Marcações e demarcações

O verdadeiro uniforme do 5dias é o tronco nu, porque aqui não há camisolas para vestir. Cabe cá tudo – nos posts e nos comentários – o que couber nas fronteiras largas do free speech, mesmo que uns de entre nós não gostem do que os outros escrevem. Tenho perfeitamente consciência de que o meu sportinguismo solipsista, por exemplo, é uma doença que não afecta muitos mais, e, também por exemplo, posso acrescentar que a invocação de Pedro Namora ou a glorificação do empurrão ao Papa é algo que me incomoda – até porque, apesar de incréu, pertenço com honra a uma tradição política que sempre respeitou o catolicismo enquanto religião (o que é distinto de criticar a prática política da Igreja). A crónica do Ferreira Fernandes no DN de ontem, em princípio, ter-me-ia incomodado tanto quanto os meus humildes escritos o incomodam a ele, que mais do que provavelmente não os lê: nada; só chegou a incomodar-me porque inclui um ataque rasteiro, ad hominem, à pessoa do meu amigo Nuno Ramos de Almeida, e não às ideias que ele defende. Dito isto, eu não marquei o FF para nada, nem passei procuração a ninguém para o fazer em meu nome. Gosto da iconoclastia do Carlos Vidal, aprecio a presença dele neste blog e defendi-a quando foi posta em causa; dito isto também, com frontalidade e camaradagem digo ao Carlos que aprecio o gesto, mas não me sinto incluido no seu “aqui na esquerda radical”, porque para mim o 5dias é apenas uma pluralidade de pessoas, e não uma pessoa colectiva.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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9 respostas a Marcações e demarcações

  1. Carlos Vidal diz:

    Ó António, é uma pena não te reveres naquela da “esquerda radical”, e não quereres participar na marcação ao sr. Fernandes. Seria um projecto fantástico. O primeiro acto verdadeiramente revolucionário do 5dias.

  2. António Figueira diz:

    Querido Carlos,
    No 5dias, tratam-se apenas dos prolegómenos da revolução; a propriamente dita faz-se noutro lado.
    Abraço, AF

  3. Carlos Vidal diz:

    Isso sei eu.
    Por isso, eu gizei um primeiro acto.
    Um começo.
    Um primeiro gesto que culminaria na transformação do mundo.

    Ah, e o quanto eu gosto de uniformes.

  4. Felizmente alguém que escreve com bom senso. Não sendo o caso, até na radicalidade devia haver algum sentido de orientação. Querem cortar cabeças como fez Robespierre? Ao menos façam-no com faca e garfo. Pode haver Esquerda caviar, Esquerda radical, mas…para quando uma Esquerda inteligente?

  5. xatoo diz:

    sendo o homem um animal que só funciona dentro da sociedade, “uma pluralidade de pessoas” será uma matilha esfomeada (des)governada pelo apetite de cada um. Já desde os idos de Hobbes que se pretende pôr termo a esse tipo de touradas…

  6. ezequiel diz:

    Tu és demasiadamente inteligente para te deixares incluir numa “pessoa colectiva.”
    Fazes muito bem, caro António. solo is best.
    abraço,
    z

  7. bora criar um blogue individual, que isto das pessoas colectivas e uma trapalhada.

  8. ezequiel diz:

    Hello António,

    Gostaria de te desejar um Feliz Ano Novo.

    Abraço

    ezequiel

  9. António Figueira diz:

    Dear Zack,

    Um óptimo 2010 também para ti, e many thanks pela lembrança: nunca vens ao Continente? Se vieres, pf avisa, ofereço-te um copo (ou mais!) com prazer, num boteco simpático. Olha, e mandaste-me um link para um blog, mas não funcionou, não sei porquê – queres mandar outra vez, pf?. Abração transatlântico, AF

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