Papa Bento XVI leva com uma mulher
Sílvio Berlusconi leva com um Duomo de Milão
George Bush leva com um sapato
George Bush levou com um sapato, Sílvio Berlusconi com a estatueta do Duomo de Milão e mesmo nos últimos dias do ano foi a vez de do Papa Bento XVI levar com uma mulher.
Mais do que a análise da simbologia associada ao que cada um dos ditos cujos levou em cima, que não é secundária, importa sublinhar que esta moda parece ter vindo para ficar.
Bush, qual Napoleão Bonaparte do século XXI, mais não merecia do que uma bela sapatada, metáfora para o mal que fez aos descalços e aos descamisados do Iraque, do Afeganistão e claro, dos EUA. Sílvio Berlusconi, o yuppie que representa a direita mais reaccionária no poder na Europa tem o condão de conseguir conciliar a Máfia siciliana com as correntes católicas ligadas ao Vaticano e os liberais com os neo-fascistas mais não podia do que receber uma miniatura do Duomo de Milão que representa, em pequenino, tudo aquilo em que ele é gigante a concretizar. Em Itália os imigrantes têm menos direitos do que os animais, vive-se sem nenhuma liberdade de informação com os acólitos do poder a dominar 90% da comunicação social, e onde diariamente se assaltam direitos em nome da privatização de tudo. O Papa Bento XVI com a sua doutrina ultra-conservadora, contra o preservativo e portanto pela Sida, contra a liberdade na orientação sexual e portanto pela omnipotência e presença da heterosexualidade, só podia levar com uma mulher no colo, que seja fã, louca ou “terrorista”, não deixou de terminar com chave de ouro o ano das oferendas.
Este tipo de acção, acrescida do cada vez maior número de acções de desobediência civil e militar (Israel e os EUA lideram as estatísticas de desertores), demonstra que cada vez mais pessoas deixaram de ver as instituições clássicas como uma ferramenta de participação na sociedade. Para lá das discussões mais ou menos teóricas sobre a legitimidade do uso da violência urge perceber os mecanismos que sobram para combater a ordem mundial. A via eleitoral frustra os activistas mais radicalizados e mesmo aos moderados dá provas a cada momento do seu alcance limitado e carácter provisório. Os partidos à esquerda domesticaram o seu discurso em nome do passaporte para entrar no arco da governabilidade e deixam progressivamente de ser vistos como alternativa, sendo tomados a cada dia que passa como parte do problema mais do que a parte necessária para a solução. Em Portugal, PCP e BE são cada vez mais vistos como partidos iguais aos outros, capazes de trocar princípios, valores e programa em nome de meia dúzia de cadeiras no circo de representação democrática, das autarquias ao parlamento, passando, muito em breve, pela “Alegre” entente presidencial. As vias clássicas de resistência, na figura dos sindicatos, só a espaços se mostram capazes de transformar em política as necessidades dos trabalhadores que representam e demasiadas vezes são correias domesticadas da cor politica que os domina, seja recorrendo a um filtro mais amarelo ou mais vermelho. Tornaram-se o principal aliado dos patrões na gestão da crise nas unidades produtivas, realidade que a Auto Europa ilustra como mais nenhuma outra. Quando dirigem mais do que a conta, e atrás deles na Avenida da Liberdade ou no Parque das Nações estão mais do que a meia dúzia de gatos pingados do costume, as lideranças sindicais são igualmente o melhor amigo do governo e assumem verdadeiramente o papel do polícia de proximidade dos contestatários. A generalidade das Organizações Não Governamentais cada vez mais vinculadas a negócios obscuros de lavagem de dinheiro (entre outros crimes que têm vindo a público da pedofilia ao tráfico de órgãos), na melhor das hipóteses mais não fazem do que cumprir o papel do bom samaritano hipócrita de excedentes. Compactuam com as máfias e as burocracias dos países pobres e em vias de desenvolvimento e mais não querem do que lucrar, tal qual as empresas, com o negócio da misericórdia.
Neste quadro, os muitos milhares de pessoas que se organizam e organizam a sua vida para lutar por outro mundo possível querem cada vez menos profetas e líderes de fato e gravata, que encabeçam manifestações contra a guerra e o neo-liberalismo enquanto são oposição e fazem o mesmo do que contestaram quando chegam ao poder. Foi essa capitulação que implodiu com o Fórum Social Mundial, por mais que Boaventura e sociólogos afins não queiram ver que o seu movimento de influência bem-educada chegou ao dia de finados. Apesar da implosão do que se julgava ser o fiel representante da geração de Seattle as pessoas continuam nas ruas e cada vez mais conscientes e radicalizadas. Essa foi a única boa notícia de Copenhaga, mas não foi pouco pois foi também a melhor notícia do ano.
Porque então essa radicalização? Só demasiada ingenuidade poderá deixar alguém sem resposta. O maior movimento social de sempre e o primeiro verdadeiramente global não foi capaz de parar pela força do protesto pacífico as guerras do Iraque e do Afeganistão. As maiores passeatas de que há memória, dos três milhões de Roma ao milhão e meio de Londres, passando pelos muitos milhares de Barcelona, Nova Iorque, Tóquio, Cairo, Paris, Berlim, Joanesburgo, São Paulo, Caracas, entre tantas outras cidades que desceram às ruas em peso a reclamar o fim da guerra, viram a democracia ser-lhes negada. As lideranças fizeram letra morta das reivindicações e menosprezou a vontade de uma molde que mesmo dominada pela propaganda do medo imposta desde o 11 de Setembro de 2001, foi ainda capaz de ter clareza para perceber que não se ataca o terrorismo com outro terrorismo pior.
O resultado é catastrófico. Os dominantes não souberam sequer aprender com as lições da velha social-democracia preventiva. Continuaram em guerra no plano militar e no plano social onde o desemprego e a exclusão são também armas de destruição maciça gerando um barril de pólvora que pode rebentar a qualquer momento.
Os senhores do mundo não podem senão esperar por mais actos individuais desta ou de outras tipologias bem mais violentas bem como o radicalizar dos que colectivamente procuram combater as injustiças da contemporaneidade e abrir caminhos a sociedades mais fraternas. Já poucos acreditam em beijinhos e a revolução será indubitavelmente feita à bofetada.
C’est lá vie et c’est le marche.




O St Niklas chegou mais cedo este ano.
O Berlusconi apanha nas trombas e o Papa apanha com uma histérica vavavoom.(o avoo do papa até tem piada…nem a rena predilecta do pai natal dá saltos daqueles LOL)
As revoluções são sempre feitas à bofetada. ou seja, tudo acaba e começa com a capacidade de andar à bofetada. daí a importância da estratégia (Illiych)
Mas, contudo, não obstante, diz o Renato, devemos: “perceber que não se ataca o terrorismo com outro terrorismo pior.”
tem tudo que ver com o/a tipo(logia) da bofetada, não é, caro Renato????
concordo plenamente com a tua afirmação: não se combate um terrorismo teocrático com um terrorismo pior (imperial-militaristic). mas com um “terrorismo” mais inteligente, quiçá?? ou será que, para ti, não há nada para combater?? falsos inimigos?devaneio imperial-capitalista, esta problemática dos terrorismos e contra-terrorismos??o que é que, na tua opinião, causa o terrorismo??? o dos estados e dos movimentos radicais???
Pelo menos concordamos acerca disto: ” A revolução será indubitavelmente feita à bofetada.” C’est la vie, sem dúvida. A ciência de bofetada.
Mas tudo o que temos no horizonte é a formação de “sociedades mais fraternas” (tudo será resolvido SE…as benditas sociedades fraternas!! Renato, eu sei q o Pai Natal anda por aó, mas, bolas…isto é um “paz na terra” do Natal LOL
um Feliz Natal para
ti,
desculpas.
este teu post tá mt bom. gosto sempre de ler um texto com o qual posso concordar e discordar ao mesmo tempo (em partes distintas).
as ONG’s a lavar dinheiro? damn. tás a ver, where is your fraternal society, homes??
é muito mais confortante ser um céptico, renato.
cumps
ezequiel
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“Breakin the law” (from Nederlands)
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Ezequiel, não tem nada que ver com a procura da posição mais confortável. Hoje por hoje essa até é a dos novos partidos de esquerda onde sem perder a pinta esquerdista se pode almejar (sem para isso ter que se ter grande competência) um lugar ao sol nos parlamentos de Bruxelas, a Lisboa a Alguidares de Cima. O cepticismo é a melhor maneira de não nos deixar levar quer pelo oportunismo quer pelos impressionismos agit-troopianos que estão sempre a prometer as revoluções para amanhã de manhã.
A formulação sociedade mais fraterna não é obviamente um programa acabado. É uma formulação que procura levar o leitor para a ideia que quase tudo é melhor do que o que temos e que antes dos processos revolucionários é difícil e muito pouco sensato prometer o programa perfeito. Ninguém nunca o teve e acredito que ninguém nunca o terá. Sabemos das grandes linhas orientadoras (nacionalização, democratização, universalização dos direitos, fim da propriedade privada, etc, etc) mas não sabemos nem ainda inventamos um burocraticida capaz de impedir o nascimento das burocracias por dentro das revoluções. Algo que impeça que se retire o protagonismo ao sujeito histórico para o delegar neste ou naquele Bonaparte de turno.
Tem tudo então a ver com a tipologia da bofetada e consequentemente, do “terrorismo”. Esta expressão que a uso quase sempre entre aspas é redutora para quase tudo e nos tempos que correm todos os que combatem o sistema (como antigamente quem combatia o colonialismo) se arriscam a ser acusados. Num quadro de guerra imperialista devo dizer-te que prefiro a vitória militar (que não vitória política) da resistencia islâmica do que a vitória dos neo-colonos. E esta é uma posição política que (à imagem da discussão sobre a violência) demarca toda a esquerda.
Há muito a combater, obviamente. Dos falsos amigos aos inimigos declarados. A discussão está então nos métodos… que os que nos são dados como naturais começam a ter o prazo de validade esgotado. E é aqui que surge a grande discussão para o futuro da resistência internacional.
(…) contra o preservativo e portanto pela Sida (…) é o mesmo que eu dizer que o Renato Teixeira por ser um ateu de esquerda é uma besta. Não tem nada a ver. Mas pelo que vejo, aqui, pelo 5 dias, há coisas óptimas e bem escritas e pessoas más e muito medíocres. É como tudo na vida, afinal. E infelizmente não há doidos suficientes para atirar miniaturas, sapatos ou sapatadas a quem os merece.
“Ateu de esquerda e uma besta”, tal qual o Papa “é contra os preservativos e pela Sida”. Elementar meu caro Nuno Resende.
Excelente post. A revolução será indubitavelmente à bofetada. É preciso perder o medo e escolher criteriosamente as faces.
O Papa Bento XVI é uma das grandes personalidades mais destacadas neste século novo.
Afirmar que ele é ultra-conservador é uma pegada anedota.
Ele defende a perenedidade da Igreja.
Que dizer de Fidel Castro e de Cuba que perseguiu e persegue os homossexuais?
Que dizer da ex-União soviética que perseguiu e condenou ao degredo muitos homossexuais e outros que comungavam de práticas sociais desviantes?
Que dizer do Partido Comunista Português, cuja história está recheada de persuiguição e exclusão de militantes homossexuais?
Quem leu como eu o livrinho “Superioridade Moral dos Comunistas”
devia saber que há muitos comportamentos tidos como fracturantes ou avant-gard que são igualmente condenados, quer pela ideologia comunista, quer pela religião católica.
Basta dizer que sempre a Praça Vermelha e a Praça de S.Pedro sempre tiveram mais semelhanças do que diferenças.
Qualquer dia este blogue é uma sucursal do fracturante, esquerdista e politicamente, ambientalmente e estupidamente correcto BE….
Obrigado pela clarificação.
O céptico sou eu.
Os que combatem… são os que combatem o sistema capitalista, a democracia liberal representativa e a globalização, certo??? Eu acho q um de nós está enganado acerca da natureza dos combatentes-resistentes.
Tal como suspeitava, explicaste uma coisa através de outra. Estabeleceste uma pirâmide. Tem tudo q ver com os neo-colonos e a dita “resistência.”(e eu q pensava que os gajos desejam instituir um califado global (que faria o Papa corar de vergonha). É mesmo coisa de “resistentes.” (n duvido q sintam q são resistentes…sentem-no, sem dúvida)
Tou com os brônquios a saltarem-me pelas orelhas. É Natal. O Berlusconi levou nas trombas, o Papa deu estacada…lets be merry!! lol
” Num quadro de guerra imperialista devo dizer-te que prefiro a vitória militar (que não vitória política) da resistencia islâmica do que a vitória dos neo-colonos.”
Ou seja, na tua opinião, eles podem e devem ganhar no “campo de batalha” mas não no campo político?? Porque é que introduzes esta diferenciação (que não vitória política)?? O que é que te faz hesitar aqui?? Será que desejas que os resistentes ganhem militarmente os neo-colonos mas que, oops, não conquistem o poder político??????????? LOL Pois, pois, caro Renato. É difícil para um esquerdista ver-se estar ao lado de um padreco fervoroso.
cumps
ezequiel
cumps
ezequiel
o que é que seria, para ti, uma “vitória política” da “resistência”? e o que é há de indesejável nisto? (na vitória política)
ciao,
z
‘O Papa Bento XVI é uma das grandes personalidades mais destacadas neste século novo.’Basta ter pertencido á Juventude Nazi e,tá tudo dito!Aliás,daquele duomo é só personalidades q tÊm feito avançar a civilização
Tudo o acordo com o Diogo (obrigado pelo elogio) e com a Marilu…
Abilio Rosa, a mania de analisar a história por comparações, bem como a mania de responder às idiotices de uns com as idiotices de outros nao acrescenta nada ao debate e transforma-o num debate entre benfiquistas e portistas. Não há paciencia. Bento XVI é um reaccionário (um dos mais vindos do Vaticano) tal como Fidel relativamente aos homosexuais e tais como a generalidade dos comunismos reais relativamente aos comportamentos desviantes e aos opositores políticos. A imbecilidade de uns não absolve a dos outros. A não ser claro… que prefira falar de futebol. Quanto ao facto de este blog se transformar numa correia de transmissão do “fracturante” (ainda é?) BE esteja descansado. Há poucas hipoteses de isso vir a acontecer.
Ezequiel, vitória militar significa exactamente isso: vitória militar. A do Hezbolah e do Hamas sobre Israel, a da resistencia iraquiana e afegã sobre os exercitos da coligação imperialista. Sublinhar que isso não equivale à defesa da vitória política dessas organizações é importante uma vez que a social-democracia perde metade do seu tempo sobre o tema a acusar a esquerda radical de capitular à agenda das organizações islamicas. Não defendo um Estado Islamico… de resto, eu, como imagino o Ezequiel, estariamos na primeira linha dos fuzilados caso vivessemos num regime islamico que tão bem acolhe ateus, comunistas, autonomistas e libertários afins… O mesmo não significa dizer que por não defender a vitória política dos movimentos islamicos defendo a vitória política dos imperialistas. Acho que a alternativa laica e socialista terá que vir das próprias populações… se assim o entenderem.
Foi pena o raio do velho não ter ficado com os cornos partidos quando a maluca lhe saltou para cima.
” Ezequiel, vitória militar significa exactamente isso: vitória militar. A do Hezbolah e do Hamas sobre Israel, a da resistencia iraquiana e afegã sobre os exercitos da coligação imperialista. Sublinhar que isso não equivale à defesa da vitória política dessas organizações é importante uma vez que a social-democracia perde metade do seu tempo sobre o tema a acusar a esquerda radical de capitular à agenda das organizações islamicas. Não defendo um Estado Islamico… de resto, eu, como imagino o Ezequiel, estariamos na primeira linha dos fuzilados caso vivessemos num regime islamico que tão bem acolhe ateus, comunistas, autonomistas e libertários afins… O mesmo não significa dizer que por não defender a vitória política dos movimentos islamicos defendo a vitória política dos imperialistas. Acho que a alternativa laica e socialista terá que vir das próprias populações… se assim o entenderem.”
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Caro Renato,
uma vitória militar é, quase sempre, uma vitória política!! desde quando pode-se dissociar a guerra da política, caro Renato.
Tu queres ver a coligação imperial derrotada pelos teocratas que nos assassinariam num abrir e fechar de olhos. nem sequer te dás ao luxo de qualificares os gajos que nos mandavam pas urtigas e a quem desejas vitórias militares. dumbfounded. perplexidade é coisa pouca
Tu não capitulaste à agenda das organizações radicais islâmicas. Apenas lhes desejas vitórias militares. (sobre um mal maior, certo??)
Foi muito elucidativo, caro Renato.
Cumprimentos,
ezequiel
Renato vai andar de descapotável pelas ruas da figueira da foz, reflecte um bocado e depois vem falar de alianças com o patronato e de defesa e de capitulação de classe.
Tal como os cristãos-novos são os maiores fanáticos religiosos, também os putos pequenoburgueses são os maiores radicais, como dizia o Álvaro, de fachada socialista.
Apesar de não me apetecer meter no mesmo saco Ratzinger e Berlusconi, parabéns pelo post.
E sublinho uma coisa importante: todo aquele que ataca uma instituição (poderosa) é logo classificado como tendo “problemas mentais”.
Ah, a lucidez…………
os 3 milhões e tal, e os 1,5 milhões viram ser-lhes “negada a democracia” porque essa “democracia” não lhes reconhece consequência ou real contestação. o que quero dizer é que no dia x do mês y à hora tal estiveram 3 milhões a marchar em roma, que no dia x+1 do mês y a todas as horas não contestaram, não se organizaram, não foram consequentes.
os interesses que hoje mandam não têm medo de manifestações nem de lutas, e tão pouco de contestações pontuais (por muito gigantescas e justas que estas sejam). até as promovem, porque enquanto forem pontuais e quasi-espontâneas não são reflexo de um verdadeiro movimento de mudança, consciencializado e um verdadeiro perigo para o estado de coisas.
infelizmente a verdade é essa, e não quero dizer com isso que tenho verdades absolutas ou que não haja lugar ao contraditório (até porque se este comentário for lido, certamente haverá). agora, sempre gostei pouco de ter opiniões meramente teóricas e isto que escrevo é aquilo que vejo todos os dias. sou eu, individualmente, mas suponho que seja uma realidade mais alargada..
Ezequiel, acha que há algum problema em estar militarmente com quem estava contra o Nazi-fascismo na IIGG e simultaneamente não defender politicamente a agenda política dos vencedores, de Moscovo, a Londres e Washington? Espero que este exemplo clarifique a distinção que faço entre unidade militar e unidade politica. Tem portanto razão quando diz que fui elucidativo.
Marco Santos, lamento mas nem tenho nem aprecio descapotáveis apesar de simpatizar com algumas coisas na Figueira da Foz. O Álvaro (imagino que seja ao Cunhal que se refere), ao contrário do senhor, sabia que conseguia bons militantes políticos oriundos da pequena-burguesia. Captou e formou politicamente alguns. Com a quantidade de filhos proletários que têm vindo a trair a classe operária pergunto-me qual será a sua alcofa.
Carlos Vidal, mete nojo a psiquiatrização da dissidência. A política, como a que temos vindo a falar, e a organizativa. Desde que conheço organizações políticas vejo isso acontecer. Dissídio é louco. Os defensores e utilizadores do método da psiquiatrização na disputa ideológica e política repugnam-me mas simultaneamente dão-me pena. No fundo, sabem que apesar de terem ganho no xadrez perderam na filosofia.
Biseu, as manifestações e as lutas assustam quando metem medo. La palice. Quando diz que as orquestras sindicais, religiosos ou partidários pouco medo metem, tem toda a razão. Particularmente em Portugal onde temos os partidos que temos (e se calhar merecemos).
Agora terá que convir que os últimos dez anos deram um alento especial a quem tem gosto em ver as instituições ultrapassadas pela acção popular. E como poderá concluir, quase sempre com o recurso a variadíssimas formas de luta e claro, manifestações.
As manifestações simultâneas contra a guerra perderam não porque foram poucos, mas porque se conformaram com os discursos inflamados dos seus dirigentes que uma vez no governo mantiveram praticamente as mesmas frentes de guerra.
Caríssimo, volto à vaca fria, como se costuma dizer (e estamos de acordo com esta constatação); nota que quem mais embandeirou em arco com a psiquiatrização da dissidência e da contestação (fosse ela pacífica ou violenta era a mesma coisa) foi o nosso conhecido “arrastão”.
Ora, um bravo aquela gente!
fica-lhes bem na lapela argumentativa: “a via tarada para o socialismo”.
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