A amnésia de Ferreira Fernandes

Caro FF:

Posso compreender, a muito custo, a dissidência de alguém que deixe a esquerda radical para acabar em esquerda nenhuma, agora o que não me entra na cabeça é que os que deixam este albergue acabem na mais reaccionária e retrógrada extrema-direita.

Como prometi no post do NRA, para bufo, bufo e meio.

Aqui deixo alguns destaques do manifesto dos SUV e do seu responsável trotskista, Ferreira Fernandes:

“…considerando que já por diversas vezes fizemos cedências à burguesia nomeadamente ao submetermos a nossa luta à aliança com o MFA, que por causa das suas contradições e hesitações no passado, e de hoje estar ao serviço de elementos contra-revolucionários, nos tem valido não só o afastamento e hostilidade da população (especialmente dos nossos irmãos camponeses), como também a desmoralização de numerosos combatentes das nossas fileiras e o adormecimento perante a ofensiva reaccionária dentro e fora dos quartéis…”, “…SUV luta com todos os trabalhadores pela preparação de condições que permitam a destruição do Exército burguês e a criação do braço armado do poder dos trabalhadores: o Exército Popular Revolucionário…”, “…Sempre, Sempre ao lado do Povo é o nosso lema…”

SUV – Setembro de 1975

Uma pena (ou não) ter mudado de barricada.

Como também me concedeu o prazer de me citar (desde que vim escrever para o 5dias só tenho tido discussões com gente importante. Ele é FF, ele é JPP, ela é FC. Isto sim é prestigio!!!), deixe-me que acuse o toque e o esclareça: quando afirma que “há lá um admirador do maluquinho que enfiou a estatueta do Duomo na cara de Berlusconi. (…) o que a democracia não resolve tem de ser o povo a resolver“, procura confundir o elogio do acto com o elogio do actor. Admiro portanto, reiteradamente, o sentido de justiça de um acto de dado “maluquinho”, no caso, o que refere. Não significa porém que um dia destes veja um post meu a louvar a loucura (nessa altura venha cá falar do tema).

Como pode ver não entendeu (ou fingiu não entender) o sentido do post que cita.  No caso concreto, o que estava mesmo a degustar era o sentido de justiça que o Duomo de Milão adquiriu na boca do Berlusconi. Sem mais nem menos. O que o deve aborrecer um bocadinho mais do que o simples elogio da loucura.

Ainda e “sempre, sempre, ao lado do povo”, obrigado pelo elogio envenenado (esta vale para si também Pacheco Pereira).

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