Complicações do comunismo

O meu avô materno jogava à bola, e na primeira divisão: era half-back do F.C.Barreirense, nos anos 30 (e muito provavelmente nunca imaginaria que a filha mais velha viesse algum dia a chamar-se Figueira, e menos ainda a ser minha mãe). Chamavam-lhe “o Ruço”, certamente por ser alourado; ora se houvesse Correio da Manhã à época, e este fizesse as confusões do tipo que se conhece, entre o Palácio de Inverno e o Reichstag, ainda teria acabado como “o Russo”, com dois ésses, e sido apodado de bolchevista, em consequência – o que teria muito provavelmente complicado o casamento da sua primogénita e o feliz nascimento do seu filho mais novo: eu.

Sobre António Figueira

SEXTA | António Figueira
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7 respostas a Complicações do comunismo

  1. i.tavares diz:

    Estudei no Alfredo da Silva,no início dos anos 50 do século passado.Não conheci o “Ruço”,mas lembro-me,de ter ouvido falar no “Ruço”.Aliás nos meus tempos de hoquista,tive como companheiro,um amigo do barreiro,que por sinal,tinha como alcunha o “Ruço”,Mário de seu nome.Um familiar muito próximo,treinou com sucesso o Grupo Desportivo da Cuf, depois de ter sido Campeão Nacional de Futebol 2 vezes pelo Glorioso.
    Esta conversa toda,afinal,para dizer que a foice e martelo ficam muito bem, no vermelho vivo,do comunismo.

  2. i.tavares diz:

    Dispersei-me completamente no comentário anterior. O que no fundo queria dizer,é que como alguém,já disse,o til está a mais no título desse jornal.Deve ler-se “Correio da Manha”

  3. António Figueira diz:

    Prezado i.tavares,
    Em abono do rigor histórico, aconselho-o a distinguir o encarnado clubístico do vermelho de classe; dito isto, quem sou eu para discordar que “a foice e martelo ficam muito bem no vermelho vivo do comunismo”?
    Saudações, AF

  4. i.tavares diz:

    Caro A. Figueira, em tempos já falámos,sobre esta confusão de cores.De qualquer modo,tenho que repetir o que em tempos já lhe disse.O encarnado era no tempo do “botas”.

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    António, a doença infantil, de que Cunhal também sofreu, tolda-te a análise no que confere ao futebol. O vermelho e branco já lá andava em 1904 muito anos da outra senhora o encarnar.

  6. António Figueira diz:

    Tiago,
    Em 1904 haveria vermelho e branco, não sei é quem é que o usava: se é ao SLB que te referes, chamo a tua atenção para o facto deste só ter nascido em 1908 (e de a reescrita da história, no desporto como noutras áreas, ser uma prática amplamente desaconselhável). A distrinça entre encarnado e vermelho, de resto, não é minha; ouvi-a muitas vezes a muitos benfiquistas, que por certo não se encaixam na tua mitologia do Benfica enquanto incarnação única ou sequer principal do clube popular português.
    Saudações desportivas, AF

  7. David diz:

    Feliz ou infelizmente, a PIDE sabia bem distinguir entre “ruços” e “russos”. Já agora, havia “pior”: nas listas da CDE pelo Barreiro, no tempo do fascismo, aparecia, sim, um Staline de Jesus, decerto filho de um(a) “russo(a)” e de um(a) católico(a). Isto é que é uma maravilha!

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