A Crise da Representação

Não teria necessidade de me demarcar do que o Carlos Vidal escreveu aqui, caso o seu post não falasse em nome do blogue. Como parece que falava, demarco-me. A minha participação neste blogue deve-se ao seguinte: alegra-me a construção de um espaço que reúna pessoas de diversas tendências político-ideológicas situadas à esquerda do centro – valham estas referências geográficas o que valerem…. Este é, creio eu, o único blogue onde convivem leninistas (que não confundo com estalinistas), anarquistas, bloquistas, autonomistas, entre algumas outras espécies não identificáveis. Trata-se, da minha parte, de um convívio que só é possível na medida em que se assumam claramente as divergências – como se tem feito – e que se evite falar em nome da malta toda. As críticas ao 5dias como um todo facilitam que aceitemos a ideia de que o 5dias é um todo. É uma tentação, mas é um erro que não poderá ser cometido.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

19 Responses to A Crise da Representação

  1. mulher da erva diz:

    “Como parece que falava?”…mas então também não sabe ler…e perceber?

  2. Carlos Vidal diz:

    Parece-me que não.

  3. toulixado diz:

    Porque não pegas antes num megafone e vais para a rua anunciar a tua demarcação? Valha-me nossa senhora! Quem identificou este blogue como de esquerda radical foi Pacheco Pereira! Essa tua preocupação de pareceres neutro ou autónomo retira-te a faculdade de leres com atenção o referido post que eu só atribuo e identifico como pertencendo ao Carlos Vidal. Aonde é que está a vossa dificuldade?

  4. quinta do infantado diz:

    O Sr. Vidal pode ser muito radical, mas de ESQUERDA NÂO TEM NADA….

  5. Carlos Vidal diz:

    toulixado, não é difícil puxar pela cabeça pois não?
    Basta usá-la, claro.

  6. Grunho diz:

    O Vidal não descansará enquanto não estiverem todos a escrever escrupulosamente segundo as directrizes de Comité Central.

  7. Guerra aberta no 5 dias, a culpa? Dos “ismos”. Não enveredem pela violência:)

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Já enveredamos, mas ainda estamos à espera da versão do Regresso de Netchaeiv, da PS3.

  9. zé neves diz:

    olá,
    não há nenhuma guerra aberta e nenhum dramatismo. o post do carlos pareceu-me um post em que o carlos falava em nome do blogue e eu entendi esclarecer que isso não seria exactamente apropriado. se o carlos não o fazia, então melhor.
    abç

  10. miguel serras pereira diz:

    Ilustríssim@s Comentador@s,
    será assim tão difícil de perceber que quem usa os métodos e os processos dos seus adversários acaba por se tornar como eles, ou pior ainda?
    Tão difícil de perceber que só pode revolucionar alguma coisa que valha a pena começando por lutar e organizar as lutas de outra maneira?
    Tão difícil de perceber que só pode falar em nosso nome aqueles que mandatarmos expressamente para esse efeito?
    Tão difícil de perceber que violar a regra acima citada é um abuso que tende a degradar qualquer debate através de um exercício de prepotência de tradição ditatorial e democraticamente ilegítimo?

    Um abraço solidário para o Zé Neves – e um cordial boa-noite para tod@as

    msp

  11. Carlos Vidal diz:

    Não percebo o comentário, Miguel.

  12. xatoo diz:

    afinal parece-me que o que aqui está em causa é a velha questão do individualismo vs colectivismo – cada um reinvindica o seu ser único e o direito à sua propriedade, as nestas coisas já estou como diz o tal “povo” (que para estas coisas existe mesmo): cada um sabe de si e deus sabe de todos. Na impossibilidade de haver deus ou o colectivo, e para se sair do impasse recomendar-lhes-ia, se bosmecês não fossem tantos, uma troika ao estilo de Kamenev, Zinoviev (e o outro não digo pq parece que aqui é proibido)
    x

  13. Zé Neves diz:

    xatoo, não se trata nem de individualismo nem de colectivismo. tenho tudo contra o primeiro e não tenho muito a favor do segundo, embora admita o mesmo; o colectivismo, todavia, pode operar fora de um quadro de representação, quadro subjacente à ideia de alguém falar em nome de outrem, mais a mais sem a concordância desse outrem (isto já não tem nada a ver com o Carlos directamente, que nem sequer pretendeu, como ele já referiu, falar em nome de quem quer que fosse). mas já agora acrescento: a dicotomia individualismo/colectivismo é uma falsa alternativa, porque a questão é compreender que a individuação só tem lugar no quadro do comum. o liberalismo, parte substancial dele, pelo menos, passou demasiado tempo a criticar o comunismo como colectivista e anti-individualista: tinha razão na segunda crítica (e por isso sou comunista) mas não tinha razão na primeira. abç

  14. @ Zé Neves: ”… um espaço que reúna pessoas de diversas tendências político-ideológicas situadas à esquerda do centro – valham estas referências geográficas o que valerem….

    Mas como o centro também vale o que vale, aliás como as outras tendências hoje em dia – como o autor reconhece -, este espaço poderia muito bem ser preenchido por Testemunhos de Jeová, logo que se situem à esquerda do centro! Condição sine qua non para se ir para o céu depois de morrer.

    P.S. E o autor faz muito bem em não confundir o Lenine com o Estaline – um usava perinha e o outro bigode.

  15. CV não percebe?

    É só usar a cabeça…

  16. miguel serras pereira diz:

    Carlos, não me parece difícil de perceber o que escrevi, mas talvez seja presunção minha e por isso aqui reitero e explicito que tudo o que quis foi alinhar com o Zé Neves, depois de ele ter sido posto em causa e acusado de analfabetismo por se ter demarcado do teu post. Aproveitei a deixa para assinalar a lógica reaccionária a que a “representação em nome de” conduz inevitavelmente. É que parece que há gente que sustenta que a sua concepção científica, esclarecida ou “revolucionária” da coisa política lhe dá o direito de calar os outros e libertar a liberdade de expressão que é sempre a de quem pensa de outro modo (sim, as palavras são aproximadamente as de Rosa ao criticar Lenine e Trotski).Vejo agora que o Zé Neves, na resposta ao Xatoo, retomou, e bem, o tema à sua maneira.
    Bom pequeno-almoço em pratos (tanto quanto depende de mim) bem limpos
    msp

  17. Ricardo G. Francisco diz:

    Cuidado…atrás da liberdade de expressão, vem a liberdade exercer livremente o intelecto…e depois da criação de valor com o mesmo. E isto só acaba com a apropriação deste valor por quem o cria. Cuidado…que atrás da liberdade política e de expressão esconde-se o monstro capitalista anunciado pela aceitação da propriedade privada..

    A negação da propriedade individual pressupõe a negação da liberdade intelectual individual.

  18. “Este é, creio eu, o único blogue onde convivem leninistas (que não confundo com estalinistas), anarquistas, bloquistas, autonomistas, entre algumas outras espécies não identificáveis.”
    Cres mal. No Aventar convivemos desde leninistas a PSD E A monarquicos. E damo-nos todos muito bem sem precisar de andar a escrever posts a dizer mal dos outros.

  19. Pingback: cinco dias » Ouçam a grande ALEXANDRA, cantando “Quando tu não estás”

Os comentários estão fechados.