Estou incomodado
24 de Dezembro de 2009 por António FigueiraO meu filho, que tem 13 anos, é sócio do Sporting. Porquê? Não é certamente pela mística (horror!), nem tão só pela hereditariedade (eu próprio sou sportinguista desde miúdo, como o meu pai e os meus tios afectivamente mais significativos e o pai deles o foram antes de mim); descontando o leão e as riscas verdes, que são de facto muito bonitos, mais a lenda dos Stromps, o que conta no Sporting é o estado de espírito: um clube clean, esforço, devoção, dedicação & glória: não queremos apenas ganhar ao Benfica (ao Porto também, mas não conta tanto, fica muito longe), queremos ser diferentes: não há mística, não há catedral: há sportsmanship, civilidade, desportivismo: antes o desporto que o clube, porque o clube é o desporto. Acontece que o actual rumo do futebol do Sporting parece ser o contrário de tudo isto, e eu (que fui avisado da contratação do João Pereira por um sms fora de horas do meu filho) não sei o que hei-de responder-lhe agora se ele me perguntar por que razão somos nós sportinguistas: é que eu ando há anos a tentar explicar ao Nuno Ramos de Almeida que os partidos também têm o seu quê de clubes desportivos, que, para além das pessoas e das políticas do momento, há identidades duradouras, us against them, cores, símbolos, afectos, que é preciso aceitar e respeitar, na longa duração, mas também penso o contrário disso, que os clubes não são só cores, os verdes contra os encarnados da bandeira, mas também têm, se não programas, pelo menos princípios, sem os quais perdem o sentido. Gostava muitíssimo que alguém na actual direcção do meu querido SCP percebesse isto.

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