos que instrumentalizam pessoas alienadas pela ortodoxia da igreja (oriundos da mesma escola reaccionária católica polaca) – e que apenas cumprem a intenção da União Europeia de criminalizar o comunismo tal como antes fizeram com o nazismo, equiparando-os como se fossem coisas iguais – dizem eles, a extrema direir«ta e a UE, que foram estas duas ideologias que foram as responsáveis pelo desencadear da IIGG.
Se vamos branquear estas manipulação sobre o ressentimentos das populações (por via da não discussão, se há ou não algo a herdar da era Estaline), também podemos esclarecer que, apesar do revivalismo mentiroso sobre os factos, há há muitos que insistem em levantar o pano de novo. A questão de saber que tipo de heróis teremos só o saberemos depois que aconteça algo. Ou que não aconteça nada. Neste último caso o mundo isento de altruismo é de facto o dos não heróis
http://monkeysmashesheaven.wordpress.com/2009/07/06/historical-distortion-and-fascist-revival/
miguel, bom ano para ti também. (mas olha, o meu mérito é só de citar boas fontes: se vires, o texto tem aspas). não coloquei o autor para não irritar os mais susceptíveis. é uma frase lírica (como todas do autor em causa, o John Holloway), mas que dá um bom pontapé de saída para o ano que vem!
xatoo, admito que a questão altruismo-heroismo não é fácil de resolver. o chakrabarty tem um texto importante a esse resepeito, a que voltarei com mais vagar. quanto ao comunismo e sua criminalização, nunca me verá de outro lado da barricada: é justamente porque o estalinismo não cumpriu a ideia comunista – ao contrário do nazismo e da sua ideia – que é ilegítima a tentativa de criminalização do comunismo (comunismo que não coloca um certo ideal democrático, mas os actuais regimes democráticos) e será legítima a criminalização do segundo (que recusa os actuais regimes democráticos e qualquer ideia de democracia, para não falarmos em direitos humanos e afins).
abç
Zé, eu vi as aspas – mas mantenho e reitero o grande: dificilmente o cair do pano deste ano poderia ter sido mais certeiro.
Avante pela Autonomia! Grande re-abraço e re-votos de esplêndido 2010
miguel
@ Zé Neves: «ideia da revolução comunista é criar uma sociedade em que não sejamos conduzidos, em que todos assumamos a responsabilidade, portanto, o nosso pensamento e as nossas tradições devem mover-se em termos de não-líderes e de não-heróis.”
Caro Zé Neves, não quero ser chato pá, mas NÃO É PRECISO REVOLUÇÃO NENHUMA HOMEM…
A Democracia (dita) Burguesa já criou há muito uma sociedade como você quer, em que não somos conduzidos – quer dizer, você deve ter sido conduzido à escola de carro muitas vezes pela sua mamá, mas isso não conta -, em que todos assumimos responsabilidades. O nosso pensamento e as nossas tradições movem-se irremediavelmente no sentido de líderes e heróis perfeitamente substituíveis – até mesmo o Cristiano Ronaldo…
Ora aqui está um óptimo post para começar o ano de 2010!!
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