Assuntos pouco importantes

O Ferreira Fernandes resolveu reparar em dois posts meus, não discute aquilo que escrevi – nem os deve ter lido -, e tenta desqualificar-me. Eu teria, crime dos crimes, trabalhado numa agência de comunicação com a conta da Mcdonald’s. Tive sempre o defeito de ter de trabalhar para ganhar a vida. E é verdade que trabalhei seis meses numa agência de comunicação, apesar de não ter a conta da Mcdonald’s. Para auxiliar um colega, no âmbito das minhas funções de assessoria, telefonei ao João Ferreira que edita a revista do Diário de Notícias a convidar um jornalista a ir a um concurso internacional de música organizado pela Mcdonald’s. O DN, do qual o Ferreira Fernandes é quadro, achou o assunto jornalisticamente interessante, tanto que mandou um colaborador. Qual é o problema? Mesmo que fosse assessor de imprensa da Mcdonald’s, isso tornaria as minhas opiniões erradas por isso?
A ideia que a partir de agora só podiam emitir opiniões contra o capitalismo as pessoas que trabalhassem em empresas proletárias, é fantástica, mas pouco exequível. Vivemos numa economia capitalista e a esmagadora maioria de nós trabalha para empresas privadas. Há uma dimensão ética entre a posição política e aquilo que se faz, mas em meu entender não passa por não trabalhar em empresas privadas.
Já fui jornalista em muitos órgãos de comunicação social e trabalhei numa agência de comunicação. Há uma coisa que não podem dizer de mim, é que reneguei as minhas convicções políticas, para subir profissionalmente e, sobretudo, não podem dizer que sou um lambe botas do director de turno.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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20 respostas a Assuntos pouco importantes

  1. ezequiel diz:

    LOL (n li o post, Nuno)
    mil perdonas
    mas chorei de rir com este video.
    🙂

  2. ezequiel diz:

    LOL (n li o post, Nuno)
    mil perdonas
    mas chorei de rir com este video.
    🙂 http://www.youtube.com/watch?v=_mmlWsWBfTQ&feature=related

  3. António Figueira diz:

    Sou tão velho como o Nuno neste blog, partilho com ele a condição de assalariado e, mais do que isso, também trabalho numa agência de comunicação. Confundir quem trabalha numa agência com um qualquer cliente seu é estúpido: o empregado de uma agência de publicidade não tem de identificar-se íntima e pessoalmente com o produto que anuncia, o porta-voz com aquele cuja voz ele porta, o advogado com o seu cliente, etc.; em todos os casos, existe uma lógica de representação que me parece óbvia. Mas a crónica do DN em questão não se limita a ser burra, também é má, mal formada, delatora, e mais não digo, porque basta lê-la para se perceber o que quero dizer. Enfim, para o meu vertical amigo Nuno, um abraço
    AF

  4. Porra! O simples facto de alguém ter que fazer um post a explicar evidências destas demonstra o grau de desonestidade que atingem algumas pessoas para atacar as convicções das outras. Parecem afirmações daquelas: “se não gostas desta sociedade então pisga-te para a Coreia do Norte!”, ou “se não és partidário do capitalismo porque é que trabalhas para capitalistas?” Não sei se ria se chore…
    Curioso é ainda existir gente com pachorra para responder a coisas desse calibre.

  5. zé neves diz:

    o tipo de argumento do ff caminha para isto: se és trabalhador de uma fábrica, então, em nome da coerência, não podes fazer greve contra a empresa que é proprietária da fábrica.
    abç

  6. Aristes diz:

    Gaginho rasca e sem piada, este Ferreira.

  7. João Mocho diz:

    Após leitura deste post, e da explicação do “auxílio a um colega”, concluo que Ferreira Fernandes não se enganou assim tanto quanto eu pensava.
    Claro que é preciso ganhar para o bife, mas convenhamos que fazer networking para promover um evento da McDonald’s não fica muito bem a um “revolucionáio”.

  8. a.m. diz:

    Dois para o Nuno, zero para o ‘crítico’.
    Abraços, i mean (shit, já pareço o António Figueira…).

  9. Nuno Ramos de Almeida diz:

    João Mocho,
    Escrevi que auxiliei um colega no âmbito das minhas funções (a conta não era minha), mas que não tinha nenhum problema em ter trabalhado directamente com essa conta. Os “revolucionáio”, seja lá isso o que for, têm de trabalhar. No dia em que o meu amigo me pagar as contas, eu vivo do ar. Entretanto, se colocar os neurónios a trabalhar, vai ver que, como costume, o artigo do Ferreira Fernandes não é muito correcto.
    Num dos posts que ele cita eu elogio pessoas que em circunstâncias difíceis conseguem dizer não. Era um comentário a uma foto de prisioneiros iraquianos na guerra Irão-Iraque. E no outro post, comento que as nossas sociedades são violentas e que acções de “não violência”, como a da activista saaraui, mostram essa violência escondida e aceite, e tornam-na intolerável.
    É evidente que o artigo do Ferreira Fernandes não discute os meus posts. Como se vê. Mas pedir ao Ferreira Fernandes que leia sobre o que escreve, é normalmente demais. Ela nunca deixa que os factos se interponham entre ele e a prosa que escreve.

  10. antónimo diz:

    João Mocho parece ser daqueles que consome a demagogia descrita pelo semeador de favas. Como se se pudesse pedir a um monárquico que saltasse fora do país pq vivemos numa república.

  11. JMF diz:

    Qualquer dia o propagandista/vendedor da empresa “XXX”, porque se diz revolucionário, entra na manif encapuçado e atira pedras e pedregulhos contra a empresa que lhe paga, e que todos os dias afirma a pés juntos ser a melhor do mundo. Há limites!

  12. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Prometo-lhe quando isso acontecer, serei facilmente reconhecível, terei uma máscara com a carinha satisfeita de um conhecido cronista

  13. miguel serras pereira diz:

    Caríssimo Nuno,
    muitos outros colaboradores e frequentadores deste blogue disseram já o que devia ser dito a este respeito. Mas isso não me dispensa de aqui me solidarizar abertamente contigo.
    Dito isto, estranho que o cronista do DN não tenha compreendido, ou tenha esquecido demasiado depressa, aquilo que qualquer leitor do 5dias sabe: este blogue não constitui nem pretende vir a constituir uma plataforma política mínima. É um espaço de discussão política, estética e crítica; e também um espaço de ensaísmo e escrita “literários”. A expressão desta evidência é reforçada ainda pelas polémicas sem contemplações que têm oposto os membros da equipa: em torno do caso Berlusconi, justamente; mas também de questões fundamentais e de linhas de separação das águas: a questão da democracia, das condições de legitimidade da violência política, da natureza dos regimes (ditos por antífrase) de tipo “soviético”, das formas de luta contra a exploração, das posições frente ao Estado, à actividade económica, e assim por diante.
    Por mim, honro-me, sem vanglória, mas honro-me de ter combatido o marxismo-leninsmo durante os idos de 1974-1975, nas páginas da “Vida Mundial”, ao lado de Augusto Abelaira e alguns mais, e de ter sido, de novo ao lado de Augusto Abelaira, saneado da redacção dessa revista imediatamente a seguir ao 25 de Novembro. Tenho continuado, entretanto, mantendo no fundamental as orientações dos colectivos do “Combate”e Contra-a-Corrente, em que participei ao lado de João Crisóstomo, João Bernardo, Júlio Henriques, Rita Delgado e uma mão cheia de outros, a bater-me pelo que entendo ser a democracia – contra a hierarquia do poder político estatal e contra a política económica da dominação. O meu anticapitalismo é subsidiário da minha aposta na democracia, entendida como cidadania governante, como exercício do poder político pelos cidadãos organizados, implicando a participação de todos no governo que a todos vincula. Não escrevo isto para me autobiografar a despropósito, mas apenas para acrescentar que, com estes antecedentes, conto, no 5dias, com o acordo no essencial de alguns e com a oposição impiedosa (pelo menos até ver – pois enquanto há vida, há esperança) de alguns outros. E tanto basta para arruinar toda a argumentação do JPP, construída em torno da oposição 5dias/Arrastão, bem como para retirar qualquer credibilidade à análise de Ferreira Fernandes.
    Quanto a este último, se ataca o Nuno em termos democrática e eticamente inaceitáveis, demonstra ao mesmo tempo uma verdadeiramente incomparável iliteracia ou analfabetismo funcional em matéria política.
    Um abraço solidário para ti
    msp

  14. Renato Teixeira diz:

    Ninguém tem por ai a fichinha do Ferreira Fernandes? Pelos cabelos brancos e pela verborreia já deve ter sido estalinista de gema ou trotskista às claras. É nestas alturas que dá vontade de responder ao veneno com veneno. Para bufo, bufo e meio. Um abraço Nuno.

  15. Ah, grande Renato, assim é que é… bufo e meio, parece-me bem.
    Eu sei duma crónica que ele copiou (praticamente) dum «blog» disse que era uma opinião anónima (apesar da autora estar bem identificada) e ainda, insinuou, melhor afirmou: «ela já é uma filha de Dinis Machado»
    Se eu fosse pai da Rita não acharia muita piada, vamos à tal crónica:
    «Num blogue, uma voz anónima: “Eu: Ah e tal, morreu o Dinis Machado… A minha mãe: A sério??? Eu, muito espantada: Conheces? A minha mãe: Claro! Ele pagava-te bolos na padaria quando eras pequena.” De Dinis Machado, homem de um livro, o poeta Eugénio de Andrade disse do livro do homem: “Este é um livro de alegria.” Em 1977 Portugal já estava solto de muita coisa quando um livro lhe libertou a palavra: O Que Diz Molero. Já outros (Nuno Bragança, Ruben A., Luiz Pacheco…) tinham minado a literatura engravatada mas foi Dinis Machado que veio por ali abaixo com o Gil Penteadinho e o Tonecas Arena e deu cabo dos camones. O Que Diz Molero feito, Dinis Machado, qual Salgueiro Maia, recolheu-se – os grandes capitães não ficam para os louros, fazem pelo gozo. A bloguista diz que, à pala da morte, “vou aproveitar para reler o livro”. Faz sempre bem. Mas – vejam as frases iniciais que cito – ela já é uma filha de Dinis Machado, já escreve em liberdade.»
    Agora o «blog» (não citado):
    http://localprodutivo.blogspot.com/2008/10/o-que-diz-molero.html

  16. pedro diz:

    Pertenceu aos SUV – soldados unidos vencerão

  17. Pingback: cinco dias » A amnésia de Ferreira Fernandes

  18. Boa resposta, Nuno. Abraço

  19. Prosa mesquinha e mal embrulhada, um baixo ataque “ad hominem” disfarçado de crónica.
    Abraços,
    m.

  20. Pingback: cinco dias » Suaves Bolcheviques

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