M.SOARES e La Construction de la Peur

ANTONI MUNTADAS. La Construction de la Peur. 2009

Hesito sempre comentar um escrito de Mário Soares, por variadas razões. Mas ontem li isto no DN e, por assim dizer, gostei:

Não sou tão pessimista como o meu camarada e amigo Michel Rocard, que numa excelente entrevista concedida ao Nouvel Observateur, da passada semana, intitulada “Como vejo o futuro” – cuja leitura aconselho, sobretudo, aos economistas neoliberais -, afirma que a crise “levará duas ou três décadas para se sair dela”. Acho que exagera, porque a aceleração das mudanças no mundo é imparável e de enorme rapidez. Para o bem e para o mal.

Gostei particularmente da última frase, “para o bem e para o mal”, inibindo-nos de qualquer intervenção, e, fiada na “mão invisível” do mercado e na (sua) “aceleração” congénita, boa por natureza, ilibando-nos; ou melhor, ilibando-se a personagem de toda e qualquer acção, sua e dos seus (sobretudo sua e dos seus).

Ou seja, “para o bem”, chegaremos quiçá ao “socialismo” versão “democrática” (uma “coisa” que já anda por aí há muito) sem dúvida em menos de duas ou três décadas, porque assim o ditam as aceleradas mudanças de um mundo imparável em mudança acelerada (ufa! muito cansado fico nos meandros desta dromologia mercantil social qualquer coisa).

Se calhar “para o mal”, abrevia-se esta merda também certamente em menos de duas ou três décadas, e ninguém dará por nada. Porque, para além do capital-parlamentarismo, obviamente, nada pode existir (a esquerda “oliveiresca”-”bloquesca”-“socialesca” confirma-o, e o “totalitarismo” comunista-estalinista foi derrotado pela “natureza humana”, oh, oh!).

Portanto, a frase do amigo de Rocard e Frank Carlucci está sempre certa. Sempre. Como sempre: pode ler-se da esquerda para a direita e da direita para a esquerda.

Ah, e o autor não gosta mesmo nada nada nada nada de neoliberalismo!! A sua acção histórica no-lo diz. No-lo confirma (e) sem qualquer dúvida. Tudo, tudo claro. Claro.

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8 respostas a M.SOARES e La Construction de la Peur

  1. xatoo diz:

    três tópicos como lembretes da acção histórica do PS em três etapas diferentes:
    * começou por ser apoiado pela Fundação Friedrich Ebert (por onde fluiram os primeiros financiamentos da CIA) a que se seguiu a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) que sob o alto patrocinio de Soares/PS nomeou uma entidade parda do PSD para a gestão (até hoje) dos interesses do Bloco Central
    * continuou com a Fundação para a Prevenção e Segurança (que acabou no escândalo que envolveu Armando Vara em 2001). Uma data simbolicamente coincidente com a ascenção da Era Bush, e que já vai liminarmente sendo esquecida.
    * e acaba sob a batuta do titere Sócrates com o escândalo do financiamento pela Fundação das Comunicações Móveis da Fundação Magalhães!
    Há aqui uma palavra chave que funciona como denominador comum nesta associação maçónica: a palavra “Fundação” – e Fundação significa, como todos mais ou menos sabemos, doações patrimoniais obtidas a titulo gratuito (p/e a Fundação Soares), isenção de tributação em sede de IRC, não pagamento de outros impostos fiscais sobre transferências de capitais, etc. – quer dizer, significa que o Estado sob os governos neoliberais, se converteu numa capa para trabalhar milhões na economia paralela transnacional. Facto deduzido: o PS (junto com o parceiro PSD) é a principal fonte da Corrupção que a ingenuidade de certos eleitores (demasiados) pensam que está na agenda institucional para ser combatida.
    É um bom mote para o debate da violência subjectiva quotidiana do Estado sobre os cidadãos (que pagam tudo, são espoliados e não arrotam) e a cura receitada pelos “votos oliveirescos”

  2. marilu diz:

    Marocas,o ridiculo:amigo do Henry Kissinger,Carlucci e chamou de dinossauro a Fidel Castro.Que se saiba Fidel não fez da guerre contra o racismo negócio-o sr. fê-lo ao vender material ao savimbi,fantoche das forças fascistas da Africa do Sul

  3. marilu diz:

    ‘APAGÕES: DESINFORMAÇÃO POR OMISSÃO
    O ocultamento das realidades nos media que se dizem “referência” faz-se também por omissões e eufemismos. É exemplar este título do Público: Investimento feito pela EDP em nova rede e na conservação da existente tem vindo a abrandar . Fosse esse um jornal honesto e desejoso de esclarecer os seus leitores deveria titular: “Após a privatização a EDP cortou drasticamente os custos de manutenção e conservação da rede”. E poderia acrescentar que assim é para aumentar a cotação das acções da EDP na bolsa e para permitir que a mesma faça investimentos de milhares de milhões de euros em centrais eólicas nos… Estados Unidos. E finalmente poderia chegar à conclusão de ordem geral de que as privatizações dos serviços públicos conduziram e conduzem a uma pioria da qualidade de serviço e a um agravamento dos custos para os seus clientes. Será esperar demais uma notícia assim? ‘
    In resistir.info

  4. pois: Ídolos, retratos, vultos e bustos.
    Subversion des Subjekts und Dialektik des Begehrens im Freudschen Unbewussten (1960), em: Schriften II, Berlim/Weinheim 1991.

  5. Niet diz:

    Li a entrevista de Michel Rocard,agora, no Nouvel.Obs. Ele não é pessimista de raíz: Diz, preto no branco,que a esfera financeira através do Globo, se reconstitui como antes da crise de 2008-grau de explosão igual-“tudo se perfila para que ,portanto, outra crise se produza”. O que ele ainda aponta é o seguinte: ” Tudo se conjugou para que se torne impossível sair da crise pelo regresso aos niveis anteriores de crescimento “. Rocard é mesmo um bom economista de centro-esquerda, anti-liberal ferrenho:elogia a renovação positiva e entusiasmante do modelo social Escandinavo. Tudo servido com imensos pormenores e uma poderosa visão mundial dos problemas. O dr. Soares devia era estar a cortar as ervas daninhas do seu jardim de Nafarros.Niet

  6. Carlos Vidal diz:

    Caro Niet, aqui, o que é muito importante, em relação a este personagem que temos por cá, portugal (Mário Soares), estamos do mesmo lado da barricada, sempre. Não altero uma única vírgula ao que V. disse. Com efeito, Rocard sabe o que diz, no seu “campo”. Soares – concordamos – não tem “campo”.

  7. Niet diz:

    Carlos Vidal: Este tipo de comentários a textos e entrevistas que circulam no espaço mundial da Internete,eu li a edição de papel do Nouvel.Obs., é que devia ser o modelo para ser adoptado pelo Blogue. E há coisas fabulosas a descobrir. Eu bem tento, mas as forças não são já muitas. Por exemplo, o NY Times referiu-se a uns blogues políticos que operaram muito na Campanha do Obama. Eu perdi-lhes o rasto. Você sabe disso, isto é, onde param? A única coisa radical que descobri, há anos, foi o Multitudes, na rede, onde postula(va) o Négri & Cia. Sobre o Soares, que eu conheci um pouco bem, acho que ele- como o Willy Brandt, o Palme, o Kreisky- mas para muito mais rasca – cumpriu o que os americanos queriam dele(s)…O sr. atreveu-se aos 80 e picos anos a querer voltar para Belém: que despautério! Niet

  8. mesmo a la peur e o que vem de frança para moi, “je sais bien, mais quand même”.

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