
Alguém suporta mais a papa amorfa e os hieróglifos argumentativos boçais de um Daniel Oliveira em torno da violência?
O Bloco de Esquerda, como movimento que se propôs promover uma nova visão/interpretação do mundo e da sociedade em particular, partilha deste arrazoado sem significado em torno da “violência como epidemia”, da “defesa intransigente do Estado de Direito” (diz Salazar: “tudo pelo Estado de Direito, nada contra o Estado de Direito”) e da actual democracia??
Quero ter uma resposta concreta, do partido e dos seus dirigentes (Louçã ou Fernando Rosas, por exemplo): revêem-se nesta prosa de Daniel Oliveira?
A violência é uma epidemia. E só conheço uma forma de nos protegermos dela: nunca a aceitar como arma política legítima em democracia. Se olharmos para a vitória de Aminatu Haidar frente à ditadura marroquina percebemos melhor a diferença: a recusa da violência é a arma mais poderosa para exibir a brutalidade de quem nos oprime sem nos confundirmos com ele. [Daniel Oliveira, "Expresso", 24/12/09]
Caro Louçã, por curiosidade, revê-se nisto? Isto é pensamento?




“A violência é uma epidemia. E só conheço uma forma de nos protegermos dela: nunca a aceitar como arma política legítima em democracia.”
Esta é a ideia primeira da Democracia. Qual é o seu conceito de Democracia?
Contra a violência das 60 horas greve de fome?
Contra-argumente…não é muito complicado e já aqui foi feito.
Carlos Vidal
Você não conhece minimamente os Portugueses.
Nem o que foram nem o que pretendem ser.
Sonho e a Utopia nada têm são a antítese da sua visão.
Já que neste blog fizeram ouvir o Zeca, ouça o galinhas do Mato com ouvidos.
O pior que poderia acontecer ao Bloco era embarcar em extremismos saloios pseudo revolucionários, tipo construção de areia, do séc. XIX e lutas armadas que não fazem o mínimo sentido no Portugal actual (e em todos os países livres do mundo), e que você preconiza.
Quando é que tiram essa mania idiota de transportar para Portugal o exemplo Russo/Soviético?
Só realmente pela via da violência é que conseguiria impor aos Portugueses uma ideia dessas.
Atenção…sou aderente do Bloco e sou livre de pensar, ok?
ressalvo:
Sonho e a Utopiasão a antítese da sua visão.
Sonho e a Utopia são a antítese da sua visão.
Carlos Vidal. Desculpe começar por referir o seu nome mas é por respeito. O nome é a nossa 2.ª herança a seguir aos genes.
Não sei se as ideias do Sr. do Bloco são pensamento ou não. Sei que é dificil encontrar alguém que defenda a violência como método para atingir algo, contudo, assistimos diáriamente ao seu uso.
Pensamento sobre violência? Pois…Ela está presente desde o dia do nosso nascimento porque o nascimento é um acto de violência, normalmente.
O pacifismo é um caminho de violência disfarçada, mais suave, tal como o altruísmo é um egoismo disfarçado. Já a generosidade é uma atitude elevada própria de HOMEM. Sobre violência há muito por onde escolher em termos de informação científica. Para quem isso é uma maçada pode recorrer aos episódios da vida selvagem e ver o que é a violência sem sofismas. Nós ainda estamos um pouco mais á frente, apenas um pouco.
Carlos Vidal, preocupado com o treta de epidemia da violência?! É uma violência ter que me levantar na 2.ª feira para ir trabalhar isso é que custa, é uma violência não ter que comer, não ter trabalho, não ter , não ter…ser desconsiderado todos os dias ser tratado todos os dias como uma peça e não como um SER Humano.
Contra-argumentar?
Quem me pede tal coisa nunca leu este blogue; aqui vai:
http://5dias.net/2009/12/16/o-que-e-o-povo-o-que-distingue-a-justica-do-direito-e-que-o-sr-oliveira-deixe-de-provocar/
http://5dias.net/2009/12/21/a-violencia-politica-o-meu-resumo-de-uma-discussao-recente/
http://5dias.net/2009/12/21/ainda-a-polemica-com-o-arrastao/
Já agora, José Manuel Faria, qual é o meu conceito de democracia?
É aquilo que irrompe do povo, e não do voto – do voto vem apenas a regulamentação estatal.
Ver:
http://5dias.net/2009/12/16/o-que-e-o-povo-o-que-distingue-a-justica-do-direito-e-que-o-sr-oliveira-deixe-de-provocar/
Boa noite e boas leituras (podem não ser estas, e melhor seria que não fossem; há tanta coisa importante para ler).
Não estou a ver onde está o problema, mas isso sou eu que não gosto de violência.
aquilo talvez represente a 4ª internacional a jogar à bola, uma estrela cubista, ou o desentendimento do que é o símbolo do homem.
Daniel Santos, não gosta de violência?
E eu não gosto da obra musical de Paris Hilton.
Fui claro?
Genesius, desculpe esta referência bricalhona (talvez),
Como sabe, em Duchamp, o nome é anterior aos genes.
Já o seu último parágrafo acho-o muito importante. De facto, a violência tem múltiplas formas de se manifestar. Quando o capitalismo expropria força de trabalho e linguagem, exerce violência. Mas sobre essa violência, D. Oliveira costuma calar ou falar moderadamente (isto é, “democraticamente”).
São contra a violÊncia?Atão onde estão as manifs contra a ida de carne para canhão para o Afeganistão?Ah!já sei,é para ir guardar a ‘horta’…
Olhem aqui esta utopia para os aficionados do BE e outros….
está de nevão como um colchão fofo e de penas. Como o Football o Snowboard está a tornar-se um desporto muito popular entre as hostes, mui acordados e a representar em grande. Já por cá vi “n” representantes dos partidos do arco do populismo e da revisão, parto para Sestrieres.
Não violência é ser assassinado na Colômbia,colónia(ops!)democrática das oligarquias da coca,bananas e putas!
E depois,ainda falam das FARC…
Incorrigível almajecta, sempre incorrigível.
Sempre à hora certa no sítio certo.
Volves a 4, claro.
Vai e boas leituras: leva o “Commonwealth”.
Lá terá que ser , isso aí agora são noitadas à conta da Hai minetu, volto de subito.
E como se defende um cidadão de uma epidemia simultânea de violência económica, violência política, violência mediática e violência financeira e de violência judicial.
O Daniel Oliveira e o BE são defensores acérrimos do embuste do «aquecimento global». É preciso dizer mais?
gosto do estilo pretencioso, terrorista e provocador de CVidal – tudo do ponto de vista intelectual
!
mas parece-me incapaz de matar uma galinha.
A opinião é livre, por mais inaceitável que seja.
A minha é muito diferente da sua, ó Sr. Vidal. Assino por baixo das palavras de Daniel de Oliveira.
Gandi mostrou como era. Alguns aprenderam, outros continuam de punho fechado…
Incapaz de matar uma galinha, quiçá.
Mas instigador de massacres, nunca deixaria de o ser. Orador e advogado de coisas do género.
almajecta, lembrei-me de outro livro: o “Sombras Irredutíveis”!
“Mas há, posso asseverar-vos, almas que são sensíveis e puras; há essa doce, imperiosa e irresistível paixão, que é o tormento e a delícia dos corações magnânimos; esse horror profundo à tirania, esse zelo compassivo pelos oprimidos, esse sagrado amor à pátria, esse amor ainda mais sublime e santo amor da humanidade, sem o qual uma grande revolução não é mais do que um crime ruidoso que destrói outro crime; há essa generosa ambição de estabelecer aqui na terra a primeira República do mundo.”
Vidal, acho que o pai natal deve-te ter feito maldades. A que propósito , o Bloco ou o Louçã teriam que tomar posição por causa de um artigo de um militante de base do Bloco? Têm que ter um visto de censura prévia sobre todas as opiniões dos militantes? Sinceramente, acho que exageras. E fica-se sem saber a tua argumentação com tanta indignação berrada.
Bom ano,
Abraço
vá , não seja mau. o daniel é uma mistura do cándido e do ingénuo de voltaire. basta vê-lo no eixo do mal para perceber. dê-lhe o desconto.
http://ruadopatrocinio.wordpress.com/2009/11/17/o-bloco-de-esquerda-e-a-vitoria-eleitoral-por-k-marx/
E quanto à violência talvez seja produtivo relembrar a forma como o Estado de Direito actuou com os nazis e com os militantes dos Baader-Meinhof. Comparem lá os anos de cadeia de uns e de outros, as leis especiais, etc.
amai o amor
sê generoso como todos os santos
não violentes o teu coração desejando malefícios
crê nos homens como em ti próprio
e na sociedade como pura ascenção
não mintas diminuindo assim a pureza
crê no voto de castidade
crê na sagrada comunhão entre os homens
crê no verbo democrático como o girassol no sol
pacifica os infernos renegando a violência
à palavra violência unge a de mel
dá ao amor verdadeiro a natureza de epidemia
assim florescerá sem pecado A GRANDE REPUBLICA.
Esse é que sim, quanto aos desvalidos, cá por mim grazie, um neo-realista a ir à murganheira ou é moet de chandon? num blog neo-platónico, mas com cuidado, olhá democracia! e as bases gerais dos regimes jurídicos tambem.
Nuno, tenta ler de novo:
«O Bloco de Esquerda, como movimento que se propôs promover uma nova visão/interpretação do mundo e da sociedade em particular, partilha deste arrazoado sem significado em torno da “violência como epidemia”, da “defesa intransigente do Estado de Direito” (diz Salazar: “tudo pelo Estado de Direito, nada contra o Estado de Direito”) e da actual democracia??»
(Com dois pontos de interrogação. O post é, no fundo, uma curiosidade; ou melhor, é um post curioso, que pergunta.)
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Ah, mas já me esquecia: é Natal, e no Natal não há conflitos.
(Falando mais a sério: o Natal é, para mim, devastador, trabalho hercúleo. Mas, desta vez, sobrevivi.)
no bezerro de ouro ninguem toca, tá?
O calendário cristão assim o obriga…
Usurpadores!…
Lá nas tuas amigas serventuárias tambem as há do bilogo? Tá tudo a querer mudar, ou mesmo sair.
cuidado Vidal
desafias a troupe do dr. Balsemão e serás trucidado
quanto ao Bloco não há que ter ilusões, sensibilidade Oliveira, Fazenda ou Louçã têm todos lugares cativos na engrenagem instituida; eles no Congresso do BE, subrepticiamente, mostraram logo ao que vinham – elegeram como primeira preocupação no programa que votaram “as preocupações com o Ambiente” e foram praticamente omissos no Direito Internacional que lentamente está a institucionalizar as guerras de conquista. Podiam bem ter posto a guerra de agressão ao Iraque e Afeganistão e a Nato como 1ª causa, mas não o fizeram… e isso é muito revelador nas intenções de pactuar com o reformismo burguês transnacional em gestação, uma espécie de social-democracia global implantada pela força
Mas isto sou eu que deliro. Enquanto isso de facto quem está comercialmente certo é o drone Daniel. Só lhe falta sair do armário ateu como fez o Jon Stewart e declarar-se de vez um “pacifista” submisso à abençoada Chanuka
“Fui ao jardim da Celeste,
giroflé, giroflá,
fui ao jardim da Celeste,
giroflé, flé, flá.”
…
Acho que o Louçã pouco terá a dizer sobre as opiniões do Daniel Oliveira. Que raio isso interessa (sobre o D.O., não sobre a violência)?
Tal como o PCP pouco terá a dizer das tuas, e acho que nem sempre são coincidentes (o que dirá o PCP sobre a violência?).
A discussão que por cá se tem passado é interessante. Não acho que a visão do “Estado de Direito” do Daniel Oliveira seja particularmente interessante, mas compreendo dentro do contexto partidário. E esse contexto não me parece variar tanto entre o BE ou o PCP.
De qualquer forma, não queria meter o PCP nisto. Mas tu também meteste o BE de uma forma meio empurrada (e isto é estranho para mim, “defender” o BE, com o qual simpatizo menos).
Viva, Carlos. Continuação de Boas Festas, com menos esforços Hércules. Agora ssobre este teu post: o teu conceito de democracia identifica-a com o que irrompe do povo – contanto que não seja o voto. E na mesma onda advogas massacres e a regeneração revolucionária do BE – ou a sua reciclagem estalinista, vá-se lá saber – por meio da adopção da prática da excomunhão proferida pelos guias. Curiosidade minha: e se o povo, como já se viu algumas vezes, irromper a reclamar o direito de decidir pelo voto – em alternativa ao massacre generalizado e recíproco – o seu próprio auto-governo? Estará a bater-se contra a democracia? Sabes uma coisa? Às vezes, deixas à malta a impressão de que te estás nas tintas para a revolução e para a democracia, ou que estas só te interessam se forem uma boa cena sangrenta, hardcore q.b. Será culpa de uma leitura reformista, porque só pela metade, do Breton e da sua “beleza convulsiva”? Nesse caso, repara que não podes ficar só com a convulsão (para isso um electrochoque funcionaria perfeitamente) e que nem todas as convulsões se equivalem. Isto deixando por agora de lado uma discussão sobre o surrealismo e um poeta que só perdeu quando o armaram ou se armou em papa.
Dito isto, a formulação do Daniel Oliveira merece reparo. Dizer que a violência nunca é arma legítima em democracia é, com efeito, dizer de menos e de mais. Que faremos para defender a democracia contra as acções dos que estão prontos a usar a violência contra ela? E depois: o que significa ao certo “em democracia” no texto do Daniel? Mas estas duas perguntas remetem para a discussão de há dias neste blogue, que tomou igualmente como um dos seus pontos de partida as teses do DO sobre o “Estado democrático”, a “violência legítima”, os “males menores”. Mas como creio que o Zé Neves, o Viana, o Ricardo Noronha, o Nuno Ramos de Almeida, e eu próprio adiantámos então argumentos que preferes agora ignorar, e como tu próprio fazes marcha atrás na tua abordagem da questão (lembras-te de um post teu recente em que valorizavas a seriedade da posição do DO contra certas intervenções da Irene Pimentel?), permite-me que te peça amistosamente que reconsideres os termos do debate ou explicites melhor os “dois passos em frente”, se é disso que se trata, que tens em mente com este teu post de “um passo para trás”.
Bom fim de 2009 e melhor começo de 2010 – são os meus votos ou irrupção como prefiras
msp
Faz parte do mais elementar conhecimento das técnicas de comunicação e controlo de massas: os próprios poderes instituidos enviarão os seus emissários clamar “agarra que é ladrão” após o que a turba irradicará aqueles a quem apontaram o dedo. Assistimos a isto diariamente com o massacre mediático dos comunistas. Nestas circunstâncias podemos admitir (?):
“e se o povo, como já se viu algumas vezes, irromper a reclamar o direito de decidir pelo voto o seu próprio auto-governo?” (para fazer o quê com ele?)
carissimo MSP, com o devido respeito e na minha opinião, parte ainda de uma outra premissa errada.
Estaria certa se “o povo” estivesse de posse da informação completa, que lhe é sonegada, e, mais importante, se todos os individuos tivessem o mesmo nivel de acesso à educação consoante as possibilidades idiossincráticas de cada um (como por exemplo em Cuba, onde se sobe numa estrutura hierárquica consoante o mérito e não através de dinheiro) – situação que, sem que seja previamente reconhecida, nos coloca a milhas de distância para se poder falar de “democracia” (o conceito vago que é agitado pelo D.O.). Com o papão da “boa cena sangrenta, hardcore” MSP acaba neste preciso momento por cair no mesmo caldeirão onde o Daniel cozinha a social-democracia sem papas nem serrabulho, o vácuo, onde a prosperidade da minoria dos ricos e os bens mal adquiridos que viraram de pantanas a sociedade actual jamais serão postos em causa.
É isto em concreto que DO pretende dizer quando afirma “a violência nunca é arma legítima em democracia”
Dezenas de citações de filósofos após, a única discussão que permanece a debate é apenas a de se saber “o que significa ao certo a expressão “em democracia”. Mas isso jamais o saberemos de D.O. porque essa é a omissão fundamental para que a sua tarefa profissional contratada possa ser prosseguida sem grandes perturbações
Ah!o Gandhi,essa grande Vaca Sagrada dos democratas,diria mais esse grande cabrão que nada fez para acabar com as castas(espécie de classes hiper-amovíveis).Acho,o gandi um grande cretino e um palhaço ao serviço dos colonialistas e aprova é continuar tudo na mesma só q as elites mudaram de cor e de posição.Chamuças, a nível nacional subalternizadas pelos red neck da Inglaterra,of course.
É preciso q algo mude para q tudo fique na mesma, e o Gandi foi o gajo ideal,so that é mui apreciado pela burguesia.Por mim, não!Foi um palhaço útil na altura como continua a ser nas discussões de agora.
cá pra mim estás a lavar a violencia do bloco, nunca viste uma daquelas sessões com as raparigas em estado catatónico de ódio e raiva pulsional libertada?
desgraçados dos grandes cromos da bola, já comprei a caderneta.
ainda lês o espesso?
tem dó, assim não progrides.
No ” Dicionário Resumido do Surrealismo “,de Breton e Éluard, na página 839 do II volume da Pléiade, surge uma maravilhosa e espectacular referência/nota/destaque para a palavra” Rico”, que glosa a verve de Lénine. E assenta, de forma desconcertante e directa, o seguinte: ” O mais rico é o mais concreto e o mais subjectivo (Lénine)”… A primeira edição do dicionário data de 1938, no auge da ditadura pessoal sanguinária de Staline, o que quer simplesmente revelar a imensa coragem dos fundadores do Surrealismo. Justamente, Castoriadis sublinha que as atitudes de coragem, de responsabilidade e de vergonha dinamizam o espaço público democrático de debate e comunicação. E sem esses três ítens, aponta, facilmente se cai no logro da propaganda , da mistificação e da pornografia…Ora, Carlos Vidal, que nos maravilha e espanta com o arranjo das suas meditações/estéticas, precisa de se libertar ainda mais e aplicar, como queriam Breton e Éluard, as suas grandes e potenciais qualidades a desvendar a ” Razão, nuvem trincada pela Lua “, que o obrigam a passar pela crítica científica do Centralismo Democrático e pela defesa da opção incontornável dos Conselhos Operários a todos os escalões
do espaço económico e social. Niet
Caro Xatoo, não me parece lá muito revolucionário considerar que o povo (expressão que uso pouco e com reservas ou precisõe, mas que aqui não põe problemas de maior) é irremediavelmente manipulável, mal informado, pronto a liquidar quem lhe apontem a dedo, e que isso transforma o direito de voto em arma contra-revolucionária, pelo que o melhor é uma hierarquia esclarecida que instaure uma ordem hierárquica do mérito , e exerça o seu poder “educativo” até que o povo esteja preparado e suficientemente informado… Como é do conhecimento comum – apesar da realidade da informação sonegada nos actuais regimes, etc. -, esta lógica de defender o povo contra si próprio, de reprimir o povo em nome dos verdadeiros interesses do povo e assim por diante tem por horizonte a instauração de um poder de Estado ilimitado (quando, como dizia Marx, a liberdade do Estado é inversamente proporcional à dos cidadãos) e uma hierarquia classista tanto na esfera política como na da economia (também ela política, de princípio a fim), em detrimento das liberdades elementares, e, por maioria de razão, desse espaço público de deliberação e decisão onde o povo poderia, dotando-se dos órgãos de governo dos cidadãoss organizados, aprender e informar-se da única maneira susceptível de o tornar maduro para a democracia, quer dizer através do exercício dos seus poderes democráticos.
O que tanto quanto vejo me separa do DO é o facto de, do meu ponto de vista, a democracia exigir muito mais do que o simples “Estado de Direito”: consistir no exercício do poder político pelos mesmos cidadãos que vincula, tanto na esfera hoje ocupada pela “cena política” estabelecida como através de uma repolitização radicalmente igualitária da actividade económica.
Mas, voltando um pouco atrás, e deixando ao DO a tarefa de responder às objecções que aqui de novo lhe ponho, repare você, caro Xatoo, que a hierarquia do mérito foi sempre o argumento dos oligarcas, quando não dos tiranos, e dos inimigos da emancipação e da autonomia. Os defensores da ordem estabelecida sempre declararam moral a desigualdade, justificando-a através do mérito. O mesmo se passa com o argumento da “preparação insuficiente”, que as pessoas da minha geração se cansaram de ouvir o salazarismo repetir. Em contrapartida, a “tradição” conselhista – em boa hora lembrada pelo Niet – não pretende substituir aos maus governantes capitalistas bons governantes socialistas igualmente poderosos. Visa substituir o poder político exercido pelo aparelho hierárquico do Estado pelo poder organizado de todos os cidadãos. Não pretende substituir à gestão capitalista da economia a gestão da economia pelos detentores profissionais dos verdadeiros interesses populares ou operários. Visa a gestão da economia pela associação democrática, e por conseguinte igualitária, dos produtores associados, e pela cooperação autogestionária daqueles que participam na actividade económica (ou hoje a sofrem).
Cordiais saudações republicanas
msp
Comentário sobre esta disputa, que o lápis azul afiado do Daniel Oliveira colocou na “reciclagem” após duas tentativas minhas, e que me parece enquadrar-se neste post e nesta discussão. Obrigado
“Esta frenética fera mediática, qual policia moralista dos arrabaldes da humanidade e – não esquecer – “protagonista independente” Oliveira, delira e gosta de sponsorizar este tipo de batalhas de “pedradas” ideológicas/filosóficas, confrontos laboriosamente urdidos nas muralhas do Castelejo da pós-moderna esquerda, com os meninos maus do bairro burguês, maoistas, pachecoides e outros vidais radicais. E como não aparece com a cabeça “rachada da refrega”, sinal de esquerdismo mais genuíno e respeitado, porque estrategicamente se refugia atrás da sua balofa neutralidade/subversiva comentarista, apresenta-se logo a gritar ai-ai, doi-doi que me deram nas canelas e agora vou-me a eles e os desfaço!
Mas, Ó Danielzinho, desde quando foi investido pelas esquerdas e as outras assim-assim de cavaleiro e apóstolo libertador? Qual messias, que nos ilumina o caminho e não hesita em nos defender de mouros preguiçosos!
O problema é que travestismo político que o DO tão bem encarna e simboliza, torna-se visível a léguas, mesmo antes de abrir a boca neste tipo de razoados empertigados e ocos! Por isso a sua imensa confusão sobre os conceitos esquerda/esquerdinhas/esquerduchas/olhem para mim … estou aqui! ESTOU AQUI!PORRA, OLHEM PARA MIM QUE EU SEI QUE ESTOU AQUI!
Uma sugestão: pelo menos defina bem o seu género político e ideológico, tenha pelo menos essa coragem (que reconheço ao jpp e ao vidal). A sua gelatonisidade entediante atrai-lhe estes filmezecos série beeeeeeeeeeeeeeee …”
“a recusa da violência é a arma mais poderosa para exibir a brutalidade de quem nos oprime sem nos confundirmos com ele.”
Ás vezes é, quando é possível exibir, e quando há alguém interessado em ver. Mas recusar o uso da violência, quando precisamos, e podemos, utilizá-la para nos libertarmos de quem nos subjuga com a violência?
Nuno, o Louçã, o Rosas e outros dirigentes afins podem não responder, não têm que responder, e ninguém (imagino que o próprio CV não estaria à espera disso) espera que eles respondam. Agora essa de que o Daniel é militante de base é que não cola… é quase (passe o exagero polémico) como dizer que o JPP ou o Marcelo Rebelo de Sousa são militantes de base do PPD-PSD, nos momentos em que estão fora dos órgãos decisores ou da AR.
Com muita clareza e frontalidade sempre antecipou as posições políticas do BE. Seja por premonição ou por mérito político há que se reconhecer ao Daniel Oliveira essa vitória ou competência.
Carlos Vidal é um revolucionário violento, por isso, dos verdadeiros. O próprio Proudhon, 50 vezes mais radical que Marx, era apelidado por este de “pequeno-burguês”, e acreditava que a revolução viria, sem violência, porque era a Verdade.
Deixe-me só perguntar-lhe isto, senhor Vidal: Se Democracia é o que emana directamente do povo (sem intermédio de voto), o que fará a ala revolucionária do Partido caso o povo se torne, por absurdo, revolucionário de um dia para o outro, mas ouse seguir os ensinamentos de Trotsky ou Mao? O que dirá o Partido desses desvios pequeno-burgueses? Quando é que o senhor Vidal será capaz de aceitar a vontade da maioria?
Isto para não o rebaixar à verdade dura: você pode pertencer a um partido que queira mudar radicalmente as estruturas do país, sem necessidade de disparar um tiro. A maioria não está simplesmente para aí virada. Não acha um bocado fascista querer impor a vontade da minoria?
Caro msp, faço minhas as suas palavras. Excelente resposta ao xatoo, onde esta parte
“(…)caro Xatoo, que a hierarquia do mérito foi sempre o argumento dos oligarcas, quando não dos tiranos, e dos inimigos da emancipação e da autonomia. Os defensores da ordem estabelecida sempre declararam moral a desigualdade, justificando-a através do mérito.(…)”
demonstra na perfeição a razão porque todos os regimes, sem excepção, do “socialismo real” mais que não eram (e são) do que oligarquias de Direita (desculpem o pleonasmo), onde uma minoria auto-iluminada se arroga mais meritória do que os outros, concentrando o Poder político, militar e económico-social nas suas mãos. Mesmo após décadas de “re-educação” (talvez com umas centenas de anos…), o povo, a sua vontade, era e é para eles um empecilho. Como parece ser para tantos que aqui aparecem com o povo na boca: “mas não é evidente que nós sabemos melhor do que eles o que é bom para eles?”
Caro Miguel,
tentarei uma resposta a algumas das tuas recentes interpelações a comentários e textos meus, reconhecendo da tua parte uma consistência e coerência argumentativa diferente da minha (eu, artista plástico bissexto – como disse há pouco, bissexto mas quando produzo tendo a “acertar acertadamente”!).
O natal é terrível, de facto: obrigações, vida entre parêntesis, etc. Mas cá estamos. Na barricada (e eu gostava que postasses sobre tudo isto – sobre esta nossa barricada, de leninistas e libertários e autonomistas).
Há um momento de que gosto imenso no “Panégyrique” do Debord (que considero um dos mais comoventes e entusiasmantes “livros de memórias” por mim já lidos). É quando ele cita um hábito cigano: a verdade só pode existir na nossa língua; na do adversário deve-se mentir sempre. Curiosamente, o Deleuze também mentia de modo parecido. Detestava discutir, e quando terminava uma conferência ou aula, se lhe questionavam, dizia sempre: tem toda a razão, passemos ao assunto ou questão seguinte. Era também uma forma de mentir. Por mim, humildemente, sempre que aqui vem alguém acusar-me de simpatizar com a bomba de Kim Il Sung ou Kim Jong Il, sobre massacres gratuitos, Coreias e Chinas, etc., eu digo sempre que sim – sim, simpatizo e defendo tudo isso. Que poderia eu fazer, Miguel?
Ah, chamas a atenção para o facto de eu ter “marcado” Ferreira Fernandes? Uma vez, há não muito tempo, trabalhava como crítico de arte n’ A Capital, e fiz uma recensão de um livro revolucionário (muito do meu agrado, uma espécie de bíblia). O editor, não apreciando particularmente a minha recensão, escreveu-me dizendo que eu estava marcado. Marcados estamos todos, meio a sério, meio a brincar.
O “teu” Castoriadis diz da democracia representativa-parlamentar que é uma oligarquia liberal, o “meu” Alain Badiou diz do voto que é um acto de Estado e não tem nada a ver com a política. Não estão nada longe um do outro. Ou pensas que estão??
Avanças tu com a hipótese de, através do voto, o povo reclamar o seu direito ao autogoverno. Então, achas mesmo que a oligarquia dominante consentiria o seu próprio desmembramento? Que o Estado assistiria a isso pacificamente? A “cidadania governante” e a “livre associação de produtores” pelo voto? Sim? E se não, como? Chegaremos lá por milagre?
Sobre a violência, popular, legítima, ilegítima ou de Estado. De facto, o tema da oposição derridiana entre Justiça e Direito é aqui interessante, apesar de ser uma extrapolação minha de Derrida que não era, como toda a gente o sabe, comunista. Ou se era marxista, era-o de forma messiânica (“Spectres de Marx”). Repara, o combate entre a calculabilidade do Direito e a incalculabilidade da Justiça, não pode ser refreado pelo “Estado de Direito”. As suas consequências estão além disso. E os seus resultados são imprevisíveis.
Bom 2010.
CV
Melhor, Carlos, muito melhor assim. Claro que continuamos a divergir acerca de questões de fundo. Mas podemos, senão discuti-las, confrontá-las – como talvez prefiras. Vamos por partes, só algumas.
1. O voto, para começar. Eu não disse nem penso que o voto nas eleições parlamentares e presidenciais que temos, ou semelhantes, bastaria para a conquista do poder político pela cidadania governante. O que digo é que o voto não se deixa definir como Badiou quer como sendo simplesmente e sempre um “acto de Estado”, contra-revolucionário e conservador. De resto, se queres saber, onde existe o “sufrágio universal” é, apesar de tudo, um potencial dispositivo à “liberdade do Estado”. Prova-o o facto de todas as ditaduras começarem por aboli-lo. Mais profundamente, se admitires a ideia de que é possível construirmos um poder político anti-hierárquico, um regime de autonomia individual e auto-governo colectivo igualitário, terás de admitir que o voto, nesse regime, que consumaria a extinção do Estado sob a sua forma actual, desempenharia um papel maior e mais decisivo do que aquele que hoje desempenha. Sim, Castoriadis ridicularizava implacavelmente certas teses místicas de Badiou, como essa de o Ocidente ter já inscrito no seu nome o declínio, etc. Mas isso pouco importa para o caso. Importa antes ter presente que o que ele reclamava não era a abolição do voto popular ou dos cidadãos, antes deplorando que este só lhes fosse permitido muito parcialmente, em termos que restringem o seu uso a um papel essencialmente defensivo, etc. A sua ideia de autonomia implicava aquilo a que eu tenho chamado a cidadania governante, ou seja o exercício da deliberação e da decisão políticas, o exercício em termos igualitários do poder político pelo conjunto dos cidadãos organizados (embora usando uma terminologia diferente tanto da de Castoriadis como da minha, que a retoma e ocasionalmente reformula, é também este o regime que o Viana tem em mente quando fala de “Estado democrático”, e recomendo-te e a todos os frequentadores deste blogue, apesar de as suas (dele) razões para manter o termo “Estado” não me convencerem completamente, a leitura atenta das suas intervenções no 5dias).
2. Há casos em que o povo reclamou através da acção directa e do uso da força o direito de voto e/ou a sua extensão, que lhe eram negados. A insurreição húngara em 1956, reclamando eleições livres e instituindo à escala do país conselhos operários e outros órgãos embrionários de cidadania governante, fê-lo sem poupar em matéria de crítica das armas. É talvez o exemplo mais impressionante da história do pós-guerra. Mas apenas, de outro ponto de vista, um dos momentos em que o “povo” recorreu ao uso da força para conquistar direitos democráticos.
3. Sem dúvida que o Direito não esgota a ideia e a prática da Justiça. Mas isso não significa que o possamos dispensar enquanto tal, enquanto conjunto de normas, leis ou regras vinculativas que qualquer poder político terá de editar. Sendo assim, como queria Castoriadis, uma sociedade justa será aquela em que a questão da justiça permaneça em aberto, e em que essa interrogação presida à adopção das regras que os cidadãos, no exercício do seu poder, se derem, sabendo que se dão assim a sua lei. Esta lei, este direito, não se pretenderá a encarnação da justiça revelada, nem será consagrado como superior à deliberação e decisão dos interessados por qualquer invocação da ciência natural, histórica ou económica, ou por qualquer tradição indiscutível de teor mítico-religioso. Poderá e deverá ser discutido, criticado e reformulado por iniciativa dos cidadãos seus autores, pois terá sido a cidadania governante a validá-lo e a impô-lo. Não sei se poderemos dizer, apesar de Derrida, que será calculável, mas como corpo de regras terá, sem dúvida, de ser a cada momento formalizado, embora nunca a título definitivo. E por este seu carácter definido não poderá esgotar a questão da justiça que permanecerá em aberto e deverá, permanecendo em aberto, informar o espírito democrático das leis.
Enfim, teríamos de partir muito mais pedra, mas não está mal para começo de diálogo (e não leves a mal que eu use esta palavra que aborreço ouvir na boca de políticos que também tu não estimas, mas que Deleuze aborrecia em excesso, pois não consta que, apesar de tudo, tenha aprendido a falar e a escrever sozinho).
Excelente Ano Novo para ti
msp
Cada um tem os ” autores ” que julga merecer. É de ficar embasbacado com a ligeireza e esquematismo com que se fala de Débord, de Deleuze e Derrida. Já repararam na precaução e nuance com que o MS Pereira escreve a partir da teoria revolucionária do Castoriadis? Nós os dois, mesmo com o dramatismo das distâncias geográficas, tentamos perceber o Castoriadis há mais de 35 anos. Temos troca de galhardetes na Imprensa. Eu até sei que o Silva Marques,antigo funcionário do PCP na clandestinidade,esquerdista trotskar em Paris, deputado do PSD nos anos 80 e industrial de Porto de Mós, juntamente com a dr.a Maria Barroso Soares, adoraram naquele periodo negro de pré-adesão à CE Europeia- va-se lá saber porquê, claro- o que o autor do ” Conteúdo do Socialismo ” defende. Fenómeno de Moda ou vontade de arranjar oportunisticamente munições para combater os estalinistas de todos os bordos? É mais do que evidente, no entanto, que Castoriadis tinha amigos lusitanos em Paris, e tentámos mesmo lançar um movimento em Junho 1974 em Lisboa, na onda do que Artur Portela caricaturava como o” Paris em Lisboa-é-catita-a-valer”…Mas existia uma inércia teórica e táctica muito grande na extrema-esquerda portuguesa refém do marxismo-leninismo-maoísmo, com cambiantes de bas-fond e teatro de Boulevard de grande miséria…Ou de extravagância universitária: com o quebra-cabeças do Althusser e seus muchachos a ” travar” a iniciativa das massas em revolta muito profunda, como os colectivos do Combate e do Acção Directa tentaram dar conta contra ventos e marés no momento certo e sem sofismas. Portanto, eu junto a minha voz anónima aos que procuram ler Débord, Deleuze, Derrida, Guatárri, Negri e Badiou,entre um naipe de teóricos que o NY Times Review of Books aconselha vivamente; reclamando, no entanto, aquela estupenda invectiva que deixou Trotsky boquiaberto e incrédulo no calor da Revolução de Outubro: ” O direito de viver para lá da propriedade privada! “. Niet